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domingo, 30 de janeiro de 2011

“Network” e o lado podre da TV

Publicado no site da revista Alfa em janeiro de 2011
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Já foram feitos muitos filmes sobre a televisão e seus males. Tivemos Nos Bastidores da Notícia (1987), Quiz Show (1994), O Show de Truman (1998 – embora esse é mais sobre a vida do que a TV) e a série queridinha dos americanos, 30 Rock. Só que nenhum destes chegou aos pés de Network, chamado no Brasil de Rede de Intrigas, que completa 25 anos em 2011. Assistir esse filme hoje é uma experiencia arrepiante, porque um quarto de século depois, tudo o que o filme mostra ainda é atual.

Na trama, um jornalista, apresentador de um jornal com baixíssima audiência em uma rede fictícia, a UBS, vai ser demitido e simplesmente enlouquece no ar,  tornando-se uma espécie de profeta do tubo de raios catódicos. Enquanto isso, executivos buscam, de qualquer forma, enriquecer e aumentar a audiência da emissora juntando a catarse do apreentador com programas absurdos como The Mao Tse Tung Hour, onde dramatizam ataques de grupos de terroristas aos Estados Unidos (como os Panteras Negras), com tramas escritas pelos próprios guerrilheiros e ainda levando uma vidente ao jornal para prever as notícias e a metereologia.

O brilhantismo do filme dá-se justamente pela fórmula que alia grande direção (de Sidney Lumet), roteiro e diálogos brilhantes (escrito por Paddy Chayesfsky) e atuações soberbas. Para se ter uma idéia, o ator australiano Peter Finch, que interpreta o jornalista louco Howard Beale, foi o primeiro a ganhar um Oscar póstumo (feito só repetido por Heath Ledger em 2010). Faye Dunaway que faz Diana Christensen, a personagem mais ambiciosa do cinema desde a Eve Harrington de A Malvada, levou o Oscar de Melhor Atriz. Beatrice Straight ganhou o Oscar de Melhor Atriz coadjuvante e ela só aparece em duas cenas, mas sua força de interpretação como a esposa traída de William Holden faz com que a premiação seja mais do que merecida. Até mesmo Ned Beatty, que dá um show em apenas uma cena, concorreu à estatueta. O filme também levou o Oscar de Melhor Roteiro.

A atualidade da trama se reflete nos discursos de Beale e posteriormente do dono da corporação que possui a emissora, o Sr. , que acabaram se tornando proféticos mesmo. Veja o primeiro deles, por exemplo:
Eu não tenho que lhe dizer as coisas estão ruins. Todo mundo sabe que as coisas estão ruins. É a depressão. Todos estão fora do mercado de trabalho ou com medo de perder o emprego. O dólar vale um níquel, os bancos estão falindo, os lojistas mantém uma arma sob o balcão. Punks estão à solta na rua e não há ninguém em qualquer lugar que parece saber o que fazer, e não há fim para isso. Sabemos que o ar está impróprio para respirar e a comida imprópria para comer, e ficamos sentados vendo nossa TV, enquanto alguns noticiário local diz que hoje tivemos homicídios quinze e sessenta e três crimes violentos, como se essa fosse a maneira que é suposto ser. (…) É como se tudo, em todo lugar, está ficando louco, por isso não saímos mais. Sentamo-nos em casa, e lentamente o mundo em que vivemos é cada vez menor, e tudo o que dizemos é: “Por favor, pelo menos nos deixem sozinhos nas nossas salas de estar. Deixe-me ter minha torradeira e minha TV e meu radiais com cinta de aço e não vou dizer nada.” (…)  Tudo que sei é que primeiro você tem que ficar bravo. Você tem que dizer, ‘Eu sou um ser humano, droga! Minha vida tem valor!” (…) Eu quero que você se levante agora e vá para a janela. Abra-a, e enfie a cabeça para fora e grite: “Eu estou louco da vida e eu não vou mais agüentar isso!

Ou ainda uma que reflete muito bem os brasileiros hoje, sobre o poder da televisão:
Porque menos de três por cento das pessoas lêem livros! Porque menos de quinze por cento de vocês lêem os jornais! Porque a verdade é que vocês só sabem o que acontece através deste tubo. Agora, há toda uma geração que nunca soube de qualquer coisa que não tenha saído deste tubo! Este tubo é o Evangelho, a revelação final. Este tubo pode fazer ou destruir presidentes, papas, primeiros-ministros. Este tubo é o Deus mais impressionante, deste mundo sem Deus, e ai de nós se, algum dia, ele cair na mãos de pessoas erradas

Rede de Intrigas ficou em 66o lugar entre os 100 maiores filmes da história do cinema eleito pelos membros do American Film Institute. A frase “I’m as mad as hell, and I’m not going to take this anymore” está em 19a posição entre as 100 mais famosas da sétima arte. O roteiro é considerado um dos 10 melhores do mundo pela Associação dos Escritores da America. E em 2000, uma cópia restaurada entrou para o Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso Americano, por ser culturalmente, historicamente e esteticamente relevante aos Estados Unidos.

Só que em tempos de BBB, de eleições ganhas na TV, de desastres e assassinatos explorados em nome dos índices de audiência e de celebridades instantâneas, Network pode ser muito relevante também ao Brasil.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

10 personagens de seriados para você se inspirar

Publicado no Terra em dezembro de 2009
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Desde moleques, nós procuramos figuras para nos espelharmos e direcionar nossas ações. No começo até procuramos os heróis, destemidos e cheios de honra, mas chega uma hora na vida que o que a gente gosta mesmo são das figuras dúbias, beirando o mau-caráter, é o anti-herói.

E não faltam bons exemplos deles nos seriados de TV. Então aqui vão algumas figurinhas para você se basear e se tornar um homem mais completo e bem-sucedido:

Alan Shore (Boston Legal): apesar de ter William Shatner como um advogado sênior que se acha o máximo, o maior destaque de Justiça sem limites era David Spader. Misógino, convencido, arrogante, inteligente e sarcástico, ele esconde um homem cheio de princípios rígidos.

Só que ele não mostra essas qualidades a toda hora. E é lógico que a mulherada cai em cima dele.

Dentro de sua carreira, o advogado é um vitorioso já que usa de qualquer artimanha possível para vencer dentro e fora dos tribunais.

Dr. Gregory House (House): um médico que gosta de doenças e odeio pacientes faz a nossa alegria com seu mau humor, suas frases desconcertantes e mania de humilhar quem estiver na frente.

Não que isso seja muito bom para ele, já que o cara perdeu esposa, equipe e melhor amigo graças à sua falta de cortesia.

E convenhamos, como médico ele deixa a desejar, porque seus pacientes passam pelo inferno até ele descobrir a real doença lá pelo finalzinho do episódio. O pessoal sobrevive, mas não antes de ser vasculhado internamente por todos os orifícios.

Charles Francis Harper (Two And A Half Men): ele é o típico macho, usa todo mundo, dispara cantadas lamentáveis e ainda manda bem na cama, fazendo com que mulherada se derreta por ele. Só que quando encontra uma garota com personalidade ou que tenha idéias próprias, ele vai troca os pés pelas mãos e age como um bebê chorão.

Além disso, vive em Malibu e é amigo de Sean Penn, Elvis Costelo e Harry Dean Stanton. Seu irmão Alan tem uma participação importante na sua vida: é seu saco de pancadas. Por isso, Charlie é o cara!

Donald Draper (Mad Men): o charmoso e sério publicitário da aclamadíssima série, assumiu a identidade de um tenente morto quando lutou na Guerra da Coréia porque o fato de ser filho de uma prostituta e ter sido criado por tios que o lembravam disso a todo o tempo, marcou profundamente sua alma.

Por essa razão ele trai sua lindíssima mulher a todo momento (até com a professora de sua filha), não deixa ninguém entrar na sua intimidade e é respeitado por todos os funcionários da Sterling & Cooper.

James Sawyer Ford (Lost): trapaceiro, ganancioso, desagradável, assassino e irresponsável, Sawyer é, ao lado de Hurley, o melhor personagem da série de mistério de JJ Abrahams.

Seu melhor lado é a capacidade incrível de apelidar todo mundo e conseguir irritar a maioria (tem até site que relaciona todos os nomes que ele usa para batizar os outros).

Apesar de, na quinta temporada, terem transformado-o em um cidadão mais responsável e com grandes capacidades de liderança, só o tempo dirá se ele vai voltar a ser o mesmo canalha de sempre.

Anthony Soprano (Família Soprano): esse é hours-concour em qualquer lista de melhores da TV. Violento, agressivo, desequilibrado, Tony chefia a máfia de New Jersey aliando uma visão estratégica de primeira com atitudes recheadas de requintes de crueldade, a ponto de, por exemplo, transformar seu tio em chefão para que este se tornasse alvo do FBI ou matar seu melhor amigo que virou informante das forças policiais. E ainda tem tempo de fazer terapia.

Dexter Morgan (Dexter): um assassino serial trabalhando para a polícia, que à noite mata outros assassinos seriais, guiado por um rigoroso e distorcido código de conduta ensinado por seu pai adotivo.

Narrado em primeira pessoa, você consegue entrar na cabeça deste inusitado personagem e descobrir mais sobre suas motivações. Só não tente fazer o mesmo em casa.

Dr. Perry Cox (Scrubs): taí um cara que rivaliza com o Dr. House e até mesmo com Sawyer, já que consegue ser desagradável com todo os residentes, enfermeiras e até mesmo colegas do Hospital Sacred Heart e ainda vive uma neurótica relação de amor e ódio com sua esposa, Jordan.

Em compensação, entre inúmeras broncas leva a tarefa de médico muito a sério e defende sua equipe a qualquer custo.

Ray Drecker (Hung): era uma vez um cara que tinha tudo na vida e acabou falido. Professor de basquete de uma escola, abandonado pela esposa e com pouquíssimo dinheiro na conta bancária, ele descobre um dom pessoal inusitado e se torna também um gigolô de meia-idade, assessorado por uma amiga que já havia testado seus dons.

É uma ótima inspiração para aqueles que querem fazer uma graninha extra em 2010.

Vic Mackey (The Shield): o pessoal do Esquadrão da Morte ia ter muito orgulho deste cara, um tremendo policial, ótimo pai de família e fidelíssimo parceiro de seus companheiros na polícia de Los Angeles, que é corrupto pacas, espanca suspeitos e não hesita em mandar algumas pessoas para o país dos pés-juntos. O importante é fazer o trabalho bem-feito, não é mesmo?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Conheça as sedutoras mulheres de 'Mad Men'

Publicado no Terra em setembro de 2009
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Nem bem a terceira temporada da série Mad Men estreou nos Estados Unidos e a AMC, a emissora que transmite lá fora, já fechou com os atores e produtores para um quarto ano. Não é difícil explicar o sucesso do seriado. Ambientada numa agência de propaganda no início da década de 60, Mad Men consegue resgatar aquele clima de politicamente incorreto da época, com todo mundo fumando como uns desesperados, abertamente transando com secretárias e amantes e tudo isso regado a muita bebida (inclusive nas reuniões de trabalho).

Se isso não for motivo suficiente para você acompanhar a série através da HBO Brasil, então aqui vão mais alguns: January Jones, Christina Hendricks, Elisabeth Moss e Peyton List. O quarteto de beldades, além de interpretar muito bem, desfila uma sensualidade rara hoje em dia, já que alia um ar de inocência com um furor sexual tremendo. Conheça cada uma delas:

January Jones é Betty Draper: com nome de coelhinha da Playboy, January interpreta a quase recatada esposa de Don Draper, o personagem principal do seriado. Típica dona de casa dos anos 60, presa a atividades domésticas e criação de filho, a ex-modelo tem que aguentar as puladas de cerca do marido. Jones vinha de pontas em filmes como Tratamento de Choque (ela é uma das lésbicas que se trata com Jack Nicholson), Os três enterros de Melquiades Estrada e Simplesmente Amor (como uma das americanas que seduzem o inglês feio). Hoje, ela é um ícone para os americanos.

Christina Hendricks é Joan Holloway: a mais desejada secretária de todos os tempos e toda poderosa entre as assistentes do escritório, Joan já foi amante de um dos donos da agência Sterling-Cooper e agora está casada com uma médico. Hendricks é uma daquelas ruivas de parar o trânsito, alta e com enormes peitos, totalmente naturais. Já era conhecida do público americano graças ao seriado cult Firefly, desenvolvido pelo criador de Buffy, a Cacadora de Vampiros e fez pontas em outras séries como Without a Trace, Life e Cold Case.

Elisabeth Moss é Peggy Olson: a secretária que se tornou redatora publicitária sofre nas mãos do colegas, já que naquele tempo lugar de mulher era na cozinha ou na cama. Nerd, tímida e quieta, aos poucos Olson vai saindo do armário e mostrando uma faceta mais agressiva e sexy. Além disso, teve um filho secretamente com um dos diretores de atendimento, mas o entregou à adoção. Moss foi a filha do presidente Bartlett no premiadíssimo seriado The West Wing, além de ter atuado em Garota, Interrompida e ter ganho um prêmio no festival de cinema de Sodona pelo filme Virgin em 2003.

Peyton List é Jane Sterling: mais uma secretária que virou a cabeça de Roger Sterling, um dos donos da agência, a ponto dele se separar da esposa e casar pela segunda vez. Obviamente que agora a deliciosa Jane é odiada por todo mundo, mas quem consegue resistir aos seus lindos olhos verdes? Modelo e atriz desde os oito anos de idade, Peyton é figurinha carimbada em séries americanas, tendo aparecido em CSI: Miami, CSI: NY, Smalville, Ghost Whisperer e Monk.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Estreia a terceira temporada de Mad Men nos Estados Unidos

Publicado no Terra em agosto de 2009
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Os deliciosos tempos do politicamente incorreto estão de volta. Pelo menos nas telas de TV americanas. Mad Men, "a melhor série que ninguém vê" como disse o ator John Hamm no Saturday Night Live estreou sua terceira temporada nos Estados Unidos no último domingo cercada de expectativa.

Criada por um dos roteiristas e produtores de Família Soprano e produzida pelo pequeno canal AMC, Mad Men mostra os bastidores de uma agência de propaganda no início dos anos 60 em Nova York quando os publicitários era chamados de loucos. O seriado impressionou a todos com a riqueza de detalhes, desde o vestuário dos personagens, aos maneirismos de uma época onde todos fumavam em qualquer lugar (escritório, aviões, banheiros, elevadores), bebiam a todo o momento e iam para a cama com suas secretárias sem que isso fosse considerado assédio sexual (as meninas esperavam isso como um trampolim para a carreira).

Focada principalmente no diretor de criação da agência Sterling-Cooper, o misterioso e discreto Don Draper (John Hamm), a série começou nos Estados Unidos em 2007 com uma audiência discreta de cerca de 900 mil espectadores em média. Depois de arrebatar seis prêmios Emmy, dois Globos de Ouro e ainda ser considerada o melhor seriado de TV de 2007 pela Associação de Escritores da América, viu seus índices subirem para 1,95 milhões de pessoas na segunda temporada. Na opinião geral, mais do que um retrato de uma época passada, Mad Men é uma grande crítica aos tempos atuais e se tornou uma referência cultural tão grande que até mesmo Os Simpsons parodiaram sua espetacular abertura (toda baseada em créditos iniciais de filmes de Hitchcock) no seu especial de Halloween do ano passado.

No primeiro capítulo desta terceira temporada vemos os primeiros dias da agência, após ter sida vendida para uma organização inglesa. O choque de administração entre os arrogantes britânicos e os descontraídos americanos é visível. Além disso, alguns segredos mais íntimos começam a despontar, especialmente com o diretor de arte Salvatore Romano.

A HBO Brasil, que transmitiu as duas primeiras temporadas por aqui, ainda não tem data definida para a estreia da terceira, mas tudo indica que deva acontecer ainda este ano. Para quem quer curtir um pouco mais da nostalgia dos anos 60, no site Mad Men Yourself é possível criar avatares e até mesmo papéis de parede para seu PC com roupas e cenários da época.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Polêmica e criativa, HBO completa 15 anos no Brasil

Publicado no Terra em julho de 2009
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Para uns ela é sinônimo de programação de qualidade. Para outros, garantia de programas polêmicos e realistas. Assim é a Home Box Office, empresa do grupo Time-Warner, que completa 15 anos de transmissão no Brasil nesta quarta-feira (1º).

Transmitida inicialmente pela TVA e pela (extinta) Direct TV e hoje parte integrante da programação premium das operadoras brasileiras de TV por assinatura, a HBO teve um longo caminho até aportar em terras tupiniquins. Em 1965, Charles Dolan conseguiu uma licença para explorar um serviço de transmissão por cabo na ilha de Manhattan, Nova York, tendo a Time-Life como detentora de 20% de sua empresa.

Originalmente chamada de Sterling Manhattan Cable e posteriormente de Green Channel, acabou sendo rebatizada de Home Box Office em 1972 (sendo que o primeiro filme apresentado ao público sob essa nova sigla foi Uma Lição para Não Esquecer, de 1970, com Paul Newman e Henry Fonda). Com poucos assinantes e dando prejuízo, a empresa foi totalmente adquirida pelo gigante da mídia em 1973.

No princípio ao mesmo tempo em que a HBO conseguia uma quantidade absurda de assinantes, via sua base ir pelo ralo, já que o cancelamento também era enorme, uma vez que o público cansava-se de ver os mesmos filmes na programação diária. Assim, em 1981, a emissora passou a transmitir 24 horas por dia, 7 dias por semana, revertendo a curva descendente.

Dois anos depois vem um passo decisivo para a HBO, quando transmite sua primeira produção original, The Terry Fox Story. Foi esse investimento que abriu as portas para arriscar em seriados e filmes mais ousados, amparados especialmente pelo fato da emissora, por ser exclusiva a assinantes pagos, ter uma política diferenciada em termos de publicidade e, assim, poder abordar temas como violência, sexo, palavrões e até mesmo profanação.

De lá para cá, o público pôde conferir premiados seriados e produções impecáveis como as quatro amigas em busca de amor e sexo de Sex and The City, a violenta e disfuncional Família Soprano, o historicamente realista Roma, western boca suja Deadwood - é recorde em palavrões por episódios -, o escandaloso The Ali G Show, criação do genial comediante inglês Sasha Baron Cohen, os eróticos Real Sex e G-String Divas, o poligâmico Big Love, o terror moderno True Blood e o consagrado e fidelíssimo retrato da II Guerra, com produção conjunta de Spielberg e Tom Hanks, Band of Brothers, entre muitas outros. Todos com a marca HBO.

No Brasil, a empresa produziu e transmitiu três minisséries espetaculares. Em 2005 veio Mandrake, em parceira com a produtora carioca Conspiração Filmes, baseado na obra e personagem de Rubem Fonseca. O projeto pioneiro foi estrelado por Marcos Palmeira, que fazia o mulherengo advogado criminal, que fazia perambulações não só pela alta sociedade carioca como também pelo submundo do Rio de Janeiro. Como recompensa a seu apuro técnico e dramático abocanhou uma indicação ao prêmio Emmy Internacional de Melhor Série Dramática.

Um ano depois foi a vez de Filhos do Carnaval, com direção de Cao Hamburguer (Castelo Ra-tim-bum e O Ano que Meus Pais Saíram de Férias) que mostrava a vida de um decadente bicheiro carioca, interpretado por Jece Valadão, e sua relação turbulenta com os filhos. Já em 2008 veio Alice, sobre uma garota de Palmas, que após a morte do pai em São Paulo, acaba descobrindo todos os diferentes e loucos aspectos da megalópole, tal qual sua homônima no País das Maravilhas.

Outro grande sucesso latino da HBO, transmitido inclusive para a Austrália e Polônia, é Epitáfios, seriado argentino que foca em um serial killer em busca de vingança contra os responsáveis pela morte de quatro estudantes.

Presente em mais de 150 países e com 40 milhões de assinantes nos Estados Unidos, a HBO é hoje um dos maiores componentes do grupo AOL Time Warner. Para 2010, sua grande estrela será The Pacific, produção de US$ 150 milhões da dupla Steven Spielberg e Tom Hanks, revisitando os cenários da II Guerra, mas desta vez, contra o inimigo japonês.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Há 10 anos o Brasil perdia Dias Gomes

Publicado no Terra em maio de 2009
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Todos conhecem Dias Gomes graças ao brilhantismo que imprimiu nas novelas da rede Globo, transformando-as em mania nacional. Mais do que simplesmente um homem da TV, Gomes foi um brilhante autor teatral, que começou sua carreira muito cedo, escrevendo sua primeira peça, A Comédia dos Moralistas, aos 15 anos de idade e sendo premiado pelo Serviço Nacional do Teatro.

Alfredo de Freitas Dias Gomes nasceu em Salvador em 19 de outubro de 1922, filho de uma família de classe média que desde cedo o incentivava à cultura. Radicado no Rio de Janeiro nos anos 30, foi descoberto pelo monstro do teatro brasileiro, Procópio Ferreira, que não só conseguiu liberar sua peça, Pé de Cabra, acusada de libelo marxista, como também a encenou em várias capitais brasileiras. É interessante notar que Dias Gomes, na época, foi taxado de comunista sem nunca ter lido Marx. Na verdade, o autor era extremamente preocupado com as questões sociais brasileiras e só anos mais tarde iria se filiar ao Partido Comunista.

Escrevendo muitas peças para Ferreira (com quem acabou brigando por questões políticas), acabou sendo convidado por Oduvaldo Viana a ir para São Paulo, onde trabalhou como redator na rádio Panamericana e nas Emissoras Associadas. De volta ao Rio, dedicou-se ao mundo do rádio atuando como escritor e ator de radionovelas e programas humorísticos e trabalhando também na direção administrativa, ao mesmo tempo em que escrevia peças de teatro. Foi no ambiente das rádios que conheceu sua primeira esposa e que anos mais tarde se tornaria uma das maiores autoras de novelas da TV brasileira: Janete Clair.

Nos anos 50 foi perseguido por suas convicções socialistas e continuou a trabalhar, mas sem assinar seus textos, até que, em 1959, surgiu sua maior obra: O Pagador de Promessas. A adaptação da obra para o cinema foi o primeiro filme brasileiro a concorrer a um Oscar, além de levar a Palma de Ouro em Cannes.

Com o regime militar, Dias Gomes caiu na lista negra do governo e viu sua peça O Berço do Herói ser proibida no dia da estréia. A obra foi a base de Roque Santeiro, que também foi censurada nos anos 70 e só pôde ir para a TV a partir de 1985 com o fim da ditadura. A perseguição que lhe foi imposta pelos militares acabou causando sua demissão da Rádio Nacional. Depois disso, Gomes não teve outra escolha a não ser aceitar o convite de José Bonifácio Sobrinho, o Boni, e ir para a Rede Globo.

Em 1972, escreveu seu primeiro sucesso para a TV, Bandeira 2, obra que retratava o subúrbio carioca e o submundo do jogo do bicho. No ano seguinte foi a vez de O Bem Amado, a divertidíssima e ácida crítica ao coronelismo nordestino retratados na cidade de Sucupira, que tinha Odorico Paraguassu como prefeito. Ainda nos anos 70, tratou de desmatamento e crescimento desorganizado das cidades em O Espigão. E ainda flertou com o realismo fantástico em Saramandaia.

A partir dos anos 80, voltou a se dedicar ao teatro, colaborando apenas com algumas novelas e minisséries, como Mandala, Carga Pesada, além de Roque Santeiro. Em 1983, perdeu sua esposa, Janete Clair, vítima de um câncer de intestino. No ano seguinte, casou-se com a atriz Bernadeth Lyzio.

Nos anos 90, escreveu minisséries como As Noivas de Copacabana (1992), Decadência (1995) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998). Em 18 de maior de 1999, morreu num trágico acidente de automóvel em São Paulo. Na época, estava preparando uma minissérie sobre os anos Vargas, baseada em sua peça teatral Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Glória. Deixou cinco filhos e uma imensa galeria de tipos brasileiros tão especiais como Zeca Diabo, Artur do Amor Divino, Sinhozinho Malta, Viúva Porcina, Dona Redonda e tantos outros.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Veja as 10 lições para se aprender com o Capitão Kirk

Publicado no Terra em maio de 2009
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Nesta sexta-feira, 8 de maio, finalmente a espera termina e chegam ao cinema as novas versões dos icônicos tripulantes da USS Enterprise, na modernização do clássico Jornadas nas Estrelas, agora sob a batuta de J.J. Abrahams, criador de Lost.

Uma das grandes questões para os fãs da série será o desempenho do ator Chris Pine no papel do lendário capitão Kirk, antes de ganhar a patente militar. Até hoje, só o deliciosamente canastrão William Shatner pôde ostentar esse título e é sua versão do personagem na série clássica dos anos 60 e nos filmes que se seguiram, atualmente parte de uma mitologia moderna, que inspira as 10 lições abaixo.

1) Nada é mais importante do que sua nave
De todas as suas características, a mais marcante era a paixão que o Capitão Kirk sentia pela Enterprise e sua tripulação e isso, sem trocadilhos idiotas, nunca o tirava da rota. Se você tem uma missão, pegue-a com as duas mãos, proteja sua equipe, cobre por resultados e faça por merecer a responsabilidade que depositaram em você.

2) Tenha amigos com opiniões diferentes
Kirk formava com o frio Sr. Spock e o emotivo Dr. MacCoy um trio de primeira qualidade. Grande parte das decisões tomadas era avaliada pelos dois consultores, obviamente com visões totalmente ímpares. Isso é ótimo para poder pesar os prós e contras de questões importantes e enxergar diferentes aspectos de uma mesma questão. Arrume os seus.

3) Só que quem manda na nave é você
Se seu cargo é de chefia, espelhe-se em James Tiberius Kirk. Ele até podia pegar opiniões diversas, mas a palavra final era sua. A responsabilidade da decisão também.

4) Respeite seu inimigo
O Capitão podia ser terrível com seus inimigos, fossem eles Klingons, Romulanos ou terráqueos poderosos como Khan, mas nunca os subestimava ou os considerava menos que ele. Na realidade seu senso de justiça acabava até fazendo com que até o mais feroz nêmeses o admirasse.

5) Pôqueer, às vezes, é melhor do que xadrez
Em um episódio clássico da série antiga, Kirk blefa ter uma potente arma destrutiva para escapar de um ser alienígena poderosíssimo. Até o momento da falácia, Kirk tentava escapar usando técnicas de xadrez, um movimento seu contra um do adversário, sem nenhum resultado e resolve, enfim, aplicar a estratégia do jogo de cartas. Assim é na vida real, muitas vezes o que você parece ter na mão é mais importante do que o que você realmente tem.

6) Trapaceie com estilo
No segundo filme da série no cinema, somos apresentados a um teste sem solução promovido pela Academia da Frota Estelar aos cadetes que pretendem ser capitães. Somente Kirk passou nessa prova e mais para frente sabemos o por quê: ele invadiu o sistema e mudou as condições a seu favor. Isso não significa que você deve ser desonesto nas suas escolhas, mas um pouco de audácia sempre vale a pena, especialmente se seu lema for o mesmo do personagem: "eu não gosto de perder".

7) Temperança e agressividade fazem um bom líder
Em um dos melhores episódios da série clássica, O Inimigo Interior, Kirk é dividido em duas partes, seu lado calmo e passivo e o lado agressivo e emocional. Nenhum dos dois consegue tomar uma decisão importante porque o primeiro quer agradar a todos e o segundo só se descontrola. O que leva Spock a compreender que um líder de verdade sabe pesar e combinar essas duas facetas: compreensão e firmeza.

8) Se tiver que fazer algo bem feito, faça você mesmo
O cara podia ser o capitão da nave mas não hesitava em descer em planetas com uma arma phaser na mão, se enfiar em tubos Jefferies (aqueles tubos internos para os engenheiros da nave) ou programar ele mesmo um computador. Não é porque você tem a direção das coisas que deve ficar apenas sentado dando ordens. Mostre á equipe que você faz parte dela.

9) Tenha fama de bom beijador
Kirk beijou 19 moças nos 77 episódios das três temporadas da série antiga, inclusive a Tenente Uhura, no primeiro beijo inter-racial da TV. Bem menos do que você esperava, mas ficou com a fama de garanhão e, segundo entrevistas com algumas mulheres que foram agraciadas com os lábios do galã, Shatner beijava bem pacas.

10) Transforme seus defeitos em qualidade
Todos hão de convir que William Shatner era um ator ruim de doer com seu jeito pausado e dramático de interpretar, sendo zombado até hoje por inúmeros comediantes. Mas foram essas deficiências que imprimiram a marca no ator e em seu personagem e os tornaram tão famosos. Só não faça como ele e tente dirigir um filme ou gravar um disco com sucessos como Mr. Tambourine Man pois aí seus defeitos podem realmente aparecer por completo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Jerry Seinfeld faz 55 anos e prepara novo seriado

Publicado no Terra em abril de 2009
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Desde meados do anos 80 quase todos os novos comediantes querem ser Jerry Seinfeld. O nova-iorquino que hoje completa hoje 55 anos, teve uma das mais bem-sucedidas e lucrativas carreiras na televisão americana, especialmente graças ao seu seriado sobre nada, onde mostrava a vida de um solteirão em Nova Iorque e sua interação com seus três amigos disfuncionais: Elaine Benes, Cosmo Kramer e o histérico George Constanza.

Começando sua carreira em palcos de clubes de comédia, Seinfeld chegou a participar do seriado O Poderoso Benson mas seu personagem foi tão criticado que foi demitido após poucas apresentações. Sua grande chance veio mesmo em 1981 quando se apresentou no Tonight Show e ganhou a aprovação e benção do lendário apresentador e comediante Johnny Carson. Em 1989, a NBC o deu carta branca para estrear seu seriado e tudo mudou na vida de Jerry.

Com linguagem inovadora, temas bizarros e humor de primeiríssima qualidade, Seinfeld chegou a ser eleito pelo TV Guide como o melhor programa de televisão dos últimos tempos e introduziu inúmeras expressões no vocabulário americano como "Yada Yada Yada", "No Soup for You" e "shrinkage". Com uma legião enorme de fãs, é difícil dizer qual seria o melhor episódio, mas quando a série se encerrou nos Estados Unidos em 1998, a emissora fez uma votação online para escolher os 10 mais amados do público. Todas as "vítimas" do quarteto que constavam nesta lista apareceram como testemunhas em um julgamento na despedida do seriado como o nazista da sopa, a inglesa virgem (do episódio sobre masturbação que teve a classe e a ousadia de não mencionar o ato ou qualquer palavra que pudesse descrevê-lo), a hoje dona de casa desesperada Terri Hatcher (do capítulo onde eles duvidam se seus seios eram naturais ou não), entre muitos outros. O derradeiro episódio foi assistido por mais de 76 milhões de pessoas só nos Estados Unidos.

Com o fim da série, Seinfeld fez também sua despedida das piadas antigas com o show I'm Telling You For The Last Time (Vou lhe contar pela última vez) e começou a preparar um novo material. Além disso, produziu o documentário Comedian que mostra os bastidores da comédia stand-up e ainda dublou a abelhinha Barry B. Benson na animação de 2007, Bee Movie. Este ano foi anunciado que Jerry vai produzir e apresentar um reality show, The Marriage Ref sobre as agruras do casamento. Solteiro convicto no começo da carreira , Seinfeld casou-se há 9 anos e tem hoje 3 filhos. O novo show vai retratar as coisas estranhas no relacionamento marital e segundo ele será um show de comédia, porque ele não está interessado se haverá realidade ou não.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Conheça a maior grife dos seriados de TV dos anos 70 e 80

Publicado no Terra em abril de 2009
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Quem sempre gostou de seriados de TV consegue reconhecer o nome de Aaron Spelling nos créditos. O produtor, nascido em 22 de abril de 1923, esteve por trás de nada mais, nada menos que nove dos dez maiores sucessos da televisão entre os anos 70 e 80, aqui e nos Estados Unidos. Seu primeiro grande hit moderno foi Mod Squad, sobre três delinqüentes que se tornam combatentes do crime para escapar de penas na cadeia. O foco erava em drogas, movimento hippie, contracultura e questões raciais. Em 1999, virou filme para telona com Claire Danes.

Mais tarde veio outro grupo que virou hit: As Panteras. A primeira formação tinha Kate Jackson, Farrah Fawcett-Majors e Jaclyn Smith, como Sabrina, Jill e Kelly, três moças recém-formadas pela academia de polícia que decidem trabalhar para o misterioso Charlie (voz de John Forsythe, já que o personagem nunca apareceu) no negócio de investigação particular. Depois, com a saída de algumas atrizes, entraram no elenco Cheryl Ladd (Kris), Tanya Roberts (Julie) e Shelley Hack (Tiffany). As duas primeiras temporadas estiveram entre os 10 programas de TV mais vistos nos Estados Unidos. Drew Barrymore, que levou as aventuras das Panteras para o cinema, promete um terceiro filme para 2011.

Na linha policial Spelling criou ainda Starsky e Hutch, com dois policiais muito durões, T.J. Hooker (Carro Comando no Brasil) que salvou a carreira de William "Capitão Kirk" Shatner depois de Jornadas nas Estrelas, Vegas sobre um detetive na cidade do pecado, Casal 20 com dois bons vivants investigadores (Stephanie Powers e Robert Wagner - série que fez um sucesso monstruoso no Brasil e virou até tema de propaganda - e o seriado que fez muitas crianças quererem partir para a academia de polícia: Swat, com sua indefectível música-tema.

Para os mais românticos, a Spelling Productions trouxe O Barco do Amor, mega-sucesso na América com as vidas e situações engraçadas dos passageiros e tripulantes do transatlântico Pacific Princess; Dinastia, uma resposta ao sucesso de Dallas da CBS, focando mais uma família milionária e disfuncional e ainda A Ilha da Fantasia com os dramas e desejos dos visitantes do paraíso tropical do Sr. Rourke, sempre acompanhado de seu parceiro, o anão Tattoo.

Para os mais moderninhos, foi Spelling que criou Beverly Hills 90210 ou Barrados no Baile, como a Globo batizou, mostrando um grupo de adolescentes ricos e de bem com a vida na parte nobre de Los Angeles. É engraçado notar que a filha de Aaron, Tori, fazia o papel da virginal Donna Martin porque papai não queria ver sua rebenta na cama dos rapazes. A fórmula de sucesso de série levou ao desenvolvimento de Melrose Place ainda nos anos 80 e mais recentemente Charmed, sobre as três irmãs bruxinhas, quase um As Panteras com magia.

A produtora de Spelling também investia em longas para a TV - e fica aqui uma curiosidade. Em 1976, catapultaram a carreira do jovem John Travolta no drama O Menino na Bolha de Plástico. Já em 1993, produziram o premiadíssimo And The Band Played On, primeiro filme a focar a descoberta do vírus HIV e as mortes por AIDS na São Francisco do final dos anos 70. Spelling faleceu em decorrência de um derrame em junho de 2006 aos 83 anos idade.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Saiba como foi o último episódio de 'E.R.'

Publicado no Terra em abril de 2009
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E então no fim... foi o nome do capítulo de 1h30 que encerra a saga do General County Hospital de Chicago, ou seja, o hospital do seriado E.R.. Para quem esperava uma mega reunião de todos os mais de 700 atores que passaram por seus corredores, se decepcionou.

Clooney e Margulies não deram as caras porque já haviam aparecido no episódio Old Times desta 15ª temporada. O Dr. John Carter, feito por Noah Wyle aparece ajudando a turma nos plantões e inaugurando o Joshua Carter Center, um centro médico que ajudará portadores do vírus HIV, pobres e moradores de ruas. Carter que veio de família milionária e joga todo o dinheiro na instituição, batizada com o nome de seu filho morto, reencontra os veteranos Dra Susan Lewis (Sherry Stringfield), Dra Kerry Weaver (Laura Innes) e Dr. Benton (Eric La Salle) no evento.

A surpresa foi reservada para o aparecimento da filha do falecido Dr. Greene, Rachel, agora estudante de medicina e provável sucessora do pai no plantão do hospital. Outra aparição impressionante foi do ator das antigas, Ernest Borgnine, que com seus 92 anos de idade ainda consegue impressionar com o talento.

Fica uma nota interessante: um dos casos mostrados no episódio, a da adolescente que bebe até entrar em coma e ter danos cerebrais foi baseado na história real da sobrinha de um dos produtores da série, que morreu em dezembro de 2008. De resto, dramas com idosos com aidse complacentes, partos complicados e muito sangue.

Todo esse último capítulo foi meio centrado na idéia de que a vida continua, com novos estudantes fazendo um tour pelo hospital para ver como as coisas funcionam (o que foi uma boa maneira e recapitular a função de cada um em uma emergência), alguns personagens se questionando se tem os nervos necessários para o trabalho e outros se entregando totalmente a ele.

A última cena, com muitas ambulâncias chegando ao mesmo tempo graças a um acidente, mostra que a coisa não pára e que por mais que não vejamos mais a rotina de cada médico e enfermeira, ela sempre estará lá.

Depois de 15 anos, seriado 'ER' termina hoje nos EUA

Publicado no Terra em abril de 2009
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Foram 15 temporadas de escabrosos casos médicos, dramas pessoais e muito vai-e-vem no County General Hospital de Chicago, mas nessa quinta-feira, tudo chega ao fim no mais longo seriado médico de TV, ER. Criado por Michael "Jurassic Park" Crichton em 1974, o roteiro ficou anos engavetado até seu autor ficar famoso com seus dinossauros e atrair a atenção de Steven Spielberg. O interessante é que 20 anos depois de escrito, o piloto da série foi filmado com pouquíssimas alterações.

No começo, víamos o dia-a-dia dos doutores Mark Greene (Anthony Edwards), Doug Ross (interpretado por aquele mocinho que depois até ficou famoso, o George Clooney), Susan Lewis (Sherry Stringfield), Peter Benton (Eriq La Salle, uma das poucas alterações sobre o roteiro original, já que o personagem não era negro), o estudante de medicina John Carter (Noah Wyle) e a enfermeira Carol Hathaway, interpretada por Juliana Margoiles, que deveria ter morrido no primeiro episódio, mas Spielberg, produtor-executivo da temporada de estréia salvou-a e manteve a personagem.

No decorrer dos anos, mais personagens foram acrescentados e os originais foram caindo fora, já que os atores buscavam novos desafios profissionais até não restar ninguém do cast original. Mesmo assim, a série não perdeu força ou impacto emocional e também começou a diversificar os tipos étnicos, apareceram a britânica de ascendência indiana Parminder Nagra (do futebolístico Driblando o Destino) como a Dra. Neela Rasgotra, a chinesa Ming-Na, como a Dra. Jin-Mei "Deb" Chen, e o croata Goran Visnjic, como o Dr. Luka Kovac (aqui cabe uma curiosidade legal, os produtores não conseguiam criar um nome croata e o ator acabou nomeando o personagem com o nome de seu filho - Luka - e o sobrenome de seu melhor amigo - Kovac).

Além disso, ER viu desfilar em seus episódios inúmeros atores de sucesso, como Susan Sarandon, Forest Whitaker, a pantera Lucy Liu, as amiga de Sex & The City Kristin Davis e Cyntia Nixon, Ewan McGregor, Kirsten Dunst e até o astro de High School Musical Zac Ephron, entre inúmeros outros. Dois atores convidados - de peso, diga-se de passagem - chegaram a ganhar um Emmy por suas participações: Sally Field e Ray Liotta de Os Bons Companheiros.

De todos os episódios de ER, o mais marcante e original foi desenvolvido em 1997. Denominado Ambush, ele foi totalmente produzido ao vivo, com os atores se comportando como médicos e as câmeras filmando uma espécie de documentário sobre o hospital. Dois detalhes são contundentes ainda nessa aventura: toda a equipe fez o episódio duas vezes, já que, pela diferença de três horas no fuso horário entre a costa leste e oeste dos EUA, a transmissão deveria respeitar a grade de programação da emissora. Vários atores ainda foram deixados de prontidão para que a ação se desviasse se algo desse errado na transmissão ao vivo, mas eles não precisaram ser utilizados. Tudo saiu conforme o planejado.

Pós-ER

De todos os atores e atrizes que deram a alma pela medicina fictícia de ER, o único que realmente fez sucesso fora da série foi Clooney. É interessante notar que em 1984, 10 anos antes, ele já havia atuado como médico em outro seriado chamado E/R, este mais cômico e estrelado por Elliot Gould (o Sr. Geller de Friends) e Jason Alexander (o George Constanza de Seinfeld).

Noah Wyle, o Dr. Carter, ator que mais participou de ER nesses 15 anos, não fez nada de muito interessante a não ser o papel como Steve Jobs em Piratas do Vale do Silício, produção feita pela TV sobre os primórdios da indústria de TI nos EUA.

Anthony Edwards, cujo Dr. Greene morreu de câncer na 8ª temporada, também desapareceu e fez apenas pequenas participações em filmes como Zodíaco. Juliana Margulies ainda apareceu no trash Serpentes à Bordo e depois seduziu o poderoso Tony Soprano no seriado mafioso.

A última temporada

A última e decisiva temporada foi carregada de participações especiais de todos os personagens principais que apareceram nesses 15 anos de seriado. Dizem na imprensa americana especializada que o episódio final está escrito desde 1999, quando Clooney deixou a equipe. Os produtores na época já esperavam uma debandada generalizada e se prepararam para o pior.

No final das contas, ER manteve a tradição de antigos seriados como Dr. Kildare (1961) e Marcus Welby M.D. (1969) de focar a narrativa na vida dos médicos e nas dificuldades da profissão. Os fãs órfãos vão ter que se contentar com as reprises ou, quem sabe, fazer uma pós-graduação com o Dr. House. Esta sim, uma série de TV que focada em doenças.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Videomaker compila todos os palavrões da família Soprano

Publicado no Terra em fevereiro de 2009
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The Sopranos foi uma das séries mais emblemáticas e de maior sucesso na TV americana em todos os tempos. Contando a história de Tony Soprano, mafioso de New Jersey, e suas duas famílias, aquela com esposa e filhos e a outra com capangas e amantes, o seriado mostrava um dia a dia não muito glamoroso, repleto de traições, embustes e violência. Obviamente que para agüentar tudo isso, o cara precisava de terapia e suas sessões com a Dra Melfi, eram um show à parte.

A série teve a grande vantagem de ser produzida pela HBO, que é famosa por não seguir regras, dar liberdade a seus criadores e ainda ter censura zero. Isso significa que quanto mais realista for o enredo, melhor. E uma das coisas que Sopranos mais tinha eram palavrões, mesmo porque faz parte do universo bronco dos mafiosos. Só a palavra com F foi dita 3.539 em todas as seis temporadas, embora o recorde está com outra série produzida pela emissora, Deadwood, onde foi usada 2.980 vezes em três temporadas (esta era passada no velho oeste, o que é totalmente condizente com o local e época, porque ninguém consegue engolir um caubói sujo e ignorante dizendo "por obséquio cavalheiro, permita-me convidá-lo para um duelo").

E surgiu na Internet um vídeo que justamente mostra em 27 minutos, todos os palavrões e xingamentos de todos os episódios de Família Soprano em ordem cronológica. Como nossa primeira reação foi achar que tem gente que não tem nada para fazer na vida e consegue exprimir seu ócio na rede mundial, fomos atrás do criador do feito, o californiano de 27 anos, Victor Solomon e vimos que existe uma história por trás da façanha.

Por que fazer esse vídeo? É uma piada ou você queria passar uma mensagem?
Inicialmente não começou como piada. Eu estava saindo com uma mulher que era grande fã da série, e fomos para Nova Iorque para a festa de lançamento da quinta temporada. Ela terminou indo para a casa um importante membro do elenco e por causa disso, logo depois, nós terminamos. Aí eu compilei todos os palavrões do primeiro episódio para deixar na sua secretária eletrônica. Como ela não respondeu, eu continuei. Episódio por episódio, deixando recados para ela. É meu surpreendente que minha estratégia de cópia tenha feito tanto sucesso na web.

Quanto tempo levou para produzir o vídeo?
O vídeo todo levou um ano. Eu estava envolvido em outros projetos , então só trabalhava nos Sopranos quando tinha tempo ou quando sentia falta da minha ex-namorada.

Você teve alguma reclamação da HBO?
Eu ainda não escutei nada da HBO, mas tenho certeza que vou receber uma ordem de cessar e desistir em breve. Ou talvez eu seja eliminado. Então se eu desaparecer, você saberá o que aconteceu comigo.

Quais são os outros projetos que você está envolvido?
Eu geralmente faço videoclipes, curtas e comerciais. Eu recentemente terminei um curta chamado Walker Phillips que começará a ser projetado no circuito de festivais em breve e estou também na pré-produção da adaptação da obra Anthropology de Dan Rhodes, que trata de 101 histórias reais de amor. Serão pequenos curtas de humor negro. Cinco deles já estão disponíveis em meu site.