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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Conheça a Tough Guy, a corrida mais radical do mundo

Publicado no Terra em janeiro de 2010
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O Brasil tem a São Silvestre, a tradicional corrida no último dia, enquanto Nova York tem uma maratona que reúne pessoas do mundo inteiro, mas é a Inglaterra que consegue ter uma prova que testa todos os limites físicos e psicológicos dos participantes. É a Tough Guy (cara durão na língua bretã), que há quase 20 anos acontece em um local especialmente criado para o evento, perto da cidade de Wolverhampton. Os participantes enfrentam dois percursos, o Country Miles (milhas no campo), com morros, subidas, escaladas e estradas e o Killing Fields (campos da morte), um percurso com arame farpado, fogo, rios gelados, canos usados como túneis, obstáculos e muito mais. E tudo isso vai rolar no próximo dia 31 de janeiro com um detalhe mais apavorante: durante o inverno.

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A idéia na verdade é encarada pelos participantes como uma grande brincadeira. Pelos vídeos mostrados no site oficial dá para se notar que todo mundo se ajuda e dá muitas risadas (especialmente a plateia) e não há prêmios para os vencedores, somente a satisfação pessoal de conseguir cruzar a linha de chegada onde são recebidos com chocolate quente. O idealizador do evento, um senhor de fartos bigodes e roupa de que lembra o Sargent Peppers dos Beatles, Mr. Mouse, respondeu por e-mail às nossas dúvidas e não dispensou, em nenhum momento, o indefectível humor inglês, sempre se referindo a si mesmo em terceira pessoa.

Terra: Como surgiu a idéia de fazer uma corrida tão radical como a Tough Guy?
Mr Mouse:
Em 1986 foi decidido por Mr. Mouse que o mundo não era duro o bastante e que sorrisos e felicidade estavam desaparecendo. Então ele começou a construir o campo de treinamento mais árduo da Terra. Seu sucesso se tornou uma lenda como a mais segura e mais perigosa experimentação de pânico, medo e claustrofobia que o planeta já viu.

Quantas pessoas em média participam deste evento?
Havia um limite de 5 mil participantes para este evento de janeiro, mas já foi superado. Por isso, nos últimos três anos investimos cerca de um milhão de libras (mais de 1,5 milhão de reais) para aumentar o percurso e agora comporta de 5.500 a 6 mil pessoas.

Qual é a participação feminina em termos percentuais?
As mulheres sempre representaram cerca de 10% do total de participantes, mas nas últimas edições chegou a 15%.

Quantas pessoas conseguem chegar à linha de chegada?
Esperamos 4.200 finalistas, 100 pessoas com ossos quebrados, 400 com hipotermia e 600 com frio e totalmente derrotados. E fechamos as pistas depois de quatro horas da largada.

Já houve alguma morte em uma edição do Tough Guy?
Nós mesmos nunca matamos ninguém, mas já houve mortes por causas naturais. Os participantes assinam um documento, o Death Warrant, que impede qualquer publicidade nesse sentido e nós ajudamos com as despesas do funeral e com o túmulo.

Já pensaram em montar uma edição brasileira do Tough Guy?
Nós tivemos um organizador brasileiro que queria licenciar o Tough Guy para o Brasil. O custo de 100 mil euros (R$ 143 mil) pelo nosso conhecimento técnico mais o investimento de 700 mil euros (cerca de R$ 1 milhão) para a montagem do percurso fizeram com que ele ficasse só na esperança. Tivemos, porém, há três anos uma equipe de TV brasileira e gostamos muito deles.

Mr. Mouse também promove a edição de verão chamada de Nettle Warrior (guerreiro da urtiga ou guerreiro irritado), onde quem compete tem de passar pelos Killing Fields duas vezes. O custo para participar do Tough Guy é de 140 libras e o do Nettle Warrior fica em 90 libras e deve valer cada centavo pois como o próprio site diz ao cruzar a linha de chegada você pode estar ensangüentado e quebrado mas nunca derrotado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Livro relata a aventura de dois brasileiros velejando de Miami a Ilhabela

Publicado no Terra em dezembor de 2009
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Era 24 de fevereiro de 1994 quando dois brasileiros deixaram Miami a bordo para enfrentar 13.500 kilômetros de mar em 289 dias de aventura com destino a Ilhabela, mas com um detalhe muito original, entrariam no Brasil pela Amazônia. Para adicionar mais um detalhe insólito nessa história, os dois viajaram em dois Hobby Cats 21 Sport Cruiser, um catamarã sem cabine nem motor, não muito ideal para uma travessia oceânica. A saga toda está contada no recém-lançado livro Entretrópicos da Editora Terra Virgem.

» Veja a capa do livro

Os dois aventureiros eram Beto Pandini, empresário da noite paulistana e Marcus Sulzbacher, publicitário, mas no caminho 19 outras pessoas subiram a bordo dos dois barcos, como o fotógrafo Gui von Schmidt e o sul-africano Duncan Ross, este sim o mais gabaritado em conhecimentos náuticos. O livro, com fotos deslumbrantes, é dividido em três partes: As Ilhas, com o trajeto pelas Bahamas, República Dominicana, Porto Rico e Pequenas Antilhas; Os Rios, quando entraram no continente sulamericano pelo rio Orinoco na Venezuela (desta vez com motor de popa para navegar contra a corrente) e depois seguiram pelos rios Negro e Amazonas até chegar em Belém e finalmente A Costa com a descida pelas praias brasileira (mais uma vez contra a corrente) até Ilhabela em São Paulo, onde chegaram em 6 de novembro.

Os relatos são muito divertidos e interessantes como a hospedagem gratuita em um resort nas Antilhas, as dificuldades de se lidar com a polícia venezuelana e até mesmo uma excursão ao Pico da Neblina, onde jogaram fora uma placa deixada lá pelo ex-presidente Fernando Collor. Também é emocionante os relatos sobre as pessoas que encontraram no caminho, todos muito solidários e encantados com a disposição dos marujos em vencer as águas e cumprir o seu objetivo.

Para saber mais da incrível aventura, fomos conversar com Beto Pandiani e tentar entender o que move um grupo de pessoas a passar quase um ano em perigo constante.

Terra: Quinze anos se passaram entre a aventura Entretrópicos e a publicação do livro. Por que tanto tempo para contar como foi?
Beto Pandiani: Parece mesmo uma ironia, a primeira viagem foi a mais simples de ser viabilizada financeiramente, mas a mais difícil de ser documentada em livro. Quando terminamos a viagem no final de 1994 oferecemos aos patrocinadores a oportunidade de publicarmos um livro fotográfico e eles aceitaram. Começamos mas logo no inicio de 1995 uma crise econômica desastrosa varreu nosso projeto do mapa, tudo foi cancelado. Acabei voltando para minha atividade com restaurantes porque não pude dar continuidade aos meus projetos. Foi frustrante e depois quanto mais tempo foi se passando mais difícil foi ficando. Há três anos decidi pedir a Editora Terra Virgem para incentivar o projeto do livro Entretrópicos porque ia tentar viabilizá-lo. Foi o que aconteceu. Se eu acreditasse que as coisas são casuais diria que foi um "acidente" vender o livro depois de tantos anos.

Terra: Pela narrativa, a impressão que temos é que houve um planejamento, mas não a exata noção de todos os perigos que a viagem continha. Até que ponto foi um risco calculado?
BP: Sabemos que quando uma viagem começa a chance de terminarmos não é grande, não por falta de planejamento ou por falta de capacidade, mas entendemos que andamos contra todas as estatísticas. Nunca sabemos se vamos conseguir terminar, mas nunca duvidamos do que podemos. O primeiro objetivo é voltar para casa, o segundo é chegar onde queremos mais amigos do que quando partimos. Pode-se pensar em muitos riscos e se preparar, mas a vida no mar trás um componente muito forte, o imponderável. A natureza é imponderável e o máximo que podemos fazer é nos prepararmos para o pior.

Terra: Houve algum momento em que vocês pensaram em desistir ou que a "canoa quase virou"? De tudo, qual foi o pior trecho?
BP: Nunca passou pela minha cabeça desistir. Já aconteceu o contrário, tentar imaginar um jeito de prolongar a viagem. Piores trechos foram vários, mas os mais críticos de todas as viagens, foram a travessia da Passagem de Drake, ao sul da Patagônia chilena e argentina e agora a travessia do Pacífico quando as quebras nos deixaram extremamente vulneráveis. Pela primeira vez quase fomos obrigados a pedir um resgate. Não aconteceu por pouco. Quanto a risco de vida eu nunca me senti próximo a uma situação limite.

Terra: Existe a passagem onde vocês escalam o Pico da Neblina e jogam fora a placa deixada por Collor. Você não teme uma reação do ex-presidente?
BP: Jogamos a placa fora e na época noticiamos para a mídia. Jogaria de novo. Vejo que os valores morais estão atrasados, na época da Idade Média. A tecnologia avançou e nós ficamos no passado. Esta noção de modernidade é ilusória e nos coloca em um estado de sonambulismo. Seria bem sadio se todos se manifestassem, pois o Collor foi eleito para um cargo público, não para ser dono de um feudo. Não tenho medo algum. Se cada um tivesse noção da sua força e importância nós seríamos mais unidos e tenho certeza que não teríamos governos impunes que nos fazem de bobos.

Terra: O fator humano é muito forte na narrativa, especialmente a descoberta que as pessoas podem ser muito solidárias. Depois da aventura, vocês mantiveram esse espírito? E como isso alterou a vida de vocês depois da chegada?
BP: Este é o meu olhar, como fui eu que escrevi o livro só posso responder por mim. Acho que foi o contrário, este espírito de olhar as pessoas com compaixão eu levei comigo. O que eu trouxe de volta é a certeza que o homem vale a pena. O que alterou na minha vida é que hoje posso falar do que vi e vivi. São testemunhos reais e longe da pretensão de explicar o mundo, posso dizer que aprendi muito sobre a nossa natureza e quero dizer a natureza humana.

Terra: Por falar em depois, o que aconteceu com cada um dos tripulantes nesses 15 anos?
BP: Em cada viagem fui montando equipes que algumas vezes se repetiram e em outras oportunidades foram renovadas. Tenho meus companheiros como algo sagrado, pois foram pessoas que compartilharam momentos únicos e muito especiais para mim. Hoje todos estão em outras atividades profissionais. Sou o único que vive exclusivamente das viagens e continuamos todos conectados.

Terra: Que outras aventuras você fez?
BP: Desde que me conheço por gente, gosto de viajar. Fiz outras viagens que não foram patrocinadas, mas me trazem boas recordações. Viajei 50 dias de moto pela Patagônia em 1989, indo até Ushuaia, participei da Regata dos 500 anos Portugal - Brasil, duas longas viagens no final dos anos 70 acampando pelo litoral do norte do Brasil até São Paulo. Foram muitas outras, mas sempre em caráter pessoal.

Serviço

Entretrópicos - De Miami a Ilhabela a bordo de dois Hobie Cats 21
Terra Virgem Editora
Textos de Beto Pandiani e Xavier Bartaburu
Fotos de André Andrade, Gui von Schmidt e Roberto Linsker
120 páginas - Preço: R$ 70,00

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ganhe R$250 mil para viver no paraíso

Publicado no Terra em janeiro de 2009
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O comitê turístico do estado australiano de Queensland está oferecendo essa quantia razoável, U$150 mil dólares australianos, para quem quiser viver seis meses nas Ilhas Hamilton, localizadas na Grande Barreira de Corais, como uma espécie de zelador e porta-voz.

Além de não pagar nenhum aluguel e morar em uma residência de três dormitórios, o escolhido terá direito a computador, internet, câmeras e filmadoras digitais, passagens aéreas e plano de saúde.

Os requisitos são saber mergulhar com snorkel, ser um excelente nadador, ter espírito aventureiro, falar e escrever inglês fluentemente, fazer amizade com os locais, manter um blog e um fotoblog diariamente e ainda - veja como é difícil - aproveitar o clima tropical e o modo de vida do lugar.

Apesar da acusação de ser um golpe de marketing por alguns veículos da imprensa mundial, a estratégia é séria e faz parte de um plano de três anos e investimento de 1,7 milhões de dólares australianos para incrementar o turismo local.

Os interessados, australianos ou estrangeiros, podem se cadastrar através do site www.islandreefjob.com. A campanha que se iniciou em 12 de janeiro e vai até 22 de fevereiro, escolherá apenas uma pessoa entre onze finalistas. As atividades começam em 1º de julho de 2009.