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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dez coisas que você deve aprender com o Batman

Publicado no Terra em janeiro de 2009
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O Homem-Morcego completa 70 anos em maio deste ano e, assim como acontece com o Superman e a Mulher-Maravilha, é publicado ininterruptamente desde sua criação.

E, com os filmes do diretor Christopher Nolan, está mais atual do que nunca. Já que o personagem entrou para a mitologia contemporânea, que tal aprender algumas coisas com o morcegão?

1. Traumas podem te dar um objetivo
Seja perdendo o emprego, tomando um pé da namorada ou vendo seus pais serem assassinados na sua frente quando você tinha 10 anos de idade, alguma coisa você tem que tirar para dar um novo rumo à sua vida. Santa missão! Que seja algo produtivo!

2. Prepare-se antes com os melhores
Bruce Wayne foi estudar inúmeras técnicas diferentes para poder combater o crime antes de vestir o uniforme. O mesmo você deve fazer se vai se aventurar em algo e realmente quer cumprir seu objetivo. Fale com especialistas, freqüente cursos e pratique antes de começar o trabalho.

3. Tenha um crítico ao seu lado
Batman tem Alfred para acudi-lo nas necessidades, mas o mordomo inglês não poupa o sarcasmo para apontar onde seu patrão pisa na bola. E aí cabe a importância do verdadeiro amigo: nem sempre falar coisas que você quer ouvir, mas estar alerta para ajudá-lo numa necessidade.

4. Alianças são importantes. Especialmente com poderosos
O Homem-morcego mostrou ao Comissário Gordon que pode contar com ele para manter Gotham em ordem e agora o policial é seu grande aliado. Assim, é recomendável que você deixe muito claro a quem manda no negócio a sua total disposição para ajudar a realizar uma meta comum, ao invés de querer a glória somente para sua pessoa.

5. Cuidado para não criar seu inimigo
Nas histórias em quadrinhos, Batman inadvertidamente foi responsável pelo Coringa se tornar um vilão desalmado. E o mesmo pode acontecer a você se não prestar atenção ao que fala ou até mesmo às conseqüências dos seus atos. Mesmo quando não for intencional, ter um inimigo é para sempre.

6. Tenha um refúgio
Você não precisa encontrar uma mansão com uma caverna embaixo para isso. Estando no trabalho ou em casa, passe algum momento sozinho no seu canto, refletindo sobre sua missão, encontrando soluções ou relaxando um pouco. Se conseguir colocar uma moeda gigante e um dinossauro eletrônico no lugar, melhor ainda.

7. Quer um parceiro? Que seja alguém como você!
Robin é órfão assim como o Batman. Robin quer distribuir sopapos assim como o Batman. Robin gosta de roupas ridículas assim como o Batman. Se você tem uma meta a cumprir, cerque-se de gente que tem os mesmo objetivos que você.

8. Use seu dinheiro com o que você gosta
Wayne é multimilionário e torra sua grana para sair vestido de rato voador, num carro que só ele tem e com gadgets de impressionar James Bond. Tudo isso porque ele curte o papel de paladino da justiça! É para isso que o dinheiro serve. Para você se sentir bem com ele.

9. A dupla identidade funciona
Ninguém precisa saber que você curte aventuras sexuais vestido de Pato Donald e acompanhado de um aspirador de pó. Certos detalhes da sua vida pessoal, especialmente no que concerne ao ambiente profissional, podem ficar escondidos. Faça, porém, como o binômio Bruce e Batman: busque a excelência nos dois lados de sua personalidade.

10. A Mulher-Gato detona!
O que você prefere: uma menina santinha e recatada ou uma que ronrona e ainda usa roupa justa de couro? Batman fez a escolha dele. Faça a sua!

Efemérides

Publicado no site Overmundo em agosto de 2008
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31 de julho foi Dia do Orgasmo. O primeiro pensamento que me passou na cabeça foi: orgasmo precisa de dia? Já o segundo foi o tema da saudosa Vila Sésamo: “todo dia é dia, toda hora é hora”. E finalmente imaginei as comemorações do Dia do Orgasmo que, assim como a Marcha do Orgulho Gay, teria uma grande parada na Avenida Paulista com blocos imensos desfilando, cada um, suas preferências de prazer (a não ser a turma do ponto G que seria formada de no máximo 7 pessoas).

O Dia do Orgasmo foi criado pelas sex-shops inglesas há 4 anos, como alerta para a melhora da vida sexual das moçoilas britânicas (aparentemente 80% delas respondeu em uma pesquisa que não sentia prazer nas relações), mas investigando o tema fiquei surpreso em como alguns cocorocas (obrigado Stanislaw Ponte Preta) perdem seu tempo para inventar bobagens.

Por exemplo, já que temos o Dia das Crianças (e o Dia Nacional da Infância também), alguém tascou 15 de janeiro como Dia do Adulto. Por não saber disso, não ganhei meu presente. Já em 11 de fevereiro comemora-se o Dia Mundial do Enfermo. Espere aí, existem motivos para se celebrar uma doença? Dia 10 de março é Dia do Sogro, enquanto 28 de abril celebra a Sogra (vai saber o porquê, já que os dois ganham o cargo no mesmo dia). Existem o Dia Internacional da Mulher e o Dia Nacional da Mulher (30 de abril), mas nenhum Dia dos Homens, Dia do Macho ou pelo menos Dia Mundial do Suportador de TPM.

Se você é jovem ou velho está feito. Temos o Dia Mundial do Jovem Trabalhador, o Dia dos Jovens (13/04), o Dia Internacional da Juventude (12/08), assim como o Dia Nacional do Idoso (21/09), o Dia Internacional do Idoso (27/09), o Dia Internacional da Terceira Idade (01/12) e, incrivelmente, o Dia do Idoso Japonês (15/09). Se você, como eu, chegou à meia-idade, não tem nada a comemorar. Ou pelo menos opte em considerar-se jovem demais ou velho demais e festeje.

No campo do bizarro temos que o Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, coincidindo com o Dia Mundial Anti-Mcdonalds e o Dia do Azar com o Dia do Encarceirado, ambos em 13 de agosto – esse último é auto-explicativo, não é mesmo? Em 09 de setembro os racheiros, playboys e imprudentes motoristas podem se orgulhar, já que é Dia da Velocidade. Em 31 de agosto, comemora-se em todo o Brasil (menos na cidade de São Paulo provavelmente) o Dia do Outdoor. Já em algum lugar de Minas Gerais, 17 de agosto é o Dia Municipal do Camelô (ai se a coisa pega). Isso sem contar que em 9 de julho, além da Revolução Constitucionalista, celebramos o Dia do Truco. Ninguém me explica porque o bridge, o poker, a cacheta, o dominó, o Banco Imobiliário e o War são ignorados. E, para coroar, temos em 24 de julho o Dia Mundial dos Discos Voadores, que só teria lógica se fosse chamado de Dia Intergalático dos Discos Voadores.

Já que estamos em plena Era da Informática, peço a algum deputado ou vereador que, por não ter coisa mais importante para votar, crie novas e criativas efemérides como Dia do Download Ilegal, Dia da Tela Azul do Windows, Dia da Falta de Privacidade do Orkut, Dia do Spam e até mesmo o Dia do Você Quis Dizer do Google.

Em tempo, se no Dia do Trabalho ninguém trabalha, então no Dia do Orgasmo...... OK, esquece!

Minha vida sem cachorro

Publicado no site Overmundo em Agosto de 2008
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Você vai me odiar. Vai escrever à minha mãe para perguntar que tipos de distúrbios eu tenho. Serei excluído de círculos sociais. Serei proibido de colaborar no Overmundo, o texto não terá votação. Nem edição terá, tamanha rejeição que há de tema tão polêmico. Mas tenho uma confissão a fazer: não gosto de cachorro.

Os grandes assustam, os pequenos me irritam. Odeio latido de cachorro. Especialmente aqueles de madrugada quando, devido ao silêncio que impera, soam como obuses numa guerra. Tonitroando sem parar e chamando outros caninos para uma disputa. O que é pior? Os outros aceitam o desafio.

Cachorro em apartamento deveria constar da Convenção de Genebra como crime contra a humanidade. Apartamento com sacada, então, é muito pior. A sacada torna-se o quintal do cachorro. Lá estão eles, pulando, latindo, correndo em um espaço minúsculo e limitado, espalhando pelos pelo ar. E ái do vizinho que reclame. Vira pária. “Não deve ser um bom ser humano” comenta-se nos corredores.

Para quem mora em casa, resta o derradeiro sadismo: o cachorro fica na garagem. E assim, tal qual um predador em uma floresta, fica na espreita esperando o pobre pedestre passar, para então matá-lo de susto com ataques ao portão. Imagino que devam voltar às suas casinhas com aquela risada do Mutley, personagem canino dos desenhos animados, e uma satisfação indescritível no peito. “Mais um”, pensa ele.

Na lista de atitudes desaprovadoras dos cachorros ainda tem aqueles que pulam em você. Outros que lambem você. Outros que tentam engravidar sua perna. Outros que tentam fortalecer as mandíbulas usando algum pedaço de carne do seu corpo. E aqueles que fazem tudo isso ao mesmo tempo.

Nesse desabafo todo porém, tenho que admitir que existe uma espécie pior que a canina: os donos dos cachorros. Porque se existisse compaixão, respeito ao próximo, cidadania, generosidade, menos egoísmo e valorização da felicidade alheia dentro de cada ser humano, acredite-me, eu amaria os cachorros.

Lampião e o faroeste brasileiro

Publicado no site Overmundo em julho de 2008
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Não vi no UOL, nem no Terra, nem na Época, mas hoje é o aniversário de 70 anos da morte de Virgulino Ferreira, o Lampião. Figura controversa e mítica, Lampião mistura todas as qualidades e defeitos do bandido heróico, do considerado Robin Hood brasileiro pela revista Time de 1931, com uma pitada de lenda de faroeste americano. Muitos o acham um herói, outros um socialista, mas parece que a realidade não é bem assim. Lampião era bandido mesmo. Ganhava dinheiro, armas e abrigo dos "coronéis", justamente para realizar serviços contra os inimigos políticos destes. E, nessas andanças, massacrava o povão. Matava e saqueava a plebe que passou a lhe louvar.

Apesar de oficialmente afirmar que entrou para o cangaço para vingar a morte do pai, Lampião e seus irmãos já praticavam pequenos crimes antes do ocorrido. Integrou o bando de Sebastião Pereira (o Sinhô) e em pouco tempo já liderava a gangue.

Lampião era vaidoso e orgulhoso do que fazia. Usava perfume francês, tinha cartão de visita (com sua foto, inclusive) e em uma entrevista dada em Juazeiro do Norte mostrou sua verve mais, digamos, hipócrita:

- Não pretende abandonar a profissão?
(A esta pergunta Lampião respondeu com outra)
- Se o senhor estiver em um negócio, e for se dando bem com ele, pensará porventura em abandoná-lo? Pois é exatamente o meu caso. Porque vou me dando bem com este "negócio", ainda não pensei em abandoná-lo.

- Em todo o caso, espera passar a vida toda neste "negócio"?
- Não sei... talvez... preciso porém "trabalhar" ainda uns três anos. Tenho alguns "amigos" que quero visitá-los, o que ainda não fiz, esperando uma oportunidade.

- Não se comove a extorquir dinheiro e a "variar" propriedades alheias?
- Oh! mas eu nunca fiz isto. Quando preciso de algum dinheiro, mando pedir "amigavelmente" a alguns camaradas.
(Fonte: site de Vera Fereira, neta de Lampião: http://iaracaju.infonet.com.br/LAMPIAO/index.htm)

Segundo site Brasil, Mitos e Lendas de Rosane Volpato (http://www.rosanevolpatto.trd.br/LENDALAMPIAO.html), o líder e seu bando vagaram por 7 estados nordestinos. Lampião era cruel o bastante para, pessoalmente, arrancar olhos ou cortar línguas e orelhas. E mais, se encontrasse moçoilas com cabelos ou vestidos muito curtos, mandava que lhe marcassem o rosto a ferro quente. Em Bonito de Santa Fé, em 1923, ele deu início ao estupro coletivo da mulher do delegado. Vinte e cinco homens participaram da violação.

O Nordeste brasileiro daquela época não era muito diferente do que é hoje, com famílias mandando em regiões inteiras, guerras territoriais, assassinos de aluguel sendo contratados, desprezo do governo federal (Getúlio só se mexeu para acabar com o cangaço depois de MUITA pressão dos políticos nordestinos) e o povo, além de viver em uma carestia tremenda, era o recheio de um sanduíche indigesto: de um lado os apertavam a polícia (os volantes) e do outro os bandidos do cangaço. Se não apanhavam de um, eram espancados pelo outro.

Não quero entrar em julgamento de valor. Acho que a figura de Lampião é importantíssima para nossa história. Ele é uma espécie de Jesse James ou Billy the Kid, versão tupiniquim. Isso porque os outros dois também eram assassinos cruéis, procurados e também considerados anti-establishment. Billy the Kid, nas palavras de seu amigo e assassino, Pat Garret, era um rapaz que "comia e sorria, transava e sorria, matava e sorria". E, mesmo assim, é louvado até hoje. É preciso porém que seja feita uma análise menos romanceada do importante nordestino. O fato de estar aliado aos coronéis já depõe contra ele. O próprio Padim Cícero era, e isso é sabido, um político matreiro e carismático. E nem por isso deixou de virar lenda, beatificado e tudo mais.

Voltando à vaca fria, há 70 anos, numa emboscada em Angico (em Sergipe), graças a uma delação, Lampião, Maria Bonita e mais 11 cangaceiros foram massacrados pelas tropas do "macacos" do Tenente João Bezerra. O líder dos bandidos foi o primeiro a tombar. Suas cabeças foram cortadas e mostradas nas escadarias da prefeitura da cidade de Piranhas em Alagoas, sendo sepultadas somente em 1969. Uma versão do ocorrido explora que, na realidade, o delator os envenenou primeiro (urubus mortos em volta dos corpos corroborariam a hipótese). Daí a facilidade da captura. Nunca ninguém vai saber da verdade.

Acontece que, se a lenda é maior que a realidade, publica-se a lenda. E se é assim, longa vida a Lampião, o rei do cangaço. Longa vida a Maria Bonita e a Corisco. Longa vida ao legítimo faroeste brasileiro.