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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dez ótimos filmes de viagem no tempo

Publicado no site da revista Alfa em setemrbo de 2011
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Se existe um tema que fascina muita gente e que o cinema não se cansa de explorar é a viagem ao tempo. Seja abordando o retorno ao passado para tentar mudar as coisas ou a tentativa de conhecer o futuro antes que ele realmente aconteça, os filmes usam o recurso para divertir ou fazer pensar, mas invariavelmente faz com que alguém venha com a questão do “paradoxo”, ou seja, questione se você voltar para o passado e matar seu avô quando criança, como a coisa fica? Resposta nerd mais esclarecedora: você cria uma nova linha temporal. Pelo menos foi isso que JJ Abrahams usou no novo Star Trek com ótimo resultado.
Nesta sexta-feira (2), teremos a estreia da visão brasileira do assunto, com Wagner Moura retornando à sua juventude para evitar uma humilhação amorosa em O Homem do Futuro. Então nada melhor do que relembrar outros grandes filmes que mexeram com linha temporal e conseguiram ótimos resultados.

 1. A Máquina do Tempo (1960)
HG Wells foi um escritor inglês que, como muitos do gênero, usaram a ficção científica como subterfúgio para mostrar as mazelas da sociedade e do ser humano. Em 1895, publicou a obra ‘A Máquina do Tempo’ que se tornou um tremendo filme em 1960, com Rod Taylor como o homem que inventa um dispositivo que o leva para o ano de 802.701. Lá, encontra uma sociedade de adultos com atitudes infantis, vivendo bucolicamente e depois descobre que, na verdade, eles eram “gado” para uma raça de monstros subterâneos, os morlocks. O clássico, que ganhou um Oscar de Efeitos Especiais, pela incrível cena da passagem do tempo, foi dirigido por George Pal, que também levaria às telas A Guerra dos Mundos, de Wells. Em 2002, o bisneto do escritor fez sua versão da obra com Guy Pearce no papel principal e mostrou que a genialidade não é hereditária na família. O filmeé uma bomba. Mais sorte teve Nicholas Meyer que, em 1979, dirigiu a divertida fantasia Um Século em 43 Minutos, onde HG Wells teria realmente construído a máquina, mas ela é roubada por Jack, o Estripador que a traz para a São Francisco dos anos 1970. O escritor, temendo pelo futuro, vai no encalço do assassino, mal sabedo que o pobre Jack está muito mais compatível com a sociedade atual do que ele pensava.

 2.  Efeito Borboleta (2004)
Com base na teoria do caos, cujo dito popular diz que o bater as asas de uma borboleta em um canto da Terra pode provocar um tsunami em outro canto, esse filme bacaninha e menosprezado mostra Ashton Kutcher como um rapaz que possui o poder de incorporar em si mesmo quando criança e alterar os acontecimentos de sua vida. O problema é que a cada vez que ele faz alguma coisa, muda os eventos radicalmente e só consegue piorar a sua situação. E tenho que tirar o chapéu para os diretores que, em um mundo onde alívio é entregue de graça no cinema, tiveram a coragem de fazer um filme sem final feliz. Teve continuações descartáveis.

3. Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa (1986)
A série clássica Jornada nas Estrelas brincou bastante com viagem ao tempo e nada mais natural do que levar o assunto para o cinema, nas mãos do próprio Sr. Spock. Leonard Nimoy já era ecologista de carteirinha numa época em que isso era sinônimo de chatice e dirigiu o quarto episódio da franquia mostrando Kirk e sua turma voltando para a São Francisco de outrora em busca de uma baleia jubarte, o único bicho que poderia salvar a Terra do futuro de uma sonda destrutiva e que se escontrava em extinção no século 23. É o mais engraçado dos filmes de Jornada, com muita piada em cima dos personagens estarem perdidos no passado atrasado. Viagem ao tempo acabou voltando para a franquia, agora com o pessoal a Nova Geração, no ótimo Primeiro Contato.

 4. Em Algum Lugar do Passado (1980)
Esse filme fez toda uma geração se matar de chorar nos cinemas ao contar a bela história do um rapaz (Christopher Reeve) que se torna obcecado por uma atriz de 1900 e consegue voltar no tempo através de auto-hipnose, para assim viver um romance com ela. A trilha sonora lacrimosa de Roger Williams ficou famosa e usada em casamentos e programas de humor. O filme abriu caminho para outros bons romances com tempo envolvido como Te Amarei para Sempre, A Casa do Lado e outros só simpáticos como Kate & Leopold.

 5. A saga do Exterminador do Futuro
James Cameron pegou todo mundo de surpresa em 1984 com essa ficção incrível que deu fama e fortuna para Arnold Schwarzenegger (depois que Stallone recusou o papel). O filme gerou várias continuações, mas a segunda ainda consegue ser a melhor de toda a cinessérie. O andróide de Arnie acabou entrando duas vezes na lista de melhores heróis e vilões do cinema, promovida pela AFI. Pelo primeiro Exterminador, ele ficou em 22o lugar entre os 50 vilões e pelo segundo filme da série é 48o herói.

 6. A Fuga do Planeta dos Macacos (1971)
Podemos considerar O Planeta dos Macacos como um filme de viagem ao tempo (embora ele seja muito mais do que isso, ficando entre as nelhores ficções já feitas), mas é no terceiro filme da série que a coisa fica mais explícita, com um grupo de macacos chegando ao passado  e fazendo todo mundo ficar de cabelo em pé quando descobrem que o filho dos símios Dr. Cornelius e Dra Zira vai chefiar a revolta da macacada no futuro. Divertido e bem estruturado, é a única sequencia do filme original que realmente vale a pena.

 7. Peggy Sue – Seu Passado a Espera (1986)
Na mesma época de De Volta para o Futuro, Francis Ford Coppola mostrou uma pessoa voltando aos nostálgicos anos 1950. Kathleen Turner, então grande musa oitentista, era uma mulher de 43 anos que leva uma vida fracassada e, em uma reunião de antigos colegas de escola, desmaia e acorda no passado, tendo a chance de mudar sua vida. O filme tem ótimas cenas de humor (como ela tentando fazer com que o namorado – e futuro marido – vivido por Nicholas Cage, grave ‘She Loves You’ antes dos Beatles) e momentos ternos (como Turner com os avós, falecidos no futuro), mas trata principalmente de lidar com algumas frustrações da vida.

 8. Corra, Lola, Corra (1998)
Não é propriamente um filme de viagem ao tempo, mas lida – principalmente – com o tempo em si ao mostrar a história de uma jovem alemã que precisa conseguir cem mil marcos em 20 minutos ou seu namorado pode perder a vida. O diretor Tom Tykver mostra a mesma situação, de três maneiras diferentes, com uma pequena variação no tempo em que a menina se desloca, fazendo alterar completemente o curso da ação. Mais ou menos quando você perde aquele semáforo aberto e se vê parando em todas as esquinas a seguir.

 9. Os 12 Macacos (1995)
Terry Gilliam é um diretor que ou se ama ou se a0deia. Eu, particularmente, sou fã de seu trabalho em obras como Brazil – o Filme, O Pescador de Ilusões e outro sobre viagens temporais, Os Bandidos do Tempo. Em 12 Macacos temos um prisioneiro (Bruce Willis) vindo do futuro para impedir que um louco solte um vírus devastador na Terra. Tomado com insano, é mandando para um hospício onde conhece Brad Pitt, que pode ter muito a ver com o destino da humanidade. As cenas da Nova York deserta, cheia de animais selvagens (que podem ter inspirado, anos depois, algumas sequencias de Eu sou a Lenda) e o final desolador são fantásticas.

 10. Toda a série de De Volta para o Futuro
Era para ser uma geladeira e ter apenas um capítulo, mas quis o destino que o herói andasse numa máquina do tempo acoplada em um De Lorean e que o filme fizesse tanto sucesso que gerasse duas crias. De Volta para o Futuro de 1985 é mais que um clássico tipo “sessão da tarde”. É dinâmico, bem feito, atemporal (ok, um trocadilho bacaninha nesse post) e com um dos finais mais transados em aventuras juvenis. De Volta II já fica mais pesado com o vai e volta no tempo e a Terra alternativa onde Biff Tannen manda em tudo, mas é com De Volta III que temos uma das grandes homenagens e brincadeiras em cima do faroeste com sequencias e piadas para deixar qualquer cinéfilo feliz da vida (sempre rio com o lance de “Clint Eastwood vai ser conhecido cmo o maior covarde do oeste”). Não há mais lista de viagem ao tempo sem esses três filmes e com certeza, eles podem ser considerados os melhores do gênero.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

10 motivos pelos quais John Wayne é uma lenda masculina

Publicado no site da revista Alfa em maio de 2011
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Ontem comemorou-se 104 anos do nascimento do grande John Wayne, o ‘Duke’, um dos maiores mitos do cinema e seguramente um dos grandes símbolos masculinos do século XX . Era um ator de um papel só, mas que preenchia a tela com seu carisma e força e se tornou um homem muito maior que seus 1,93m de altura. Mesmo com todas as polêmicas que cercaram sua vida (em especial uma entrevista à Playboy onde afirmou que os antepassados fizeram bem em tirar as terras dos índios e que os negros poderiam ter o mesmo direito dos brancos, desde que soubessem se comportar), ele ainda é tão querido pelos norteamericanos, que em 2011 ficou em terceiro lugar na pesquisa realizada anualmente pelo Harris Institute, abordando os artistas favoritas da América. Ele é o único falecido da lista a aparecer desde 1994. Aqui vão mais 10 fatos sobre ele:


1) O nome real dele era Marion e isso não o impediu de se tornar um dos maiores machões do cinema.

2) Ele foi recusado pela Academia Naval dos EUA quando jovem e anos depois se tornou um dos grandes artistas de filmes de guerra, inspirando legiões de jovens para o alistamento e não só apoiou, como participou do esforço de guerra no Vietnã.

3) Por falar em guerra, em 1975, o Imperador Hiroito do Japão visitou os Estados Unidos, seu antigo inimigo na II Guerra, e fez questão de conhecer John Wayne.

4) De todos os  filmes que participou, foi ator principal em 142 deles. Um recorde nunca batido por nenhum outro artista.

5) Seu maior “inimigo” em relação às suas posições políticas foi o radical esquerdista Abbie Hoffman que, apesar das diferenças, o admirava como ator e símbolo americano, chegando a dizer: “Eu gosto do estilo de Wayne na sua totalidade. Quanto à sua visão política, bem, suponho que mesmo os homens das cavernas sentiam um pouco de admiração pelos dinossauros que estavam tentando devorá-los”.

6) Ele gravou um disco falando como amava seu país (“America: Why I Love Her”) e vendeu tanto no lançamento que acabou concorrendo a um Grammy. Depois dos ataques de 11 de setembro, ele foi relançado em CD e acabou se tornando um best seller de novo.

7) Senso de humor único : em 1974, no meio da Guerra do Vietnã, a revista National Lampoon resolveu tirar uma do Duke e lhe convidou para uma entrega de prêmios, onde ele receberia a estátueta das “Bolas de Metal”, pelo seu machismo e inacreditável capacidade de perfurar pessoas. Wayne chegou à cerimônia em um jipe blindado pilotado pelos Black Knights do 5o regimento do exército e subiu ao palco improvisando piadas sobre destreza e agilidade. Conquistou toda a platéia e saiu como herói.

8 ) Mel Brooks o encontrou quando começara a filmar Banzé no Oeste e lhe convidou a trabalhar no filme, uma esculhambação em cima de faroestes. Wayne leu o script e respondeu através de um bilhete: “não posso trabalhar nesse filme, mas saiba que serei a primeira pessoa na fila no dia de seu lançamento”.

9) Dennis Hopper andava armado e cheio de drogas, ameaçava todo mundo nos estúdios. Um dia, John Wayne entrou em um dos escritórios, arma em punho, procurando “aquele comunistazinho de merda do Hopper”. Dennis se escondeu debaixo de uma mesa e não saiu até a situação ficar segura. Ninguém enfrenta John Wayne, nem mesmo com drogas na cabeça.

10) Capacidade única de responder perguntas indiscretas: “eu como tanto quanto sempre comi, bebo mais do que devia e minha vida sexual não é da sua maldita conta” (para a famosa entrevista da Playboy em 1971).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

10 grandes gafes do Oscar

Publicado no site da revista Alfa em fevereiro de 2011
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Daqui a 20 dias temos a maior cerimônia cinematográfica do mundo e já podemos começar a imaginar (e apostar) em qual será o momento mais constrangedor do Oscar. Isso porque uma das coisas divertidas da festa é que justamente alguma coisa vai sair fora do script pré-estabelecido. Por exemplo, no ano passado, tivemos o day after com o ator de Love Story, Ryan O´Neal, cuspindo fogo nas entrevistas porque sua ex-companheira, Farah Fawcett – aquela do seriado As Panteras e cujo poster em maiô vermelho foi parte integrante dos anos 1970 – foi esquecida na homenagem aos falecidos da indústria. Mas esse não foi o único caso, existem outros bem piores:

1. Ele merecia um Oscar!
Em 1937, a atriz Alice Brady ganhou uma estatueta de melhor atriz coadjuvante, mas como ela não estava na cerimônia (na época um jantar), um homem levantou-se e educadamente recebeu em seu lugar. Nem ele, nem a estátua, foram jamais vistos de novo.

2. Frank Who?
A gafe de 1934 aconteceu quando o ator Will Rogers anunciava o prêmio de melhor diretor e soltou “Suba aqui no palco, Frank”. O diretor Frank Capra, um dos concorrentes, levantou feliz para agarrar a estatueta, mas quem tinha levado mesmo era Frank Lloyd com seu filme Cavalcade.

3. Povo da Bolívia…
Em 1947, Ronald Reagan, então ator, subiu ao palco para ler um texto sobre os grandes nomes do passado. Nas suas costas, uma tela mostrava cenas dos filmes citados. Ele não conseguia entender porque a platéia estava chorando de rir e ao se virar é que notou que o filme estava de cabeça para baixo.

4. Tempus fugit.
O Oscar passou a ser televisionado em 1953, mas cinco anos mais tarde, quando o comediante e apresentador da cerimônia, Jerry Lewis, anunciou o último prêmio, os produtores lhe avisaram que ainda havia 20 minutos de tempo a cumprir. Jerry até tentou improvisar algo, mas o resultado foi tão ruim, que tiraram a festa do ar e colocaram um curta-metragem sobre pistolas no lugar.

5. A verdade nua e crua
Bacana foi em 1974 que o inglês David Niven apresentava um dos prêmios e um homem correu o palco totalmente nu, para a surpresa de todos. Niven, com toda sua fleuma britânica, sorriu e disse que certamente o cara seria lembrado por seus “shortcomings” (deficiência em inglês, mas com uma pegadinha).

6. Qual é, kemosabi?
Marlon Brando não aceitou receber seu Oscar em 1973 por O Poderoso Chefão, mandando a índia Sacheen Littlefeather para fazer um discurso sobre as más condições das reservas indígenas nos EUA. O lance é que a menina se chamava mesmo Maria Cruz, não era apache e havia ganho, três anos antes, o prêmio de Miss Vampiro. Já George C. Scott também não foi receber seu prêmio de melhor ator por Patton por achar que o Oscar só seria justo se todos concorressem pelo mesmo papel.
7. Companheira Vanessa.
Em 1978, a atriz Vanessa Redgrave ganhou um Oscar de coadjuvante pela sua contundente interpretação em Júlia. A moça subiu no palco e aproveitou o discurso para descer a lenha em cima dos israelenses, chamando-os de assassinos sionistas e defendendo os palestinos. O roteirista de Rede de Intrigas, Paddy Chayefsky, que apresentou o prêmio seguinte, castigou “um obrigado, bastava”.

8. Trio ternura.
Em 1986, o Oscar teve um dos piores shows de abertura de sua história com Telly Savallas (o Kojak para quem viveu os anos 1970), Pat Morita (o Sr. Myiagi de Karate Kid) e o comediante Dom DeLuise cantando um número musical intitulado “Fugue for Tinhorns”.

9. A melhor idade
As gafes da premiação não poupam nem o pessoal veterano e já escolado nessa festa. Hal Roach, o pioneiro do cinema mudo, recebeu seu prêmio honorário, mas ao fazer o discurso seu microfone estava desligado e ninguém ouviu nada (ou como disse Billy Cristal, foi uma homenagem às origens de Roach). Já o grande Lawrence Olivier, com 78 anos, foi anunciar o melhor filme de 1985 e nem leu o nome dos concorrentes. Simplesmente abriu o envelope e soltou: Amadeus!
E existe a grande dúvida do Oscar de melhor atriz de 1993. A vencedora foi Marisa Tomei por Meu Primo Vinnie, batendo grandes nomes como Judy Davis, Miranda Richardson e Vanessa Redgrave. O que se disse depois é que o apresentador do prêmio, Jack Palance, aquele que um ano antes havia feito flexão de braço no palco aos 74 anos de idade, não leu o nome direito e anunciou a atriz errada. A academia nega veementemente.

10. A vingança é um prato que se canta frio
Ninguém entendeu porque em 2005, Jorge Drexler foi proibido de cantar sua música “Al Otro Lado Del Rio da trilha de Os Diários de Motocicleta, concorrente a melhor canção naquele ano. No seu lugar, puseram no palco Antonio Banderas e Santana. Pois bem, Drexler ganhou a estatueta e ao invés de fazer um discurso, cantou, segundo ele, “sua versão da música”. Constrangedor para a Academia, mas mostrou que com latino não se brinca!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

15 coisas bizarras sobre nomes em filmes

Publicado no site da revista Alfa em janeiro de 2011
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Você já notou como os escritores de livros e roteiristas de filmes conseguem criar nomes simplesmente sensacionais e estapafúrdios para seus personagens? Pegue o Eric Von Zipper, por exemplo, que apareceu no meu último post. É o próprio nome de motociclista metido, e se você for analisar, ele não é o único na sétima arte batizado de maneira tão original:

1. Existem nomes que viraram sinônimo de algo. Lolita, o polêmico livro de Nabokov, filmado em 1962 e em 1997, se tornou a definição de qualquer menina menor de idade que seja extremamente sedutora e também traz um campeão de nome esquisito, o professor Humbert Humbert. Já o personagem Paparazzo de La Dolce Vita, acabou virando denominação de  fotógrafo de celebridades, enquanto Tony Manero, aquele do John Travolta que gingava em Os Embalos de Sábado à Noite, inspirou a tradicional gíria carioca, maneiro. Não é maneiro?
2. Filmes fantasiosos, passados em terras encantadas, também são campeões em nomes bizarros como Frodo, Caspian ou Severo Snape, mas o que dizer do terrível monstro de O Dragão e a Feiticeira de 1981 que se chamava Vermithrax Pejorative? De onde tiram isso? De nome de remédio?

3. A ficção científica exige nomes complicados ou não tem graça, mas George Lucas,  sem querer, criou em Star Wars uma piada incrível quando batizou o personagem de Christopher Lee de Conde Dooku. No Brasil, o nome foi alterado para Dookan por razões muito óbvias. E  Luke Skywalker quase teve um nome digno de filme B, Luke Starkiller, mas o famoso diretor mudou de idéia.

4. O nome James Bond não foi criado do nada por Ian Fleming. Na verdade, o autor possuía um livro sobre pássaros escrito por um James Bond, ornitólogo americano, e achou que o nome casava  muito bem com um agente de sua majestade. Fleming e o especialista em pássaros acabaram se conhecendo pessoalmente e o segundo ganhou o livro “Só se Vive Duas Vezes” com a  dedicatória: “para o verdadeiro James Bond, do ladrão de sua identidade”.

5. Os filmes de James Bond, aliás, conseguem levar medalha de ouro nos criativos nomes femininos, tanto que já foi zombado na série Austin Powers com tipos como a  gêmeas Fook Mi e Fook Yu. Veja a lista de 007:  Miss Moneypenny,  Honey Ryder, Pussy Galore, Domino, Kissy Suzuki, Plenty O’Toole, Solitaire,Mary Goodnight, Dra Holly Goodhead, Octopussy, May Day, Kara Milovy, Xenia Onnatop, Paris Carver, Dra Christmas Jones, Jinx Johnson e finalmente Vesper Lynd.
6. Mas se o assunto é mulher com nome  estranho, quem ganha mesmo é Salma Hayek e sua stripper vampira de Um Drink no Inferno chamada  Satanica Pandemonium. Menção honrosa para O-Ren Ishii de Kill Bill, que é bem legal de se pronunciar, especialmente depois de várias doses de whiskey.

7. Os irmãos Coen gostam de batizar seus personagens com alcunhas interessantes como Barton Fink, Jeffrey Lebowski, e até Marge Gunderson,só que complicado mesmo era o nome de  Tim Robbins em Na Roda da Fortuna: Waring Hudsucker.

8. O sensacional Groucho Marx (cujo nome real era Julius Henry Marx) também tinha personagens interessantes:  Prof. Quincy Adams Wagstaff em Os Gênios da Pelota, Rufus T. Firefly de Diabo a Quatro, Otis B. Driftwood em Uma Noite na Ópera e Dr. Hugo Z. Hackenbush em Um Dia nas Corridas.
9. Falando em comédias, Mel Brooks adora criar piadas com nomes nas suas produções. Em sua sátira aos filmes de terror, O Jovem Frankesntein, existe Frau Blücher, a tétrica e horrorosa ama do castelo. O lance é que toda a vez que alguém pronunciava o nome dela, seja lá onde fosse (dentro ou fora do castelo, na vila, na estrada etc), cavalos relinchavam de desespero, mesmo que não estivessem em cena.

10. Outro filme que é sensacional na escolha dos nomes dos personagens é Dr. Fantástico de Stanley Kubrick. A comédia pacifista trazia o presidente Merkin Muffley, o capitão Lionel Mandrake, o general Buck Turgidson, o coronel Bat Guano, o tenente Lothar Zogg e finalmente, o Dr. Strangelove ou Dr. Fantástico na versão brasileira.
11. Existem nomes que transmitem força e masculinidade, como Rocky Balboa (que enfrentou criativas alcunhas: Apollo Creed, Clubber Lang e Ivan Drago), Snake Plissken (de Fuga de Nova York e de Los Angeles), Sam Spade (o detetive de Relíquia Macabra) e, obviamente, Indiana Jones. Bacana também é o vingativo espadachim de A Princesa Prometida que passa o filme todo repetindo “Olá. Meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai. Prepare-se para morrer”.

12. Na linha dos bandidos, nada consegue bater Keyser Soze de Os Suspeitos, mesmo porque o nome do misterioso homem já soa como sinônimo de morte. O mais criativo porém é Harry Lime, o personagem sem moral de Orson Welles no maravilhoso O Terceiro Homem. Isso porque uma das traduções de Lime é visco, o que dá um aspecto bem nojento ao cara.

13. Ainda do outro lado da lei, parabéns a Guy Ritchie. Seus deliquentes tem apelidos como One Two, Franky Four-Fingers, Bullet Tooth Tony, Handsome Bob, Barry the Baptist, Hatchet Harry, Boris The Blade, Brick Top e Fred the Head. Nem nos gibis de Dick Tracy, a coisa era tão criativa.

14. Se é de crime que estamos falando, então os sobrenomes da saga do Poderoso Chefão são tão clássicos quanto os filmes: Corleone, Tattaglia, Barzini, Sollozzo, Stracci, Bocchiccio, Zasa, Clemenza, Neri, Tessio, Rizzi, Pentangeli, Fanucci, Lampone, Abbandando, Mancini, Andolini, Lamberto, Altobello e Tommazino. E antes que eu me esqueça, Luca Brasi está dormindo com os peixes.

15. Para encerrar temos que lembrar de Clint Eastwood, que ficou famoso por interpretar “o homem sem nome” nos filmes de Sergio Leone (leia aqui), mas nas três produções, seu personagem tinha sim, algum nome. Vai entender.

Vamos a La Playa – 12 filmes passados na areia

Publicado no site da revista Alfa em janeiro de 2011
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Ah, o verão! O tempo em que antigamente íamos para a praia com a certeza de que seriam dias de sol e mar, ao invés dos fenômenos naturais que fazem chover torrencialmente na hora do rush diariamente ou que diminuem a temperatura de uma maneira que parece que estamos no outono. Tudo bem, pelo menos o encanto da estação mais festiva do ano está registrada em diversos filmes como se deve, um bando de jovens fazendo estrepulias na areia e garotas com biquinis desfilando na frente das câmeras (e o interessante é ver como eles vão diminuindo com o tempo). Aqui vai uma lista ideal para ser assistida com algum drinque que tenha guarda-chuva pendurado.

As Férias de Monsieur Hulot (1953): este foi o segundo filme do francês Jacques Tati, um ex-jogador de rugby que se tornou um dos principais (e melhores) comediantes da França. Seu personagem,  Hulot, recuperou a arte  do humor silencioso, já que ele não falava em filme algum. Passado num hotel à beira-mar, era uma crítica às quase obrigatórias férias de verão, onde os franceses se deslocavam em massa para as praias (mais ou menos como os brasileiros hoje). Depois dessa obra, veio o emblemático Meu Tio (1958), Playtime (1967) e As Aventuras de M. Hulot no Tráfego Louco (1972). O Mr. Bean de Rowan Atkinson é uma clara homenagem (ou cópia?) do personagem de Tati.
Maldosamente Ingênua (1959): este clássico B com Sandra Dee é considerado o precursor dos “beach party movies”, com a atriz e cantora fazendo uma garota que descobre os encantos do surf  e depois o do amor. O filme tinha coisas geniais como os nomes dos surfistas (“Moondog” e “Big Kahuna”) e ainda Ivone Craig, a futura Batgirl do famoso seriado de TV, como uma extra. A personagem de Dee, Gigdet, acabou aparecendo em outros filmes como Gigdet goes Hawaiian e Roma, Convite ao Amor e virou série de TV com uma Sally Fields de 21 anos de idade no papel-título.

Feitiço Havaiano (1961): sim, o Rei surfando naquelas pranchas enormes e cantando nas areias havaianas para desgosto do pai, que o quer trabalhando na Great Southern Hawaiian Fruit Company. Foi o primeiro de uma série de filmes de Presley passados na praia, já que depois tivemos Seresteiro do Acapulco (1963), Garotas, Garotas, Garotas! (1962) e No Paraíso do Havaí (1966).
A Praia dos Amores (1963): o primeiro da série de cinco filmes praianos com a famosa dupla Frankie Avalon e Annete Funicello, com muito surf de estúdio, pouco sexo, nada de drogas e música de grupos como Dick Dale and The Del Tones. Obviamente que em todo filme da época havia os vilões, no caso um bando de motociclistas liderados por, – esse nome é incrível – Eric Von Zipper. Criado para ser uma versão B dos filmes de Elvis, acabou se tornando mania nos EUA. Uma das sequenciasse tornou nome de peça de Miguel Falabella, Como Rechear um Biquini Selvagem.

Tubarão (1975): nunca mais, depois desse filme, entrar no mar se tornou uma experiência segura. O filme de Steven Spielberg é um grande exemplo de quando tudo que dá errado pode render algo muito certo, já que o tubarão mecânico, apelidado de Bruce, explodiu na primeira cena em que foi posto debaixo d’água. Sem verba nem tempo para esperar consertarem o bicho, Steven refez o filme onde a câmera se torna o peixe assassino e conseguiu, em suas próprias palavras, que quando o tubarão aparece a primeira vez, a platéia jogue a pipoca para cima no susto. Esqueça as sequencias porque são péssimas.

A Lagoa Azul (1980): já falamos desse filme aqui no blog (você pode ler aqui), um classicão trash sobre o casal de crianças que cresce numa ilha paradisíaca e descobre o amor e o sexo. O filme pode ser ruim e o cabelo de Chris Atkins parecer o de Harpo Marx, mas tem Brooke Shields semi-nua, portanto nota 10 para ele.

Menino do Rio (1981): música de Caetano, direção de Antônio Calmon, na história já contada mais de três mil vezes no cinema (mas que fugiu do esquema pornochanchada do cinema brazuca) sobre o menino pobre, o surfista e shaper de pranchas Ricardo Valente (André de Biase, o Lula da fantástica série Armação Ilimitada) que se apaixona pela modelo rica (a saudosa Claudia Magno), para ódio da família da moça. Apesar de cenas como o herói aparecer de asa delta no Country Club do Rio de Janeiro para salvar sua amada de uma casamento arranjado com o pomposo Adolfinho, o filme até que fez sucesso e gerou uma continuação, Garota Dourada de 1984.

Local Hero (1983): filme britânico bacana, um dos primeiros a mostrar um problema crucial nos dias de hoje, a poluição nas praias causada por grandes companhias. Na história, uma grande companhia de petróleo quer comprar uma área praiana na Escócia para montar uma refinaria. A população local topa com avidez o negócio mirando na grana, mas um ermitão se recusa a vender seu lote, até que o dono da empresa, o sempre legal Burt Lancaster, aparece para um bate-papo com o recluso. A trilha de Mark Knopfler fez mais sucesso que o filme.

Surf no Havaí (1987): o “karate kid” do surf, com um rapaz passando uma temporada no Havaí e sendo barbarizado pelos surfistas locais por não conhecer os hábitos da região. Hospedando-se na casa do guru Chandler aprende a ser um “surfista de alma”, contrastando com aqueles que só querem grana. O filme mostrava grandes nomes do surf da época como Derek Ho, Shaun Tompson e Corky Carrol e algumas revistas especializadas o consideram um dos grandes filmes ruins já feitos sobre o esporte sobre pranchas.
Caçadores de Emoção (1991): pode me xingar,mas acho Keanu Reeves um dos piores atores que já surgiu no cinema, mas nesse filme, até que ele não está tão mal. Reeves é um agente do FBI que tem que se infiltrar em uma gangue de surfistas zen que, nas horas vagas, assaltam bancos vestidos de presidentes americanos. Ele e o chefe do bando, Patrick Swayze, se tornam amigos, para assim chegarem ao final meloso da morte nas ondas. Se você não levar a sério, pode ser divertido.

A Praia (2000): a adaptação do best seller de Alex Garland, uma espécie de O Senhor das Moscas para a nova geração, com direção de Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário) e Leonardo Di Caprio,  conta a história de um rapaz que recebe um mapa para chegar a  uma  praia paradisíaca e secreta na Tailância e lá encontra um grupo de plantadores de maconha com uma estranha filosofia de vida. A mistura de aventura, drama e morte não agradou nem ao público, nem aos críticos e o filme acabou não se pagando e ainda mexendo com a estrutura de uma praia de Pukhet para a revolta da população local.
Tá Dando Onda (2007): Pinguins viraram moda com MadagascarHappy Feet, mas essa animação dá de dez a zero nas outras por três detalhes. Primeiramente a hilariante história é toda contada como se fosse um documentário e os diretores conseguiram colocar detalhes bárbaros como bichos acenando no fundo,só para aparecerem, depoimentos toscos e filmagens desfocadas. Depois tem personagens fantásticos como o galo surfista que, seguramente, é chegado em substâncias ilícitas. E ainda tem Jeff Bridges dublando um pinguim baseado em seu personagem mais mítico, o grande Jeffrey Lebowski. Os surfistas Kelly Slater e Rob Machado dão uma canja na dublagem.

10 coisas para se comemorar em 2011

Publicado no site da revista Alfa em dezembro de 2010

2011 vem aí!  O ano das continuações com Piratas do Caribe IV, Velozes e Furiosos 5, Transformers 3, Crepúsculo 4, Harry Potter 7, Se Beber Não Case II, Pânico IV e muito mais. É o ano das HQs, já que teremos Thor, Capitão América, Cowboys & Aliens, Besouro Verde, X-Men First Class, Lanterna Verde e talvez, muito difícil dizer, mais um filme de Wolverine, agora no Japão. Acontece que para os amantes dos filmes clássicos e da história do cinema, 2011 é um ano com muita coisa para se comemorar e falarmos aqui nesse blog, confira:

100 anos de Winsor McCay e seus “desenhos que se mexem”: este foi o cartunista que resolveu investir o que tinha para criar uma indústria, a do desenho animado. Seus trabalhos com Gertie, o dinossauro e Little Nemo, se movendo, inspiraram, anos mais tarde, um rapazinho chamado Walt Disney.

90 anos de O Garoto: o filme genial de Chaplin, que fez platéias se debulharem em lágrimas e cuja consequência com o ator mirim Jackie Cougan gerou uma lei nos Estados Unidos.

80 anos do terror: em 1931 tivemos o genial filme alemão M, O Vampiro de Düsseldorf de Fritz Lang (que depois fugiria para os Estados Unidos), Frankenstein (com Boris Karloff), Drácula (aquele que estreou o fraque no personagem, com Bela Lugosi) e O Médico e o Monstro com Frederick March. Também foi o ano em que James Cagney iniciou sua carreira como o maior personificador de gângsteres do cinema no filme Inimigo Público.

70 anos de cinismo: foi em 1941 que Orson Welles criou o considerado melhor filme da história do cinema, Cidadão Kane, e se tornou o inimigo número 1 do magnata William Randolph Heart. Além disso, temos Relíquia Macabra, o melhor policial noir já produzido, que mostrava um detetive para lá de durão, Sam Spade, interpretado por Humphrey Bogart.

60 anos do drama: Marlon Brando grita “Stella!” e impressiona as platéias de todo o mundo com sua interpretação visceral de Kowalski em Uma Rua Chamada Pecado. Enquanto isso, uma ficção científica, O Dia em que a Terra Parou, se torna um tocante libelo anti-guerra e o diretor George Stevens nos dá o drama Um Lugar ao Sol, com Montgomery Cliff e Liz Taylor, sobre um homem que não mede esforços para se tornar rico e bem-sucedido.

50 anos de amor e ódio: em 1961, Audrey encanta a todos com sua Holly Golightly, a garota de programa boazinha, em Bonequinha de Luxo e vemos um Romeu americano e uma Julieta portoriquenha no Bronx com Amor, Sublime Amor. Por outro lado, a Segunda Guerra ganha visões distintas em duas produções, a aventura heróica de Os Canhões de Navarone e o drama com os horrores do nazismo em Julgamento em Nuremberg.

40 anos da psicodelia: dois filmes, completamente distintos em temática, mas igualmente loucos no visual, fazem aniversário, Laranja Mecânica de Kubrik e a primeira versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate. 1971 também marca o aparecimento de dois policiais durões, o Dirty Harry de Clint Eastwood em Perseguidor Implacável e o “Popeye” Doyle de Gene Hackman em Operação França.

30 anos de aventura: em 1981, George Lucas e Steven Spielberg se inspiraram nos cinesseriados que viam quando criança para nos dar Os Caçadores da Arca Perdida. Já Sam Raimi cria o genial A Morte do Demônio, o mestre dos efeitos especiais dos anos 50 e 60, Ray Harryhausen, enche a tela de bichos mitológicos com Fúria de Titãs, John Carpenter transforma Manhattan em uma prisão em Fuga de Nova York e John Boorman faz a mais hippie das adaptações da lenda do Rei Arthur com Excalibur.

20 anos de maldades fascinantes: como não se encantar com um psicopata interpretado magistralmente por Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes? Ou ainda ver uma fera de coração se tornar um cara gentil com a primeira animação a concorrer no Oscar como Melhor Filme, o genial A Bela e a Fera? E ainda rir muito com o humor negro de A Família Adams? Ou ver Arnold Schwarzenegger enfrentar um robô mais terrível que ele em O Exterminador do Futuro II? Foi o ano em que vilões se tornaram heróis.

10 anos de épicos: 2001 foi o ano que duas coisas ditas impossíveis de acontecer, aconteceram: os EUA foram atacados e Peter Jackson conseguiu filmar O Senhor dos Anéis com perfeição. Além disso, fomos apresentados para um bruxo que se tornaria uma febre e deixaria a Warner sorrindo de orelha em orelha, com Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi nesse ano também que conhecemos o macho perfeito em Shrek e a dupla perfeita em Monstros S.A.

Tem muito mais em 2011!

A todos, uma grande passagem de ano.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

10 grandes musas do cinema italiano

Publicado no site da revista Alfa em dezembro de 2010

Na semana passada, o blog Gatas aqui da Alfa trouxe, para gáudio e prazer dos leitores, a sensacional italiana Martina Stella, estrela do filme “Nine”, e obviamente que fiquei inspirado a pensar em outras grandes atrizes da terra da bota que aliavam beleza e talento e fazem a alegria dos marmanjos até hoje.

Claudia Cardinale
Em 1957, aos 19 anos de idade, Claudia, nascida de uma família de sicilianos em Tunis,  ganhou o incrível título de “Garota Italiana Mais Bonita da Tunísia” num concurso promovido pela embaixada da Itália naquele país. O prêmio era uma passagem para o Festival de cinema de Veneza e de lá, ela foi para as telonas do mundo inteiro. Dona de uma beleza ímpar e um corpo de fazer Berlusconi renunciar no ato, Cardinale trabalhou com grandes diretores europeus como Fellini em 8 e 1/2 e Sergio Leone em Era uma Vez no Oeste e também em produções americanas como A Pantera Cor-de-Roda e o faroeste Os Profissionais. Desde 1999, atua também como embaixadora da boa vontade para a Defesa dos Direitos das Mulheres da Unesco e em sua carreira, apareceu mais de 900 vezes como capa de revistas de 25 países.

Gina Lollobrigida
Nascida em 1927, Gina era chamada de A Mulher Mais Bonita do Mundo depois que estreou a obra La Donna più bella del mondo de  1955, mas essa romana apareceu  pela primeira vez ao público em 1947 quando disputou o título de Miss Itália e ficou em terceiro lugar. É interessante notar que os dois primeiros lugares do concurso, Lucia Bose e Gianna Maria Canale, também se tornaram atrizes, mas quem se lembra delas? Lollobrigida também fez grande sucesso nos EUA onde trabalhou com Burt Lancaster em Trapézio, com Frank Sinatra em Quando Explodem as Paixões e fez par com Yul Brynner em  Salomão e a Rainha de Sabá . Fora das telas, a atriz se tornou uma fotógrafa de sucesso, escultora conhecida e uma bem-sucedida empresário de moda e cosméticos.

Isabella Rossellini
Filha de uma das atrizes mais bonitas da história do cinema, Ingrid Bergman, com o diretor italiano Roberto Rosselini, Isabella foi musa do controverso David Lynch e seu Veludo Azul em 1986 e chegou a estar casada com Martin Scorcese entre 1979 e 1982. Belíssima, foi por 14 anos o rosto da Lancôme e hoje, aos 58 anos, atua como diretora, roteirista e filantropa e membro da Wildlife Conservation Network.

Laura Antonelli
Nascida em 1941, Antonelli, professora de educação física começou sua carreira em propagandas da Coca-Cola italiana, para depois trabalhar em uma série de TV, Carrossello e finalmente o cinema onde realizou 45 filmes entre 1965 e 1991. Seus maiores destaques foram em Malícia de 1973, dirigido por Salvatori Sampere, O Inocente de LuchinoVisconti de 1976 e Esposamante de 1977, todos obviamente destacando sua beleza e o corpo malhado e esculpido. Sua carreira terminou na década de 1990 depois que de ser condenada à prisão domiciliar por posse de cocaína.

Maria Grazia Cucinotta
A ragazza aí do lado é da Sicília e foi descoberta por todos os homens heterosexuais do planeta em 1994 quando estrelou o belíssimo filme O Carteiro e o Poeta, fazendo o papel de Beatrice, o grande amor da vida do carteiro Mario. Depois fez uma breve aparição na abertura de O Mundo Não é o Bastante de James Bond e ainda foi a mulher dos sonhos de Tony Soprano em um episódio da primeira temporada de Família Soprano. Atuando hoje entre o cinema americano e o italiano e também em séries de TV, ela possui somente um grande defeito: se recusa a fazer cenas de nu.

Monica Bellucci
Em Malena, ela era o objeto de desejo de um grupo de meninos na Itália dos anos de 1940; em Irreversível ela é violentada e vira motivo de uma vingança; em Paixão de Cristo, ela é Madalena, aquela mexe com a cabeça do Messias e em L’uomo che ama, ela atua no íntimo de um homem abandonado. Mônica Bellucci é uma das coisas mais sensuais que já foi dentro ou fora das telas e, ao contrário de Cucinotta, não hesita em mostrar muitos de seus dotes físicos e fazer com que seu marido, o ator Vincent Casell seja um dos homens mais invejados no mundo.

Monica Vitti
Maria Luisa Ceciarelli era de uma sensualidade fria que enlouquecia os homens na década de 1960. Foi a grande musa e amante) do cultuado diretor Michelangelo Antonioni que a dirigiu em A Aventura, A Noite, Il Deserto Rosso entre outros. Trabalhou com os grandes nomes do cinema italiano como Ettore Scola, Marcelo Mastroiani, Alberto Sordi e, dada a sua beleza blasé,  viveu a espiã das histórias em quadrinhos Modesty Blaise nas telonas ao lado de Terence Stamp. Desde os anos de 1980, ela está afastada do cinema, aparecendo muito esporadicamente em pequenas produções de sua terra natal.

Sophia Loren
Talvez a mais conhecida de todas as musas clássicas do cinema italiano e seguramente a que mais recebeu prêmios, Loren e seu olhar felino, começou sua carreira em 1953, aos 19 anos de idade e cinco anos depois já aparecia em produções americanas. Foi a primeira atriz a ganhar um Oscar em um filme não falado em inglês, Duas Mulheres, uma produção de 1960 dirigida pelo mestre Vittoria De Sica. Na escolha do American Film Institute, 100 Years 100 Stars ficou entre as 25 lendas femininas do cinema de todos os tempos. Sua última aparição nas telonas foi justamente em Nine.

Ornella Muti
Ornella Muti é um desenho do Milo Manara tornado real. Lindíssima, com deslumbrantes olhos verdes, nascida Francesca Romana Rivelli, estreou nos cinemas em 1970 no filme La moglie più bella (A esposa mais bonita). Depois foi a Princesa Aura de Flash Gordon, trabalhou ao lado de Stallone em Oscar e em 1994 foi escolhida a mulher mais bonita do mundo pelos leitores da revista Class. Em 2008 lançou uma linha de jóias com seu nome e, casada com um cirurgião plástico, colocou seus belos peitos no seguro por US$ 350.000.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Parabéns, Woody Allen!

Publicado no site da revista Alfa em dezembro de 2010
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Woody Allen completa 75 anos hoje e temos que tirar o chapéu para ele. Ele é o homem que mais entende da alma feminina. Duvida? Ele conseguiu retratar os anseios da mulher de cinquenta anos com perfeição em A Outra de 1988 e vinte anos depois realizou o filme mais feminino já produzido, Vicky Cristina Barcelona, e ainda mostrou que toda mulher tem um pouco de Vicky, um pouco de Cristina e  um pouco de Maria Elena, sempre em diferentes proporções. Sem contar que ele escolhe a dedo a beldade que vai colocar em seus filmes. Foi assim com Mariel Hemingway em Manhattan, a charmosíssma Diane Keaton em muitas de suas obras, Barbara Hershey em Hannah e suas Irmãs e recentemente Mira Sorvino (Poderosa Afrodite), Charlize Theron (O Escorpião de Jade), Scarlet Johansson (Match Point, entre outros) e Evan Rachel Wood (Tudo Pode Dar Certo).


Aos moldes de seu ídolo, Groucho Marx, Allen consegue dar tiradas ótimas e cínicas e com seu humor, aproveita para zombar do mundo em que vivemos, dos tipos ridículos que muitas vezes temos que aguentar e, obviamente, de nós mesmos. Nesse processo, não perdoa as manias dos judeus norteamericanos, o viver em Nova York, o mundo do cinema e das celebridades, as manias das mulheres, a meia-idade, entre tantos outros assuntos. Até mesmo seu estilo de fazer piada já passou por várias etapas, como o gênero mais escrachado de Bananas e O Assaltante Trapalhão, a fase mais “neurótica” com Annie Hall, as reminicências de infância com A Era do Rádio e a crítica social com Match Point e Tudo Pode Dar Certo.
Em homenagem a 3/4 de século bem aproveitados, entre genialidade e escândalo, aqui vão 25 frases do genial cineasta:
  1. 80% do sucesso depende de você aparecer.
  2. Como posso acreditar em Deus se na semana passada minha língua se prendeu ao rolo de uma máquina de escrever elétrica?
  3. Eu não quero conseguir a imortalidade pelo meu trabalho e sim por não morrer.
  4. Eu não tenho medo da morte. Só não quero estar lá quando ela chegar.
  5. Eu fico impressionado pelas pessoas quererem conhecer o universo quando você mal consegue se achar em Chinatown.
  6. Basicamente minha ex-mulher era imatura. Toda vez que eu estava na banheira, ela vinha e afundava meus barquinhos.
  7. Eu acredito que exista algo lá fora nos observando. Infelizmente é o governo!
  8. Eu não acho que meus pais gostavam de mim. Eles puseram um ursinho de verdade no meu berço.
  9. Sua falta de educação é mais do que compensada por uma desenvolvida falência moral.
  10. Se você não está falhando de vez em quando, é um sinal de que você não está fazendo nada de muito inovador.
  11. Estou muito orgulhoso do meu relógio de bolso de ouro. Meu avô, em seu leito de morte, me vendeu este relógio.
  12. Na minha casa, eu sou o chefe. Minha mulher só toma as decisões.
  13. Parece que o mundo foi dividido em pessoas boas e más. As boas dormem melhor, enquanto os maus parecem aproveitar muito mais os momentos despertos.
  14. Sexo sem amor é uma experiência de sentido, mas na medida em que sentido vai, a experiências pode ser muito boa.
  15. Há coisas piores na vida que a morte. Você já passou uma noite com um vendedor de seguros?
  16. E se tudo é uma ilusão e nada existe? Nesse caso, eu definitivamente paguei demais pelo meu tapete.
  17. Por que o homem mata? Ele mata por comida. E não apenas por alimentos: freqüentemente, deve haver uma bebida.
  18. Sexo é sujo? Somente se for bem feito.
  19. Não fale mal de masturbação. É sexo com alguém que eu amo.
  20. Minha vida amorosa é terrível. A última vez que estive dentro de uma mulher foi quando visitei a Estátua da Liberdade.
  21. Eu sou um amante tão bom, porque pratico muito comigo mesmo.
  22. O principal problema da morte é o medo que pode não haver vida após a morte – um pensamento deprimente, sobretudo para aqueles que se preocuparam em fazer a barba.  No lado positivo, a morte é uma das poucas coisas que pode ser feito facilmente, somente se deitando.
  23. Um cara bateu no meu pára-choque no outro dia, e eu lhe disse: “Sede fecundo e multiplicai”. Mas não exatamente com essas palavras.
  24. Meu cérebro é meu segundo órgão favorito.
  25. Por que arruinar uma boa história com a verdade?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

10 carros famosos do cinema

Publicado no site da revista Alfa em outuro de 2010
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O Salão do Automóvel está aí e nada mais apropriado do que falar dos carros que encantaram as platéias no cinema, mesmo porque automóveis e filmes tem uma relação de longa data. No cinema mudo, por exemplo, o carro era usado para fazer rir, como no caso dos Keystone Kops de Mack Sennet. Já alguns deles se tornaram “parte intergrante do pacote” como o Aston Martin de James Bond (o de Goldfinger foi leiloado ontem) e outros são verdadeiros personagens do filme, como a Kombi de Pequena Miss Sunshine. Existe até mesmo um completo banco de dados sobre o assunto no site imcdb.org (Internet Movie Cars Database). Aqui vão 10 que fizeram nossa alegria:

A Ferrari 1961 GT 250 de Curtindo a Vida Adoidado era, na verdade, uma réplica feita em fibra de vidro. Como somente 104 unidades foram produzidas, a montadora italiana recebeu inúmeras cartas de proprietários revoltados achando que o filme havia mesmo destruído um dos carros.

Agarra-me Se Puderes de 1977 trazia Burt Reynolds, mas quem ficou famoso foi o Pontiac Trans Am. Por causa do filme, as vendas dobraram em dois anos e na cena em que o carro salta uma ponte quebrada, os técnicos acabaram adaptando um motor da Chevrolet no carro para dar mais potência.

Bullit de 1968 ficou famoso por sua perseguição em San Francisco. Nela, o bandidão estava em um Dodge Charger R/T 440, que conseguia correr tanto quanto o Mustang 390 GT de Steve McQueen. Dois de cada modelo foram usados na filmagem, mas no final só sobrou um Mustang para contar a história.Um Charger foi também usado por Kurt Ruissel em À Prova de Morte de Tarantino.

Os Blues Brothers, em sua missão divina, andavam no seu indefectível “Bluesmobile” e arrasavam tudo o que encontravam na frente, de neonazistas a banda de country music. O carro era um Dodge Mônaco 1974 Sedan e ficou tão famoso que tem até website dedicada a ele, o bluesmobile.net.

No roteiro original de De Volta para o Futuro, a máquina do tempo seria uma geladeira, mas com medo que crianças se sufocassem brincando de Marty McFly, os produtores optaram por um De Lorean DMC 12, feito em aço inoxidável, justamente por seu design parecer alienígena e que assustaria as pessoas de 1955.

Os Caça-fantasmas, comédia de 1984 que no ano que vem ganha sua terceira edição, combatiam o sobrenatural em uma ambulância Cadillac de 1959 , a Ecto-1, que originalmente seria toda preta, mas como eles trabalhavam mais à noite. foi repintada de branco.

Cada década tem o Batman e o batmóvel que merece. Enquanto no filme de 1989 e em Batman Begins, o herói usava carros desenvolvidos especialmente para a produção, o Homem-Morcego utilizou um Lincoln Futura, um modelo conceitual – não vendido em série – adaptado, na série de TV e no longa de 1966.

O Interceptor de Mad Max era um Ford Falcon GT 1973, modelo de grande sucesso na Australia. Para o segundo filme, os produtores utilizaram o mesmo carro do primeiro e hoje ele está exposto no Cars of the Stars Motor Museum da Inglaterra.

O Gran Torino é praticamente um ator. Foi o carro do Dude em O Grande Lebowski, era o automóvel de James Gardner em Arquivo Confidencial e da dupla Starsky e Hutch no famoso seriado dos policiais durões e virou nome de filme (sensacional, diga-se de passagem) de Clint Eastwood.

Aqui abro uma exceção para falar de um caminhão e não de um automóvel, já que este foi um dos veículos mais assustadores da história da sétima arte, o Peterbilt 281 de 1955 do filme Encurralado, primeiro longa metragem de Steven Spielberg. Na história um caminhão persegue um infeliz motorista pelas estradas da California. Não há menor explicação do porque e como o caminhoneiro nunca aparece de corpo inteiro é a máquina que se transforma em uma força maligna. Muitos filmes já foram feitos com carros do mal, como Christine ou carros do bem como Herbie, mas nenhum deles tem a força e o impacto visual do caminhão de Encurralado.

10 frases geniais de John Cleese

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Hoje é aniversário de John Cleese, um dos fundadores do Monty Python ou o sucessor de “Q” do James Bond de Pierce Brosnan ou o homem que emprestou a voz para o rei sapo de Shrek. Advogado formado por Cambridge, Cleese preferiu voltar sua dedicação ao humor escrevendo para programas de rádio ingleses e para a televisão até que em 1969 criou, com outros roteiristas, o Monty Python´s Flying Circus, um programa humorístico onde o surreal dava o tom, ao melhor estilo da comédia inglesa. A série teve três temporadas na TV e quatro longas, O Cálice Sagrado, A Vida de Brian, Ao Vivo no Hollywood Bowl e O Sentido da Vida. O comediante continuou na TV com o seriado Fawty Towers, de sua autoria, e ganhou fama internacional com o hilariante Um Peixe Chamado Wanda. Depois disso vieram os filmes de Bond, o Ned Sem Cabeça de Harry Potter e o Lyle Fynster, um dos maridos de Karen do seriado Will & Grace e chegou ainda a colaborar em um gibi do Superman que zombava da Inglaterra. Em homenagem aos seus 71 anos, aqui vão 10 afiadas frases do ator, que aliam sabedoria e sarcasmo como ninguém.

“Na Inglaterra as garotas são ou brilhantes ou atraentes. Nos Estados Unidos é diferente. Elas são as duas coisas”

“[na eulegia que fez a Graham Chapman, quando de sua morte] E eu acho que estamos todos pensando como é triste um homem de talento, um homem de tal capacidade e bondade, de inteligência incomum, assim de repente, ser levado na idade de apenas 48 anos, antes que ele tivesse conseguido muitas das coisas que era capaz, e antes que ele tivesse se divertido muito. Bem, eu sinto que eu deveria dizer: “Bobagem!” Boa viagem para ele, bastardo folgado, e eu espero que ele frite.”

“Por que alguém que nunca cometeu um crime deveria ser obrigado a escutar música country é algo além da minha compreensão”

“Eu costumava desejar muitas, muitas coisas, mas agora só tenho um desejo: me livrar de todos os outros desejos”

“Se Deus não desejava que comessemos animais, por que os fez de carne?”

“Acho que é bastante fácil de retratar um homem de negócios. Ser desagradável, cruel e incompetente vem naturalmente para mim. “

“Quem ri muito, aprende melhor. Se eu conseguir fazer você rir comigo, você vai gostar mais de mim, o que o torna mais aberto às minhas idéias. E se eu puder persuadi-lo a rir num determinado assunto que quero explicar, por rir disso, você reconhece a sua verdade.”

“A única coisa que me lembro sobre o Natal era que meu pai costumava me levar para fora em um barco por cerca de dez milhas no mar no dia de Natal, e eu costumava ter que nadar de volta. Extraordinário. Era um ritual. Entenda que isso não era o pior. A parte difícil era sair de dentro do saco. “

“Uma idéia realmente boa é sempre rastreável por um longo caminho, muitas vezes ligada a uma idéia não muito boa, que foi desencadeada por uma outra idéia que foi apenas um pouco melhor, que alguém entendeu mal, de tal maneira que, em seguida, disse algo que era realmente muito interessante. “

“A tecnologia me apavora. É projetada por engenheiros para impressionar os outros engenheiros. E sempre vem com manuais de instruções que são escritas por engenheiros para engenheiros. E é por isso que na maioria das vezes a tecniologia não funciona”

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bons e maus policiais no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Já que o assunto da vez é o Capitão Nascimento (desculpe, mas ainda não vou conseguir chamá-lo de Coronel) e seu BOPE em Tropa de Elite 2, vale a pena dar uma olhada em alguns policiais que foram eternizados no cinema, tanto por serem durões pacas (ou como diriam na língua do bardo, badasses) ou corruptos demais e aqueles mais idealistas.

Chefe Harlan Quilan em A Marca da Maldade (1958): estrelado e dirigido por um imenso Orson Welles (que foi demitido da direção já na pós-produção), o clássico mostrou dois extremos da força policial, o correto oficial da divisão de narcóticos interpretado por Charlton Heston e o extremamente corrupto chefe de polícia (Welles) na investigação do assassinato de um empreiteiro em uma cidade na fronteira com o México. A abertura do filme, uma sequencia de três minutos sem cortes acompanhando um carro com uma bomba dentro, virou clássica.

Virgil Tibbs em No Calor da Noite (1967): um policial negro de Nova York tem que investigar um assassinato em uma cidade racista pacas no sul dos Estados Unidos. O filme tem os geniais Sidney Poitier e Rod Steiger e uma de suas frases entrou para o as 100 melhores da história do cinema. Quando o policial racista lhe pergunta “como é que tem chamam na sua cidade, crioulo?”, Poitier simplesmente dispara “Eles me me chamam de Sr. Tibbs”.

Dirty Harry em Magnum Force (1973): na segunda aventura de Clint Eastwood como o policial harry Calaham, ele precisa um esquadrão da morte repleto de policiais corruptos, que matam aqueles que são considerados indesejáveis na cidade de San Francisco. Nada que uma Magnum 44 na mão não resolva.

Frank Serpico em Serpico (1973): cinebiografia do policial novaiorquino que se recusava terminantemente a receber propina e acabou não só sendo isolado pelos colegas, como correu perigo de vida e levou a uma mega investigação na polícia de NY. Al Pacino levou o Globo de Ouro por sua interpretação.

Stansfield em O Profissional (1994): Gary Oldman dá um show de interpretação na pele do policial Norman Stansfield, que lidera um negócio de drogas em NY e está atrás da garotinha Mathilda (Natalie Portman, então com 12 anos de idade), única testemunha do massacre de sua família.

Bud White em Los Angeles – Cidade Proibida (1997): no moderno filme noir de Curtis Hanson, o foco é a força policial de Los Angeles nos anos de 1950. Com tipos como o policial galã de Kevin Spacey e CDFs como Guy Pearce, o detaque vai para o brutamontes de Russell Crowe, que prefere fechar os olhos para os esquemas de corrupção do lugar até que se torna um alvo.

Detetive Alonzo Harris em Dia de Treinamento (2001): Denzel Washington abandonou o papel de mocinho e assumiu a pele do corrupto, violento e imoral Alonzo, policial da divisão de narcóticos em Los Angeles e acabou levando uma estatueta do Oscar com isso, provando que o crime compensa (pelo menos nas telas). Duvido você não ficar com raiva do cara.

Billy Costigan e Colin Sullivan em Os Infiltrados (2006): de um lado um policial fingindo ser bandido (Di Caprio) e do outro um bandido tentando ser policial (Matt Damon), numa produção menor de Martin Scorcese (refilmagem do chinês Infernal Affairs) que acabou lhe dando o Oscar de Melhor Diretor e levou também o de melhor filme do ano.

12 filmes de gangues que você não pode perder

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Ainda na esteira dos 20 anos de Os Bons Companheiros e na eminência de mais uma série de TV falando de Máfia (e com a chancela de Scorcese), Boardwalk Empire, aqui vão 12 imperdíveis filmes com grupos de criminosos dos mais diversos tipos e estilos. Só deixamos a saga O Poderoso Chefão de Copolla de fora da lista, porque já virou obrigatória e hour-concour, portanto se você não viu, não merece nem ler o resto.

1. Scarface, A Vergonha de uma Nação (1932): todo mundo fala da versão de Al Pacino, mas Howard Hawks chocou os EUA com um filme tão violento que ficou dois anos na gaveta esperando ser liberado pela censura (conseguiu mas com um texto alertando para o fato de que o crime é ruim). Paul Muni é Tony Camonte, criminoso que ascende ao topo de um bando de gangster depois de matar seu chefe. Para completar tinha uma paixão incestuosa pela irmã, envolvida com um de seus homens de confiança, George Raft (que acabou criando um dos personagens mais marcantes do filme, o gangster que jogava uma moeda para cima e para baixo. Até o Pernalonga o imitou).

2. Fúria Sanguinária (1949): outro clássico imperdível e estrelado pelo grande ás do gênero, o baixinho enfezado James Cagney (que na verdade era um exímio bailarino e sapateador, mas ficou marcado pelos tipos brutos que interpretou em filmes de gangster). Ele é Cody Jarret, um psicótico líder de gangue com um complexo materno que deixaria Freud louco. A sequencia final, após a fuga da cadeia, com Cagney no alto de um tanque de combustível gritando “veja mamãe, cheguei no topo do mundo” é uma das mais marcantes na história de Holywood.

3. Onze Homens e um Segredo (1960): a refilmagem com Clooney e seus amigos é bem simpática, mas a versão original com o famoso Rat Pack de Frank Sinatra (com Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop) tem um estilo inconfundível de uma época que não volta mais, além de um final completamente inesperado e que dificilmente alguém teria coragem de colocar em um filme atual (Steven Soderbergh não teve).

4. À Queima Roupa (1967): o sempre durão Lee Marvin em mais uma parceria com o diretor inglês John Boorman (os dois fizeram o incrível Inferno no Pacífico juntos) na história de um criminoso que busca vingança contra a ex-esposa e o ex-parceiro e procura recuperar sua parte proveniente de um antigo assalto, enquanto enfrenta uma poderosa organização criminosa, disfarçada de operação legal. Reconheceu a história? Foi refilmada com Mel Gibson como O Troco. Um dos filmes favoritos de Martin Scorcese.

5. Laranja Mecânica (1971): não é preciso o paletó e o sotaque italiano, nem mesmo localizar a história nos EUA para se fazer um filme sobre gangues. Stanley Kubrick adaptou o livro de Anthony Burgess um jovem deliquente, Alex de Large, que com sua gangue aterroriza os pobres ingleses do futuro e, capturado, aceita fazer parte de um programa de reabilitação experimental que leva a uma aversão à violência (e a Bethoven) por parte do paciente. Você nunca mais vai relacionar a música “Cantando na Chuva” somente com Gene Kelly depois desse filme.

6. Warriors – Selvagens da Noite (1979): fantasia transadíssima do diretor Walter Hill que causou tumulto entre gangues reais no cinema na época do lançamento, mas hoje parece até história em quadrinhos filmada. A cidade de Nova York é palco de um conclave de gangues com nomes geniais (The Furies, The Boppers, The Hi-Hats, The Lizzies, The Turnbull AC’s, The Gramercy Riffs) e depois de serem acusados de ter matado o líder da maior delas, o pessoal do Warriors deve fugir do Bronx a Coney Island e escapar da fúria de cem mil inimigos.

7. Era uma vez na America (1984): Sergio Leone deixou o faroeste de lado para fazer a lírica e trágica saga de uma gangue de judeus no bairro de East End de Nova York, desde a era da Lei Seca nos anos 1920 até o reencontro da turma nos anos 1960 e ainda contou com os talentos de Robert De Niro, James Woods, Joe Pesci e da sempre estonteante Jennifer Connely, então com apenas 14 anos de idade. Destaque para a música belíssima de Ennio Morricone.

8. Cães de Aluguel (1992): o filme de estréia de Quentin Tarantino conseguiu revolucionar o gênero, aliando elementos antigos e esquecidos dos filmes clássicos com inovações como história não-linear e personagens marcantes, mas sem nome (somente apelidos como Sr. Black, Sr. Pink etc), numa história sangrenta sobre um assalto a uma joalheria. Contar mais é entregar o filme. Obviamente que depois de assistir esse, é obrigatório ver Pulp Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios e entrar em eternas discussões sobre qual é o melhor filme do diretor.

9. Os Suspeitos (1995): talvez uma dos mais brilhantes usos de linguagem cinematográfica no cinema americano, brincando com o fato de que você é um espectador. Dirigido pelo então estreante Bryan Singer (X-Men) e magistralmente estrelado por Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Kevin Pollack, Chezz Palminteri e Kevin Spacey (que ganhou o Oscar de ator coadjuvante), é um daqueles filmes onde você nunca vai poder contar nada, especialmente o final ou perde a graça. Se não viu, compre já e assista com um grupo. Em tempo, o nome original, The Usual Suspects vem de uma frase de Casablanca, “round up the usual suspects” (prenda os suspeitos de sempre).

10. Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998): o filme que lançou Guy Ritchie (ex-Sr. Madonna) na direção e os brutamontes Jason Statham (Adrenalina) e Vinnie Jones (60 Segundos) como atores. Quatro pobretões londrinos acabam devendo meio milhão de libras depois de um mal sucedido jogo de poker e tem uma semana para recuperar o dinheiro. Enquanto isso, o filme desfila os tipos mais estranhos possíveis, como Harry “Machadinha”, Barry “Batista” e Nick “o Grego” das mais variadas gangues com os mais variados sotaque. Ritchie acabou repetindo a fórmula depois no genial Snatch – Porcos e Diamantes e recentemente no divertido Rock’n'rolla - A Grande Roubada.

11. A Outra História Americana (1998): um filme que aborda um outro tipo de gangue, aquela movida por ódio racial. Um Edward Norton sarado faz um ex-líder de um grupo de neo-nazistas skinheads, que depois de cumprir pena por assassinato busca a todo custo tirar seu irmão menor (Edward Furlong de O Exterminador do Futuro II) do mesmo caminho que ele seguiu. Destaque para a chocante cena da morte do desafeto de Norton no meio-fio e da reconstrução do personagem dentro da penitenciária.

12. Cidade de Deus (2002): não é ufanismo, nem repetição, mas não dá mais para se falar em filmes de gangue ou de crime sem citar o classicão de Fernando Meirelles. Se você duvida cheque o IMDB, maior site de cinema do mundo. O filme aparece em 19o lugar entre os 250 melhores filmes já feitos e em sétimo no gênero “crime”, e isso por votação dos gringos. A história você já conhece: na famosa favela carioca, moço que se esquentava quando chamado de Dadinho, domina o crime local e começa a combater outras gangues, enquanto acaba criando seus maiores inimigos. E ainda nos faz pensar que se aqui fosse Holywood, alguém já teria a idéia de fazer Zé Pequeno versus Capitão Nascimento, o filme.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dez grandes cenas de tiroteio que você não pode perder

Publicado no site da Revista Alfa em setembro de 2010
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Foram lançados recentemente três grandes filmes do mestre da violência Sam Peckinpah em primorosas edições em DVD: Pat Garret & Billy The Kid (1973), Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974) e Assassinos de Elite (1975). Peckinpah, que se consagrou no início de sua carreira com faroestes de qualidade, foi o diretor que primeiro colocou nas telas o recurso da câmera lenta nas cenas de tiroteio e acabou inspirando várias gerações de cineastas (Quentin Tarantino que o diga). Em homenagem a ele, preparei uma lista de dez incríveis cenas onde o banho de sangue é tão bem filmado, que se torna lírico.

1. William Holden e sua gangue versus o exército mexicano em Meu Ódio Será Sua Herança (1969): esqueça o título brega. Este é um dos melhores westerns já feitos, mostrando um bando de assaltantes de bancos que se refugia no México e se envolve com um perverso general. A cena final, que levou 12 dias para ser feita, com quatro caras duelando com todo um exército (contrastando com a cena inicial onde crianças jogam um escorpião em um formigueiro) é clássica e imperdível. A direção é do Peckinpah.

2. Tom Hanks e sua tropa versus os alemães em O Resgate do Soldado Ryan (1998): para muitos, o começo do filme é um verdadeiro chute no estômago com corpos dilacerados, o mar tingido de vermelho e muitos soldados gritando “medic!” em meio ao desespero da invasão da Normandia. Qualquer filme de Segunda Guerra feito antes desse clássico acabou perdendo a graça. E isso tudo vindo do cara que nos deu E.T.

3. Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss versus os seguranças em Matrix (1999): segundo um conhecido, essa é a propaganda de óculos escuros mais cara da história, mas não dá para não se impressionar com o bailado dos dois atores e quantidade de balas disparadas no lobby do edifício até a chegada ao elevador. Dá até para esquecer a pseudo-filosofia do roteiro complicado.

4. Al Pacino versus os inimigos de sua famiglia na saga O Poderoso Chefão (1972, 1974 e 1990): caso você nunca tenha prestado atenção ou assistido os três filmes (o que, desde já registro, é um crime sem perdão), cada capítulo começa com uma festa e termina com um massacre com eventuais assassinatos no meio da história. Só que não dá para não ficar de boca aberta com a maestria que Coppola filma cada morte. E são tão originais, que é quase impossível escolher qual é a melhor.

5. Os ‘Federais’ versus Warren Beaty e Faye Dunaway em Bonnie & Clyde, Uma Rajada de Balas (1967): Bonnie Parker e Clyde Barrow foram dois assaltantes de banco que infernizaram o pacato interior dos Estados Unidos nos anos 30 e tiveram sua vida (e morte) levada às telonas pelas mãos do diretor Arthur Penn. A cena final reproduz com perfeição o fim do casal de bandidos já que, na história real, mais de 130 tiros foram disparados pelas forças policiais em direção ao carro onde se encontravam e segundo reza a lenda, mais de 50 balas foram retiradas de cada um dos corpos.

6. Al Pacino versus a gangue de Sosa em Scarface (1983): a adaptação do clássico de 1932 para os anos de 1980, com todo o requinte de crueldade que a época exigia, marcou toda uma década, em especial pela cena da morte de Tony Montana, que enfrenta o bando rival com sua metralhadora e altas doses de cocaína e ainda grita “diga oi para meu amiguinho”.

7. Robert De Niro e Val Kilmer versus a polícia de Los Angeles em Na Linha de Fogo (1995): para muitos gringos, a campeã em termos de tiroteio é a sequência do assalto ao banco no centro de L.A., onde o realismo da ação impressiona pelos inúmeros carros sendo destruídos pelas balas, pedestres fugindo desesperadamente e a única trilha sonora é o som dos tiros.

8. O batalhão de Brad Pitt versus os nazistas em Bastardos Inglórios (2009): Tarantino vingou as vítimas do holocausto colocando um batalhão de judeus massacrando Hitler e o alto comando alemão e distorcendo toda a história da II Guerra. Acontece que o diretor aprendeu a trabalhar a tensão antes de começar a disparar cartuchos e assim a sequencia da cervejaria do porão está destinada a se tornar clássica .

9. Seu Jorge versus a gangue de Leandro Firmino em Cidade de Deus (2002): melhor filme brasileiro dos últimos 20 anos, essa obra-prima não economiza balas, cartuchos e palavrões em suas cenas, especialmente na batalha entre as gangues da favela. Um dos grandes e inequecíveis destaques é a cena em que Mané Galinha parte para se vingar a morte de seu irmão e tio e o estupro da namorada, atacando sozinho o bando de Zé Pequeno e entrando a partir dali, numa vida de crimes.

10. Chloe Moretz versus os mafiosos de Mark Strong em Kick-Ass Quebrando Tudo (2010): o filme passou despercebido nos cinemas brasileiros, mas pode ser encarado como um Tarantino para teenagers. A sequencia final com Hit Girl, a garotinha mais desbocada das telas, massacrando sozinha o bando de Frank D´Amico ao som do tema de Por Uns Dólares A Mais é de trazer lágrimas aos olhos. Desde que, obviamente, você não leve muito a sério.