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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tanti auguri, Antonio!

Publicado no blog da revista Alfa em agosto de 2011
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Hoje Tony Bennett, o lendário cantor romântico de jazz, completa 85 anos de idade. E o que ele tem a ver com cinema? Como ator nada, porque raríssimas vezes arriscou mostrar algum lado dramátrico, trabalhando em alguns seriados de TV anos anos 1960 e 1970. Só que podemos afirmar que não há filme de máfia italiana os dias atuais sem Bennett na trilha (isso ao lado de Louis Prima) ou a coisa não tem graça.

Tony Bennett é um dos grandes exemplos de retomada e superação de um artista. Sucesso nos anos 1950 e 1960 (e, por mais que as pessoas o relacionam com a coisa, não fez parte do Rat Pack de Sinatra), ele viu sua carreira quase afundar com o advento do rock n´roll. Sua tentativa de se manter no topo custou-lhe a saúde e o casamento até que no início dos anos 1990, seu filho começou a colocá-lo em programas de TV com tinham apelo com o público mais jovem (começando por Letterman) e em 1994, o cara gravou um Unplugged para a MTV, sendo redescoberto por um pessoal que curtia rap, country e rock e ganhando inúmeros prêmios. E essa retomada não se limitou às rádios. O cinema também dobrou-se ao seu estilo, especialmente quando a máfia foi “ressucitada” por Martin Scorcese e outros grandes diretores.

E Bennett e bandidos ítalos americanos tem muito a ver. É só assistir a abertura do grande Os Bons Companheiros e se deparar com aquela máfia romântica, em um bairro italiano típico, com ‘Rags to Riches’ ao fundo, compondo um das mais belas combinações entre imagem e música já mostrado. É óbvio que vamos ver que o mundo não é tão cheio de honra assim e que o personagem principal irá mesmo de ‘mendigo a riqueza’ como diz a canção para depois cair na pobreza de novo, mas tudo bem.

Naquele mesmo ano de 1990, Bennett já havia mostrado sua voz em outros dois filmes de gangsteres: a ótima comédia Um Novato na Máfia (com ‘I wanna Be Around’), aquela em que Brando brinca com seu personagem mais famoso, Don Corleone e ainda na não tão engraçada assim Meu Pequeno Paraíso, com Steve Martin e Rick Moranis.

Quando Bob De Niro resolveu ir para trás das câmeras em 1993 com o bom Desafio no Bronx, mostrando um pai desesperado com a amizade de seu filho com um gangster, lá estava Tony. No divertido O Nome do Jogo, aquele em que John Travolta faz um dos mafiosos mais cool da história das telonas, Chilli Palmer, Bennett canta ‘Are You Havin’ Any Fun’. No incompreendido Cassino (que só foi se tornar cult anos depois de seu lançamento), o cantor marcou presença com ‘Who Can I Turn To When Nobody Needs Me’ e não podia ficar de fora também da trilha incidental de Meu Vizinho Mafioso 2.

A participação mais divertida, porém foi mesmo em A Máfia no Divã. A sensacional comédia de Harold Ramis de 1999 com De Niro fazendo um mafioso em crise que passa a ter sessões de terapia com Billy Crystal brinca com inúmeros elementos dos filmes da cosa nostra e ainda traz no elenco algumas figurinhas carimbadas do gênero, como Chazz Palminteri e (o infelizmente falecido) Joe Viterelli. Entre muitas confusões e neuroses, no final, o Dr. Ben Sobel recebe o melhor pagamento por ajudar um chefão com crise de pânico: um show privativo de Tony Bennett no quintal de sua casa. Quem não haveria de querer uma coisa dessas?
A Antonio Dominick Benedetto, Buon Compleanno!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O homem que transformou Bond em música

Publicado no site da revista Alfa em janeiro de 2011
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Morreu, aos 77 anos, John Barry. Ok, você diz, e o que ele tem a ver com a minha vida? Bom, John Barry foi o homem que musicou onze filmes de 007 e faz parte de uma antiga lenda de que seria o co-autor do tema do agente secreto. Na verdade, o tema de Bond é creditado a Monty Norman, que recebe os royalties desde 1962 com Dr. No e a história é mesmo complicada. Norman compôs o tema, mas os produtores, Saltzman e Broccoli detestaram o arranjo e passaram-no para Barry. Só que não há como mostrar o que Barry adicionou ao tema ou o que fez para completar o arranjo e assim o maestro morreu sem ter o crédito na música.
Devido ao caso, ele tentou desenvolver outro tema para o espião, chamado 007, mas não pegou (embora tenha sido usado em quatro filmes). Sendo ou não o pai da criança, o que importa é que Moscou contra 007, Goldfinger (que tem a fantástica música-tema cantada por Dame Shirley bassey), Chantagem Atômica, Só se Vive Duas Vezes, A Serviço de Sua Majestade, Os Diamantes são Eternos, O Homem da Pistola de Ouro, Foguete da Morte, Octopussy, Na Mira dos Assassinos e Marcado para Morrer tiveram a marca de John Barry: metais estridentes e muito jazz, ao mesmo tempo com um clima sensual e charmoso. Era uma combinação tão especial que, em 1965, o grande Count Basie regravou os temas de 007 no disco Basie Meets Bond , dando ainda mais tempero ao que John Barry compôs. Nos seus últimos trabalhos por trás das trilhas de Bond, Barry flertou com a pop music da época, trabalhando primeiramente com Duran Duran em A View to a Kill (primeiro lugar entre os singles mais vendidos nos EUA na época) e com o A-Ha em The Living Daylights.
Só que Barry não era só Bond. Trabalhou em 90 trilhas sonoras, concorreu sete vezes ao Oscar e ganhou cinco (melhor canção e melhor trilha por A História de Elza), melhor trilha por O Leão no Inverno (com um tema brilhante, depois usado por um programa de TV brasileiro), Entre Dois Amores e Dança com Lobos (que também lhe deu o Grammy). Compôs também a triste trilha de Perdidos na Noite, Ghost, Em Algum Lugar do Passado e o tema de Persuaders, série com Tony Curtis e Roger Moore. Estranhamento, mesmo como um dos compositores ingleses mais famosos do mundo, nunca ganhou o título de Cavaleiro do Império Britânico.
Em 1997, o jovem David Arnold concluiu um trabalho de dois anos de pesquisa em cima dos temas de Barry para James Bond e lançou o álbúm Shaken and Stirred: The David Arnold James Bond Project, com regravações atuais de músicas dos filmes. O trabalho impressionou tanto Barry que ele ligou para a produtora Barbara Broccoli e recomendou o novo compositor. Arnold é responsável pela trilha de 007 desde O Amanhã Nunca Morre.  O que mostra que, na verdade, mesmo com Barry longe, seu legado nunca mais deixará os filmes do agente secreto mais famoso do mundo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cinco grandes filmes de Frank Sinatra (sem o Rat Pack)

Publicado no site da revista Alfa em dezembro de 2010
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Ontem seria aniversário do “velho olhos azuis”. Sim, Francis Albert Sinatra nasceu em Hoboken, Nova Jersey, em 12 de dezembro de 1915 e de lá se tornou no mais conhecido e popular cantor de todos os tempos. Como símbolo sexual que era, Sinatra teve uma carreira razoável em Hollywood. Quando ainda era crooner da banda de Tommy Dorsey apareceu em duas produções sem o devido crédito, Las Vegas Nights (1941) e Ships Ahoy (1942) e depois de famoso passou a atuar em vários musicais de sucesso como Marujos do Amor, A Bela Ditadora (ambos com Gene Kelly) e Can Can e logo quis se aventurar no drama. Sinatra era um inferno para os diretores porque não aceitava fazer dois takes de uma cena. Ele acreditava que ela devia ficar boa na primeira tomada, mas esquecia-se que não era um Marlon Brando (que aliás, trabalhou com ele em Gatinhas e Gatões). A música de Sinatra entrou para a trilha sonora de 233 produções. Em toda sua carreira, o cantor produziu nove filmes, dirigiu dois e atuou em 60 produções. Sua última aparição nas telonas foi no policial O Primeiro Pecado Mortal de 1980 e nas telinhas, participou de um episódio da série Magnum de 1987. Assim, para comemorar os 95 anos do nascimento da “Voz”, apresento cinco filmes que se destacam pela força de sua interpretação e/ou pelas lendas que cercaram a produção.

A um Passo da Eternidade (1953): Sinatra fez tanto lobby para conseguir atuar nesse filme que anos depois Mario Puzzo criou a lenda de que foi a Máfia que fez com que o contratassem na sua obra O Poderoso Chefão (e cena do cavalo, capicci?). Na verdade o papel era de Eli Wallach, que o abandonou para atuar numa produção de Elia Kazan para a Broadway e Frank queria muito reerguer sua carreira que estava meio em baixa na época. Deu certo. O cantor levou o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua interpretação contundente do Cabo Angelo Maggio, um descendente de italianos, esquentado pacas, que se envolve em uma briga com um sargento da PE (Ernest Borgnine) e apanhar até morrer. Tudo isso nos dias que antecedem o ataque a Pearl Harbor. O clássicão tem ainda Burt Lancaster, Montgomery Cliff, Deborah Kerr e a imortal cena do casal de beijando à beira-mar.

Suddenly (1954): o filme mais controverso da carreira do cantor é cercado de mitos. A história em si já era pesada: uma cidadezinha do interior vai receber a visita do presidente dos EUA e um assassino psicótico (Sinatra) se aloja na casa de uma família, mantendo-os reféns, para assim conseguir assassinar o líder da nação. Obviamente que quando Kennedy foi assassinado, dois dias depois desse filme passar na TV, todos diziam que Lee Harvey Oswald havia se inspirado na obra ficcional para conseguir matar o presidente. Depois, criou-se um boato de que o próprio Sinatra havia proibido a distribuição do filme, pois se arrependera de tê-lo feito quando viu o fato acontecer na vida real. Tudo balela. Na verdade, Harvey assistiu Resgate de sangue de John Huston sobre a revolução em Cuba e até hoje a família de Frank tem que explicar que ele não dava a mínima pela repercussão do filme. A única história verdadeira é que quando foram colorizar o filme nos aos 80, o velho “olhos azuis” se tornou o velho “olhos castanhos” por erro dos técnicos.

O Homem do Braço de Ouro (1955): filmaço sobre um carteador que é viciado em heroína injetável e sua luta para se livrar do vício e do traficante que sempre o seduz para uma nova dose. Sinatra concorreu ao Oscar mais uma vez por sua atuação impecável (especialmente nas cenas de abstinência), mas perdeu para Ernest Borgnine em Marty. O filme consagrou também a música-título, composta por Elmer Berstein, que se tornaria trilha de muito strip-tease e recentemente de uma marca de cerveja carioca. E mais o cartaz e a abertura foram copiados depois por muitos designers.

Alta Sociedade (1956): delicioso musical com um elenco fantástico. Para começar tinha Louis Armstrong tocando,  trilha composta por Cole Porter, Sinatra e Bing Crosby lado a lado e Grace Kelly enfeitando a tela. Refilmagem de Núpcias de Escândalo com Cary Grant e Katherine Hepburn, mostra um cantor (Crosby) tentando recuperar a ex-esposa quando do segundo casamento dela e Sinatra fazia um jornalista, contratado para cobrir o evento. Crosby era o cantor mais popular do mundo até Frank Sinatra surgir e na época espalhou-se na imprensa que os dois eram rivais ferrenhos. Puro marketing. Os dois não só se respeitavam como era grandes amigos. Na sequencia “Did You Evah”, onde os dois cantam juntos, deram espaço para muitas improvisações e, é lógico que os dois não perderam a chance de brincarem um com o outro. A combinação de tantos talentos fez com que fosse um dos 10 filmes de maior bilheteria de 1956.

Sob o Domínio do Mal (1962): esqueça já a dispensável refilmagem com Denzel Washington, em 2004, porque o bom era quando os inimigos eram os comunas vermelhos e não as grandes corporações. Nesse sensacional thriller político dirigido por John Frankenheimer, um bando de veteranos da Guerra da Coréia passa por lavagem cerebral feita pelos comunistas e se envolvem com um assassinato político. Tem Sinatra como o Major Marco, que tenta desesperadamente entender o que está acontecendo à sua volta e Laurence Harvey  como Raymond Shaw, o filho de um congressista de direita e de uma manipuladora senhora, vivida magistralmente por Angela Lansbury. A mensagem do filme era tão pesada que a United Artists relutou em produzi-lo e só aceitou depois que o presidente JF Kennedy telefonou para o manda-chuva do estúdio, Arthur Krim, e pediu para que o filmasse. Depois de seu lançamento, acabou sendo proibido em vários países da então chamada “cortina de ferro” como Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária e até mesmo em países neutros como Finlândia e Suécia.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

10 coisas que você talvez não saiba sobre Beyoncé Knowles

Publicado no Terra em dezembro de 2009
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Está confirmado. Uma das cantoras mais gatas e esculturais do mundo, Beyoncé, se apresentará no Brasil no ano que vem com seu show I AM Tour tendo abertura de Ivete Sangalo. Uma vez que, quando ela estiver no palco, você só prestará atenção nas pernas das cantoras (o páreo é difícil, aliás), aqui vão 10 curiosidades sobre aquela que também quer ser chamada de Sasha Fierce:

1) Seu pai foi esperto o bastante para lançar e empresariar o trio Destiny´s Child, colocando a filha como principal vocalista. Antes desse nome "vendedor", o grupo de chamava Girls Tyme e abriam os shows do TLC.

2) É amiga da cantora Alicia Keys desde que tinha 14 anos de idade e as duas fizeram uma parceria na música "Put It In A Love Song".

3) Em 2009, ficou em quatro lugar na lista das "100 celebridades mais poderosas e influentes do mundo da revista Forbes", terceiro lugar no ranking dos artistas mais vendedores do ano e primeiro na lista das celebridades com menos de 30 anos de idade mais bem pagas do mundo (ela fez só 87 milhões de dólars entre 2008 e 2009)

4) Ela e a mãe lançaram em 2005 uma marca de roupas chamada House of Deréon, nomeada em homenagem a sua avó. Entretanto foi duramente criticada pelo PETA (ONG de proteção de animais) por usar pele natural em algumas roupas.

5) Sua música "If I were a boy" mostrando os homens como insensíveis à natureza feminina gerou polêmica nos Estados Unidos, e acabou criando uma DR musical, já que Shawn Stockman, do Boys 2 Men, lançou "IF U were a boy", onde responde à cantora com coisas como se ela fosse um rapaz saberia o que é dar o melhor a uma garota e ela não achar o bastante.

6) Seus pais anunciaram o divórcio em dezembro deste ano depois de 31 anos de casado e Mr. Knowles ainda está respondendo a um processo de paternidade, movido por uma enfermeira de Los Angeles.

7) Interpretou uma das rainhas do soul music, Etta James, no filme Cadillac Records. Acontece que a decana senhora ameaçou arrebentar-lhe a cara se Beyonce cantasse de novo seu maior sucesso, At Last, depois de sua apresentação na posse de Obama. Beyoncé acabou interpretando o clássico de novo na cerimônia do Oscar 2009.

8) Segundo reza a lenda, o grupo brasileiro Cansei de Ser Sexy tem esse nome tirado de uma entrevista de Beyoncé que afirmava não agüentar mais ser tão bonita e gostosa.

9) Ganhou o primeiro lugar como artista mais gostosa do canal VH1, sétimo lugar em 2002 entre a artista mais sexy do mundo da revista Stuff, uma das pessoas mais bonitas do mundo e lábios mais desejados da revista People em 2004, 17º lugar como uma das 100 mais sexy da Maxim em 2005, 18º lugar na mesma categoria da revista FHM em 2006, e finalmente mulher do ano em 2009 pela revista Billboard.

10) Assinou como garota-propaganda da L´Oreal em 2001, quando ainda não era toda-poderosa na indústria musical americana, mas estranhamente, à medida que a fama cresceu, sua pele passou a ser retratada nos anúncios cada vez mais pálida, escondendo os traços negros da cantora.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As 15 músicas natalinas mais tocadas nos parques de Orlando

Publicado no Terra em dezembro de 2009
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É tempo de natal nos parques de Orlando e, obviamente, onde quer que você esteja vai escutar as mesmas músicas sendo tocadas nos auto-falantes, mas com um detalhe muito legal, nas mais variadas versões. Ou seja, cada um dos clássicos é apresentado em rock, jazz, salsa, instrumental, cantado etc. Abaixo uma seleção das músicas mais tocadas lá, que você pode conferir também no Sonora:

1 - All I want for Christmas, com Maria Carrey. »Ouça um trecho
2 - Frosty the Snowman, com Harry Connick Jr. »Ouça um trecho
3 - I heard the bells at Christmas day, com Counting Crows. »Ouça um trecho
4 - Its the most wonderful time in the world, com Toni Braxton. »Ouça um trecho
5 - Jingle Bells, com B2K ou com Natalie Cole. »Ouça um trecho
6 - Jingle Bells Rock, com The Platters. »Ouça um trecho
7 - Joy to the World, com Michael Bolton. »Ouça um trecho
8 - Let it Snow, com Frank Sinatra. »Ouça um trecho
9 - Rockin around the Christmas tree, com Alabama. »Ouça um trecho
10 - Rudolph the red-nosed deer, com Ella Fitzgerald ou com Chicago. »Ouça um trecho
11 - Santa Claus is coming to town, com Jackson 5 ou com Supremes. »Ouça um trecho
12 - Silent Night, com Amy Grant. »Ouça um trecho
13 - Thank God it´s Christmas, com Queen. »Ouça um trecho
14 - We wish you a Merry Christmas, com Take 6. »Ouça um trecho
15 - White Christmas, com America ou com Michael Buble. »Ouça um trecho

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

15 coisas para você aprender com John Lennon

Publicado no Terra em outubro de 2009
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John Lennon, o beatle que virou um símbolo, completaria 69 anos nesta sexta-feira, 09 de outubro. Letrista e músico de primeira qualidade, poeta e - para quem não sabe - também escritor e desenhista, Lennon era um incansável defensor da paz e desenvolveu vários libelos anti-guerra atraindo até mesmo a antipatia de Richard Nixon, que queria deportá-lo dos Estados Unidos de volta à Inglaterra, conforme visto no documentário The U.S. versus John Lennon de 2006.

Mestre em tiradas sarcásticas, ao mesmo tempo que pregava um estilo de vida alternativo, ele deixou uma série de lições, ainda atuais, 29 anos depois de sua morte. Aqui vão então 15 de suas frases mais contundentes:

1. Um sonho que você sonha sozinho é apenas um sonho. Um sonho que você sonha junto (com outras pessoas) torna-se realidade.

2. Eu acredito em Deus, mas não como uma coisa única, um velho sentado no céu. Eu acredito que o que as pessoas chamam de Deus, está dentro de cada um de nós. Eu acredito que Jesus ou Maomé ou Buda e todos os outros estavam certos. Foi só a tradução que foi feita errada.

3. Eu não acredito em matança, seja qual for a razão!

4. Se todos lutassem por paz em vez de por outro aparelho de televisão, então haveria paz.

5. Se você tentasse dar outro nome para o rock'n'roll, então ele seria Chuck Berry.

6. Se alguém pensa que paz e amor é um clichê deixado para trás no fim dos anos 60, isso é um problema. Paz e amor são eternos.

7. A vida é o que acontece quando você está ocupado fazendo planos.

8. Meu papel na sociedade, ou de qualquer artista ou poeta, é tentar expressar o que nós sentimos. Não é dizer às pessoas o que sentir. Não como um pregador ou como um líder, mas como um reflexo de nós mesmos.

9. Nossa sociedade é conduzida por pessoas insanas com objetivos insanos. E acho que estou sujeito a ser posto de lado como um insano por expressar isso. Isso é que a insanidade.

10. Rituais são importantes. Hoje em dia está na moda não ser casado. Eu não quero estar na moda.

11. O que os anos 60 fizeram foi nos mostrar as possibilidades e a responsabilidade que cada um tem que ter. Não era a resposta final. Só nos deu um vislumbre da possibilidade.

12. Quando você está se afogando não pensa "eu ficaria imensamente satisfeito se alguém tivesse a providência de notar que estou me afogando e viesse e me ajudasse". Você apenas grita.

13. Para nosso último número, quero pedir a ajuda de todos. As pessoas nos lugares mais baratos podem bater palmas? E o resto de vocês aí (nos lugares mais caros) apenas chacoalhem suas jóias.

14. Se as pessoas prestam alguma atenção naquilo que falamos, então eu digo que nós estivemos envolvidos no mundo das drogas e que não existe nada melhor do que não estar mais viciado.

15. Eu sempre considerei minha obra como uma coisa só e acho que meu trabalho só estará encerrado quando eu estiver morto e enterrado e espero que isso demore muito tempo. (N.R.: Ele falou isso numa entrevista para a rádio RKO no dia de sua morte).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Há 50 anos, a música perdia Billie Holiday

Publicado no Terra em julho de 2009
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Billie Holiday é um marco na história da música. Sua voz triste e interpretações pungentes de grandes clássicos do blues e do jazz a transformaram num ícone e numa estrela de primeira grandeza. Mais do que simplesmente ter talento, ela parecia conseguir colocar toda a dor de sua difícil vida em cada música que cantava e isso a tornou especial.

Nascida em 07 de abril de 1915 em Baltimore, nos Estados Unidos, como Eleanora Fagan, era filha de um casal muito jovem (seu pai tinha 18 anos e sua mãe 14 quando ela nasceu). Abandonada pelo pai, Billie viveu diversas agruras na infância, como ter sido violentada por um vizinho aos 10 anos de idade e, por causa disso, ter sido mandada para um instituto correcional. Aos 14, ela e a mãe mudaram-se para Nova York, onde para conseguir dinheiro a garota caiu na prostituição.

Adotando o nome de Billie Holiday (Billie em homenagem à atriz Billie Dove, que admirava, e Holiday, que era o sobrenome do pai) e inspirada por discos de Bessie Smith e Louis Armstrong, começou a cantar em bares do bairro do Harlem a partir de 1930. Reza a lenda que em uma de suas primeiras aparições, cantando Travellin¿ Alone, fez a plateia de um boteco ir às lágrimas. Pulando de bar em bar por três anos, acabou sendo descoberta pelo caçador de talentos John Hammond que a colocou para cantar na famosíssima e consagrada orquestra de Benny Goodman. Foi nela que fez sua estreia nos estúdios gravando duas musicas: Your Mother's Son-In-Law e Riffin' the Scotch. A partir de 1935, Holiday passou a ter uma parceria bem-sucedida com o pianista Teddy Wilson e em pouco tempo já se apresentava como artista principal.

Quando Wilson assinou um contrato com a Brunswick Records, onde deveriam transformar músicas populares em grandes swings, os dois se viram com a oportunidade e liberdade de desenvolver seus próprios estilos e o método de Holiday de adaptar a melodia à emoção é considerado hoje revolucionário. Além disso, já nessa época ela escrevia suas próprias canções e clássicos, como Billie's Blues, Tell Me More (And Then Some) e Long Gone Blues, que entraram para o cancioneiro jazzístico americano.

Entre os músicos que a acompanhavam na época estava o saxofonista Lester Young, amigo de longa data, que a apelidou de Lady Day. Também nesse período, Holiday gravou algumas canções com as orquestras de Count Basie e Artie Shaw. Depois de passar pela Columbia Records e pela Comodore Records (onde gravou Strange Fruit, uma música contundente sobre linchamento de negros), Holiday acabou em 1944 na Decca Records. Lá emplacou um de seus maiores sucessos, Lover Man, uma balada escrita especialmente para ela, sobre uma mulher que nunca conheceu o amor. Entre os grandes clássicos da fase Decca está também Don´t Explain, de sua autoria, escrita depois que pegou seu marido, Jimmy Monroe, com marcas de batom na camisa.

Em 1947, Lady Day apareceu no filme New Orleans ao lado de Louis Armstrong num papel que odiou fazer: o de empregada doméstica. Em maio daquele ano, foi presa por porte de narcóticos e condenada à prisão, onde permaneceu até março de 1948, quando foi libertada por bom comportamento. Após sair da cadeia, fez um concerto no Carnegie Hall, infelizmente não gravado, onde deslumbrou a plateia com sua interpretação de Night and Day, de Cole Porter. O show foi um tremendo sucesso com toda bilheteria vendida.

Em janeiro de 1949, mais uma vez Holiday foi presa sob a acusação de posse de drogas. Ela contou anos depois que começou a usar entorpecentes no começo da década de 40, quando mesmo casada, se envolveu com o traficante e músico Joe Guy. Mesmo após se divorciar do marido e terminar seu relacionamento com Guy, Holiday continuou a levar uma vida repleta de drogas e álcool e a manter relações com homens abusivos. Obviamente, essa vida desregrada acabou por prejudicar sua saúde e consequentemente sua voz privilegiada.

Em março de 1952, casou-se com um membro da máfia, Louis McKay, que apesar de violento e agressivo, procurou curá-la de seu vício. Nessa época, Holiday passou a para o selo Verve Records, onde gravou mais de 100 músicas (entre elas My Man e Fine and Mellow), que acabaram por consistir no repertório mais conhecido da artista. Em 1954, fez uma turnê pela Europa e em 1956 se apresentou mais uma vez, por duas noites, no Carnegie Hall, desta vez com registro de todo o show. Também em 1956 foi lançada sua autobiografia, Lady Sings The Blues, escrita com William Dufty, que desejava que o mundo conhecesse a triste história da cantora através de sua própria versão, e não pela versão da imprensa.

Suas últimas gravações foram feitas em 1959 para a MGM Music, com a orquestra de Ray Ellis acompanhando. Em 31 de maio de 1959, foi levada às pressas para o Metropolitan Hospital de Nova York com graves problemas no fígado e no coração. Ao mesmo tempo, a polícia tinha um mandato de prisão contra ela por, mais uma vez, posse de drogas. Em 17 de julho de 1959, Billie Holiday, a Lady Day, faleceu em decorrência de uma cirrose. Seu vício e ritmo de vida frenéticos haviam consumido também seu patrimônio. Ela morreu com US$ 0,70 na conta bancária e US$ 750 no bolso.

Sua biografia virou filme em 1972 com Diana Ross no papel. Em 1987, recebeu um Grammy Póstumo pelo seu legado. Virou selo postal em 1994 e, por incrível que pareça, ficou em sexto lugar no ranking promovido pelo canal de TV VH1 nas 100 Mulheres Mais Importantes do Rock´n´Roll. Entre as muitas homenagens que recebeu, destaca-se ser a inspiração para a música Angel of Harlem, dos irlandeses do U2.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Há 70 anos, Frank Sinatra gravava sua primeira canção

Publicado no Terra em julho de 2009
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"Do fundo do meu coração, eu te amo. O que mais posso dizer? Do fundo do meu coração, eu preciso de você, você faz parte do meu dia". Em 13 de julho de 1939, um rapaz de 24 anos, esquálido e feio, vindo de Nova Jersey, cantava essas palavras em um estúdio acompanhado da orquestra de Harry James. O maestro havia contratado o jovem por US$ 75 por semana para acompanhar sua banda e nunca poderia imaginar que ele seria o maior nome da música americana em pouco tempo. Seu nome era Francis Albert Sinatra.

Nascido em Hoboken em dezembro de 1915, filho único de imigrantes italianos, Sinatra nunca terminou o colegial devido a seu temperamento rebelde, muito influenciado pela mãe, figura não só influente na vizinhança, como também dona de um negócio ilegal de aborto. A depressão econômica obrigou o jovem Francis a trabalhar cedo e depois de empregos como entregador de jornais e rebitador de barcos, ele passou a cantar em público, primeiramente como parte de um grupo de quatro cantores, o Hoboken Four, e depois vencendo um concurso de rádio com mais de 40.000 votos. Até ser descoberto pelas big bands.

Essa primeira gravação de 1939, From The Bottom of My Heart, vendeu apenas 8.000 cópias (o que a torna peça de colecionador hoje em dia), mas o cantor e o maestro fizeram mais dez músicas juntos, até Sinatra receber uma proposta do então famoso bandleader Tommy Dorsey. Apesar de estar atrelado a um contrato com Harry James, este último viu que a oportunidade que aparecia seria única na vida do cantor e o liberou de suas obrigações contratuais.

Com Dorsey as relações foram bem mais complicadas e o músico mantinha um contrato com Sinatra garantindo metade de todos os lucros que o cantor conseguisse em toda a sua carreira. Segundo a lenda mais famosa, Sinatra só conseguiu o cancelamento do acordo quando chorou suas mágoas para alguns mafiosos influentes e estes fizeram uma proposta a Dorsey que ele não poderia recusar: ou revogava o contrato ou morria (e essa história foi usada anos depois em O Poderoso Chefão, de Mario Puzzo).

Depois disso, o "Velho Olhos Azuis" se tornou dono de seu próprio nariz, virou o maior cantor romântico do mundo, foi para as telas do cinema, chorou o desprezo de Ava Garner, flertou com os Kennedy e acabou virando uma lenda que persiste até hoje. Do seu início de carreira, Sinatra manteve uma amizade por toda a vida com Harry James. O maestro foi tão importante para ele que chegou a declarar em uma entrevista de 1983 que James foi aquele que tornou tudo possível. Os milhões de fãs no mundo inteiro também agradecem.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Triunfo máximo da geração “paz e amor”, Woodstock completa 40 anos


Publicado no Terra em julho de 2009 (parte do especial Dia do Rocl)
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O ano era 1969. A Guerra do Vietnã corria solta, tumultos raciais tomavam conta da América, os Beatles haviam feito sua última aparição pública nos telhados da Apple Records, Led Zeppelin lançava o primeiro disco de heavy metal do mundo, Nixon tornava-se presidente dos EUA, De Gaulle caía na França e finalmente a Apollo 11 fazia seu pouso na lua.

Os tempos eram incertos e a juventude clamava por mudanças e pela quebra dos padrões convencionais de comportamento. É neste cenário que quatro jovens, Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, decidem montar um estúdio-retiro em Woodstock, no estado de Nova York e, depois de muita discussão, a ideia evoluiu para um show de música e arte que mudaria o mundo.

Para tornar a empreitada real, os quatro bateram na porta de muitas empresas pedindo fundos. Diversos proprietários da região recusaram sediar o show até que um fazendeiro, Max Yasgur, alugou um terreno de 2,4 quilômetros quadrados na localidade rural de Bethel. Os empresários acreditavam que não mais que 50.000 pessoas iriam participar do evento e passaram a vender ingressos pelo correio e em lojas de discos na Big Apple. Foram vendidos rapidamente 186.000 ingressos, custando US$ 18 (cerca de US$ 75 hoje, aplicando-se inflação), o que fez os organizadores alterarem sua previsão para um público de 200.000 pessoas.

Mas o resultado foi muito maior do que isso, meio milhão de pessoas apareceram, lotando as estradas do estado (o congestionamento chegava a 32 quilômetros e os artistas eram obrigados a chegar de helicóptero), e causando um verdadeiro caos logístico. No final, as cercas foram derrubadas e o concerto foi proclamado gratuito.

O motivo para tanto alarde era explicável: o show reuniria alguns dos maiores nomes da música na época, gente do calibre de Jimmy Hendrix, Joan Baez, Crosby, Still, Nash & Young, The Who, Sly and the Family Stone, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Santana e Joe Cocker, entre tantos outros, além de ser uma forma de protestar pela paz e entendimento dos povos.

Do momento em que Richie Havens abriu o espetáculo na sexta-feira, 15 de agosto, às 17h07m. com sua canção High Flying Bird, até o encerramento feito por Hendrix com a música Hey Joe na manhã de segunda, dia 18, Woodstock se tornou uma pequena nação. Diferentes raças, credos e estilos se combinaram sem brigas ou confusões. Apesar dos meios de comunicação terem focado os holofotes apenas no caos das estradas e nos hippies com suas drogas, nenhum incidente grave foi registrado durante o festival. Nem mesmo a chuva, a escassez de comida, o abuso de drogas e a falta de condições sanitárias impediram que os três dias fossem pacíficos e de celebração à vida.

Foram registradas apenas duas mortes (uma por overdose de heroína e outra em um acidente onde um trator passou em cima de uma pessoa que estava dormindo), mas também ocorreram dois nascimentos em meio à celebração, dando um toque peculiar ao sentido de ciclo da vida.

O proprietário do terreno, Max Yasgur, considerou o espetáculo uma vitória da paz e do amor e emendou: “Com todas as possibilidades de tumulto, roubo, desastre e catástrofe, meio milhão de pessoas passaram três dias com música e paz em suas mentes. Se nos juntarmos a elas, podemos mudar as adversidades que são os problemas da América hoje e transformá-las em um futuro mais brilhante e mais pacífico”. Já o cantor David Crosby chegou a afirmar à revista Rolling Stone que ele e muitas pessoas se achavam um bando de dispersos hippies até chegarem a Woodstock e ver que a coisa era muito maior do que eles pensavam.

Para a benção das futuras gerações, os organizadores haviam feito um acordo de US$ 100.000 com a Warner e todo o festival foi filmado, gerando um documentário ganhador de um Oscar (editado pelo estreante Martin Scorcese). Nele é possível ver Joe Cocker transformando a baladinha sem graça With a Little Help From My Friends, dos Beatles, em um poderoso canto gospel, ou Jimmy Hendrix dando sua interpretação do hino nacional americano, além de conferir outros 30 gênios musicais dando seu melhor.

Também foi registrado para sempre ¬o comportamento alternativo da plateia e sua influência nos anos seguintes. O amor livre e sua maior consequência, a gravidez pós-festival, criaram uma geração Woodstock. Os hippies conseguiram encontrar seu lugar no mundo e a repercussão internacional do acontecimento também afetou profundamente os artistas, inclusive os já famosos e consagrados, como The Doors, Led Zepellin, Jethro Tull, Moody Blues, que, por um motivo ou outro, torceram o nariz para o grande evento de 1969, mas passaram a se apresentar em outros festivais, como o da Ilha de Wight, na Inglaterra.

Em 1994, uma tentativa de reviver Woodstock foi feita, mas segundo um crítico da época, o pessoal que participou da primeira edição agora chegava em suas Mercedes e a coisa toda perdeu o sentido.

* Claudio R S Pucci é colaborador do Terra e se tivesse uma máquina do tempo iria participar de Woodstock só para ver Jimmy Hendrix

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Há 35 anos morria o jazzista Duke Ellington

Publicado no Terra em maio de 2009
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Ninguém que admire música, seja o ritmo que for, consegue evitar colocar o jazzista Edward Kennedy Ellington em um panteão sagrado, ao lado de Mozart, Bach, Beethoven e Tchaikovsky. Ele foi seguramente um dos maiores compositores americanos e deixou um legado de mais de 2.000 obras-primas como Sophisticated Lady, Take the A Train, Don't Get Around Much Anymore e Caravan.

Nascido em Washington em 19 de abril de 1899, Ellington teve uma infância atípica para um músico de jazz. Seu pai era mordomo, chegando a trabalhar na Casa Branca e sua mãe, uma dona de casa de classe média. Ambos eram pianistas e procuraram fazer o filho aprender a tocar o instrumento, mas a grande paixão do menino era baseball e nunca levava as lições a sério. Devido a seus trajes e modos elegantes, foi apelidado de Duke (Duque) e a alcunha o acompanhou até o fim de sua vida.

Para poder assistir aos jogos de baseball, Ellington trabalhou como vendedor de amendoins nos estádios e considerava esse primeiro emprego como o responsável por tê-lo feito perder o medo do público, já que a venda exigia que gritasse muito e interagisse com as pessoas.

Em 1914, trabalhando como um "soda jerk" (balconista de lanchonetes), criou sua primeira composição de ouvido, já que não sabia ler ou escrever música, Soda Fountain Rag . Encantado pelos pianistas dos esfumaçados salões de bilhar, Duke resolve levar seus estudos a sério e é matriculado na Armstrong Manual Training School. Foi nessa época que começou a tocar em bares, cafés e clubes. Fã do gigante do jazz Fats Waller, foi conhecer o estilo tocado no Harlem, em Nova Iorque, mais swingado e melodioso que o ragtime, imortalizado por artistas como Louis Armstrong e Sidney Bechet.

Dez anos depois de formar sua primeira banda, The Washingtonians, teve a primeira oportunidade de ser líder de uma banda em 1927, quando o então líder Joe "King" Oliver entrou em conflito com a mítica e prestigiada casa de shows Cotton Club. O duque o substituiu e começou a imprimir sua marca no estilo da banda, mais notadamente o jungle style, onde os metais da banda tocam mais fortemente e com mais expressão, dando um ar de selvageria às composições. Outra característica de Ellington era não só aceitar músicas compostas pelos integrantes de sua banda como também adaptar suas próprias canções ao estilo de quem estava solando como o saxofonista Johnny Hodges ou o trompetista Cootie Williams.

Tornando-se um sucesso nas rádios e sendo transmitido para todo o país, Ellington ganhou notoriedade e dinheiro e excursionou na Europa entre 1933 e 1939, ficando encantado com o tratamento que recebia pelos estrangeiros, que não se importavam com o fato de que o gênio era negro, ao contrário de seus compatriotas americanos. De volta aos EUA em 1939, Duke conheceu seu mais fiel colaborador musical, Billy Strayhorn. Mesmo com personalidades completamente opostas, o primeiro com formação popular e o segundo com formação clássica, Ellington disse em uma entrevista: "Strayhorn é meu braço direito, meu braço esquerdo, todos os olhos atrás da minha cabeça, minhas ondas cerebrais na sua cabeça e as dele na minha".

Apesar de nunca ter abandonado o estilo que o tornou famoso, Duke sempre buscou experimentações e novas sonoridades gravando com nomes de vanguarda como Charles Mingus, John Coltrane e grandes vocalistas como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Rosemary Clooney e Louis Armstrong. Como band leader, Ellington adorava fofocar entre os músicos, jogando um contra o outro, para criar o que ele considerava um ambiente de competição saudável e assim conseguir performances memoráveis nos shows.

Um de seus maiores momentos foi no festival de Newport em 1957 pois, apesar de sua fama e capacidade, o compositor na época encontrava-se no ostracismo e viu nesse show uma oportunidade de reerguer. Segundo o excelente documentário Jazz de Ken Burns, a platéia estava começando a deixar o local do show no meio de uma música que Duke compôs especialmente para o festival, quando o band leader começou os acordes de uma de suas composições mais antigas e complexas: Dinimuendo and Crescendo in Blue. O saxofonista Paul Gonçalves, embalado pela música, solou de improviso por mais de seis minutos e quase provocou um tumulto, já que a platéia, entusiasmada, não respeitava mais os lugares marcados e dançava até em cima do palco.

No mesmo documentário, o grande jazzista Dave Brubeck conta que ao excursionar com Ellington em 1954, foi acordado de madrugada pelo Duke, emocionadíssimo, porque Dave era capa da revista Time. Brubeck conta que foi o dia mais infeliz de sua carreira, porque achava que o gênio das bandas de jazz é que merecia essa distinção. Apesar desse "desprezo" da mídia nos anos 50, Ellington acabou ganhando vários prêmios Grammy em sua carreira, incluindo o de Conjunto da Obra (1966) e de melhor trilha sonora para o filme Anatomia de um Crime de Otto Preminger de 1959. Além disso, recebeu em 1972 uma Medalha da Liberdade do presidente Nixon, foi agraciado com a Legião de Honra da França em 1973 e foi nomeado para um prêmio Pulitzer em 1965.

Ellington faleceu em 24 de maio de 1974, um mês depois de completar 75 anos, por conta de um câncer no pulmão e uma pneumonia. Mais de 12.000 pessoas foram ao seu funeral e inúmeros memoriais foram erigidos em sua homenagem. No fim de sua vida, afirmou que "música é como eu vivo, porque eu vivo e como serei lembrado". Não podia estar mais correto.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Há 50 anos surgia o Grammy

Publicado no Terra em maio de 2009
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Pouca gente hoje consegue conceber viver sem o velho e bom rock and roll, mas há 50 anos, o ritmo ainda era motivo de preocupação na indústria fonográfica e dividia opiniões, geralmente apaixonadas, dos amantes de música. Isso porque por um lado era um belo gerador de receita com discos e mais discos sendo vendidos diariamente, mas por outro era considerada música de segunda linha. Assim, em 1958, um grupo de produtores de música resolveu criar o Gramophone Awards, cujo intuito era premiar estilos de música de primeira qualidade e obviamente o rock não se encaixava.

Em 04 de maio de 1959, no salão de bailes do luxuosíssimo Beverly Hills hotel, ocorreu a primeira premiação do que hoje é conhecido como Grammy, com 28 categorias e nenhum cantor de rock (os Everly Brothers de Bye Bye Love, Wake Up Little Suzy e Crying in the Rain levaram uma estatueta de melhor country music como exceção). Nessa noite histórica, Domenico Modugno bateu Frank Sinatra e Peggy Lee (de Fever) com sua terrível Volare e levou os prêmios de gravação e canção do ano. Os prêmios de melhor performance vocal, masculina e feminina, foram para Perry Como e Ella Fitzgerald, respectivamente.

O primeiro artista de rock a levar um Grammy foi Chubby Checker em 1961, especialmente pelo sucesso de Let's Twist Again, mas foi somente em 1967 que os críticos incluíram um disco de rock na categoria de melhor do ano (foi Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, obra inquestionável).

Assim como o Oscar, o Grammy cometeu grandes injustiças, como por exemplo, nunca premiar grandes nomes como Creedence Clearwater Revival, Jimmy Hendrix, Led Zeppelin, The Who, Queen, Neil Young, Janis Joplin, Grateful Dead, Diana Ross, Sam Cooke, Fats Domino, entre outros, e ter desprezado artistas revolucionários como Bob Dylan quando ele estava no auge de sua carreira e fazia mudanças radicais na folk music americana (ele só foi ganhar um em 1972).

Já ouviu falar em Georg Solti? Pois bem, o maestro húngaro radicado nos Estados Unidos é o maior ganhador do Grammy com 31 prêmios, seguido de Quincy Jones, o decano da música americana, com 27 estatuetas, apesar dele também deter o maior número de indicações, 79. A cantora e violinista country americana, Alison Kraus, é a mulher com mais prêmios (26), o U2 é o grupo mais laureado (22) - mesmo que Bono tenha atacado a premiação no começo de sua carreira, chamando-a de Granny Awards (Prêmios das Vovós, pelo conservadorismo dos jurados).

Já nos recordes bizarros, o Toto levou estatuetas em todas as seis categorias que concorreu em 1983, enquanto Michael Jackson e Carlos Santana são os artistas solo masculinos que mais levaram prêmios numa mesma noite (oito cada um), o primeiro em 1984 e o segundo em 2000. Já, entre as mulheres, o recorde de seis estatuetas na mesma premiação é detido por Lauryn Hill em 1999, Alicia Keys em 2002, Norah Jones em 2003, Beyoncé em 2004, Amy Winehouse em 2008 e Alison Kraus em 2009.

Christopher Cross é o único artista a receber os quatro grandes prêmios em uma mesma noite, em 1981: Gravação do Ano (Sailing), Álbum do Ano (Christopher Cross), Canção do Ano (Sailing) e Revelação. Depois disso, sumiu. Já Brian McKnight detém a pior marca para um artista, pois concorreu dezesseis vezes e nunca levou nenhum prêmio.

O último Grammy aconteceu em 08 de fevereiro no Staples Center em Los Angeles e possuía 110 categorias divididas em estilos de música diversos, de rock a polka, de clássicos a música infantil, passando por reggae, rap, jazz, blues, R&B, latino e muito mais.

domingo, 12 de abril de 2009

Rock mais famoso do mundo completa 55 anos de gravação

Publicado no Terra em abril de 2009
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Ela não era inédita (havia sido gravada dois anos antes), não foi o primeiro rock'n'roll de sucesso (Crazy Man, Crazy rolara um ano antes) e nem foi a principal aposta do estúdio (saiu como lado B de um compacto). A música que mudou os rumos do rock e se tornou seu maior símbolo pede um "Parabéns a Você". Sim, Rock Around the Clock faz aniversário neste domingo, 12 de abril: 55 anos, mas como qualquer tiozão enxuto, continua emplacando.

Foi em 12 de abril de 1954 que Bill Haley e seus Cometas entraram nos estúdios da Decca e gravaram o sucesso, mas a história por trás disso daria um filme e tanto. A canção foi escrita em 1952 por Max Freedman e James Myers (também conhecido como Jammy De Knight), embora até hoje existe uma disputa pela sua real autoria. Já havia outras músicas com o mesmo nome, inclusive um blues famoso na época feito pelo lendário Big Joe Turner chamado Around the Clock Blues, mas essas versões pouco guardam similaridade com o hit de Haley, cantor cuja origem era o cenário da country music.

Haley, assim como Carl Perkins (que estouraria com Blue Suede Shoes) e Elvis, acabou se encantando com o rock, que naqueles tempos era atacado pelos conservadores como "música de negro e lasciva". E é por essa razão que sua gravadora na época, a Essex, não permitiu que ele gravasse Rock Around the Clock. Por esse motivo Freedman e Myers, os autores, a repassaram para a banda Sonny Dae and His Knights. O resultado foi uma versão insossa que nunca passou de pequeno hit regional.

A história mudou quando Haley trocou de patrão e seguiu para a grande gravadora descobridora de talentos Decca Records. Ali ele conseguiu finalmente emplacar a canção como lado B para Thirteen Women. Uma curiosidade é que o produtor da música foi Milt Gabler, que também havia produzido Billie Holiday, tio do comediante Billy Cristal. O resultado final, colocado no compacto, foi uma mistura dos dois takes que a banda fez. Um que realçava mais a voz de Haley e outro com os instrumentais mais pesados.

Ao contrário das lendas, a música não foi um fracasso no lançamento, mas só explodiu mesmo quando figurou na abertura do filme Sementes de Violência (originalmente, Blackboard Jungle, de 1955), que mostrava as tensas relações entre jovens numa escola decadente. O filme foi estrelado por Glenn Ford e Sidney Poitier. E como nada que envolve Rock Around the Clock acontece sem doses de acaso e coincidência, duas décadas depois, no filme Superman de 1978, a morte de Jonathan Kent, pai adotivo do herói e vivido pelo mesmo Glenn Ford, tinha como música de fundo Rock Around the Clock.

Fazer parte da trilha de Sementes da Violência nos anos 50 foi o suficiente para a canção estourar nacionalmente nas rádios e se tornar o primeiro rock'n'roll a figurar em primeiro lugar nas paradas de sucesso oficiais nos Estados Unidos. No Brasil, o então governador de São Paulo e futuro presidente, Jânio Quadros, tentou proibir a exibição do filme principalmente por causa da trilha sonora, e conseguiu que um juiz, Aldo de Assis Dias, o classificasse como impróprio para menores de 18 anos, já que, em suas palavras, "o novo ritmo é excitante, frenético, alucinante e mesmo provocante, de estranha sensação e de trejeitos exageradamente imorais".

Rock Around the Clock é considerado o compacto mais vendido da história do rock, algo em torno de 25 milhões de cópias, mas os números são imprecisos pois não havia a contagem na época. Bill Haley a gravou em mais de 30 maneiras diferentes até sua morte, em 1981. Suas outras canções não tiveram o mesmo sucesso, mas nada que o impedisse ter ficado famoso e rico com seu feito.

A maior importância de tudo isso, porém, foi que o mundo nunca mais foi o mesmo depois de Rock Around the Clock. Haley e seu sucesso abriram o mercado para o então novo e sensual ritmo, derrubando preconceitos e finalmente abrindo espaço para futuras lendas como Elvis Presley e Buddy Holly brilharem. Mais: acabou colaborando para que artistas negros como Little Richards, Chuck Berry e Chubby Checker aparecessem. Assim, aproveite hoje para, entre um ovo de páscoa e outro, colocar o velho Haley e seus Cometas a todo volume e dançar em homenagem a esse aniversariante.

terça-feira, 3 de março de 2009

Festival de Rock de cientistas traz veterano do Heavy Metal

Publicado no Terra em março de 2009
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Para quem tem aquela imagem de cientistas como velhos de cabelos brancos e desarrumados e com cara de loucos, mude seus conceitos já! Hoje em Nova York, dezenas de cientistas, pesquisadores e acadêmicos mostrarão seu lado rockeiro no festival Rock-it-Science, que celebra a interface entre música e ciência.

A idéia foi concebida pelo Dr. Joseph LeDoux, professor na New York University e um dos pioneiros nos estudos da neurociência para os mecanismos cerebrais de emoção e memória. Ele também é guitarrista e vocalista da banda The Amygdaloids, formada ainda pela neurocientista Daniela Schiller, a PhD Nina Galbraith Curley, e o professor de ciências ambientais Tyler Volk. O festival encerra a Conferência De Sensações e Emoções promovida pela Universidade.

Entre as muitas atrações especiais, o festival trará o cantor Rufus Wainright (cantor da melosa Hallelujah), a Go-Go dancer australiana Anna Copa Cabanna como mestre-de-cerimônias, e Dee Snider com sua "Heavy Mental Music". Se você não se lembra, Dee foi o vocalista da infame banda de rock Twisted Sister que divertiu e chocou os anos 80 com os clássicos We're not gonna take it e I wanna Rock e suas maquiagens pesadas que faziam os integrantes parecerem assustadores travestis. Snider é um hoje uma personalidade adorada nos Estados Unidos com seus programas de rádio, em especial o House of Hair, dedicado ao hard rock.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O Consigliere recomenda jazz para quem já cresceu

O Consigliere recomenda velhas canções com ritmos novos

Publicado na revista VIP em agosto de 2007

Sei que você, paisan, como um leitor da VIP, gosta de uma música mais sofisticada, mais bem estruturada (geralmente acompanhada de um bom vino). O problema é que sua goomah já prefere aqueles bate-estacas que tocam em danceteria e acham que o bom é o tecno, certo? Pois bem, este vecchio goodfella tem três ótimas soluções para aliar as duas coisas e deixar todo mundo feliz.


Verve Remixed: o selo Verve, fundado em 1956, e que abrigou grandes jazzistas como Stan Getz, Ellington, Peterson, Basie, entre outros, lançou em 2002, o projeto Verve Remixed, intercambiando vozes do jazz com música eletrônica. São três Cds fantásticos (e mais um quarto com a obra completa), que fazem até o mais ortodoxo fanático pelos clássicos cair na dança. Destaques para Speak Low com Billie Holiday cantando e remixado pelo grupo inglês Bent, Fever – a mais erótica canção já feita por um ser humano- com Adam Freeland, e vocal de Sarah Vaughan e ainda Peter Gunn com Mrs Vaughan e releitura de Max Sedgley, protegido de Fat Boy Slim .


Propellerheads: grupo eletrônico inglês cujo nome é uma gíria americana para nerd, surgiu em 1996 com DIVE!. Depois se juntaram a David Arnold, atual compositor dos filmes de James Bond, regravando o tema de 007 A Serviço de Sua Majestade no projeto Shaken and Stirrred (ótimo) e participaram da trilha de 007 O Amanhã Nunca Morre. A obra mais famosa desse grupo é Decksandrumsandrockandroll. Uma das faixas desse CD, Spybreak foi usada como trilha de fundo para a famosa cena do ataque ao lobby de um prédio no primeiro Matrix (ou como diria um amicco mio, a mais cara propaganda de óculos escuros já produzida). E o que eles tem a ver com jazz? Ouça History Repeating com vocais da Dame Shirley Bassey (aquela de Goldfinger) e você saberá.


Gotan Project: trio formado por um argentino, um francês e um suíço, são um dos maiores expoentes do tango eletrônico. Sim, bello, os caras conseguiram pegar um ritmo quadrado como o tango, manter elementos esseciais como o acordeon e dar uma batida mais moderna e muito envolvente. Entre 2000 e 2006, lançaram 5 Cds, mas os dois mais famosos são La Revancha del Tango e Lunático. Participaram também do Verve Remixed, numa regravação de Whatever Lola Wants com, ela de novo, Sarah Vaughan. É um trabalho tão bem feito que você tem a nítida impressão que a (já falecida) diva americana propositalmente gravou um tanguito no século 21.


Mas se, mesmo assim, aquele famoso amicco seu disser que bom mesmo é Pet Shop Boys, você já sabe. Fala comigo. Garanto que ele vai curtir bate-estaca. Amarrado a um. Ciao.


O Consigliere recomenda o verdadeiro pequeno notável

Publicado na revista VIP em julho de 2007

Como estai, paisan? Mio fratello, Mauro, me recomendou uma pelicolla muito louca, chamada “Uma Vida Iluminada e um dos personagens principais é um cachorro chamado Sammy Davis Júnior Jr. Daí me deu a inspiração de escrever sobre o artista que foi, na minha piccola opinão, o maior entertainer que a América já viu.


Baixinho, feio (perdeu um olho em um acidente de carro) e magérrimo, Sammy Davis Junior fazia de tudo: cantava, dançava, imitava e fazia rir.Fez parte do Rat Pack, grupo fundado por Frank Sinatra no qual faziam parte Dean “Dino” Martin, Peter Lawford e Joey Bishop. Grande defensor dos direitos humanos, Sammy foi atacado por ter se convertido ao judaísmo em 1954 (a comunidade judaica, na época, não o aceitava bem) e depois por ter se casado com uma loira sueca (não sendo aceito, desta vez, pela comunidade negra). Mesmo assim, brincava com sua condição de minoria, sempre zombando de si mesmo. Em um dos seus shows se colocava como alguém que esvaziava um bairro, quando se mudava, por ser negro, judeu e filho de latina. Sammy se foi em 1990, vítima de um câncer na garganta, mas você pode aproveitar para conhecer mais do seu trabalho conferindo a seleção abaixo:


EM DVD: Onze Homens e um Segredo (1960): a versão de George Clooney é muito boa, mas a original tem um dos finais mais sacanas e surpreendentes que já puseram num filme. Todo Rat Pack está lá, como ex-parceiros de guerra que se juntam para roubar TODOS os cassinos de Las Vegas em uma noite.


Em CD importado: At The Coconut Grove (1963): incrível show gravado no Ambassador Hotel em Los Angeles onde Sammy vai se soltando até levar o espetáculo a um frenesi. É de dobrar de rir os sketches onde ele fala de sua visita à Casa Branca para conhecer JFK e do seu sonho de ser d'Artagnan, além, é lógico, de sua habilidade vocal.


Em CD & DVD (pacote): Live & Swingin: lançado em 2003 pela Warner Music no Brasil, esse show de 1965 reunia Sinatra, Dino, Sammy e Johnny Carson em prol da instituição beneficente Dismas House. Veja a versatilidade do baixinho cantando acompanhado só de um bongô, imitando Astaire, Nat King Cole, Louis Armstrong, Dean Martin e Jerry Lewis e ensinando a platéia a dançar.


Ecco, só não me pergunte porque o canne se chamava Sammy Davis Junior Jr, ......ele nem cantava, nem dançava. Mas se aquele amigo seu, que se emociona com Ivete Sangalo, achar que tudo isso é coisa para velho, me escreva. Eu e meus associados vamos lhe poupar o trabalho e garantir que ele não chegue na velhice. Ciao, bello.