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terça-feira, 9 de junho de 2009

10 coisas que fazem do Pato Donald um legítimo brasileiro

Publicado no Terra em junho de 2009
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Uma pesquisa informal na década de 80 mostrou que o brasileiro se identificava mais com o Pato Donald do que com o Zé Carioca, esse sim produto da política de boa vizinhança americana em tempos de Segunda Guerra e uma caricatura do carioca romântico. Para quem gosta de quadrinhos não é difícil saber o porquê. Donald, que comemora 75 anos em 09 de junho, reúne o melhor e pior dos habitantes das terras de Santa Cruz, até mesmo quando está falando inglês. Confira abaixo os motivos:

Ele trabalha muito e está sempre devendo: Donald se mata para colocar o arroz e feijão no prato da família, mas chega ao final do mês sempre falta um pouquinho para comprar algo que ele realmente quer. Parece alguém que você conhece? Sem contar que está sempre devendo para alguém, especialmente ao seu tio.

Ele anda de carro velho e não troca por nada neste mundo: o velho 1313 pode enguiçar de vez em quando, mas está com o pato faz décadas e ele nem pensa em se livrar da charanga. Até mesmo quando se tornou o Superpato, preferiu colocar acessórios no calhambeque a sair por aí com um Aston Martin.

Ele tem primos que agem como cunhados: Peninha e Gastão são o próprio reflexo dos típicos irmãos de esposa. Um só aparece para filar a bóia, enquanto o outro fica se gabando de seu próprio sucesso e relembrando Donald de seu papel de fracassado.

Ele é explorado no trabalho: o famoso Tio Patinhas (cuja fortuna, em 2006, foi estimada pela Forbes - isso é sério - em 10,9 bilhões de dólares, perdendo para Montgomey Burns dos Simpsons e para "Daddy" Warbucks da pequena órfã Annie) sempre consegue um empreguinho para o pobre pato, mas com salários irrisórios como 0,05 centavos de pataca a hora ou o colocando em cargos esdrúxulos como arrancar as penas de preocupação ou polir as milhões de moedinhas na caixa-forte. E isso sem pagamento de hora extra.

Ele tem vizinhos irritantes: seguramente todo mundo que mora em prédio teve ou tem um Silva na vida. Aquele vizinho chato, que reclama de tudo, incomoda ao extremo e depois parte para a briga.

Ele cria o filho dos outros: Huguinho, Zezinho e Luisinho são filhos de sua irmã gêmea, Dumbella, que largou as pestes com ele e não mais apareceu. O brasileiro também é assim. Assume os problemas alheios como seus, não se importa com as conseqüências e parte para a luta. E é lógico que geralmente se dá mal.

Sua namorada o faz de gato e sapato: Margarida está com ele há 69 anos e, apesar do romance entre os dois, adora provocá-lo seja fazendo ciúmes com o Gastão, seja colocando-o para carregar os inúmeros pacotes de compras. E é óbvio que ela quer mudar o jeito dele de qualquer maneira. Assim, como a sua esposa faz com você.

Mesmo quando é especialista em algo, se dá mal: Donald já foi mestre-relojoeiro e destruiu os vidros de Patópolis. Também foi mestre-demolidor e pôs abaixo um asilo de multimilionários. Qualquer semelhança entre ele e a seleção brasileira de futebol em copas do mundo não é mera coincidência.

Ele quer uma vida pacata: o tio tenta de qualquer maneira mostrar ao sobrinho as vantagens e maravilhas de ser um empresário milionário de sucesso, mas o que Donald quer mesmo é apenas curtir uma tarde no parque tomando sorvete. Para que ter as preocupações e estresses de um ricaço? Sem contar que há sempre a possibilidade de se herdar algo ou ganhar na Mega Sena, não é mesmo?

Apesar de tudo isso, ele não desiste nunca: nenhuma adversidade tira o pato de seu rumo ou de conseguir o que quer. As coisas podem dar errado aqui e ele vai tentar algo novo lá. Mais ou menos como o brasileiro. Ou você acha que chegamos à posição de segundo povo mais otimista do mundo à toa?

Pato Donald chega aos 75 anos

Publicado no Terra em junho de 2009
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Nervoso, explosivo, azarado, preguiçoso, teimoso e, ao mesmo tempo, muito encantador. Donald Fauntleroy Duck, o Pato Donald, chega aos 75 anos hoje, 9 de junho.

Foi em 1934 que o famoso personagem fez sua primeira aparição nas telas com o desenho animado A Galinha Sábia, onde apesar da tradicional roupa de marinheiro e da esganiçada voz (dublada por Clarence Nash, que faria a voz do personagem até sua morte, em 1985), não continha ainda as características de personalidade que o tornariam tão famoso. A animação foi um tremendo sucesso e Donald apareceu em outro desenho ao lado do carro-chefe da Disney, Mickey Mouse, em The Orphan's Benefit, onde se irritava ao extremo ao tentar declamar um poema e era atrapalhado pelas crianças.

Seus três sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luisinho, apareceram pela primeira vez nas tirinhas em 1937. Primeiramente, eles eram endiabrados, depois se transformaram em comportados escoteiro-mirins. A eterna namorada de Donald, Margarida, surgiu em 1940 em um desenho chamado Mr. Duck Steps Out.

O ano de 1942 foi particularmente especial para o pato. O desenho The Füerer's Face, onde ele sonhava viver em uma opressiva Alemanha nazista, ganhou um Oscar, e no mundo dos quadrinhos, um homem chamado Carl Barks assumiu as histórias do famoso personagem e desenvolveu toda uma mitologia em torno dele, criando e adicionando personagens, como Tio Patinhas, Pardal, Maga Patológica, o vizinho Silva e seu maior nêmeses, o primo sortudo Gastão. Foi com Barks que Donald cristalizou suas maiores características, como se dar mal em qualquer atividade que pudesse assumir (ele sempre começa como um especialista para depois destruir tudo) e ainda viajar pelo mundo em aventuras fantásticas ao lado do milionário tio. Barks desenhou a família pato até 1965 e teve toda sua obra relançada recentemente pela Editora Abril na extensa coleção O Melhor da Disney.

Em 1943, Donald visitou o Brasil no longa-metragem Alô Amigos, onde conhece Zé Carioca. O pato volta ao País alguns anos depois em Você Já Foi à Bahia?, de 1944, onde se apaixona por Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda.

Ainda em tempos de guerra, o sucesso do Pato Donald foi tão grande que, mesmo com a proibição da publicação de personagens americanos nos países do Eixo, ele continuou a ter uma revista na Itália - Benito Mussolini era um fã confesso. Os italianos são, até hoje, um dos grandes produtores de aventuras do pato (junto aos holandeses e dinamarqueses) e foram eles que, em 1969, o transformaram em um super-herói com a criação do Superpato, uma paródia de Diabolik, personagem de sucesso no país da bota.

Em 12 de julho de 1950, a revista O Pato Donald foi lançada no Brasil e marcou a estréia da Editoria Abril no mercado. Sucesso instantâneo, a primeira edição teve uma tiragem inicial de 82.000 exemplares, que foram vendidos rapidamente. Aliás, a revista Pato Donald é o título mais longevo do mercado brasileiro, são 59 anos de publicação ininterrupta.

Recentemente, o desenhista americano Don Rosa estudou todo o trabalho de Carl Barks e conseguiu criar uma consistência histórica na cronologia dos patos ao contar toda a vida e glória do Tio Patinhas. Nessa história, vemos que Donald é filho de uma das irmãs do multimilionário, Hortência, com Patoso, filho da Vovó Donalda, e tem uma irmã gêmea, Dumbella, que é a mãe de Huguinho, Zezinho e Luisinho. Aliás, é engraçadíssimo quando os pais de Donald se encontram, pois ambos são extremamente estressados e só se acalmam quando estão juntos, o que explica o comportamento explosivo do pato.

Mais de 200 filmes e milhares de tirinhas e histórias depois de sua estréia, Donald é um dos grandes ícones modernos. Já foi identificado com os brasileiros da década de 80 (por ser explorado pela família, se esforçar muito e nunca sair do lugar ou conseguir ser bem-sucedido) e também ferozmente atacado pelo escritor chileno socialista Ariel Dorfman em Para Ler o Pato Donald. Mas o pato nunca perdeu sua majestade. E hoje, mais do nunca, merece um grande e sonoro QUACK!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Batman chega aos 70 anos mas está longe da aposentadoria

Publicado no Terra em maio de 2009
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Em 1939, quando o desenhista Bob Kane chamou seu colega escritor Bill Finger para dar uma espiada no personagem que estava desenvolvendo para a DC Comics, não tinham a menor idéia de que estariam criando um dos maiores ícones das histórias em quadrinhos, que iria reger soberano por 70 anos.

Depois do sucesso inesperado de Superman no ano anterior, os editores da DC queriam mais e mais personagens para a lucrativa nova mídia chamada HQ, e contratou uma série de artistas para desenvolver novas idéias. Kane, fanático por vampiros, veio com a idéia do Homem-Morcego e Bill Finger, por anos sem crédito na criação, deu uma afinada no conceito, dando um ar mais real à figura. Estava criado o Batman e seu alter-ego Bruce Wayne. Na verdade o personagem é uma junção de várias referencias culturais daquela época. Tem pitadas de Zorro, algumas características do Sombra e já havia um personagem das pulp magazines chamado The Bat, que também era detetive. Isso não importa, o Homem-Morcego sobreviveu ao tempo e os outros nem tanto.

A primeira revista com Batman, a Detective Comics, foi para a venda ao público em 01 de maio de 1939. No começo, Batman portava uma arma e não hesitava em usá-la. Era sombrio e agressivo. Sua origem, com a morte dos pais de Bruce Wayne, só apareceu em novembro daquele ano e entendemos as motivações do personagem. Seu combate ao crime é uma maneira de vingar os progenitores já que "ele vê no rosto de cada bandido, o assassino de seus pais". Um dos grandes sucessos do personagem se deu graças à sua criativa galeria de vilões. Rivalizando somente com os bandidos de Dick Tracy, a marginalia de Gothan City representa uma caricatura exagerada dos próprios defeitos humanos e assim tipos como o Coringa, Duas Caras, Charada e Mulher-Gato faziam tanto sucesso quanto o herói.

Nos quadrinhos, Batman ganhou um parceiro nos anos 40 (seguido depois de um mordomo, uma Batgirl, um cachorro e assim por diante), enfrentou alienígenas e monstros do espaço nos anos 50, foi acusado de homossexual pelo Dr. Frederic Werthan no livro A Sedução dos Inocentes, foi um sucesso fenomenal de vendas nos anos 60, foi reformulado nos anos 80, teve a espinha fraturada nos anos 90 e ainda viu um terremoto dizimar Gothan City e transformá-la em "Terra de Ninguém". Atualmente nos Estados Unidos, as aventuras do universo do morcego estão focadas quem vai assumir o manto do herói, morto na série Batman RIP, mas como sabemos que nada é eterno nos quadrinhos, Wayne vai voltar ao seu posto em breve.

No cinema e na TV, as aventuras do Homem-Morcego começaram em 1943 com o uma cine-série em 15 episódios estrelada por Lewis Wilson como Batman, no qual ele enfrentava um perigoso espião japonês, o Dr. Daka. Em 1949, uma nova série de 15 episódios onde Bob Kane figurava como um dos roteiristas, colocava Robert Lowery vestindo o traje de morcego. Em 1966, o mundo conheceu a versão brega do herói com a famosa série de TV com Adam West e Burt Ward como a dupla dinâmica. Apesar de beirar o surreal com diálogos e situações ridículas, o seriado foi um sucesso estrondoso e recuperou a carreira de uma série de atores no ostracismo, que brigavam para fazer o papel de vilão, como Vincent Price (o Cabeça de Ovo), Roddy MacDowall (o Traça), Van Johnson (o Bardo), entre outros.

Levou mais de 20 anos para Batman voltar à ativa no cinema, com o filme de Tim Burton de 1989, onde o maior destaque mesmo era o Coringa de Jack Nicholson. O louco diretor assinaria mais uma produção que depois caiu na praga das continuações mais feitas e diversos artistas interpretaram o personagem-título como Val Kilmer e George Clooney. Este último, numa das piores adaptações já feitas do homem-morcego com armaduras com mamilos e bat-cartões de crédito, assinada por Joel Schumacher. Recentemente tivemos a visão mais realista de Christopher Nolan com Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas, onde mais uma vez, o Corinha roubou o show.

Além disso, desde os anos 60, Batman é presença constante em animações para a TV como Superamigos, Batman - The Animated Series (esta, melhor que muitos filmes), Batman Beyond (enfocando um homem-morcego no futuro), Liga da Justiça, The Batman e recentemente The Brave and The Bold (que tem uma arte mais parecida com as dos gibis dos anos 60).

Dos subterrâneos de sua batcaverna, o morcegão deve estar sorrindo e apagando as velinhas do bolo feito por Alfred. Ele sabe que, mais do que nenhum outro personagem, reflete a agressividade, violência e dualidade do século 21. E essa divisão entre lei e justiça, certo e errado e busca por um mundo mais correto, continuará, por mais 70 anos, atraindo mais e mais fãs.

Sete quadrinhos obrigatórios de Batman

Batman, O Cavaleiro das Trevas: a obra de Frank Miller mostrando um Bruce Wayne envelhecido em um futuro caótico é um marco na história dos quadrinhos. Tem o Gordon se aposentando, tem Superman como agente do governo e apresenta ainda uma Robin menina. Teve uma péssima continuação depois.

Batman Ano Um: a vida de Bruce Wayne depois que seus pais foram mortos por Joe Chill e seu primeiro ano como Batman, inspirou o filme Batman Begins e impressiona pela arte de David Mazzuchelli e o roteiro de Frank Miller.

A Piada Mortal: a relação Batman-Coringa vista de uma maneira onde os dois são lados diferentes da mesma moeda no premiado roteiro de Alan Moore e arte de Brian Bolland. Além disso, mostra um possível passado para o vilão mas não sabemos se é verdade ou não, já que são reminiscências do próprio Coringa e o cara é insano. Foi relançada recentemente com nova colorização.

O Longo Dia das Bruxas: um dos quadrinhos que serviu de base para o último filme é uma das melhores aventuras do Homem-morcego enfrentando uma família mafiosa e um assassino serial que só mata em feriados. Teve uma seqüência tão boa quanto, chamada Vitória Sombria.

Batman Preto e Branco: o desafio para roteiristas e desenhistas era fazer uma história do Batman em apenas 8 páginas e em preto e branco. O resultado é surpreendente, com as diversas facetas do herói sendo exploradas. Tem até uma em que ele sabe que é um personagem de quadrinhos.

Batman por Neal Adams: a dupla formada pelo desenhista Neal Adams e pelo roteirista Dennis O`Neill deu uma revitalizada em Batman a partir de 1968, com narrativas bem estruturadas e roteiros trabalhados. Foi nessa época que o Homem-Morcego passou a atuar sozinho de novo.

Batman: Silêncio: o roteiro é bem confuso, apesar de ser assinado pelo premiadíssimo Jeph Loeb, mas a arte de Jim Lee serve de pretexto para um desfile de todos os grandes personagens do mundo do morcego e o aparecimento de um novo e poderoso vilão, Hush.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Wolverine é retratado em capas especiais da Marvel

Publicado no Terra em abril de 2009
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Wolverine está mesmo em alta. O novo filme do herói canadense invocado, X-Men - Origens: Wolverine, está para ser lançado. Além disso, em comemoração aos 35 anos de sua criação por Len Wein e John Romita, a Marvel lançou nos Estados Unidos o Wolverine Art Appreciation Month.

Neste mês, catorze revistas da editora têm capas alternativas onde artistas atuais imitam o estilo de grandes pintores, como Andy Warhol, Rene Magritte, Roy Lichenstein, Edward Munch, Picasso, entre muitos outros, sempre retratando o famoso X-Men.

A Marvel é famosa por "brincar" constantemente com suas capas alternativas, já foram publicados heróis transformados em zumbis e até reproduções de capas clássicas com macacos. Segundo o editor-chefe da editora, Joe Quesada, Wolverine não é popular apenas entre os fãs, ele também tem grande popularidade entre os artistas, que não perdem a chance de desenhar o personagem.

A coleção completa pode ser conferida no site www.marvel.com.