segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ernest Borgnine e o segredo da longevidade

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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No último dia 12 de novembro estreou no Brasil RED- Aposentados e Perigosos, um daqueles filmes deliciosamente descartáveis, que servem para você se divertir, pura e simplesmente. Não há grandes discussões de temas profundos, as cenas de ação são as mais surreais e inacreditáveis possíveis e o humor dá o tom dos diálogos. RED é, na verdade, uma homenagem a grandes atores, que nos últimos 30 anos preencheram as telas de cinema e nos fizeram mais felizes (John Malkovich, para variar, dá um show). Acontece que no meio desta turma, aparece um cara que está há 59 anos ininterruptos no cinema e na TV e é uma lenda entre os cinéfilos, Ernest Borgnine.

Aos 93 anos de idade, Borgnine desfila simpatia em uma ponta do filme. Em termos de idade avançada ainda na ativa, perde apenas para Elli Wallach (que apareceu em Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) e Kirk Douglas ( pai de Michael Douglas que mesmo depois de um derrame, fez shows de stand up), ambos com 94. Borgnine sempre foi o coadjuvante de luxo que marcava o filme. Foi assim em Os 12 Condenados, Meu Ódio Será Tua Herança, Fuga de Nova York e Gattaca.

De sua longa carreira, dois papéis se destacam, o Sargento “Fatso” Judson de A um Passo da Eternidade e o açougueiro Marty Piletti de Marty. O primeiro quase acabou com sua carreira, pois o ator fazia um sargento da PM que espanca o soldado interpretado por Frank Sinatra e acaba o matando. Para o público, que via o cantor como um símbolo sexual, aquilo era uma heresia e Borgnine foi hostilizado por um trabalho bem feito. Dois anos depois, em 1955, ele aparece na pele de um sensível e tímido açougueiro quarentão no Brooklin. Morando com a mãe, ele acaba conhecendo a professora Clara e vê nela uma maneira de deixar a solidão. Sua interpretação lhe rendeu o Oscar de melhor ator, batendo medalhões como Spencer Tracy, James Dean e Jimmy Cagney.

Borgnine fez vários seriados de TV como Future Cop, Águia de Fogo e The Single Guy, apareceu em ER, The District, Family Law, entre outras e ainda dublou o “Mermaid Man” no desenho animado Bob Esponja. Em 2011, ele ainda vai dar as caras em quatro produções. O segredo para tanta disposição? Quando perguntado sobre isso no programa Fox & Friends em 2008, ele brincou: “eu me masturbo para caramba”. Taí uma boa filosofia de vida, de um homem que a curte muito.

Shrek e outros grandes “homens” das animações

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Na primeira semana de dezembro, já mirando o natal, chega às lojas a quarta e última aventura do ogro Shrek nas lojas. É Shrek Para Sempre, onde o personagem, ao fazer um pacto com o duende Rumplestiltskin, acaba mudando todo o passado e criando uma realidade alternativa. O filme deixa claro que esta é a última aventura do herói, mas pode abrir caminho para spin-offs com, por exemplo, o excelente Gato de Botas de Antonio Banderas. Shrek, o primeiro, pegou todo mundo de surpresa em 2001 com sua sátira aos filmes fofinhos da Disney, mas mais do que isso, introduziu ao mundo um ser fictício que reflete aquilo que muitos homens gostariam para si. Ele é feio, grosso, com péssimos hábitos de higiene, antipático, egoísta e agressivo mas não só consegue conquistar a princesa gostosona, como ela acaba se adaptando ao seu estilo de vida, tornando-se igual a ele!

Existem, porém, outros personagens de desenhos animados que também refletem as diversas facetas do mundo masculino. Um deles é o sensacional Bob Parr ou Sr. Incrível da única animação que mostrou os efeitos da crise da meia idade em um homem, Os Incríveis da Pixar. O cara começa gordo, frustrado, em uma família disfuncional, com pequenas fugas noturnas com um ex-colega de profissão, para depois descobrir que um pouco de aventura não faz mal a ninguém e que acaba incentivando-o a manter a forma e se dedicar ao seu próprio bem-estar. O que acontece neste caso, porém, é que o cara recebe no final todo apoio da família, apesar da vida dupla. Nem sempre isso acontece fora dos desenhos.

A Disney se especializou em criar grandes vilãs para seus desenhos, mas alguns vilões até que são interessantes como Shere Khan em Mowgli, Clayton em Tarzan ou Gaston de A Bela e a Fera. Só que Jafar de Aladdin é que dá um show com sua classe, calma e segurança. Ele reflete o cara que não mede esforços para conseguir o que quer. Primeiro ele controla sutilmente o chefe, depois tenta entrar para a família do superior hierárquico à força e quando tudo dá errado, ele consegue uma ajuda forte o suficiente para se tornar o bambambam do negócio e colocar a chefia aos seus pés. E a gente não pode esquecer que mesmo ele sempre anda com o puxa-saco de plantão, o papagaio Iago.

O que acontece quando você é um adolescente revoltado, líder de uma gangue e seu melhor amigo começa a ficar poderoso demais? Você se alia a um pessoal da pesada e tenta colocar o desafeto na linha. Assim é Kaneda, o personagem principal de uma das melhores animações já realizadas, Akira de Katsuhiro Otomo. O filme consagrou mais do que a técnica de desenho com 327 cores diferentes, 2.212 tomadas e 160.000 figuras individuais (3 vezes mais que um desenho convencional). Na verdade, fez com que muito marmanjo quisesse uma motocicleta como a do protagonista do filme. Com ela, você não só poderia arrasar nas ruas, como teria todo o direito de gritar “Tetsuo” à vontade!

Finalmente temos o último e maior representante da complexa atitude masculina frente a uma mulher, o lobo do clássico e sensacional desenho de Tex Avery, Red Hot Riding Hood. O curta, uma sátira adulta à Chapeuzinho Vermelho, com a menina como uma corista em um clube e o lobo como o cara que quer tê-la a qualquer custo, foi realizado em 1943 pela MGM e foi considerado o sétimo melhor desenho já produzido pelos especialistas em animação, apesar dos problemas com a censura na época. Depois dele, o clássico assobio ao se ver uma mulher, passou a ser conhecido nos Estados Unidos como “Wolf´s whistle” ou assobio do lobo. Em O Máscara, Jim Carrey repete a mesma sequencia de exageros faciais e no comportamento ao ver Cameron Diaz no restaurante. Assista o clássico abaixo (com legendas em espanhol) e depois confesse: quantas vezes você não uivou frente a um belo corpo?

Dois homens, uma mulher e o Texas

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Se estivesse vivo, Roy Harold Scherer Jr. ou Rock Hudson como ficou conhecido, teria completado ontem 85 anos. Alto, bonito, simpático e charmoso, foi um dos maiores galãs e símbolo de masculinidade que já apareceu nas telas, apesar de sua vida secreta. Ele ficou muito popular nos anos de 1960 com suas comédias deliciosas e açucaradas ao lado de Doris Day e Tony Randall como Confidências à Meia-Noite ou Não me Mandem Flores e depois como Stewart McMillan na ótima telessérie policial Casal McMillan, que durou de 1971 a 1977. Só que não houve nenhum papel que tivesse o impacto e a força de seu Jordan “Bick” Benedict Jr. de Assim Caminha a Humanidade lançado em 1956.

Baseado na obra de Edna Ferber (que escrevera outra obra que se tornou sucesso nos cinemas, Cimarron) e dirigido por George Stevens (ele ganhou um Oscar por ele e também ficou conhecido por ter filmado a liberação -- real -- dos campos de concentração nazista), o filme ficou marcado por ter sido o último trabalho do ícone da rebeldia James Dean. Se você nunca assistiu, Giant - o nome original e não o exagero brasileiro -- narra a história da transformação do Texas, de suas enormes fazendas de gado nos anos 1920 para o pólo petrolífero dos Estados Unidos na década de 1950, focando em uma família, os Benedict. Mostra desde o casamento do fazendeiro texano Jordan com a nortista Leslie (Elisabeth Taylor, deslumbrante) até os primeiros anos de seus netos. No meio disso tudo, existe o empregado da fazenda, Jett Rink (James Dean), que vai dar muita dor de cabeça ao seu patrão. Enquanto nos faroestes ser homem era sobrepujar o outro atirando mais rápido, aqui a luta entre os dois rivais se dá através de poder e do dinheiro. Principalmente quando o que está em jogo é a atenção de Elisabeth Taylor

Em três horas e vinte de narrativa (que você não sente, porque é uma aula de cinema), vemos passar tipos maravilhosos e envolventes como Luz, a durona irmã de Jordan, interpretada por Mercedes MacCambridge; a filha rebelde do casal principal, Luz Benedict II (a maravilhosa Carroll Baker que era mais velha que Taylor); o filho que causa um desgosto danado ao pai Jordan ao se casar com uma mexicana (Dennis Hopper, 13 anos antes da psicodelia de Sem Destino) e o melhor de todos, o Tio Bawley (Chill Wills) que serve de consciência para todos os personagens e que tem as melhores sacadas do filme (por exemplo, quando Dean acha petróleo em seu pedaço de terra e esfrega isso na cara de Rock Hudson, o velho só faz um comentário: “Você devia ter atirado nele anos atrás. Agora ele é muito rico para ser morto”).

James Dean, aliás, especializara-se em personagens tão tristes e problemáticos como ele mesmo. Fez um filho rebelde em Juventude Transviada, outro filho com graves problemas paternos em Vidas Amargas e agora seu Jett Rink, baseado no magnata do óleo Glenn McCarthy, não foge à regra, com terríveis questões de autoridade, desafiando o patrão e, depois de rico, tornando-se seu maior concorrente. Dean era um ator do “método” de Lee Strassberg e do Actors Studio e apesar de discutir à beça com o ditatorial Stevens, imprime em Rink uma profundidade e força que são difíceis de se encontrar até hoje. Um dos destaques na formação do personagem é sua maneira de encerrar uma frase, movendo a mão de um lado para outro e olhando para o lado, que além de marcante, faz com que você saiba que, com isso, ele estava mandando seu interlocutor para um pouco mais longe que o Rio Grande. Já Hudson consegue fazer um Bick bronco, durão e ao mesmo tempo sensível e paternal, que vai descobrir que seu estilo de vida e de pensamento estão caindo em desuso à medida que a história se passa. Sua conclusão no final que seu neto mestiço (meio chicano, meio americano) parece ser mais esperto que o neto 100% americano é um divertido sinal dessa evolução.

Brilhantemente fotografado, Giant discute racismo, concorrência, política, amadurecimento, riqueza, rebeldia e transformação. O filme consolidou a carreira de Hudson e Taylor e transformou Dean (que morreu em um acidente de carro no fim das filmagens) em uma lenda. Mesmo se o estúdio tivesse dado seguimento à idéia original de colocar Grace Kelly, John Wayne e Alan Ladd nos papéis principais, ainda assim seria um filme fascinante. Apesar do custo de cinco milhões (contra dois do orçamento inicial) e de ter ficado um ano sendo editado, foi a maior bilheteria da Warner Brothers por décadas, sendo que essa marca só foi superada em 1978 com o lançamento de Superman -- O Filme. É um dos meus filmes favoritos e recomendo a qualquer um que queira ver como um homem de verdade pode ser.

15 filmes de invasão alienígena

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Depois dos zumbis e dos vampiros, o cinema agora se volta (de novo) às invasões alienígenas. Primeiro veio o ótimo Distrito Nove, um dos filmes mais inventivos e bem feitos já produzidos, o independente Monsters – que segundo os comentários no site IMDB é um desperdício de boas idéias e para 2011 vem aí Battle: Los Angeles, onde a cidade dos anjos é atacada por seres de outros planetas e Cowboys & Aliens, que narra o que acontece com uma nave espacial que cai em uma cidade do velho oeste.

A Terra já foi visitada várias vezes nas grandes telas, por raças aliens do bem e do mal ,em produções boas e péssimas. Aqui vão 12 delas que são geniais e três totalmente dispensáveis.

OS 12 FILMES IMPERDÍVEIS:

1. Guerra dos Mundos (1953): esqueça a versão de 2005 feita por Spielberg e com Tom Cruise tentando ser um bom pai. O clássico de George Pal não só é considerado uma das melhores ficções científicas de todos os tempos, como também o melhor filme de invasão pela crítica especializada, graças ao design das máquinas de guerra marcianas e à condução da história . E mais, no final dá para você entender que foi um vírus que acabou com os aliens e não o Tom Cruise.

2. Vampiros de Almas (1956) e Invasores de Corpos (1978): esse é um exemplo de refilmagem tão boa quanto a original. A versão de 1956, com Kevin McCarthy, se tornou obrigatória para qualquer cinéfilo, mas as opiniões se dividem, pois para uns ela é uma crítica ao comunismo, enquanto para outros é uma fábula sobre o maior inimigo americano dos russos, o macartismo. Em 1978 foi refilmada com Leonard Nimoy e Donald Sutherland com a mesma história: alienígenas invadem a Terra e se apossam da identidade dos humanos eliminando-os e substituindo-os por seres sem emoções e conformistas. O mais impressionante é que essas duplicatas eram geradas dentro de enormes vagens. Em 2007, a trama foi mais uma vez reciclada no péssimo Os Invasores.

3. O Dia em que a Terra Parou (1951): um filmaço quando o mundo temia uma guerra nuclear, uma porcaria na edição de 2008. O libelo pacifista da década de 1950, mostrava um alien, Klaatu e seu robô Gort, que pousam na Terra em nome de outros planetas para alertá-la que, se as guerras não acabassem, o mundo seria destruído. O diretor Robert Wise levaria, anos depois, Star Trek às telonas com o primeiro filme da cinessérie e consagraria a frase “Klaatu Barada Nikto”. Imperdível.

4. Plano 9 do Espaço Sideral (1958): já foi considerado o pior filme de todos os tempos e hoje é um dos mais cultuados trash movies, com uma legião de fãs de seu diretor, o péssimo Ed Wood. Com Bela Lugosi, o viciado ator que incorporou Drácula na versão de 1931, contava a história de dois alienígenas que cansados dos humanos, resolvem resssucitar mortos e vampiros. Lugosi morreu no meio das filmagens e foi substituído por um sósia que ficava o tempo todo com o rosto coberto por uma capa. Em tempo, nunca é explicado quais foram os planos de um a oito.

5. A Bolha (1958): Steve McQueen sempre declarou que se arrependia até o fundo da alma por ter participado desse filme, sua segunda aparição nas telonas. A trama é ótima: um ser alienígena em forma de massa gelatinosa vai consumindo tudo que aparece na sua frente e vai crescendo a proporções gigantescas. Foi refilmado 30 anos depois como A Bolha Assassina com Kevin Dillon e efeitos especiais nojentos.

6. Enigma de Outro Mundo (1982): refilmagem de Monstro do Ártico de 1951 e um classicásso de terror do segundo diretor mais trash de todos os tempos e rei das telas nos anos 80, John Carpenter. Cientistas na Antartida se deparam com uma alienígena capaz de mudar de forma e assumir a identidade de quem ele mata. Destaque para a cena da cabeça com perninhas, capaz de fazer você lembrar do jantar de dois dias antes.

7. Força Sinistra (1985): nessa ficção inglesa, uma nave que está explorando o cometa Halley (moda na época) traz para a Terra uma força do mal alienígena que transforma a população de Londres em zumbis. O lance principal do filme é que o ser de outro planeta é a estonteante atriz Mathilda May que passa os 116 minutos da história totalmente nua e mostrada de todos os ângulos, ou seja, você quer se abduzido por ela o tempo todo. Os nerds viram que ficção podia ser sensual (e depois voltaram a babar com A Experiência de 1995 com Natasha Henstridge).

8. Predador (1987) e Predador 2 (1990): pode falar o que for, mas os dois primeiros filmes da saga do Predador são muito bem bolados, bem filmados e com ótimas histórias, especialmente o primeiro mostrando aquele bando de machos estereotipados quebrando frente a algo que eles não podiam entender. O segundo, que substitui a selva da America Central pela selva urbana de Los Angeles não fica atrás e explica a motivação dos aliens. Gerou sequências idiotas.

9. Independence Day (1996): o filme pode ser a peça mais americanófila já feita no cinema, mas foi a primeira vez que o diretor Roland Emmerich destruiu o mundo (depois vieram Godzilla, O Dia Depois de Amanhã e 2012) e os efeitos especiais impressionavam como a destruição da Casa Branca e de outros famosos pontos turísticos americanos.

10. Men in Black (1997): totalmente inspirado nas lendas urbanas dos homens de preto e da Área 51 e baseado em uma história em quadrinhos, o filme é um clássico de humor, especialmente com o cinismo e frieza do agente K de Tommy Lee Jones e o Chefe Zed de Rip Torn. Destaque também para a interpretação física de Vincet D´Onofrio como o homem que é possuído pelo alien barata. Piadas com celebridades sendo de outros planetas como Elvis, Micheal Jackson e Dennis Rodhan são ótimas.

E TRÊS FILMES QUE VOCÊ DEVE PERDER:

1. Sinais (2002): M. Night Shyamalan é a prova de que se você começa do alto, seu único caminho será descer. Fez o genial O Sexto Sentido e depois nunca mais conseguiu realizar nada realmente bom, culminando com o terrível Mestre do Ar. Neste aqui, Mel Gibson é o reverendo e fazendeiro Graham, que perdeu a fé em Deus e acaba vendo que as estranhas formas geométricas em seu milharal são indícios de uma invasão alienígena.

2. A Reconquista (2000): O que você faz quando se é membro de carteirinha da cientologia? Leva às telas um dos livros de seu fundador, L. Ron Hubbard! Foi o que fez John Travolta nesse péssimo filme onde no ano 3000 a humanidade escravizada por uma raça do espaço resolve revidar e reconquistar a Terra. Custou US$ 44 milhões e faturou metade disso, quase mandando Travolta, de novo, para o ostracismo.

3. Marte Ataca (1996): Tim Burton é, com toda a razão do mundo, um dos mais geniais diretores de todos os tempos, mas de vez em quando dá uma pisada na bola terrível como em Batman II, Planeta dos Macacos (uma heresia) e Alice no País das Maravilhas. Este aqui, baseado em uma coleção de figurinhas é brega demais, exagerado demais e chato demais. Só se salva com a tremenda tiração de sarro em cima de A Guerra dos Mundos, já que não é um vírus que elimina os aliens e sim uma música country de Slim Whitman.

BÔNUS!

Killer Klowns from Outer Space (1988): sim,aliens invadem nosso planeta na forma de palhaços assassinos. Não precisa dizer mais nada.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Grace Kelly, a princesa e a plebéia

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Grace Kelly foi mais um arquétipo do que uma pessoa real. Era a imagem da típica garota americana idealizada nos anos 50: loura, bonita e de família rica. Na cabeça de todos, ela acabou realizando o sonho de qualquer adolescente, fazendo um príncipe se apaixonar e tornando-se princesa de um reino distante. Magra, rosto virginal e jeito frio e contido, contrastava com vulcões de sensualidade e corpos voluptuosos como Marilyn Monroe e Jane Russel. Em classe e elegância nas telas perdia apenas para Audrey Hepburn.

Acontece que Grace Patricia Kelly não era a mocinha santinha que o público consagrou. Tinha sim, classe, beleza e charme incomparáveis. Só que nos bastidores de Holywood, era muito conhecida por seu furor sexual, direcionado principalmente aos atores com que contracenava. Foi assim com Ray Milland quando fizeram Disque M para Matar; com Gary Cooper, o astro de sua primeira participação nas telonas, Matar ou Morrer; com Bing Crosby, seu par em Amar é Sofrer (que lhe deu um Oscar como a esposa de um cantor alcoólatra), com Clark Gable nos intervalos de Mogambo e com William Holden de As Pontes de Toko-Ri. Garota esperta, só escolhia os casados e como as personagens que interpretava, sempre os caras mais velhos que ela. E além desses, reza a lenda que teve noites de prazer e luxúria com David Niven (que teria consirado a mocinha como a melhor transa que teve na vida), Marlon Brando, Frank Sinatra e Tony Curtis.

Mesmo seu casamento com Rainier de Mônaco está longe de ser um conto de fadas. Na verdade, devido a um acordo assinado em 1918, o Príncipe deveria se casar ou o principado voltava a ser parte da França. Encalhado, resolveu procurar uma atriz para trazer mais glamour e mais turistas à sua terra. Como Marilyn não fazia bem o tipo princesinha, o nobre acabou direcionando seus esforços para outra loura. Kelly e Rainier se encontraram e três dias depois, o pedido foi feito com um detalhe desconcertante, a família dela pagou um dote de dois milhões de dólares a ele. O público pouco sabia desses arranjos, mas Alfred Hitchcok, que a dirigiu em três filmes, entre eles Janela Indiscreta (e ela nunca esteve tão deslumbrante como nessa obra) brincou: “fico feliz que Grace tenha conseguido um papel tão bom”. Seu casamento teve 600 convidados mais do que VIPs e foi assistido por mais de trinta milhões de pessoas pela TV e isso na década de 1950.

Ser princesa e atriz não combinava muito e Kelly abandonou o cinema para abraçar a realeza. Seu último filme foi a deliciosa comédia musical Alta Sociedade de 1956, refilmagem de Núpcias de Escândalo, com Crosby, Sinatra e Louis Armstrong. Apesar dos escândalos, Grace Kelly foi extremamente amada e admirada por seus parceiros da indústria do cinema. Ficou muito próxima de Cary Grant depois de contracenarem em Ladrão de Casaca e de James Stewart, que fez um discurso emocionado em seu enterro. Radicalmente antiracista, Kelly tornou-se grande amiga da icônica cantora Josephine Baker, depois que a última foi barrada no Stork Club de Nova York simplesmente por ser negra. Como princesa, fundou uma organização não-governamental de auxílio a crianças carentes. Grace Kelly completaria 81 anos hoje e mesmo 28 anos depois de sua morte em um acidente de carro, nunca perdeu a majestade.

Nunca houve um grupo como o Rat Pack

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Se os anos Kennedy ficaram marcados pelo glamour do presidente americano e sua Camelot, então os representantes máximos dessa época são os integrantes do chamado Rat Pack, liderados por Frank Sinatra. Na verdade o grupo original foi formado pelo ator Humphrey Bogart na década de 1950 e faziam parte Sinatra, Judy Garland e seu marido, Lauren Bacall, o agente de talentos Swifty Lazar, o escritor Nathaniel Benchley, o diretor George Cukor, o compositor Jimmy Van Heusen e os atores David Niven, Katharine Hepburn, Spencer Tracy, Cary Grant, Rex Harrison. Eventualmente o rei dos filmes “capa-e-espada” Errol Flynn, o cantor Nat King Cole, o ator Mickey Rooney e Cesar Romero ( o Coringa do seriado do Batman da década de 1960) apareciam por lá.

Existem várias versões do porque do nome (ninhada de ratos). Uma delas diz que quando Bogie voltou de uma passeio em Vegas com amigos, sua esposa, a mais que estonteante Lauren Bacall teria afirmado que eles pareciam uma ninhada de ratos. Outra lenda fala que o nome vinha do fato que em uma ninhada de ratos, os bichos se tornam beligerantes com qualquer outro roedor que tente entrar lá.

Com a morte de Bogart em 1957 veio a segunda e mais famosa geração do Rat Pack com Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis, Jr., Joey Bishop, Peter Lawford, e eventualmente as beldades Marilyn Monroe, Angie Dickinson, Juliet Prowse e Shirley MacLaine. Na verdade, o velho olhos azuis odiava essa denominação para seu grupo de amigos. Ele preferia que os chamassem de “o clã”, mas os jornalistas da época não lhe deram ouvido e a alcunha pegou até hoje. Na grande trindade do grupo cada um tinha um papel específico, perfeitamente ensaiado e interpretado e que acabou se confundindo com a persona dos artistas, ou seja, Sinatra era o líder duro e cruel, Dino era o alcoólatra e Sammy incorporava um negro judeu totalmente politicamente incorreto. Os três eram tão amigos que muitas vezes em Las Vegas, os luminosos mostravam “Hoje Dean Martin, talvez Sammy, talvez Sinatra”, pois a qualquer momento um deles poderia invadir o show alheio.

Peter Lawford, por ser cunhado de Kennedy, tentou aproximar o presidente de Sinatra, com resultados um tanto desastrosos. Eles haviam combinado que o cantor receberia o estadista em sua casa para um fim-de-semana regado a música e bebidas, mas Bobby Kennedy chiou alegando a ligação de Sinatra com a Máfia. O “séquito real” acabou indo para a residência de Bing Crosby e Lawford foi punido sendo cortado do grupo.

Os membros do Rat Pack trabalharam em 13 filmes juntos, mas o mais famoso, e que reuniu todo o grupo, foi o delicioso Onze Homens e um Segredo, a história de um roubo em Las Vegas com um dos finais mais surpreendentemente sacanas de todos os tempos, que a versão nova não teve coragem de fazer. Todos os cinco integrantes ainda fariam o faroeste Seargents 3 e, na fase sem Lawford, o musical Robin Hood de Chicago. A última vez que Frank, Dean e Sammy apareceram juntos nas telas foi em na comédia de corrida Quem Não Corre, Voa 2 de 1984.

Há cerca de três anos foi lançado um DVD com a única performance dos três gravada em um show de 1965 em Nova Orleans, Ultimate Rat Pack Collection: Live & Swingin, e é aí que você entende o espírito do bando. Eles cantam, bebem no palco e zombam um do outro todo o tempo, sem a mínima preocupação se estariam ofendendo esse ou aquele grupo social, já que Sammy fica constantemente tirando o maior sarro de ser negro, judeu e sua mãe ser latina. Ao final desse show, o icônico apresentador Johnny Carson despede-se da platéia dizendo “muito obrigado pela sua presença aqui esta noite mas saibam que nós nos divertimos mais do que vocês”. E fica claro que ele não estava brincando. Os caras curtiram muito se apresentar naquela noite.

Joey Bishop, foi o último sobrevivente do Rat Pack e morreu aos 89 anos no dia 17 de outubro de 2007 (Lawford faleceu em 1984, Sammy em 16 de maio de 1990, Dino morreu em casa na manhã de Natal de 1995 e Sinatra em 14 de maio de 1998 aos 82 anos). Com ele foi embora um estilo de vida único que aliava boa companhia, elegância, bom humor e, obviamente, as mulheres – que caiam à torto e à direito em seus braços – e muita bebida.

Alain Delon, o galã sinistro

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Hoje, Alain Fabien Maurice Marcel Delon completa 75 anos de idade. Não sabe quem é ele? Pergunte para sua mãe e suas tias. Elas morriam por esse francês nascido em 1935 e que acabou se tornando um dos maiores sex symbols da França. A própria vida de Delon daria um filme. Ele foi criado por pais adotivos perto de uma prisão e na infância ficava brincando com os guardas. Depois que estes pais adotivos foram assassinados, voltou a morar com a mãe verdadeira em Paris e não conseguia parar em escola nenhuma. Infeliz, alistou-se e foi paraquedista dos fuzileiros navais franceses na Guerra da Indochina na década de 50 e depois garçom, porteiro, secretário e vendedor até conhecer o produtor americano David O. Selznick (que deu E O Vento Levou ao mundo) em um visita a Cannes. Selznick queria levá-lo para os EUA, Delon preferiu ficar no seu país de origem, e estreou nas telas com Quand la Femme s’en Mêle de Yves Allégret de 1957.

Talvez se Delon tivesse aceitado o convite de Selznick, sua carreira teria sido marcada por tipos mais românticos e amantes hollywoodianos, mas o fato de ter permanecido na Europa o fez assumir uma persona mais sombria nas telas, personagens que tinham algo a esconder ou que estavam remoídos por dores e dúvidas, aos moldes do que James Dean mostrava na America. Só que ao contrário de Dean, Delon preferia não escancarar seus sentimentos, mantendo um ar mais cool e menos sofrido. Isso ficou muito claro quando incorporou Tom Ripley em O Sol Por Testemunha de 1960 (A obra de Patricia Highsmith foi refilmada anos mais tarde com Matt Demon, como O Talentoso Sr. Ripley) ou em O Samurai de 1967, onde interpreta um assassino e ainda em Borsalino de 1970. Neste último contracena com outro grande galã francês (e seu maior rival), Jean-Paul Blemondo, mostrando a ascensão da máfia em Marselha nos anos de 1930. Sua grande consagração veio com o grande clássico de Luchino Visconti, Rocco e seus Irmãos de 1970. Ele trabalharia mais uma vez com o famoso diretor italiano em outra grande produção, O Leopardo, ao lado de Burt Lancaster.

Alain Delon é, sem dúvida nenhuma, uma das maiores celebridades francesas de todos os tempos. Mesmo um escândallo em 1968 que o envolveu com orgias bissexuais e mostrou suas ligações com o gangster corso François Marcantoni, não abalou sua imagem (ele acabou sendo inocentado de todas as acusações). Sua empresa, a Alain Delon Diffusion, imprime o nome do ator em relógios, roupas, óculos, champagne, conhaque, papelaria e cigarros. Teve affaires com belíssimas mulheres como a cantora e modelo alemã Nico, a atriz Romy Schneider e a modelo holandesa Rosalie van Breemen.

Aos 75 anos, cavaleiro da Legião de Honra francesa, Delon ainda atua com a mesma característica que o marcou: a imagem tranquila e blasé e o contraste da beleza do rosto de um anjo com a corrupção da alma de um demônio.

Brooke Shields e A Lagoa Azul

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Não é para esnobar, mas ter sido adolescente nos anos 80 foi bom pacas em termos cinematográficos. Enquanto a molecada de hoje tem aguentar as caras e bocas do pessoal de Crepúsculo ou Harry Potter, cheio de gente boazinha, pura e com as mocinhas hermeticamente vestidas e meninos de peito de fora, nós tivemos A Lagoa Azul, o único filme romântico voltado a teens com nudez e sexo softcore, que este ano completou 30 anos. E mais, esqueça Kirsten Sterwart! Nós tivemos Brooke Shields!

A história, escrita em 1908 pelo irlandês Henry De Vere Stacpoole e já filmada em 1923 e 1949 (esta com Jean Simmons depois que Marilyn foi gongada) era a mais surreal possível. Caso você não se lembre, aqui vai: casal de crianças naufraga junto ao cozinheiro do navio e após a morte desse crescem sozinhas em ilha paradisíaca, para juntos descobrir o amor e o sexo. A direção era de Randal Kleiser que dois anos antes tinha conseguido levar hordas de adolescentes ao cinema com o musical Grease -- Nos Tempos da Brilhantina (quem cria esses subtítulos brasileiros, hein?). Ao procurar atrizes para a empreitada, o esperto diretor colocou uma condição básica: os protagonistas principais, quando “adultos”, trabalhariam nus. E aí viu pessoas como Kelly Preston (que apareceria pelada em A Primeira Transa de Jonathan de 1985), Linda Blair (de O Exorcista), Jodie Foster, Isabelle Adjani, Michelle Pfeifer, Daryl Hanna, Rosanna Arquette, Debra Winger e até mesmo uma das minhas preferidas, Jennifer Jason Leigh (que tirava a roupa a torto e à direito em clássicos como Picardias Estudantis e Conquista Sangrenta) caírem fora. Da parte masculina, John Travolta e Christopher “Superman” Reeve também não toparam o desafio e, acredite se quiser, Sean Penn não passou no teste.

Eis que surge a idéia de trazer a ninfetinha Brooke Shields, então com 15 anos de idade e um rosto de parar os trânsito. Em 1978, ela já havia chocado o mundo e feito a alegria dos pedófilos de plantão quando estrelou o filme Pretty Baby do francês Louis Malle, no papel de uma prostituta infantil num bordel na Nova Orleans de 1917. Nesta obra em questão, ela aparece como veio ao mundo, mas para A Lagoa Azul foi exigido um dublê de corpo, para o desespero do diretor. Mesmo nas cenas em que aparece sem camisa, seu cabelo foi colado aos peitos, para não ficar muito explícito. Para seu par foi escolhido o inexpressivo e sarado Christopher Atkins, depois que centenas de marmanjos disputaram a tapa a chance de ver de perto a srta Shields sem roupa. E nessas também existe uma história ótima. A atriz, já aos 15 anos, media 1,79m enquanto Atkins tinha 1,68m. Como a figura do macho heróico nunca poderia ser mais baixa que o da mocinha indefesa, tiveram que cavar trincheiras na areia para a menina parecer menor. Anos mais tarde, o rapaz disse em uma entrevista que ele trabalhou com a Estátua da Liberdade nas filmagens.

Filmado nas Ilhas Fiji e responsável pela descoberta de uma nova espécie de iguanas (isso é sério), A Lagoa Azul custou na época US$ 4,5 milhões e faturou mais de US$ 58 milhões só nos EUA, mesmo atacado por grupos conservadores como pornografia infantil. Não ganhou nenhum prêmio enaltecedor mas Brooke recebeu o de pior atriz no Framboesa de Ouro (e depois a obra entrou como um das 100 piores e mais divertidos filmes de todos os tempos na coletânea feita pelos organizadores). Apesar disso, a carreira da mocinha deslanchou e foi musa, por muitos anos, do jornalista Paulo Francis que não se segurava ao cantar odes a ela no programa Manhattan Connection. Rendeu uma versão pornô, The Pink Lagoon com Ginger Linn Allen, uma continuação em De Volta à Lagoa Azul (que mostrou Milla Jovovich ao mundo) e ainda foi esculhambado no excelente Top Secret (alguém também me explica, por favor, porque esse filme NUNCA foi lançado em DVD no Brasil?).

O filme estreou aqui em janeiro de 1981. Sei disso porque foi o primeiro filme com censura 14 anos que assisti (fui no dia do meu aniversário e na época os bilheteiros de cinema eram mais chatos e rigorosos, então imagine meus sorriso de alegria por poder entrar no cinema sem acompanhamento dos pais). Pode apostar que por um bom tempo aquela menina maravilhosa povoou meus sonhos.

Robert Downey Jr é lenha pura!

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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A Paramount está lançando uma caixa com os dois bons filmes do Homem de Ferro em blue ray, acompanhados da inevitável enxurrada de extras. Tem ficha dos personagens, cenas de bastidores, explicação de efeitos especiais, entre outras muitas coisas legais, mas um desses vídeos especiais chama muito a atenção e é de longe, o mais divertido de todos: os testes de câmera de Robert Downey Jr. para o primeiro filme da saga. E é só a ver a naturalidade e o cinismo do astro, improvisando Tony Stark para gáudio e prazer da equipe técnica, para se atestar que ele é um dos melhores atores de sua geração. Mesmo quando seus parceiros de telas tentam provocá-lo falando besteira, o cara não perde o rebolado e acaba fazendo com que os outros se dobrem de rir.

É engraçado notar que, ao contrário de Charlie Sheen – que fez sua fama dentro e fora das telas graças à bebida, sexo e drogas – Downey quase viu sua carreira ir para o ralo graças aos seus vícios. Quem o assistiu em Abaixo de Zero de 1987, mal imaginando que o filme se tornaria uma espécie de autobiografia prévia, já sabia que o rapaz arrebentava na arte da interpretação. Sua atuação em Chaplin é de tirar o chapéu-côco e seguramente o comediante teria aplaudido o rapaz em pé. Seu timing para comédia, como em Beijos e Tiros é soberbo. Acontece que suas sucessivas prisões por embriaguez e porte de drogas acabaram ofuscarando seu talento e fazendo com que o seguro em cima de sua pessoa ficasse tão alto para as companhias de cinema pagarem que ele acabou sendo dispensado até mesmo por Woody Allen, que o queria em um dos papéis principais de Melinda e Melinda (em Air America, por exemplo, Mel Gibson bancou a taxa de seu próprio bolso para poder ter o rapaz no filme).

Limpo desde 2004, Downey deu a volta por cima, ganhou o Globo de Ouro por Sherlock Holmes, concorreu ao Oscar por Trovão Tropical (era a única coisa boa no filme, aliás) e agora reaparece nas telas nacionais com a comédia Um Parto de Viagem. No ano que vem volta a vestir o manto do personagem de Conan Doyle, tendo, mais uma vez, Jude Law como Dr. Watson, o excelente comediante inglês Stephen Fry como Mycroft Holmes (o irmão do herói) e Jared Harris, filho de Richard Harris e o Lane Pryce de Mad Men, como o maior adversário do detetive, o famigerado Professor Moriarty.

10 carros famosos do cinema

Publicado no site da revista Alfa em outuro de 2010
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O Salão do Automóvel está aí e nada mais apropriado do que falar dos carros que encantaram as platéias no cinema, mesmo porque automóveis e filmes tem uma relação de longa data. No cinema mudo, por exemplo, o carro era usado para fazer rir, como no caso dos Keystone Kops de Mack Sennet. Já alguns deles se tornaram “parte intergrante do pacote” como o Aston Martin de James Bond (o de Goldfinger foi leiloado ontem) e outros são verdadeiros personagens do filme, como a Kombi de Pequena Miss Sunshine. Existe até mesmo um completo banco de dados sobre o assunto no site imcdb.org (Internet Movie Cars Database). Aqui vão 10 que fizeram nossa alegria:

A Ferrari 1961 GT 250 de Curtindo a Vida Adoidado era, na verdade, uma réplica feita em fibra de vidro. Como somente 104 unidades foram produzidas, a montadora italiana recebeu inúmeras cartas de proprietários revoltados achando que o filme havia mesmo destruído um dos carros.

Agarra-me Se Puderes de 1977 trazia Burt Reynolds, mas quem ficou famoso foi o Pontiac Trans Am. Por causa do filme, as vendas dobraram em dois anos e na cena em que o carro salta uma ponte quebrada, os técnicos acabaram adaptando um motor da Chevrolet no carro para dar mais potência.

Bullit de 1968 ficou famoso por sua perseguição em San Francisco. Nela, o bandidão estava em um Dodge Charger R/T 440, que conseguia correr tanto quanto o Mustang 390 GT de Steve McQueen. Dois de cada modelo foram usados na filmagem, mas no final só sobrou um Mustang para contar a história.Um Charger foi também usado por Kurt Ruissel em À Prova de Morte de Tarantino.

Os Blues Brothers, em sua missão divina, andavam no seu indefectível “Bluesmobile” e arrasavam tudo o que encontravam na frente, de neonazistas a banda de country music. O carro era um Dodge Mônaco 1974 Sedan e ficou tão famoso que tem até website dedicada a ele, o bluesmobile.net.

No roteiro original de De Volta para o Futuro, a máquina do tempo seria uma geladeira, mas com medo que crianças se sufocassem brincando de Marty McFly, os produtores optaram por um De Lorean DMC 12, feito em aço inoxidável, justamente por seu design parecer alienígena e que assustaria as pessoas de 1955.

Os Caça-fantasmas, comédia de 1984 que no ano que vem ganha sua terceira edição, combatiam o sobrenatural em uma ambulância Cadillac de 1959 , a Ecto-1, que originalmente seria toda preta, mas como eles trabalhavam mais à noite. foi repintada de branco.

Cada década tem o Batman e o batmóvel que merece. Enquanto no filme de 1989 e em Batman Begins, o herói usava carros desenvolvidos especialmente para a produção, o Homem-Morcego utilizou um Lincoln Futura, um modelo conceitual – não vendido em série – adaptado, na série de TV e no longa de 1966.

O Interceptor de Mad Max era um Ford Falcon GT 1973, modelo de grande sucesso na Australia. Para o segundo filme, os produtores utilizaram o mesmo carro do primeiro e hoje ele está exposto no Cars of the Stars Motor Museum da Inglaterra.

O Gran Torino é praticamente um ator. Foi o carro do Dude em O Grande Lebowski, era o automóvel de James Gardner em Arquivo Confidencial e da dupla Starsky e Hutch no famoso seriado dos policiais durões e virou nome de filme (sensacional, diga-se de passagem) de Clint Eastwood.

Aqui abro uma exceção para falar de um caminhão e não de um automóvel, já que este foi um dos veículos mais assustadores da história da sétima arte, o Peterbilt 281 de 1955 do filme Encurralado, primeiro longa metragem de Steven Spielberg. Na história um caminhão persegue um infeliz motorista pelas estradas da California. Não há menor explicação do porque e como o caminhoneiro nunca aparece de corpo inteiro é a máquina que se transforma em uma força maligna. Muitos filmes já foram feitos com carros do mal, como Christine ou carros do bem como Herbie, mas nenhum deles tem a força e o impacto visual do caminhão de Encurralado.

10 frases geniais de John Cleese

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Hoje é aniversário de John Cleese, um dos fundadores do Monty Python ou o sucessor de “Q” do James Bond de Pierce Brosnan ou o homem que emprestou a voz para o rei sapo de Shrek. Advogado formado por Cambridge, Cleese preferiu voltar sua dedicação ao humor escrevendo para programas de rádio ingleses e para a televisão até que em 1969 criou, com outros roteiristas, o Monty Python´s Flying Circus, um programa humorístico onde o surreal dava o tom, ao melhor estilo da comédia inglesa. A série teve três temporadas na TV e quatro longas, O Cálice Sagrado, A Vida de Brian, Ao Vivo no Hollywood Bowl e O Sentido da Vida. O comediante continuou na TV com o seriado Fawty Towers, de sua autoria, e ganhou fama internacional com o hilariante Um Peixe Chamado Wanda. Depois disso vieram os filmes de Bond, o Ned Sem Cabeça de Harry Potter e o Lyle Fynster, um dos maridos de Karen do seriado Will & Grace e chegou ainda a colaborar em um gibi do Superman que zombava da Inglaterra. Em homenagem aos seus 71 anos, aqui vão 10 afiadas frases do ator, que aliam sabedoria e sarcasmo como ninguém.

“Na Inglaterra as garotas são ou brilhantes ou atraentes. Nos Estados Unidos é diferente. Elas são as duas coisas”

“[na eulegia que fez a Graham Chapman, quando de sua morte] E eu acho que estamos todos pensando como é triste um homem de talento, um homem de tal capacidade e bondade, de inteligência incomum, assim de repente, ser levado na idade de apenas 48 anos, antes que ele tivesse conseguido muitas das coisas que era capaz, e antes que ele tivesse se divertido muito. Bem, eu sinto que eu deveria dizer: “Bobagem!” Boa viagem para ele, bastardo folgado, e eu espero que ele frite.”

“Por que alguém que nunca cometeu um crime deveria ser obrigado a escutar música country é algo além da minha compreensão”

“Eu costumava desejar muitas, muitas coisas, mas agora só tenho um desejo: me livrar de todos os outros desejos”

“Se Deus não desejava que comessemos animais, por que os fez de carne?”

“Acho que é bastante fácil de retratar um homem de negócios. Ser desagradável, cruel e incompetente vem naturalmente para mim. “

“Quem ri muito, aprende melhor. Se eu conseguir fazer você rir comigo, você vai gostar mais de mim, o que o torna mais aberto às minhas idéias. E se eu puder persuadi-lo a rir num determinado assunto que quero explicar, por rir disso, você reconhece a sua verdade.”

“A única coisa que me lembro sobre o Natal era que meu pai costumava me levar para fora em um barco por cerca de dez milhas no mar no dia de Natal, e eu costumava ter que nadar de volta. Extraordinário. Era um ritual. Entenda que isso não era o pior. A parte difícil era sair de dentro do saco. “

“Uma idéia realmente boa é sempre rastreável por um longo caminho, muitas vezes ligada a uma idéia não muito boa, que foi desencadeada por uma outra idéia que foi apenas um pouco melhor, que alguém entendeu mal, de tal maneira que, em seguida, disse algo que era realmente muito interessante. “

“A tecnologia me apavora. É projetada por engenheiros para impressionar os outros engenheiros. E sempre vem com manuais de instruções que são escritas por engenheiros para engenheiros. E é por isso que na maioria das vezes a tecniologia não funciona”

A eterna princesa

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Audrey Hepburn voltou a ser notícia quando, na semana passada, uma cartela com 10 selos estampando seu rosto foi leiloada na Alemanha pela bagatela de 430 mil euros ou um milhão de reais, com o montante sendo direcionado à Unicef germânica e ao Fundo dos Filhos de Audrey Hepburn, uma entidade que cuida de crianças no mundo todo.

Se você não sabe, Audrey é a musa mais cantada em verso e prosa na história do cinema. Era linda demais, com um corpo totalmente fora dos padrões voluptuosos dos anos clássicos de Hollywood e com um jeito encantador de falar. Isso sem falar em seu olhar, terno e doce. Se você for homem, maior de 18 anos e assistiu A Princesa e o Plebeu e não se apaixonou por aquela mulher, então com 24 anos de idade, então pode ter certeza que você tem problemas sérios. Saiba que é difícil ver, por exemplo, Sabrina e não imaginar aquela menina quebrando ovos para você. Por ela dá para se aguentar os 208 minutos de Guerra e Paz, assistir a dramalhões como Uma Cruz à beira do Abismo e musicais chatinhos como Quando Paris Alucina, ou até mesmo suportar suspenses de grudar na cadeira como Um Clarão nas Trevas. Por Audrey dá para se invejar Cary Grant mais ainda. Além dela ter exigido trabalhar com ele em Charada, lá pelas tantas no filme solta uma frase que todo homem gostaria de ouvir de uma mulher apaixonada: “sabe o que há de errado com você? Nada!”. A única coisa que não dá para encarar é que sua personagem em Bonequinha de Luxo era uma garota de programa de alta classe. Preferimos vê-la como uma menina interiorana sonhadora e pura, que canta “Moon River” na janela.

E por falar em inveja, Audrey foi casada duas vezes, uma com Mel Ferrer e outra com o médico italiano Andrea Dotti, mas é sabido que teve romances tórridos com William Holden (terminado pois soube que ele havia feito vasectomia) e Albert Finney, seu parceiro em Um Caminho para Dois, entre outros sortudos. Sua elegância e classe encantaram o costureiro Hubert de Givenchy, que criava peças exclusivas para ela usar nos filmes. Era amiga dos Kennedy e cantou “Happy Birthday, Mr President” para JFK em 1963, um ano depois da famosa apresentação de Marilyn Monroe. Sua infância miserável na II Guerra a inspirou a ser embaixadora da Unicef em seus últimos anos e dedicou seus esforços para debelar a fome e as doenças entre crianças de países do terceiro mundo. Apesar de ter ganho apenas um Oscar e um Tony, foi escolhida a terceira maior lenda feminina das telas pelo American Film Institute, perdendo apenas para Katherine Hepburn e Bete Davis.

Ela foi única e inesquecível. E, em tempo, se você tentar me convencer que Carey Mulligan de Educação e Wall Street 2 é a Audrey Hepburn do século 21, me desculpe, mas vou ser obrigado a te chamar para a briga.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A única vez que vi Pelé no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Segundo o IMDB, maior site de cinema do mundo, Pelé trabalhou em nove longas como ator. Eu só vi um e ainda por cima no cinema: Fuga para a Vitória de 1981. É um típico “sessão da tarde”, um John Huston infinitamente menor (pô, o cara nos deu O Falcão Maltês, Uma Aventura na Africa, O Tesouro de Sierra Madre e O Homem Que Queria Ser Rei), mas não deixa de ser um filme simpático, especialmente se você curte futebol.

A grande decepção que tive como um moleque de 14 anos é que nosso maior jogador não faz papel de brasileiro. Pelé era o Cabo Luis Fernandez, natural de Trinidad. Sei lá o que deu na cabeça de Huston para pensar em algo assim, mesmo porque, por incrível que pareça aos gringos, o Brasil também participou da II Guerra. Ou seja, nem nossa estrela podia ser nossa estrela.

Reza a lenda que o filme foi baseado em um fato real, mas se pesquisar na internet verá duas versões, uma que envolve prisioneiros de guerra em um jogo contra os nazistas e outra que diz que jogadores do Dynamo Kiev jogaram contra os “boches”. Em ambas as falácias, os germânicos perderam e os ganhadores foram fuzilados. De qualquer maneira, nas telonas a história era basicamente essa: oficial nazista (Max Von Sydow), entusiasta do esporte bretão, descobre vários grandes jogadores de futebol em um campo de prosioneiros e resolve fazer uma partida contra um time alemão. O que era para ser uma pelada entre inimigos em um campinho de várzea, vira uma arma de propaganda com direito a estádio em Paris e tudo mais e, ainda por cima, o time aliado tinha que perder ou virava chucrute.

Huston teve grandes sacadas ao fazer o filme. A primeira foi chamar 18 jogadores famosos nas décadas de 1970 e 1980 para figurar entre bons atores como Michael Caine. Havia, por exemplo o zagueiro inglês Bobby Moore, eleito o melhor jogador da Inglaterra nos 50 anos da UEFA. Já o argentino Osvaldo Ardiles, pasmem, fazia papel de argentino e não de alguém natural das Ilhas Pago Pago (a Argentina de Perón participou da Guerra?). Como aparentemente nenhum alemão queria vestir o uniforme com a suástica, o americano Werner Roth e o inglês Laurie Sivell atuaram no time nazista. Cada jogador imprimiu nas telonas algumas de suas marcas, como Pelé marcando um gol de bicicleta. Foi, aliás, o “Rei” que ajudou a coreografar todas as jogadas mostradas.

Um dos destaque do filme é Sylvester Stallone. O homem estava no auge naquela época e era um grande chamariz para fazer com que o pessoal da terra do Tio Sam assistisse um filme sobre “soccer”. Ele interpreta (na falta de palavra melhor) um militar que jogava futebol americano e quer porque quer participar do time para poder fugir durante o jogo. Acaba pegando o lugar de goleiro e obviamente faz o papel de herói. Só que o velho Sly acabou ficando com as grandes histórias por trás das telas. De início, ele se recusou a ter um dublê para as cenas de jogo. Como queria ele mesmo jogar e se recusava a ser treinado, conseguiu deslocar o ombro e quebrar uma costela na primeira cena que fez. Depois, ainda se achando um bom jogador, teve uma dividida com Pelé e ganhou um dedo quebrado. E mais, o cara exigia que fosse ele, o goleiro, que fizesse o gol da vitória (honra que ficou com Pelé, aliás). No final, Stallone afirmou que foi mais doloroso fazer esse filme do que a série Rocky.

Também vale lembrar outra grande ideia da obra: transformar a partida entre aliados e nazistas em uma batalha em campo, com direito a torcida e até mesmo resistência francesa na jogada. Se em Casablanca a guerra acontecia dentro do bar de Bogart com alemães cantando sendo sobrepujados por franceses gritando a Marselhesa, em Fuga para a Vitória, a arma era a bola, tão poderosa que vence até mesmo um juiz ladrão.

Pelé tentou continuar com sua carreira de ator, sempre sendo ligado ao futebol. Fez com Huston A Vitória do Mais Fraco, depois se aliou aos humoristas brasileiros em Os Trapalhões e o Rei do Futebol, fez o desconhecido Hotshots, onde treinava um americano no esporte e desde 1989, com uma participação em Solidão, Uma Linda História de Amor, não tenta atuar. Ainda bem. Porque é preferível que ele seja lembrado eternamente como o mestre dos campos de futebol, do que como um ator do nível de um Stallone.

Os Coen e o perigo da refilmagem

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Neste último fim-de-semana tive a chance de rever uma das melhores comédias inglesas de humor negro, Quinteto da Morte de 1955 com Sir Alec Guinness (ou o velho Obi-Wan da saga Star Wars) e um Peter Sellers em início de carreira, muito antes da série A Pantera Cor-de-Rosa.

A típica comédia inglesa vem tradicionalmente do teatro e assim a situação geral e o diálogo é que vão dar o tom do humor e não caretas ou piadas físicas. E Quinteto da Morte é um grande representante desse gênero justamente por reunir atuações soberbas com personagens e diálogos surreais. No roteiro de William Rose, que mais tarde escreveria o libelo anti-racismo Adivinhe Quem Vem para Jantar, cinco criminosos fingem ensaiar um quinteto de cordas na casa de uma doce viúva octagenária, enquanto planejam roubar o carro-forte de uma empresa. E para conseguir realizar o feito, tem de envolver a decana senhorinha no assalto. Depois, começam a se apavorar com a idéia de que devem eliminar a velhinha para não haver testemunhas e um a um dos bandidos passam a sofrer “acidentes”.

Reconheceu a história? É Matadores de Velhinha que os irmãos Coen realizaram em 2004. Ethan e Joel Coen são geniais. Conseguiram fazer coisas extremamente originais (em um mundo onde o novo no cinema americano significa efeitos especiais de vanguarda) com obras como Arizona Nunca Mais, Fargo, O Grande Lebowski, Onde os Fracos Não Tem Vez e recentemente em Um Homem Sério, mas erraram a mão ao refilmar essa história.

Tom Hanks está caricato, enquanto Alec Guinnes está tenebroso. O bando do professor G.H Door da nova versão não chega nem aos pés em carisma quando colocados ao lado da quadrilha de Professor Marcus do original. E não dá para nem se comparar as duas velhinhas. A inglesa é doce, gentil, íntegra e simpática, enquanto a americana é uma caricatura da mãe negra sulista. Mesmo a obra inglesa consegue fazer comédia até na trilha sonora, já que o bando “ensaiava” um minueto para cinco cordas de Luigi Boccherini e à medida que cada personagem vai “desaparecendo”, a música de fundo vai sendo tocada com um instrumento a menos.

A razão de minha preocupação em relação aos Coen refilmarem algo é que acabou de sair o segundo trailer de seu Bravura Indômita, nova versão de um dos mais consagrados filmes de John Wayne e o único que lhe deu um Oscar. O “Duke” fazia o delegado Reuben J. ‘Rooster’ Cogburn, durão, machão, bêbado e incansável perseguidor de criminosos, que é contratado por uma menina para encontrar o assassino de seu pai. A versão original tinha ainda Robert Duvall como o desafeto do homem da lei e Dennis Hopper em papel menor. Wayne, aliás, odiava Hopper por considerá-lo um comunistazinho barato e depois das filmagens chegou a persegui-lo com um revólver em punho pelo estúdio. Dennis, que também andava armado e adorava ameaçar quem passasse na sua frente, resolveu ficar escondido em um armário até o fúria do outro passar. Ele podia ser o cara mais agressivo do universo (e era), mas não dava para peitar John Wayne.

Na refilmagem, Cogburn é interpretado pelo sempre genial Jeff Bridges e Matt Damon, Barry Pepper e Josh Brolin também estão lá. Os Coen haviam dito que seu filme seria muito mais fiel ao livro de Charles Portis que o outro, mas pelo que vi no trailer, dá sensação de que nada mais fizeram do que copiar cenas de um clássico. Até mesmo a famosa sequencia da cavalgada do delegado em direção aos quatro bandidos, atirando como um louco, foi reproduzida fielmente. Enfim, é esperar o Natal chegar para ver. Até lá, sia meu conselho e assista o original. Com certeza você vai se divertir com John Wayne.

Grandes perseguições de carro no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Não sou fanático por carros, mas desde o filme Os Irmãos Cara-de-pau de 1980, descobri que adoro perseguições de automóveis no cinema, com motoristas fazendo manobras inacreditáveis e motores sendo levados ao máximo. Esse tipo de cena de ação é tão recorrente que existe desde o cinema mudo com as peripécias dos Keystone Kops de Max Sennet. Em velhos Ford T ou em antigas motocicletas, os amalucados policiais faziam coisas incríveis em uma época onde para se ter um bom efeito especial se corria risco de vida, como mostra a cena abaixo:


Ainda no ramo da comédia, o já citado Blues Brothers conseguiu criar cenas hilárias às custas de dezenas de carros destruídos como na famosa cena da invasão do shopping center. Para fazer a sequencia, o diretor John Landis ocupou um local abandonado, recheou seu estacionamento de carros 0 km fornecidos por uma concessionária (com a promessa que nenhum sofreria nem arranhão) e preencheu as lojas tomando o cuidado para que todos os frequentadores do shopping fossem dublês profissionais. O resultado está aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=_oMtdXaqBx4&feature=related

E para aqueles que viveram os anos de 1980, Eddie Murphy estreou uma das mais célebres perseguições do cinema quando num caminhão de cigarros contrabandeados resolve aloprar as ruas de Detroit. A pergunta que não quer calar é "como alguém consegue dar 'cavalo de pau' em um ônibus?" e o filme é Um Tira da Pesada (1984).


Todo mundo assistiu e vibrou com 60 Segundos com Nicholas Cage e Angelina Jolie, mas pouca gente sabia que tratava-se da refilmagem de um obscuro filme de 1974, que conseguiu destruir 93 automóveis em 97 minutos de história e foi interpretado por pessoas "normais" e não atores. Com vocês, a Eleanor original:


A década de 1970 produziu fantásticas sequencias envolvendo carros e câmeras, a começar por 1971 que nos brindou com o detetive Jimmy "Popeye" Doyle e sua guerra contra o cartel francês de drogas em Nova York no filme Operação França. Durante a cena abaixo, o acidente de carro que ocorre no cruzamento da avenida Stillwell e 86 St., não foi planejado e acabou entrando no filme por causa de seu realismo. O cidadão cujo carro foi atingido tinha acabado de sair de sua casa a poucos quarteirões do cruzamento para ir trabalhar e não sabia que uma perseguição de carro estava sendo filmada. Os produtores, obviamente, pagaram todo o conserto:


Num momento em que a contracultura estava no auge, era óbvio que rebeldia, protesto e carros estariam unidos nas telonas, mostrando "párias" da sociedade fugindo do poder vigente atrás do volante. Dois filmes se destacaram nessa época, Corrida Contra o Destino de 1971 e Fuga Alucinada de 1974. Aqui você confere uma propaganda feita para a TV, anunciando uma sessão dupla com as duas produções:


James Bond não seria tão poderoso se não soubesse dirigir como ninguém. Seja atrás de um poderoso Aston Martin ou de um pequeno Citroen 2CV 6, o agente consegue realizar proezas incríveis sobre quatro rodas, como fazer um AMC Hornet dar 360 graus no ar. A cena a seguir é a estonteante abertura de Quantum of Solace:

http://www.youtube.com/watch?v=QXJiYV9K77Q

Quando Ronin de 1998 foi lançado, uma revista brasileira disse que no futuro os cursos de cinema no mundo teriam uma matéria ensinando a fazer uma perseguição de carros como as do filme. O próprio diretor, John Frankenheimer disse fez o filme porque sentia falta de uma boa corrida de automóveis nas telas de cinema. A cena a seguir mostra o duelo entre uma BMW 535i e um Peugeot 406 nas ruas de Paris:


E finalmente aquela que é considerada por muitos críticos como a melhor perseguição de carros da história do cinema e responsável pela revitalização do gênero: Steve McQueen e seu Mustang 390 GT 2+2 Fastback nas íngremes ruas de São Francisco, no clássico policial Bullit de 1968. Na verdade o ator, famoso por fazer suas próprias cenas e ser um entusiasta em velocidade, foi substituído pelo dublê Bud Enkins em parte da sequencia, que levou três semanas para ser filmada e saiu com 9 minutos e 42 segundos na edição final:


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Bond que tinha medo de armas

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Ele era velho demais para o papel, não fez nenhuma cena de ação, nunca pediu um Vodca Martini e muita gente acha que fez do agente secreto uma piada, mas Sir Roger Moore, que completou 83 anos ontem, foi o ator que mais viveu James Bond, dentro e fora da série original.

Filho de um policial, Moore sempre quis ser um ator, mas a II Guerra atrapalhou seus sonhos. Nos anos 50, assinou um contrato com a MGM. Apesar de bonito, elegante, gentil e bom ator, não conseguiu emplacar nenhum sucesso no cinema e partiu para a TV em séries como Ivanhoé, The Alaskans e como o primo inglês de James Garner em Maverick. Em 1962, ganhou a fama como Simon Templar, na série O Santo, um ladrão que só rouba de criminosos ricos (e fica com o dinheiro) e acaba ajudando a polícia a prendê-los. O seriado durou sete anos e nesse meio tempo teve a chance de viver James Bond pela primeira vez na programa cômico inglês Mainly Millicent de 1964. Num sketch ele interpreta o famoso espião, que encontra a agente russa Sonia Sekova em resort e os dois ficam a todo momento achando que um quer matar o outro, quando na verdade estão ali em férias.

Depois que O Santo foi cancelado em 1969, Moore fez alguns filmes sem sucesso e logo emplacou mais um seriado na TV, The Persuaders, ao lado de Tony Curtis, mas o vício em drogas deste último acabou sendo fatal para o trabalho da dupla e finalmente veio o convite para ser James Bond.

Moore estava já com 45 anos quando apareceu na pele do agente de sua majestade em Viva e Deixe Morrer. E mais, sofria de hoplofobia ou medo incontrolável de armas. Mesmo assim, seu Bond era leve, sarcástico, elegante e sedutor, mais próximo do que o autor, Ian Flemming, imaginava. O próprio ator chegou a afirmar em uma entrevista que nunca conseguiria interpretar o assassino frio e cruel como Sean Connery fez e que trabalhava mesmo pelas risadas. Foram sete filmes como Bond, apesar de ter querido parar em 1981 com Somente para seus Olhos. Quando finalmente foi substituído pelo péssimo Timothy Dalton, Moore já estava com 58 anos de idade, ou seja, velho demais para o papel.

Roger voltaria várias vezes a emular James Bond, seja em paródias como em Quem Não Corre, Voa ou Cruzeiro das Loucas, seja em comerciais de TV ou programas humorísticos, mas nunca mais conseguiria um papel cinematográfico de sucesso. Em 1999, aliás, concorreu ao prêmio Framboesa de Ouro como pior ator coadjuvante em O Mundo das Spice Girls tendo Sean Connery como competidor (este pelo terrivelmente péssimo Os Vingadores). Nenhum dos dois ganhou.

Apesar do fracasso nas telonas, Roger Moore se tornou um bem-sucedido embaixador na Unicef, substituindo a atriz Audrey Hepburn. Seu interesse humanitário despertou ao filmar 007 contra Octopussy na India, onde teve contato com a miséria e as condições degradantes da população. Além disso, foi porta-voz do PETA na campanha contra a fabricação do foie-gras.

Aos 83 anos, está casado pela quinta vez (sua esposa é a multimilionária Kristina ‘Kiki’ Tholstrup) e mora em Valais na Suiça, e assim como seu personagem mais famoso, não perde a chance de se misturar aos amigos poderosos como os reis da Suécia e da Dinamarca. Ao grande Roger Moore, nós erguemos um brinde. Com Vodca Martini batida, não misturada.

Quando um resgate vira circo

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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A grande notícia da semana é o resgate dos mineiros no Atacama, ação exemplar do governo chileno, lidando de maneira fantástica com sua segunda grande desgraça este ano. Hollywood, porém, já mostrou uma situação parecida com essa, mas com contornos e desfecho bem mais pesados num classicão de 1951 estrelado por Kirk Douglas, A Montanha dos Sete Abutres.

Na história, baseada em um caso real ocorrido em 1925, um jornalista inescrupuloso cujo lema é “notícia ruim vende e notícia boa não é notícia”, Chuck Tatum, muda-se para Albuquerque no Novo México, depois de ser banido dos jornais dos grandes centros. Entediado e louco da vida por estar em uma cidade (então) provinciana, acaba sabendo que um mineiro ficou preso em uma caverna indígena na tal montanha dos sete abutres e vê a notícia como sua maior chance em conseguir voltar para a grande mídia. Tentando ganhar tempo para transformar o drama em reportagem nacional, acaba corrompendo o xerife local, o engenheiro responsável pelo resgate e a esposa do mineiro para assim atrasar ao máximo o salvamento. O resgate que poderia ser feito em 12 horas, leva seis dias para acontecer, para o azar do coitado preso na mina.

Seu final trágico e moralista não aplacou a fúria da imprensa na época, que se sentiu atacada pelo filme de Billy Wilder, o mais ácido e sarcástico diretor americano de todos os tempos. Acontece que mais do simplesmente falar de jornalismo marrom, A Montanha dos Sete Abutres é uma lição sobre ganância, oportunismo e jogos de interesses presentes em qualquer ser humano e ainda o que acontece quando a ética profissional é trocada pelo lucro pessoal.

Bons e maus policiais no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Já que o assunto da vez é o Capitão Nascimento (desculpe, mas ainda não vou conseguir chamá-lo de Coronel) e seu BOPE em Tropa de Elite 2, vale a pena dar uma olhada em alguns policiais que foram eternizados no cinema, tanto por serem durões pacas (ou como diriam na língua do bardo, badasses) ou corruptos demais e aqueles mais idealistas.

Chefe Harlan Quilan em A Marca da Maldade (1958): estrelado e dirigido por um imenso Orson Welles (que foi demitido da direção já na pós-produção), o clássico mostrou dois extremos da força policial, o correto oficial da divisão de narcóticos interpretado por Charlton Heston e o extremamente corrupto chefe de polícia (Welles) na investigação do assassinato de um empreiteiro em uma cidade na fronteira com o México. A abertura do filme, uma sequencia de três minutos sem cortes acompanhando um carro com uma bomba dentro, virou clássica.

Virgil Tibbs em No Calor da Noite (1967): um policial negro de Nova York tem que investigar um assassinato em uma cidade racista pacas no sul dos Estados Unidos. O filme tem os geniais Sidney Poitier e Rod Steiger e uma de suas frases entrou para o as 100 melhores da história do cinema. Quando o policial racista lhe pergunta “como é que tem chamam na sua cidade, crioulo?”, Poitier simplesmente dispara “Eles me me chamam de Sr. Tibbs”.

Dirty Harry em Magnum Force (1973): na segunda aventura de Clint Eastwood como o policial harry Calaham, ele precisa um esquadrão da morte repleto de policiais corruptos, que matam aqueles que são considerados indesejáveis na cidade de San Francisco. Nada que uma Magnum 44 na mão não resolva.

Frank Serpico em Serpico (1973): cinebiografia do policial novaiorquino que se recusava terminantemente a receber propina e acabou não só sendo isolado pelos colegas, como correu perigo de vida e levou a uma mega investigação na polícia de NY. Al Pacino levou o Globo de Ouro por sua interpretação.

Stansfield em O Profissional (1994): Gary Oldman dá um show de interpretação na pele do policial Norman Stansfield, que lidera um negócio de drogas em NY e está atrás da garotinha Mathilda (Natalie Portman, então com 12 anos de idade), única testemunha do massacre de sua família.

Bud White em Los Angeles – Cidade Proibida (1997): no moderno filme noir de Curtis Hanson, o foco é a força policial de Los Angeles nos anos de 1950. Com tipos como o policial galã de Kevin Spacey e CDFs como Guy Pearce, o detaque vai para o brutamontes de Russell Crowe, que prefere fechar os olhos para os esquemas de corrupção do lugar até que se torna um alvo.

Detetive Alonzo Harris em Dia de Treinamento (2001): Denzel Washington abandonou o papel de mocinho e assumiu a pele do corrupto, violento e imoral Alonzo, policial da divisão de narcóticos em Los Angeles e acabou levando uma estatueta do Oscar com isso, provando que o crime compensa (pelo menos nas telas). Duvido você não ficar com raiva do cara.

Billy Costigan e Colin Sullivan em Os Infiltrados (2006): de um lado um policial fingindo ser bandido (Di Caprio) e do outro um bandido tentando ser policial (Matt Damon), numa produção menor de Martin Scorcese (refilmagem do chinês Infernal Affairs) que acabou lhe dando o Oscar de Melhor Diretor e levou também o de melhor filme do ano.

Um filme sobre um homem raro

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Da Terra Nascem os Homens, produção de 1958 dirigida por William Wyler, não é só um grande faroeste, mas também traz um conceito até então não explorado no gênero e que até hoje pode ser servido de exemplo, o do homem que não precisava provar nada para ninguém.

Gregory Peck, que quatro anos depois faria o advogado Atticus Finch de O Sol é Para Todos, este sim considerado o maior herói de todos os tempos pelo American Film Institute, vive o marinheiro aposentado Jim McKay, que se muda para o oeste para encontrar a noiva, Patricia Terrill (a belíssima Carroll Baker), filha de um fazendeiro local. Lá, encontra uma terra de homens brutos, com duas famílias (os Terrill e os Hannassey) em guerra e seus modos da Nova Inglaterra causam tanta estranheza que a todo momento questionam sua masculinidade.

O segredo do filme está justamente na postura de McKay. Ele não dá a mínima para o que os outros pensam dele. Em momento algum ele se sente na obrigação de ter a aprovação alheia e acredita piamente que o caminho da violência é a maneira mais errada de se conseguir as coisas. Isso contrasta com a filosofia dos outros personagens, especialmente o do capataz da fazenda, Steeve Leech, vivido por Charlton Heston e o descontrolado Buck Hannassey de Chuck Connors. Completando a galeria de tipos masculinos está o fazendeiro Rufus Hannassey, rude, abrasivo mas cheio de honra, que valeu ao ator Burl Ives um Oscar de melhor ator coadjuvante.

Em quase três horas de filme, vemos Peck ser desafiado de todas as maneiras e não alterando sua fleuma em momento algum. Seu estilo de vida, porém, não o impede de mostrar a si mesmo quais são seus limites. Quando todos o acham um covarde por não montar o cavalo mais bravo da região, Old Thunder, limita-se a sorrir e dar uma desculpa esfarrapada, para de madrugada, acompanhado apenas do empregado Ramon, realizar o feito. Heston quer porque quer brigar com ele o filme todo, já que também está de olho na bela Patricia. O conflito dos dois ocorre mais uma vez longe dos olhos de todos, mas somente depois que o capataz lhe dá a palavra que nada será contado aos outros, não importando o resultado da luta.

Enfim, Da Terra Nascem os Homens é uma lição para aqueles que querem entender novas fronteiras da masculinidade e sair do espectro dos Rambos, Bournes e Ethan Hunts que imperam no cinema de ação. É uma lição ao homem de hoje que procura ser, nas palavras de Ramon, “raro de se encontrar”.

Em tempo, o tema do filme, composto por Jerome Moss, é considerado um dos melhores do gênero western pelos especialistas.

12 filmes de gangues que você não pode perder

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Ainda na esteira dos 20 anos de Os Bons Companheiros e na eminência de mais uma série de TV falando de Máfia (e com a chancela de Scorcese), Boardwalk Empire, aqui vão 12 imperdíveis filmes com grupos de criminosos dos mais diversos tipos e estilos. Só deixamos a saga O Poderoso Chefão de Copolla de fora da lista, porque já virou obrigatória e hour-concour, portanto se você não viu, não merece nem ler o resto.

1. Scarface, A Vergonha de uma Nação (1932): todo mundo fala da versão de Al Pacino, mas Howard Hawks chocou os EUA com um filme tão violento que ficou dois anos na gaveta esperando ser liberado pela censura (conseguiu mas com um texto alertando para o fato de que o crime é ruim). Paul Muni é Tony Camonte, criminoso que ascende ao topo de um bando de gangster depois de matar seu chefe. Para completar tinha uma paixão incestuosa pela irmã, envolvida com um de seus homens de confiança, George Raft (que acabou criando um dos personagens mais marcantes do filme, o gangster que jogava uma moeda para cima e para baixo. Até o Pernalonga o imitou).

2. Fúria Sanguinária (1949): outro clássico imperdível e estrelado pelo grande ás do gênero, o baixinho enfezado James Cagney (que na verdade era um exímio bailarino e sapateador, mas ficou marcado pelos tipos brutos que interpretou em filmes de gangster). Ele é Cody Jarret, um psicótico líder de gangue com um complexo materno que deixaria Freud louco. A sequencia final, após a fuga da cadeia, com Cagney no alto de um tanque de combustível gritando “veja mamãe, cheguei no topo do mundo” é uma das mais marcantes na história de Holywood.

3. Onze Homens e um Segredo (1960): a refilmagem com Clooney e seus amigos é bem simpática, mas a versão original com o famoso Rat Pack de Frank Sinatra (com Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop) tem um estilo inconfundível de uma época que não volta mais, além de um final completamente inesperado e que dificilmente alguém teria coragem de colocar em um filme atual (Steven Soderbergh não teve).

4. À Queima Roupa (1967): o sempre durão Lee Marvin em mais uma parceria com o diretor inglês John Boorman (os dois fizeram o incrível Inferno no Pacífico juntos) na história de um criminoso que busca vingança contra a ex-esposa e o ex-parceiro e procura recuperar sua parte proveniente de um antigo assalto, enquanto enfrenta uma poderosa organização criminosa, disfarçada de operação legal. Reconheceu a história? Foi refilmada com Mel Gibson como O Troco. Um dos filmes favoritos de Martin Scorcese.

5. Laranja Mecânica (1971): não é preciso o paletó e o sotaque italiano, nem mesmo localizar a história nos EUA para se fazer um filme sobre gangues. Stanley Kubrick adaptou o livro de Anthony Burgess um jovem deliquente, Alex de Large, que com sua gangue aterroriza os pobres ingleses do futuro e, capturado, aceita fazer parte de um programa de reabilitação experimental que leva a uma aversão à violência (e a Bethoven) por parte do paciente. Você nunca mais vai relacionar a música “Cantando na Chuva” somente com Gene Kelly depois desse filme.

6. Warriors – Selvagens da Noite (1979): fantasia transadíssima do diretor Walter Hill que causou tumulto entre gangues reais no cinema na época do lançamento, mas hoje parece até história em quadrinhos filmada. A cidade de Nova York é palco de um conclave de gangues com nomes geniais (The Furies, The Boppers, The Hi-Hats, The Lizzies, The Turnbull AC’s, The Gramercy Riffs) e depois de serem acusados de ter matado o líder da maior delas, o pessoal do Warriors deve fugir do Bronx a Coney Island e escapar da fúria de cem mil inimigos.

7. Era uma vez na America (1984): Sergio Leone deixou o faroeste de lado para fazer a lírica e trágica saga de uma gangue de judeus no bairro de East End de Nova York, desde a era da Lei Seca nos anos 1920 até o reencontro da turma nos anos 1960 e ainda contou com os talentos de Robert De Niro, James Woods, Joe Pesci e da sempre estonteante Jennifer Connely, então com apenas 14 anos de idade. Destaque para a música belíssima de Ennio Morricone.

8. Cães de Aluguel (1992): o filme de estréia de Quentin Tarantino conseguiu revolucionar o gênero, aliando elementos antigos e esquecidos dos filmes clássicos com inovações como história não-linear e personagens marcantes, mas sem nome (somente apelidos como Sr. Black, Sr. Pink etc), numa história sangrenta sobre um assalto a uma joalheria. Contar mais é entregar o filme. Obviamente que depois de assistir esse, é obrigatório ver Pulp Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios e entrar em eternas discussões sobre qual é o melhor filme do diretor.

9. Os Suspeitos (1995): talvez uma dos mais brilhantes usos de linguagem cinematográfica no cinema americano, brincando com o fato de que você é um espectador. Dirigido pelo então estreante Bryan Singer (X-Men) e magistralmente estrelado por Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Kevin Pollack, Chezz Palminteri e Kevin Spacey (que ganhou o Oscar de ator coadjuvante), é um daqueles filmes onde você nunca vai poder contar nada, especialmente o final ou perde a graça. Se não viu, compre já e assista com um grupo. Em tempo, o nome original, The Usual Suspects vem de uma frase de Casablanca, “round up the usual suspects” (prenda os suspeitos de sempre).

10. Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998): o filme que lançou Guy Ritchie (ex-Sr. Madonna) na direção e os brutamontes Jason Statham (Adrenalina) e Vinnie Jones (60 Segundos) como atores. Quatro pobretões londrinos acabam devendo meio milhão de libras depois de um mal sucedido jogo de poker e tem uma semana para recuperar o dinheiro. Enquanto isso, o filme desfila os tipos mais estranhos possíveis, como Harry “Machadinha”, Barry “Batista” e Nick “o Grego” das mais variadas gangues com os mais variados sotaque. Ritchie acabou repetindo a fórmula depois no genial Snatch – Porcos e Diamantes e recentemente no divertido Rock’n'rolla - A Grande Roubada.

11. A Outra História Americana (1998): um filme que aborda um outro tipo de gangue, aquela movida por ódio racial. Um Edward Norton sarado faz um ex-líder de um grupo de neo-nazistas skinheads, que depois de cumprir pena por assassinato busca a todo custo tirar seu irmão menor (Edward Furlong de O Exterminador do Futuro II) do mesmo caminho que ele seguiu. Destaque para a chocante cena da morte do desafeto de Norton no meio-fio e da reconstrução do personagem dentro da penitenciária.

12. Cidade de Deus (2002): não é ufanismo, nem repetição, mas não dá mais para se falar em filmes de gangue ou de crime sem citar o classicão de Fernando Meirelles. Se você duvida cheque o IMDB, maior site de cinema do mundo. O filme aparece em 19o lugar entre os 250 melhores filmes já feitos e em sétimo no gênero “crime”, e isso por votação dos gringos. A história você já conhece: na famosa favela carioca, moço que se esquentava quando chamado de Dadinho, domina o crime local e começa a combater outras gangues, enquanto acaba criando seus maiores inimigos. E ainda nos faz pensar que se aqui fosse Holywood, alguém já teria a idéia de fazer Zé Pequeno versus Capitão Nascimento, o filme.