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domingo, 9 de maio de 2010

Conheça 12 mães históricas que ilustram o que é maternidade

Publicado no Terra em maio de 2010
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Por mais que Freud tenha surgido para jogar todos os nossos problemas nas costas das mães, a figura materna ainda tem muito que ser celebrada. Primeiramente porque filho não vem com manual de instrução e só quem tem um sabe a quantidade de besteira que se faz quando está tentando caprichar na criação. Depois, é ela que vai nos dar colo quando temos problemas, não importa e você tem oito ou quarenta anos de idade. Seja pelo bom ou mal exemplo, ela vai nos inspirar a agir de maneira correta e quando saímos da linha sabemos que no fundo ela vai nos perdoar.

Na história e no imaginário popular, as mães têm uma participação até mais importante que os pais. Veja o caso de Maria, mãe de Jesus. Por mais que José tenha aceitado pacificamente seu destino como pai de criação e não de concepção, foi ela que agüentou o fardo de parir o Messias, viu o filho desafiar os poderes vigentes e ainda assistiu seu martírio em corajosa e silenciosa dor.

É tão louvada pelo seu sacrifício que ganhou uma das orações mais importantes da fé católica e se tornou padroeira do Brasil. Por outro lado, temos Jocasta, a mãe de Édipo. Primeiramente ela mandou matar o filho, que salvo por um pastor, cresce e acaba por matar o pai e desposar a mãe. A tragédia grega termina com Jocasta se enforcando, Édipo se cegando em vergonha e deu pano para a manga para que psicólogos e psiquiatras viessem com a teoria que somos apaixonados por nossas progenitoras, o que levou o personagem de Robert DeNiro em A Máfia No Divã dizer sabiamente: "malditos gregos".

Mães também podem ter um poder absurdo sobre seus filhos e sobre um reino. Que o diga, Tibério, filho de Lívia Drusilla. Ela foi a primeira imperatriz de Roma, casada por 52 anos com César Augusto e uma parte da lenda reza que mandou eliminar qualquer parente que pudesse impedir que seu rebento sucedesse ao pai.

De qualquer maneira, foi uma grande influência no governo de Tibério (por mais que o filho tenha roubado sua herança) e morreu antes de ver seus netos Calígula e Claudio ascenderem ao poder. Foi o último, aliás, que a transformou em deusa, Augusta. Ainda nesse campo, não podemos deixar de lado Leonor da Aquitânia. Ela foi rainha da Inglaterra e da França e uma das mulheres mais poderosas da história medieval. Como qualquer mãe normal, enfrentou a situação de ficar entre seus dois filhos, Henrique o Jovem e Ricardo Coração de Leão, quando disputavam o trono, acabando primeiramente ao lado do segundo. Depois, quando seu neto tentou usurpar o trono, apoiou Henrique sem pestanejar.

As mães também podem pagar pelos pecados dos filhos. Um exemplo clássico é Ma Barker, que ficou consagrada por uma música dos anos 70 (Ma Baker, assim grafado errado, do grupo Boney M) e por filmes. Na versão oficial, ela criou seus filhos para serem bandidos e chefiava a gangue que aterrorizou as cidadezinhas do meio-oeste nos tempos da grande depressão. Acontece que a coitada não fez nada disso. Religiosa e humilde, ensinou os filhos a caçar quando não havia dinheiro para comida.

Os meninos, sem possibilidade de emprego, enveredaram-se no crime e um a um foram mortos pela polícia. Em 1935, o FBI cercou a casa onde estava o último filho remanescente e metralharam-na sem dó. Ao entrar, os federais viram que haviam matado também a pobre senhora e J. Edgar Hoover, o chefe do FBI, criou a história da cruel mãe para não ser massacrado pela opinião pública. E alguns filhos pagam pelos "pecados" dos adultos, mesmo quando são devido a políticas ditatoriais. As chamadas Mães da Praça de Maio ainda se mobilizam e protestam em busca de noticiais de seus rebentos, seqüestrados por agentes dos governos militares argentinos, enquanto os pais estavam presos ou sendo torturados.

E existem aquelas mães que não medem esforços para ver seus filhos bem, apesar de tudo pesar contra. Uma delas foi Bridget Brown, uma irlandesa cujo filho nasceu com paralisia cerebral e controlava apenas o pé esquerdo. Por mais que os médicos e o próprio pai da criança estivessem desenganados em relação ao menino, ela o incentivou a levar uma vida normal e o garoto se tornou um escritor e artista plástico. A história toda foi contada no filme ganhador do Oscar, Meu Pé Direito.

Se ser mãe é algo que está dentro de toda mulher (ou com a grande maioria) o que não dizer de Lina Medina, uma peruana nascida em 1933 que teve um filho aos cinco anos, sete meses e 21 dias, se tornando a mãe mais jovem da história da medicina. Paupérrima, surpreendeu o mundo quando seu abdômen cresceu e foi constatado que esperava um filho. Seu pai foi acusado de ter violentado a filha, mas inocentado por falta de provas e o pai da criança nunca foi descoberto. Mesmo em uma entrevista para a agência Reuters em 2002, Lina recusou-se a dar a identidade do violador. Seu segundo filho só nasceu quando ela tinha 38 anos de idade.

E maternidade não precisa ser sinônimo de dar a luz a uma criança e sim criar como se fosse seus filhos. E é nesse rol que entra Madre Teresa de Calcutá, uma verdadeira mãe para muita gente. Nascida na Macedônia como Agnes Gonxha Bojaxhiu, foi a fundadora das Missionárias da Caridade, instituição de apoio a crianças, idosos, portadores de HIV e leprosos. Ela atuou em vários países no mundo (não só na Índia) e chegou a ganhar um premio Nobel da Paz em 1979.

Por fim vem as mães inspiradoras, aquelas que nunca deixaram de ser as musas de seus filhos. Lady Laura, falecida recentemente, foi um guia e uma luz na vida de Roberto Carlos, sempre discreta e reservada. Dona Canô, do alto de seus 102 anos de idade, sorri com o sucesso de sua prole, Caetano e Betânia, mas não deixa de lhes dar bronca, mesmo publicamente, se eles fizerem algo que não a agrada, como no caso em que Caetano falou mal de Lula e ela manifestou seu repúdio às palavras do filho. E finalmente temos a Mãe do Henfil, que ficou consagrada nacionalmente graças aos textos humorísticos de seu filho, intitulados "Cartas à mãe".

Poderosas, inspiradoras, duronas, amáveis, amigas, não importam quais sejam as características que nossas mães tenham mais fortemente, seguramente nossa vida seria muito desprotegida e sem-graça sem elas.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Cinco histórias reais de gangsteres que parecem saídas de um filme

Publicado no Terra em setembro de 2009
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Homem que é homem adora um bom filme de gangster, mesmo porque Hollywood (e também o inglês Guy Richie) é especialista em mostrar os psicóticos bandidos como homens cheios de honra e tradição. Na verdade é só estudar um pouco a história de Lucky Luciano, Machine Joe Kelly, Albert Anastasia e de famiglias como os Gambino e os Bonanno para ver que esse pessoal queria mesmo é muito dinheiro e não poupava recursos sórdidos para consegui-lo. Existem, porém, alguns desses criminosos com histórias tão extraordinariamente surreais que parecem ter saído da cabeça de algum roteirista alcoolizado. Confira algumas delas:

1.Samuels "Nails" Morton e o assassino equestre: herói na primeira grande guerra, recebendo até uma medalha da cruz de guerra dos franceses, Morton era um psicopata completo. Ao retornar aos EUA, entrou na gangue de Dion O´Bannon, especializada em tráfico de bebidas e logo ninguém chegava perto dos carregamentos do irlandês dada a truculência do capanga. Acontece que Morton se considerava um cavalheiro e um de seus hobbies era a equitação. Em 1923, ele acabou morrendo após ter sido derrubado da sela pelo cavalo e sua gangue, na mais pura linha do "matou um dos nosso, tem que pagar", fuzilou o pobre bicho sem dó nem piedade.

2.Frank Abbadando, o assassino mais rápido do planeta: se algum mafioso queria eliminar algum desafeto, podia contar com o Murder Incorporated, nome que os jornais deram aos assassinos do crime organizado. Um de seus membros era Frank Abbadando, que recebeu a incumbência de matar um marinheiro devedor chamado Patsy, "o animal". O problema é que ao enfrentar o marujo, sua arma travou e a vítima atacou o gangster com um gancho. Abbandando conseguiu correr numa velocidade tal que deu uma volta completa no quarteirão, conseguindo se posicionar atrás de Patsy (que continuava a persegui-lo), e o eliminou com uma saraivada de balas. A fama de ligeiro foi tão grande que ao ser condenado à morte pela cadeira elétrica, apressou a execução e fritou em menos de dois minutos.

3. Vincent "Percevejo" Drucci, o pesadelo de Capone: quando o mais famoso gangster do mundo estava ainda ascendendo no submundo de Chicago, seu maior desafeto era o líder da zona norte, O´Bannion e, de todos, quem mais temia era "maquinador" Drucci, que considerava mais irritante que um percevejo. Drucci era louco o bastante para desenvolver as táticas mais absurdas para eliminar pessoas. Chegou a atacar Capone nu, quando este estava em sua sauna. Quando Capone de refugiou no hotel Cicero, atacou o local com mil homens em um comboio de 11 carros. Tempos depois, o Scarface fez uma emboscada em Michigan, mas enquanto seus capangas se escondiam, Drucci ficava no meio da rua gritando que podia desviar das balas inimigas. Sua insanidade era tanta, que nessa batalha chegou a correr atrás dos carros de Capone atirando sem parar. Foi morto em 1927 por um policial, ao tentar roubar sua arma.

4.Mickey Coen, o homem que ninguém conseguia matar: em 1939, Mickey se juntou a "Bugsy" Siegel em Los Angeles e passou a trabalhar para o chefão Jack Dragna. Completamente fora de si, era tão atrapalhado que chegou a roubar dinheiro de um dos negócios de seu empregador. Mesmo sabendo de seu engano, recusou-se a devolver a grana. Quando Siegel foi morto em Las Vegas, a cabeça de Coen foi a prêmio e a tarefa coube a Jimmy Fratianno, famoso matador. Coen conseguia escapar de cada tentativa de assassinato das maneiras mais implausíveis possíveis. Quando Fratianno fuzilou a porta do banheiro onde Coen estava, este último sobreviveu porque estava debruçado na pia lavando o rosto. Fratianno tentou explodir a casa de sua vítima duas vezes. Na primeira, a bomba falhou, na segunda um cofre de concreto que Coen mantinha embaixo de sua cama, salvou-o da morte. Houve também uma tentativa de fuzilá-lo na rua, mas Mickey se agachou no momento em que um atirador disparava, para ver um arranhão que alguém havia feito no seu carro. Preso na década de 60, Coen foi atacado na cadeia por um psicopata e mesmo assim saiu vivo. Parcialmente paralizado, recebeu a condicional em 1972 e faleceu dormindo em 1976.

5.Carmelo Fresina, o líder da gangue do travesseiro: imigrante italiano, Fresina formou uma gangue em St. Louis, especializada em extorsão e contrabando. Violento e descontrolado, começou a atrair a atenção de outras gangues, como a do Cuco e os Ratos de Egan. Em uma emboscada em 1928, Carmelo foi ferido nas nádegas. Apesar de ter a vida salva por médicos tinha que andar com um travesseiro amarrado no traseiro o tempo todo. Com isso, perdeu o ar de crueldade frente ao povo e aos inimigos e acabou sendo morto em 1931 com dois tiros. O detalhe curioso é que seu corpo foi encontrado com a cabeça repousada sobre um travesseiro e por décadas virou piada entre policiais e políticos americanos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Princesa do povo, Diana completaria 48 anos

Publicado no Terra em julho de 2009
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Morta em 1997, em um terrível acidente de carro em Paris, Lady Diana Spencer, Princesa de Gales, completaria 48 anos neste 1º de julho. A Princesa do Povo, como foi chamada pelo então primeiro-ministro Tony Blair, é uma figura que ainda habita o imaginário popular no mundo todo.

Sua morte também foi motivo de muita especulação, reforçada pelas "teorias da conspiração" promovidas pelo pai de seu namorado, o magnata Mohamed Al-Fayed, que esbravejava ao mundo que o casal teria sido eliminado pelo serviço secreto inglês, o MI-6, a mando do Príncipe Phillip, descontente com o fato da princesa namorar um muçulmano. Em 2008, 11 anos depois da noite fatídica, as investigações chegaram a uma conclusão: Diana morreu graças a seu motorista alcoolizado, que na tentativa de escapar de fotógrafos paparazzi atingiu as colunas de um túnel.

Por trás de sua história triste, resta a pergunta, quem realmente era Diana? Para traçar suas várias facetas, é possível buscar inspiração nas famosas bonecas Barbie ou Susy e imaginar os diversos modelos de Diana que encontraríamos em seus 20 anos de figura pública.

Diana noiva

É preciso entender bem o que era a Inglaterra e a realeza nos anos 80. Tomada por motins raciais e afundada na economia, a Inglaterra estava sob o comando de Margaret Thatcher, na época, pré-Guerra das Malvinas, com uma popularidade péssima. Charles, então com 33 anos, era a epítome do homem ativo, jogava pólo, pilotava jatos da Força Aérea e era cobiçado por muitas mulheres. Só que por trás disso, já havia sido recusado por três grandes damas da sociedade: Lady Jane Wellesley, Amanda Knatchbull e Anna Wallace e, segundo dizem, já tinha um affair com Camilla Parker-Bowles.

Eis que surge uma garota de 19 anos, Diana Spencer, cuja irmã Charles já havia namorado. Bonita, tímida e recatada, a professorinha tomou a Inglaterra pelo coração. Quando o noivado foi anunciado, os ingleses se sentiram mais confiantes, como se todos vivessem um conto de fadas, apesar de na conferência para o anúncio do casamento, ao ser indagado se estava apaixonado por Diana, Charles respondeu: "Sim, seja lá o que isso significa".

O casamento, em 29 de julho de 1981 na catedral de São Paulo, em Londres, foi televisionado para todo o mundo, com uma audiência de 750 milhões de expectadores. Detalhe, Diana errou o nome de Charles na cerimônia e recusou-se a dizer que o obedeceria, o que causou polêmica na época.

Diana princesa

Todos queriam saber o que aconteceria depois do "E viveram felizes para sempre..." dos contos de fada, e o novo casal real estava lá para mostrar que a realeza não é tão diferente dos plebeus. Colocado pela sua dileta esposa como figura número 2 na Inglaterra, Charles, incomodado, continuou a manter seus hábitos de solteiro, participando de caçadas e partidas de pólo, enquanto Diana só assistia a tudo impassível e frustrada. Além disso, a devoção de Charles pela mãe, a Rainha Elisabeth II, irritava a princesa. A pressão da família real sobre ela e os sonhos do casamento perfeito destruídos levaram Diana a comer compulsivamente e desenvolver bulimia. Ao mesmo tempo, começou a se distrair dedicando-se a trabalhos comunitários.

Diana filantropa

Uma das funções do cargo de Princesa de Gales é visitar hospitais e órgãos governamentais, mas Diana foi muito além. Sua dedicação às vítimas da aids e da lepra fugiam da regra real. Com sua fortuna, também financiou inúmeras instituições que ajudavam sem-tetos, viciados em drogas e idosos. Foi a primeira figura pública a ser fotografada tocando um paciente terminal com aids. Também, a partir dos anos 90, lutou pelo banimento de minas terrestres que vitimavam crianças, especialmente em países africanos, o que levou a uma campanha pela sua nomeação póstuma ao prêmio Nobel da Paz.

Diana mãe

Em novembro de 1981, Diana anunciou sua primeira gravidez e falou abertamente sobre o assunto com os jornalistas. Reza a lenda que a princesa, em enormes crises depressivas, tentou abortar atirando-se pelas escadas do palácio e caindo aos pés da Rainha-mãe. Tanto ela como o feto nada sofreram. O Príncipe William, segundo na sucessão real, nasceu em 21 de junho de 1982. A princesa impressionou a todos quando levou seu bebê a uma viagem para a Austrália, contrariando ordens do governo, e foi aclamada pelo seu feito. Em 15 de setembro de 1984, nasceu seu segundo filho, Harry. Nessa época, ela e Charles estavam mais próximos, vivendo como um casal dedicado, mas isso não impediu Diana de colocar suas próprias condições maternas, como escolher o nome das crianças, contratar suas próprias babás (era o Palácio que fazia isso) e ainda se recusar a circuncidar os meninos, tradição da família real. Além disso, nos intervalos de sua agenda atribulada, Diana arranjava tempo para acompanhar os filhos à escola, o que lhe rendeu a imagem de mãe dedicada.

Diana esposa triste

Logo depois do nascimento de William, Diana passou a causar problemas para a nobreza, recusando-se a atender a alguns eventos, como óperas e espetáculos. Obviamente, a mídia, especialmente os tablóides, se deliciava com as cenas constrangedoras do casal, que se recusava a demonstrar carinho e afeição em público. E como todo casal em crise, um culpava o outro pelo fracasso do romance. Em 1986, Charles reatou com o grande amor de sua vida, Camila, e Diana caiu na gandaia com outra esposa infeliz, Sarah Ferguson, a "Fergie", casada na época com Andrew, Duque de York e irmão de seu marido. Sarah protagonizou um escândalo de proporções imperiais quando, mesmo casada, foi fotografada com um milionário texano, chupando seus dedos do pé. Em 1992, Fergie e Andrew se separaram e ela se tornou persona non grata no palácio. Diana, porém, reservava uma surpresa pior à Rainha e sua família.

Diana mártir

Em 1992, foi lançado o livro Diana, Sua História Real, orquestrado pela princesa que se colocou como vítima na mão de Charles e dos Windsors. Um mês depois, fitas com gravações de seus telefonemas com o herdeiro da indústria de bebidas James Gilbey vieram a público. Nelas, Jimmy chamava Diana de "molhadinha" ("squidgy" no original). Além disso, em uma partida vencedora de pólo, Diana virou as costas para Charles no momento em que ele iria dar-lhe um beijo pela conquista. Uma tentativa de reunificação do casal foi feita em uma viagem conjunta para a Coréia do Sul, mas sem resultados concretos. No mesmo ano, o primeiro-ministro John Major anunciou que o príncipe e a princesa de Gales iam se separar. No pronunciamento público de natal, a Rainha Elisabeth II chegou a declarar que 1992 foi seu "annus horribilis", ou péssimo ano.

Diana vítima

Em 24 de novembro de 1995, Diana deu uma entrevista ao programa Panorama, da BBC1. Desde a estreia do primeiro filme de Guerra nas Estrelas, o mundo não via um império ser tão atacado. Posando de boa moça e ainda investindo pesadamente no papel de vítima das circunstâncias, a princesa falou de sua bulimia (devidamente curada na época do programa de TV), da depressão pós-parto (obviamente não compreendida pelos outros membros da realeza), de seu amor não correspondido por Charles e de seu conhecimento do caso do príncipe com Camilla Parker-Bowles. Segundo ela, era um casamento a três, e, portanto, muito lotado. Além disso, Diana reforçou a história de que era anulada por todos no palácio sem nunca ter direito a opinião própria. Ela ainda explicou seu envolvimento amoroso com James Hewitt, seu instrutor de equitação, mas obviamente justificou o caso dizendo que era uma mulher abandonada que buscava o amor nos braços de outro homem. O golpe deu certo e o povo ficou ao lado da Princesa de Gales em seu processo de separação.

Diana separada

Depois da entrevista à BBC, Diana e Charles participaram de dezenas de outros programas mostrando suas versões da história. O namoro de Charles e Camila ia de vento em popa e, em 1993, foi sua vez de ser flagrado em ligações telefônicas onde dizia à Camilla que queria ser seu "tampax". No que chamou de "o pior dia de sua vida", em 28 de agosto de 1998, Diana oficialmente se divorciou de Charles, graças especialmente à pressão da Rainha Elisabeth II. Lady Di saiu do casamento com uma fortuna de 17 milhões de libras e perdeu o título de "sua alteza real", mantendo o de Princesa de Gales.

Diana amante

Toda essa lavagem de roupa suja em público foi um prato cheio para a imprensa sensacionalista britânica, e logo outros homens, além de James Hewitt e James Gilbey, apareceram na lista de casos da então princesinha virginal. A começar pelo seu guarda-costas, Barry Mannakee, que de amigo confidente teria passado a amante ocasional. Ainda dentro da categoria homens de uniforme, houve rumores não confirmados de um affair entre a princesa e um dos membros da cavalariça real, o Capitão David Waterhouse. Os dois não se desgrudavam, nem quando a princesa foi assistir a um show de David Bowie. O sofisticado e elegante marchand de artes, Oliver Hoare, também conheceu intimamente os hábitos de Diana, assim como o jogador de rugby, Will Carling, que se separou da esposa devido à louca paixão, e também o meloso cantor Bryan Adams, que se envolveu com a princesa em 1996. Em 2005, uma amiga de Diana publicou o livro Diana: The Last Word e adicionou mais um tempero à longa lista de amantes reais: o filho do ex-presidente americano John Kennedy, John-John Kennedy. Os dois teriam tido encontros sexuais no Carlyle Hotel, em Nova York, regados a bebida e cocaína, mas o fiel mordomo de Diana, Paul Burrell, saiu em defesa de sua antiga patroa, declarando que a obra não passava de uma obra fantástica.

Diana apaixonada

Mesmo tendo retomado sua vida normal e seu apartamento perto de Kensington, depois da separação, Diana não saiu do foco da mídia. Ela era cercada por paparazzi e jornalistas em todos os lugares, chegando a se irritar com o assédio quando tentou sair de férias com seus filhos. Apesar da enorme lista de amantes que somente crescia na imprensa, ela engatou um romance com aquele que seria o grande amor de sua vida, Hasnat Khan. Nascido de uma tradicional família muçulmana do Paquistão, Khan era muito reservado para conseguir suportar a pressão da notoriedade. Mesmo com a decisão de Diana de se converter à religião dele, Khan terminou o affair em junho de 1997. Em menos de um mês, ela engatou um romance com Dodi Fayed, filho e Mohamed Al-Fayed, empresário egípcio, dono da famosa loja Harrods. Em 31 de agosto de 1997, ela e seu parceiro morreram no túnel Pont de l'Alma em Paris, quando o motorista, embriagado, perdeu a direção do carro e atingiu um dos pilares. O casal não usava cinto de segurança no momento do acidente. Diana tinha 36 anos.

Diana mito

O choque mundial pela morte de Diana só é comparável ao assassinato de Kennedy em novembro e 1963. A princesa de sorriso triste e ações em prol dos mais necessitados havia ido embora. Os ingleses perderam sua famosa fleuma e choraram copiosamente a perda de seu ídolo. A família real enfrentou o inferno ao tentar manter a compostura que lhe era obrigatória e teve que se render aos apelos populares e demonstrar um luto forçado pela figura polêmica que revolucionara seus padrões. Como mediador da crise, o primeiro-ministro Tony Blair viu sua popularidade alcançar um inédito índice de aprovação de 70%. Mais de 1,5 milhão de pessoas acompanharam o desfile fúnebre nas ruas de Londres. Diana faleceu como a mais eminente personalidade de sua época e foi a celebridade mais fotografada do mundo durante sua curta vida. Anos depois de sua morte, médicos passaram a considerar que ela sofria de transtorno de personalidade borderline (limítrofe) que se caracteriza como um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. Ela mesma admitia que sofria de depressão e muitos consideram que a cura para seu estado estaria nas mãos do amor de Charles, mas, em suas palavras, "meu marido me fez sentir inadequada de todas as maneiras possíveis. Toda vez que subo para tentar respirar, ele me puxa para baixo". No final da história, quem ganhou mesmo foi Charles, feliz hoje com Camilla Parker-Bowles. Ou não?

sábado, 6 de junho de 2009

Vinte e cinco filmes para entender a Segunda Guerra

Publicado no Terra em junho de 2009
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Há exatos 65 anos, no dia 6 de junho de 1944, começou a grande ofensiva aliada que daria um fim às pretensões nazistas de dominar toda a Europa. Era o Dia D, ou Operação Overlord, que consistiu em um maciço desembarque de forças inglesas e americanas na costa da França, mais especificamente nas praias da Normandia. A partir daí, mais e mais países foram sendo libertados, culminando com a rendição alemã, em maio de 1945, e a dos japoneses, em 14 de agosto do mesmo ano.

Obviamente o cinema retratou de várias maneiras diferentes o conflito que mudou a face do mundo e deixou o planeta menos ingênuo (nas palavras de John Kenneth Galbraith), seja através de filmes fantasiosos e maniqueístas até chegar a um recente revisionismo histórico. Confira abaixo uma lista de grandes obras clássicas que podem ajudar a entender o que foi a II Grande Guerra:

O Dia D
O Mais Longo dos Dias (1962): um dos maiores épicos já produzidos, estrelado por 52 astros de primeira grandeza encabeçados por John Wayne, mostra o desembarque na Normandia. Ganhou Oscar de Fotografia em Preto e Branco e Efeitos Especiais.

O Resgate do Soldado Ryan (1998): para contar a história de um grupo de soldados que tem como missão salvar um soldado cujos irmãos morreram em combate, Spielberg abriu o filme com a recriação mais real, cruel e sanguinolenta da batalha na praia de Omaha já vista. Nenhum filme de guerra foi o mesmo depois dele.

Grandes batalhas
Uma Ponte Longe Demais (1977): elenco estelar (James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Anthony Hopkins) para contar a história da Operação Market Garden, um dos maiores fiascos aliado da II Guerra, que causou mais baixas que no próprio Dia D.

Os Canhões de Navarone (1961): grupo de soldados da resistência tenta explodir os poderosos canhões nazistas localizados na costa do Mar Egeu. Com Gregory Peck, David Niven e Anthony Quinn.

Patton (1970): cinebiografia, vencedora de sete Oscars, do mais controverso general americano, George S. Patton (magistralmente interpretado por George C. Scott) e sua guerra pessoal de egos contra o alemão Rommel, no Egito, e o inglês Montgomery, na liberação da Itália.

Por dentro de campos de prisioneiros
Fugindo do Inferno (1963): um grupo de prisioneiros ingleses e americanos tenta escapar de um campo alemão à prova de fugas. No elenco, Steve Mcqueen, Charles Bronson, James Coburn e Richard Attenborough.

A Ponte do Rio Kwai (1957): prisioneiros ingleses são obrigados a construir uma ponte para os japoneses e, para provar a superioridade técnica dos britânicos, quase acabam por ajudar o inimigo. Destaque a música-tema, Colonel Bogey March, que ficou famosíssima (lembra dos britânicos assobiando a melodia?), e pelas interpretações de Alec Guiness e William Holden.

O Império do Sol (1987): tocante filme de Spielberg com a história do filho de um funcionário público inglês que é mantido prisioneiro em campo de concentração japonês. Foi o primeiro filme de Christian "Batman" Bale e ainda tem John Malkovich e Miranda Richardson no elenco.

O ataque a Pearl Harbor
Tora!Tora!Tora! (1970): o ataque a Pearl Harbor do ponto de vista japonês e do ponto de vista americano em um filme com direção mista (Kinji Fukasaku e Richard Fleischer), além de grandes atores, como Martin Balsam, Joseph Cotten e E.G. Marshall.

A Um Passo da Eternidade (1953): ganhador de oito Oscars, mostra a vida em um campo militar americano no Havaí antes do ataque japonês. A cena do beijo entre Burt Lancaster e Deborah Kerr à beira-mar ficou famosíssima. Além disso, seria o filme que Frank Sinatra usou de seus contatos na máfia para conseguir um papel e inspirou o Johnny Fontaine de O Poderoso Chefão. Com Ernest Borgnine e Montgomery Cliff.

O absurdo da Guerra
Os 12 Condenados (1967): o diretor Robert Aldrich, conhecido pacifista, mostra a insanidade dos conflitos na história do batalhão formado por 12 sociopatas condenados em uma missão suicida. Elenco para ninguém botar defeito com Lee Marvin, John Cassavetes, Charles Bronson e Telly "Kojak" Savallas.

Inferno no Pacífico (1968): mais uma vez Lee Marvin aparece em um libelo antiguerra. Em uma ilha no Pacífico, um oficial americano e um soldado japonês travam uma batalha pela sobrevivência, um contra o outro, até que descobrem que a única maneira de ficar vivo é se aliarem. O grande ator japonês, Toshiro Mifune, dá um show à parte.

O sofrimento judeu
O Pianista (2002): o diretor Roman Polanski, sobrevivente de um campo de concentração, conta a história do pianista judeu Wladyslaw Szpilman e sua luta para sobreviver nos guetos de Varsóvia. Adrian Brody ganhou o Oscar de melhor ator por sua atuação.

A Lista de Schindler (1993): um dos melhores e mais comoventes filmes de Steven Spielberg na trajetória de Oskar Schindler, empresário que, nas palavras do diretor, fracassou em todos os negócios que teve antes e depois da Guerra. Durante o conflito, porém, foi muito bem-sucedido em salvar centenas de judeus dos campos de concentração.

Enxergando o lado alemão
Cruz de Ferro (1976): Sam Peckinpah inovou mostrando grandes atores americanos e ingleses interpretando alemães nessa trama que envolve o conflito entre um sargento e um capitão obcecado em ganhar uma medalha ¿cruz de ferro¿ durante a invasão da União Soviética. Com James Coburn, James Mason, Maximillian Schell e David Warner.

O Barco - Inferno no Mar (1981): claustrofóbico drama dirigido por Wolfgang Petersen. O filme acontece dentro de um submarino alemão e mostra a tripulação tentando escapar da marinha britânica.

A Queda (2004): os últimos dias de Hitler em seu bunker, do ponto de vista de Traudl Junge, secretária do Führer. Filme tenso, pesado e com a magistral interpretação de Bruno Ganz.

Entendendo o lado japonês
Cartas de Iwo Jiwa (2006): dirigido por Clint Eastwood, faz dobradinha com o filme A Conquista da Honra e mostra o desespero, o fanatismo e a obsessão dos japoneses quando os aliados invadem a ilha de Iwo Jima, importante ponto para o ataque a Tóquio.

Vivendo em tempos de guerra
Adeus Meninos (1987): a infância do diretor Louis Malle na França, em 1944, e o impacto em sua vida quando seu colégio passa a abrigar crianças judias perseguidas pela Gestapo.

Esperança e Glória (1987): a vida em Londres em meio a ataques aéreos alemães, na visão do menino Bill Rohan, no divertido e tocante filme de John Boorman, baseado em sua própria experiência pessoal. A última cena é impagável.

Casablanca (1942): em um dos maiores clássicos do cinema, romance e dramas pessoais se misturam no Rick´s Americain Café, no Marrocos, pertencente ao misterioso e ranzinza Humphrey Bogart. A cena onde os alemães cantando no bar são encobertos pelos franceses e sua Marseillaise (o hino nacional francês) é uma verdadeira batalha campal.

Resistência x Colaboracionismo
Roma, Cidade Aberta (1946): grande expoente do neo-realismo italiano, Roberto Rossellini mostra a resistência italiana contra a presença alemã, inspirado na vida de Dom Luigi Morosini, um pároco que abrigava refugiados políticos.

Lacombe Lucien (1974): o diretor Louis Malle mais uma vez mostra o impacto da guerra na vida cotidiana através de Lucien, jovem e iletrado camponês que depois de ser recusado pela resistência francesa, passa a colaborar com os invasores nazistas.

A vida no pós-guerra
Julgamento em Nuremberg (1961): um dos mais brilhantes filmes sobre os aspectos políticos e sociais da guerra e o início da guerra fria, dirigido soberbamente por Stanley Kramer e com um elenco fenomenal (Burt Lancaster, Montgomery Cliff, Spencer Tracy, Maximillian Schell, Judy Garland, Marlene Dietrich, entre outros) narra o julgamento de juízes nazista condenados por garantir a perseguição indistinta de judeus na Alemanha.

Os Melhores Anos de Nossa Vida (1946): ganhador de sete Oscars, é um dos primeiros filmes a mostrar três ex-combatentes quando de seu retorno aos Estados Unidos e a difícil readaptação à vida civil. O ator Harold Russell, que não tinha as duas mãos na vida real, interpretava um marinheiro que havia sido mutilado em uma batalha.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Livro desvenda porres homéricos da história

Publicado no Terra em abril de 2009
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Tomar um porre é uma daquelas experiências bárbaras em que você fica mais descontraído, corajoso, criativo e atirado. A bebida pode lhe fazer dançar, "chegar junto" da menina mais gata do bar e ainda contar piadas escabrosas sem nenhuma vergonha. Por outro lado, você tende a ficar mais chato, escandaloso, geralmente terminando a noite enchendo o saco de quem está à sua volta, chamando-o de "meu melhor amigo".

O grande problema da bebida é que pouca gente consegue parar quando está chegando no limiar do inapropriado, mesmo porque quase ninguém sabe qual é o seu limite. Já foi provado que bebida não faz esquecer tristezas. Segundo cientistas japoneses, ela só reforça as memórias ruins. Por outro lado, pesquisadores noruegueses provaram que o consumo moderado de álcool, aliado a uma vida ativa e com exercícios físicos, faz você viver mais. Vai entender isso.

O pior, entretanto é o dia seguinte. Além da dor de cabeça, da língua peluda, e da incapacidade de se distinguir o que é direito e o que é esquerdo, o pobre bebum tem que ter enorme criatividade para justificar os vexames que deu na noite anterior. E existem inúmeras receitas para se evitar a ressaca, mas a verdade é que nenhuma vai funcionar se você "dobrou o cabo da boa esperança". O que vai curá-lo mesmo são o tempo e a ingestão de muito líquido (não alcoólico, diga-se de passagem).

Também é lenda que cada bebida dá uma ressaca diferente. Na realidade, os destilados são mais fortes que os fermentados e poderão causar mais estragos depois, mas tudo depende também do organismo de cada um. Em um divertidíssimo texto que circula na internet, atribuído ao cronista Luis Fernando Veríssimo, é mostrado o efeito de cada tipo de bebida no dia seguinte, com destaque ao licor de fios de ovos, cuja ressaca, segundo o autor, é o único caso de eutanásia permitido no Brasil.

E já que a bebida divide opiniões, mas é respeitada e celebrada por todos, o poeta e escritor Ulisses Tavares lança nesta próxima quarta-feira, na Livraria da vila, em São Paulo o livro HIC!STÓRIAS - Os maiores porres da história da humanidade. Em suas 271 páginas, Tavares mostra vários personagens históricos famosos por seu gosto por álcool e isso vai de textos bíblicos ao piloto Kimi Raikkonen, passando por Marco Antônio e Cleópatra, Walt Disney, Bukowski, Janis Joplin, Jim Morrison e muito mais. Para antecipar algumas histórias, o Terra conversou com o autor:

Terra - Por que escrever um livro sobre grandes bêbados?
Ulisses Tavares - A idéia surgiu há mais de dois anos quando estava assistindo aulas de história na PUC como ouvinte e a professora, ao contar a história de Cleópatra, colocou a embriaguez do romano Marco Antônio como um pequeno detalhe, enquanto na verdade ele pôs tudo a perder, inclusive a vida dele e da imperatriz, porque estava bêbado. Isso me inspirou para pesquisar e mostrar quantas pessoas na história antiga e contemporânea, mudaram toda sua vida porque estavam duas doses acima do normal.

Terra - E como escolher quem figura ou não em um livro desses?
Ulisses - Levei dois anos e meio pesquisando, com duas assistentes. O material que possuo é um absurdo, totalizando três estantes inteiras de dois metros de altura, fora as pesquisas na Biblioteca de Washington, internet e trocas de informação com outros historiadores. Na verdade, o resultado final ficou uma trilogia e não somente um livro. Tive que fazer uma seleção detalhada e também me atentar para o fato de que no Brasil, biografias são, absurdamente, passíveis de processos na justiça. E aí muita coisa teve que ficar de fora, especialmente brasileiros e estou aguardando a aprovação da nova Lei de Biografias para dar continuidade à coleção.

Terra - De todos os citados no livro, quem admira mais?
Ulisses - Seguramente Georges Simenon, o criador do Inspetor Maigret. Em mais de 50 anos de carreira, ele escreveu mais de 100 livros e transou com mais de 1000 mulheres. Sua rotina era simples: acordar, beber, escrever muito e ir para o bordel. É uma ótima vida!

Terra - A bebida lhe inspira a escrever?
Ulisses - Infelizmente não. Não consigo escrever se bebo e até já testei, mas não saiu nenhuma linha. Na verdade, invejo Hemingway, Bukowski e muitos outros por terem feito isso.

Terra - De todas as bebidas que existem, qual é aquela que traz a pior ressaca?
Ulisses - Pelas minhas pesquisas é o absinto, que é alucinógeno e sim pode causar loucura em quem toma, tanto que é proibidíssimo em vários países no mundo e somente a versão com uma redução drástica no teor alcoólico tem a venda permitida.

Terra - E o que podemos esperar do seu próximo livro?
Ulisses - Acabei agora de escrever um livro chamado Malucos por Deus, contando, desde a antiguidade a história de místicos que de repente enlouquecem e passam a se considerar emissários de Deus, Jesus Cristo ou coisa do gênero e promovem verdadeiros massacres em nome de sua fé distorcida.

Serviço: Hic!stórias - Os maiores porres da história da humanidade, de Ulisses Tavares, 272 páginas, Panda Books, R$35,90. Mais informações em http://ulissestavares.com.br/

quarta-feira, 1 de abril de 2009

História do mundo é repleta de mentirosos bem-sucedidos

Publicado no Terra em 01 de abril de 2009
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O primeiro de abril é uma data que no mundo todo é celebrada com muita criatividade e, aqui no Brasil, com piadinhas idiotas. A origem da comemoração é obscura. Uns dizem que foi por causa da mudança do calendário mundial, do juliano para o gregoriano, quando 1º de janeiro passou a ser o início do ano. Como a comunicação na época era precária, algumas pessoas celebravam o Réveillon entre 25 de março e primeiro de abril.

Tudo isso pode ser mentira, porque há quem acredite que o significado da data vem do tempo de Noé, que teria mandado um corvo, bem antes do tempo correto, para ver se as águas do dilúvio que atingiu a Terra já haviam baixado. O corvo não voltou e a data marcou o primeiro dia do calendário hebreu, em abril.

Seja qual for a origem de 1º de abril, é tradição no meio jornalístico e publicitário se criar factóides para sair nesta data, como por exemplo uma emissora holandesa noticiar a queda da Torre de Pisa nos anos 50 ou a rede Burguer King ter divulgado a invenção de um sanduíche especial para canhotos em uma propaganda nos anos 90.

Quando as mentiras são criadas para divertir, ótimo, mas a história do mundo é feita de governantes contando lorotas para o povão engolir e assinar embaixo de seus desmandos. Também registra pessoas que foram espertas o bastante para lucrar financeiramente com suas falácias (aquelas mentirinhas bem-educadas, segundo definiu o escritor e jornalista Luis Fernando Veríssimo). Confira, abaixo, alguns dos mentirosos e mentiras clássicas:

O morto que ganhou a batalha
Na Segunda Guerra Mundial, os aliados já estavam limpando o norte da África e a invasão da Europa estava eminente. Para conseguir subir a Itália, o melhor caminho seria através da Sicília, mas ela estava repleta de tropas alemãs. Foi aí que dois membros da inteligência britânica, Owen Montagu e Sir Archibald Cholmondley vieram com uma idéia genial.

Pegaram um cadáver, morto por pneumonia, vestiram-no de mensageiro, algemaram uma pasta com informações secretas falando de uma invasão pela Grécia, e deram-no o nome mais comum entre os oficiais britânicos: William Martin. Daí foi só jogar o defunto na costa da Espanha, divulgar o nome do cara como desaparecido e pronto. Os homens do ditador Franco entregaram o defunto para os alemães, que copiaram tudo que havia na pasta. Então, devolveram aos espanhóis, que por sua vez retornaram aos ingleses. E lá se foram todos os nazistas para a Grécia deixando a Sicília desprotegida. O resto é história.

A ameaça judaica
Além de apanharem como uns desgraçados na história do mundo, os judeus já foram envolvidos em tramas macabras. Lendas na Idade Média acusavam judeus de se banharem em sangue de crianças cristãs e isso era o bastante para perseguições sem fim. Recentemente, veio a história do Protocolo dos Sábios do Sião, um documento que contaria a idéia judaica de dominar o mundo, mas que na realidade teria sido escrito por políticos russos para influenciar o czar Nicolau II.

Obviamente, Hitler usou isso em sua intensa campanha nazista, fazendo com que o povo alemão odiasse os judeus, mesmo se conhecesse o cara desde criança. Ainda dentro do tema, a França do final do século 19, condenou à prisão um oficial do exército, Alfred Dreyfus, acusado de traição e espionagem. No final, comprovou-se que todas as justificativas do exército e do governo eram só causadas por anti-semitismo mesmo e entrou nos anais da justiça mundial como uma das mais graves mentiras já contadas e mudou a face da política francesa para sempre.

A grande mentira científica
Esqueça aquela velha história da grande revista brasileira que caiu em uma piada de primeiro de abril e publicou que haviam desenvolvido o "boimate", uma mistura genética de boi com tomate que permitiriam hambúrgueres já com ketchup. A maior falácia do mundo da ciência foi mesmo o "Homem de Piltdown". Em 1910, o arqueologista Charles Dawson descobriu os ossos do que seria chamado de elo perdido na evolução humana e o levou ao famoso paleontologista Arthur Smith Woodward que comprovou sua autenticidade.

Foi um auê na comunidade, mas em 1950 estudos mostraram que tratava-se de uma farsa, com uma mandíbula de orangotango presa a um crânio de apenas 600 anos. Hoje todos acham que a culpa da confusão toda foi de Martin A. C. Hinton, um voluntário no museu de Woodward, que misturou as peças para embaraçar seu chefe, que se recusava a lhe dar um salário.

Os dois homens que enganaram os nazistas
Existem duas figurinhas que estão no rodapé dos livros de história, mas cujas histórias são cinematográficas. Franz Tausend era um alemão fascinado por falsificação de dinheiro desde criança e que começou a enganar empresários alemães com sua descoberta de transformar qualquer metal em ouro. Obviamente que a maravilhosa experiência chegou aos ouvidos de Adolf Hitler, ainda um jovem político, que passou a investir no "cientista". Em 1929, a farsa foi descoberta e Hitler teve que esperar chegar ao poder para vingar-se. Nos relatos oficiais, Tausend morreu na prisão em 1939.

Já Han Van Meegeren foi um holandês que fez o grande militar alemão Hermann Goering de idiota e quase foi executado por isso. Quando a guerra acabou encontraram inúmeras obras de arte na casa de campo do alemão, entre elas do artista holandês Vermeer. O governo dos Países Baixos achou as notas de venda e prendeu Meegeren como traidor da nação, crime passível por morte. Só que Han vendeu falsificações feitas por ele mesmo e provou isso pintando um quadro no tribunal, em frente a juízes e advogados. Ele foi condenado a apenas um ano de prisão por falsificação, tornou-se herói nacional, mas faleceu de enfarte apenas 60 dias depois de chegar à prisão.

Políticos & mentiras
Parece que as duas coisas andam lado-a-lado, mesmo porque ninguém acredita em promessas de campanhas, por mais que elas estejam registradas em cartório e tudo mais. Entre tantas historinhas inventadas no governo militar para justificar suas matanças, uma ainda é uma grande mácula: o caso Riocentro. No dia primeiro de maior de 1981, em um show em homenagem ao Dia do Trabalhador no Rio de Janeiro, um carro Puma com dois oficiais do exército explodiu no estacionamento do Pavilhão Riocentro, na cidade maravilhosa, matando seus dois ocupantes militares.

Apesar de ter sido provado, até por confissões, que as bombas eram carregadas pelos dois ocupantes para causar tumulto e morte no show, o governo de João Figueiredo livrou a cara da linha-dura do exército, emitindo um parecer oficial que os dois foram vítimas de um atentado da esquerda. A vergonha foi tão grande, que o grande mago dos governos militares, Golbery de Couto e Silva pediu demissão e se afastou de vez da política. Recentemente tivemos o nosso presidente negando saber do mensalão, apesar de todos seus principais assessores e braços-direito (e esquerdos também) estarem envolvidos.

O governo americano da segunda metade do século XX e o do começo deste século, também colaboraram e muito para aumentar a fama dos políticos. Nixon aprontou pacas na presidência, e negou o caso Watergate veementemente. Clinton traçou uma estagiária feinha e gordinha e disse que não. E finalmente George W. Bush achou armas de destruição em massa no Iraque, só que foi só ele.

Enquanto isso nos livros de história do Brasil...
A história é contada pelos vencedores, certo, por isso nunca vamos saber o que rolou mesmo. Só que é difícil engolir que Cabral descobriu o Brasil por acaso quando os portugueses já sabiam que havia terra aqui antes do Tratado de Tordesilhas. Dom Pedro I declarou a independência porque amava o Brasil varonil, certo? Na realidade ele simplesmente manteve os negócios na família, a conselho do pai, já que todos aqui queriam se livrar dos portugueses e era melhor um cara da turma que um independente.

Além do retrato da independência ser uma obra ficcional (Pedro estava com diarréia e montava um jegue no Ipiranga), nós da filial, ainda pagamos indenização à matriz pelo ato. Já o Duque de Caxias foi sim um militar brilhante, mas extremamente cruel. Reza a lenda, que na Guerra do Paraguai, não hesitava em massacrar cidades inteiras e até fama de guerra bacteriológica levou, uma vez que mandava jogar corpos de pessoas infeccionadas por cólera nos rios que abasteciam vilas inimigas.

Tiradentes, no final das contas, foi um coitado que usaram de bode expiatório na Inconfidência para não matar os ricos e poderosos envolvidos. Morreu por acaso e virou símbolo. E finalmente, Deodoro da Fonseca, o patriarca da república, era na realidade amigo íntimo e pessoal de Pedro II, este sim, um grande republicano. Em tempo, Lampião era cruel e psicótico e Getúlio já foi chamado de racista em revisões históricas. Só que quando a lenda é maior que a realidade, preserva-se a lenda.

E mais algumas rapidinhas que viraram filmes
- Ana Anderson ou Franziska Schanzkowska se passou pela Princesa Anastácia da Rússia, filha do Czar Nicolau, executado pelas forças comunistas e enganou meia Paris nos anos 1920.

- Ma Barker ficou famosa em livros, filmes e até música da época das discotecas (do grupo Boney M), como a líder de uma gangue formada por seus filhos. Ela não era. Na realidade foi uma mentira inventada pelo chefe do FBI, J. Edgar Hoover, para justificar a morte acidental da anciã, fuzilada pelas forças policiais.

- Conde Victor Lustig é considerado um dos maiores trapaceiros de todos os tempos porque não só vendeu a Torre Eifell várias vezes como também enganou o famoso gangster Al Capone (e saiu vivo para contar a história).

quinta-feira, 19 de março de 2009

15 fatos interessantes na história do chocolate

Publicado no Terra em março de 2009
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1. O chocolate surgiu primeiramente como bebida, feita a partir do cacau, na América Central e no México. Vestígios de plantações datadas de 1.100 a 1.400 anos a.C. foram encontradas nas Honduras em 2007.

2. Embora a teoria seja questionada por alguns historiadores, comumente é dito que o nome vem dos astecas, que faziam uma bebida escura chamada xocoatl (água amarga, literalmente), que usavam em cerimoniais e no dia-a-dia, já que combatia o cansaço. Já na época era misturada com baunilha e pimenta.

3. Colombo foi o primeiro europeu a experimentar o chocolate em 1502, mas foram os conquistadores espanhóis que levaram mudas de cacau para a Europa e as presentearam aos reis.

4. O cacau era cultivado em fazendas por escravos e a fabricação de chocolate na Europa era restrita aos monges monastérios, para uso exclusivo da nobreza espanhola. Os religiosos, porém, não conseguiram esconder a novidade por muito tempo.

5. O chocolate chegou à Inglaterra em meados do século XVII e a primeira casa fabricante da iguaria instalou-se lá em 1657. Enquanto na França o governo monopolizava a fabricação do doce, na Grã-Bretanha qualquer um que tivesse dinheiro conseguia comprar o seu.

6. Em 1689, o médico Hans Sloane criou uma bebida com leite e chocolate na Jamaica que vendeu posteriormente para os irmãos Cadbury, famosos produtores e hoje marca mundial.

7. A revolução industrial trouxe a possibilidade das prensas de manteiga de cacau e da produção em massa. Assim o chocolate se popularizou no mundo.

8. No final do século XVIII, foi produzido o primeiro chocolate sólido (ainda não comestível e sim para bebida) em Turim, Itália por Doret e foi comercializado a partir de 1826 por Pierre Paul Caffarel.

9. A primeira fábrica suíça de chocolate foi levantada em 1819 por F. L. Cailler, já em 1828 o holandês Coenraad Johannes van Houten desenvolveu o processo de separar a gordura das sementes de cacau e fazer cacau em pó e manteiga de cacau. Foi ele também que descobriu que ao tratar as sementes com carbonato de sódio ou potássio, era possível retirar seu sabor amargo.

10. Em 1847 Joseph Fry criou o primeiro chocolate comestível, seguido em 1849 pelos irmãos Cadbury.

11. Foi o suíço Daniel Peter que em 1867 começou a usar leite como um dos ingredientes para a fabricação do chocolate. Assistido por seu vizinho e amigo Henri Nestlé, foram capazes de remover a água do leite dando mais consistência e em 1875 levaram o novo produto ao mercado.

12. Já Rodolphe Lindt inventou em 1879 o processo de aquecer e moer o chocolate sólido para depois misturar igualitariamente com a manteiga de cacau e o leite, dando seu sabor característico e mais qualidade ao produto.

13. No Brasil, a primeira empresa de chocolate foi aberta em 1891, em Porto Alegre, pelos irmãos alemães Franz e Max Neugebauer e seu sócio Fritz Gerhardt.

14. Em 1913, outro suíço, Jules Sechaud, desenvolveu o processo de chocolates com diferentes recheios.

15. A Nestlé pôs no mercado em 1938 o Crunch, primeiro chocolate a trazer flocos de arroz em sua composição, provocando uma nova experiência sensorial ao degustar o doce.

domingo, 8 de março de 2009

Lista traz 50 mulheres que merecem um dia especial

Publicado no Terra em março de 2009
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Para aqueles que acham que as mulheres não merecem ser louvadas em um dia especial, deveriam saber que as moças já apanharam muito na história do mundo e tiveram seu papel relegado ao segundo plano. Mesmo nas crenças religiosas, as mulheres são associadas ao mal: Eva, responsável pela nossa expulsão do Paraíso; Maria Madalena, colocada como prostituta no Novo Testamento; e Salomé, sedutora que pediu a cabeça de João, o batista, estão aí para mostrar uma terrível imagem feminina aos crentes.

Já na mídia podemos exemplificar com a revista Life, que em 1997 por exemplo, lançou uma belíssima edição sobre os maiores acontecimentos do milênio. Dos 100 grandes nomes relacionados aos avanços nessa trajetória, só 9 eram de mulheres. Por isso, para fazer real justiça ao público feminino, listamos, abaixo, 50 grandes mulheres que mudaram a vida dos homens, rivalizando-os com seu poder, inteligência e força interna. Graças a elas e tantas outras, nossa existência ficou mais rica e, seguramente, mais interessante.

Obviamente que toda lista é polêmica e sabemos que essas 50 mulheres estão entre milhares de outras, mas que elas sirvam, hoje e em todos os dias do ano, como inspiração.

1.Helena de Tróia (Grécia - lendária)
Figura mitológica de beleza e graça incontestável, teria sido o motivo pelo qual os gregos batalharam os troianos na famosa guerra, ganha especialmente por um cavalo de madeira.

2.Nefertiti (Egito - 1380 AC a 1345 AC)
Rainha egípcia, junto com seu marido, o faraó Akhenaton, alterou as crenças religiosas de seu povo para o monoteísmo e levou-os a louvar o sol ao invés da lua.

3.Phryne (Grécia - cerca de 400 AC)
Famosa cortesã grega em cerca de 400 AC, tinha uma beleza considerada divina, a ponto de livrá-la da morte por heresia em um tribunal.

4.Cleópatra (Egito - 70 AC a 30 AC)
Um dos nomes femininos mais conhecidos de todos os tempos, governou o Egito e levou os romanos Julio César e Marco Antônio à loucura e a uma rivalidade sem tamanho.

5.Boadicéia (Inglaterra - cerca de 66 AC)
Rainha celta que liderou tribos em um levante contra as forças romanas que ocupavam a Grã-Bretanha. Era "alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa", segundo o historiador clássico Dião Cássio.

6.Hipácia de Alexandria (Grécia - de 370 a 415)
Matemática e filósofa, adepta às filosofias de Platão, foi perseguida pelos reis cristãos por proclamar que o universo é regido por normas matemáticas.

7.Khadijah bint Khuwaylid (Oriente Médio - de 555 a 619)
Esposa do profeta Maomé, foi também a primeira pessoa a se converter ao islamismo. Apesar das leis vigentes na época permitirem o poligamismo, Maomé manteve-a como sua única esposa por 24 anos.

8.Leonor da Aquitânia (Inglaterra - de 1112 a 1204)
Rainha consorte da França e Inglaterra, seu instinto político e sagacidade a tornaram uma das mulheres mais influentes e poderosas da Idade Média.

9.Catarina de Siena (Itália - de 1347 a 1380)
A Santa Catarina, apesar de analfabeta, ditou várias cartas e obras, em especial Diálogo sobre a Divina Providência, considerado pelos eclesiásticos como um dos maiores testemunhos do misticismo cristão e das idéias teológicas e espirituais.

10.Joana D´Arc (França - de 1412 a 1431)
Santa padroeira da França, inspirada, segundo a lenda, por forças espirituais, foi a grande heroína da Guerra dos 100 anos e acabou queimada viva com apenas 19 anos de idade.

11.Catarina de Médici (França - de 1519 a 1589)
Força política por trás dos 30 anos de guerra entre a Igreja Católica Romana e os Huguenotes franceses, foi a instigadora do Massacre de São Bartolomeu e grande patrona das artes na França.

12.Elisabeth I (Inglaterra - de 1533 a 1603)
A precursora do grande Império Britânico, patrocinadora das artes e da cultura (ela que descobriu William Shakespeare), é ainda figura controversa entre os historiadores, que se dividem ao considerá-la uma grande governante e um mulher que fazia tudo pela metade.

13.Ana Pimentel (Portugal/Brasil por volta de 1534)
Esposa de Martim Afonso de Souza, governou a capitania de São Vicente sem nunca ter posto os pés no Brasil, e foi quem ordenou o cultivo de cana de açúcar, laranja, arroz, trigo e criação de gado na região.

14.Dandara (Brasil - de 1664 a 1694)
Esposa do Zumbi dos Palmares, foi uma guerreira feroz e brava defensora do quilombo. Suicidou-se para não voltar à condição de escrava.

15.Anne Bonny (Inglaterra - de 1700 a 1782)
Pirata irlandesa, ficou conhecida por se destacar em uma ocupação essencialmente masculina, pilhando navios no Caribe junto com seu marido. Apesar de nunca ter comandando um navio, era conhecida por ser bonita, inteligente e muito estourada.

16.Émilie du Châtelet (França - de 1706 a 1749)
Cientista, matemática e física, escreveu Dissertation sur la nature et la propagation du feu, com estudos sobre o fogo que serviram de base para o que hoje é conhecida como luz infravermelha e a natureza da luz.

17.Catarina, A Grande (Rússia - de 1729 a 1786)
Imperatriz da Rússia, modernizou seu país, reformando todos os aspectos políticos e sociais e se tornando um dos maiores nomes do despotismo esclarecido.

18.Chica da Silva (Brasil - de 1740 a 1796)
A escrava que se fez rainha, foi a primeira negra a alcançar prestígio e riqueza no Brasil após união consensual com o explorador de diamantes João Fernandes. Muitas de suas histórias entraram para o imaginário popular.

19.Mary Wollstonecraft (Inglaterra - de 1759 a 1797)
Escritora britânica. Sua obra, Uma Defesa dos Direitos da Mulher, de 1790, é considerada a pedra fundamental do movimento feminista. Mary afirmava que o casamento era uma prostituição legalizada e que as esposas eram escravos convenientes.

20.Sacajawea (EUA - de 1786 a 1812)
Índia norte-americana que auxiliou os ingleses Lewis e Clark a chegarem ao Oceano Pacífico em 1804. Tornou-se na América do Norte um símbolo da mulher independente, esforçada e com valor indiscutível.

21.Maria Quitéria (Brasil - de 1792 a 1853)
Militar brasileira, disfarçou-se de homem para lutar na guerra da independência brasileira. Feita alferes por D. Pedro I, é considerada a Joana D´Arc do Brasil.

22.Marquesa de Santos (Brasil - de 1797 a 1867)
Famosa por ter seduzido e se tornado amante de D. Pedro I, a marquesa foi, no fim de sua vida, uma humanitária, ajudando mendigos, famintos e doentes e patrocinando estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo.

23.Ana Néri (Brasil - de 1814 a 1880)
Pioneira da enfermagem no Brasil, acompanhou seus filhos, soldados, na Guerra do Paraguai, prestando serviços médicos. Foi condecorada com as medalhas de prata humanitária e da campanha e recebeu do imperador Pedro II uma pensão vitalícia.

24.Rainha Vitória (Inglaterra - de 1819 a 1901)
Grande condutora do Império Britânico no século 19, seu governo foi marcado pela revolução industrial, expansão colonial e mudanças drásticas na política, economia e cultura inglesa.

25.Florence Nightingale (Inglaterra - de 1820 a 1910)
Enfermeira britânica, famosa pelo seu pioneirismo em tratar feridos de guerra e inventora da representação gráfica de dados, conhecida como gráfico pizza. Deu as bases para a enfermagem atual.

26.Susan B. Anthony (EUA - de 1820 a 1906)
Pioneira no movimento feminista americano e europeu já no século 19. Fundou a associação sufragista americana e foi a primeira mulher a ter seu rosto estampado em uma moeda de circulação nacional nos EUA.

27.Anita Garibaldi (Brasil - de 1821 a 1849)
Companheira de Giuseppe Garibaldi, é conhecida como a "Heroína dos Dois Mundos" por ter participado da Revolução Farroupilha no Brasil e da unificação da Itália.

28.Clara Barton (EUA - de 1821 a 1912)
Fundadora da Cruz Vermelha Americana na época da Guerra Civil e presidente da organização por 22 anos, é referência como humanitária e universalista.

29.Princesa Isabel (Brasil - de 1846 a 1921)
Princesa imperial do Brasil e primeira senadora da nação, aboliu a escravatura e defendia o voto feminino e a reforma agrária. Era partidária de idéias modernas, e sua postura era considerada avançada para a época.

30.Chiquinha Gonzaga (Brasil - de 1847 a 1935)
Autora da primeira marcha carnavalesca, Ô Abre Alas, em 1899, primeira pianista de chorinho e primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, além de ter sido ativista do abolicionismo e do movimento republicano.

31.Madame Curie (França - de 1867 a 1934)
Junto com seu marido Pierre, foi Prêmio Nobel de Física de 1903 pelas suas pesquisas em radioatividade e Nobel em Química em 1911 pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio.

32.Helen Keller (EUA- de 1880 a 1968)
Cega e surda, foi a primeira pessoa nessas condições a ganhar um diploma, graças especialmente ao trabalho de sua professora Anne Sullivan em torná-la apta para a sociedade, apesar de seus deficiências. Tornou-se escritora e ativista social.

33.Eleanor Roosevelt (EUA - de 1884 a 1962)
A grande primeira dama americana, referência até hoje em seu país, foi ativista dos direitos humanos, e embaixadora na ONU, nomeada pelo presidente Harry Truman, após a morte de seu marido, Franklin Delano Roosevelt.

34.Tarsila de Amaral (Brasil - 1886 a 1973)
Uma das maiores pintoras brasileiras, seu quadro Abaporu de 1928 inaugura o movimento antropofágico e foi a obra brasileira a alcançar o maior valor em um leilão internacional: 1,5 milhão de dólares.

35.Mary Phelps Jacob (EUA - de 1891 a 1970)
Poeta, editora, pacifista e socialite novaiorquina, foi a inventora do sutiã, que livrou as mulheres da prisão do espartilho.

36.Bertha Lutz (Brasil - de 1894 a 1976)
Pioneira do feminismo no Brasil, foi fundadora da Federação Brasileira para o Progresso Feminino e deputada federal no governo Getúlio Vargas.

37.Golda Meir (Israel - de 1898 a 1978)
Uma das fundadoras do Estado de Israel e quarto primeiro-ministro do país, considerada firme em suas decisões, ganhou o apelido de "Dama de Ferro" (que depois foi passado a Margaret Thatcher).

38.Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (Brasil - 1908)
Única brasileira homenageada no Museu do Holocausto, segunda esposa de Guimarães Rosa, salvou mais de 100 judeus na segunda guerra emitindo passaportes para entrada ilegal dos refugiados no Brasil. Ainda vive.

39.Simone de Beauvoir (França - de 1908 a 1986)
Escritora, filósofa existencialista e feminista francesa, uma de suas obras, O Segundo Sexo, traçou um perfil analítico sobre o papel das mulheres na sociedade moderna. Foi a companheira do também filósofo Jean Paul Sartre.

40.Madre Teresa de Calcutá (Índia - de 1910 a 1997)
Missionária católica albanesa, considerada a maior do século 20, dedicou sua vida aos desprotegidos e pobres da Índia, por meio da sua congregação "Missionárias da Caridade".

41.Patrícia "Pagu" Galvão (Brasil - de 1910 a 1962)
Escritora, jornalista e militante comunista brasileira, foi um dos grandes destaques no movimento modernista iniciado em 1922. Escreveu Parque Industrial, A Famosa Revista e Safra Macabra.

42.Rachel de Queiroz (Brasil - de 1910 a 2003)
Jornalista, tradutora e romancista, foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Ganhou em 1993 o considerado Nobel da literatura portuguesa, o Prêmio Camões e é considerada a maior escritora brasileira.

43.Rosa Parks (EUA - de 1913 a 2005)
Costureira americana, tornou-se símbolo do movimento civil pelos direitos dos negros ao recusar ceder seu lugar a um branco em um ônibus em 1955. Sua luta solitária acabou chegando aos ouvidos de Martin Luther King, que incitou os negros a recusar o transporte público branco.

44.Irmã Dulce (Brasil - de 1914 a 1992)
Religiosa brasileira, destacou-se por seu trabalho de assistência aos pobres e aos necessitados e por suas inúmeras obras de caridade no nordeste, em especial na Bahia.

45.Eva Perón (Argentina- de 1919 a 1952)
Segunda esposa de Juan Perón, foi a maior primeira-dama argentina, defensora dos direitos femininos e considerada líder espiritual da nação até hoje.

46.Margaret Thatcher (Inglaterra - 1925)
Política britânica e primeira-ministra por 11 anos, ficou conhecida como "Dama de Ferro" devido à linha dura de seu governo. Batalhou greves, enfrentou a Argentina na Guerra das Malvinas e foi uma incansável inimiga da União Soviética e do comunismo.

47.Ruth Cardoso (Brasil - de 1930 a 2008)
Antropóloga, professora da USP e, apesar de não apreciar o título, primeira-dama brasileira no governo Fernando Henrique Cardoso, criou o programa Comunidade Solidária de combate à exclusão social e à pobreza, destacando-se por sua idoneidade e princípios éticos.

48.Shere Hite (EUA - 1942)
Sexóloga e feminista americana, chocou o mundo com seu Relatório Hite, focando principalmente na sexualidade feminina e em como a cultura individual afetava a vida sexual.

49.Leila Diniz (Brasil - de 1945 a 1972)
Atriz à frente de seu tempo, escandalizou o governo militar e a sociedade brasileira no fim dos anos 60 e começo dos anos 70 por aparecer grávida na praia e admitir em entrevistas que "transava de manhã, de tarde e à noite". Odiada na época tanto pela direita quanto pela esquerda, tornou-se um símbolo da mulher brasileira emancipada e independente.

50.Maria da Penha (Brasil)
Vítima de atentados praticados por seu ex-marido, sua luta e história inspiraram a lei de proteção das mulheres em casos de violência doméstica. Hoje é coordenadora da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dez coisas para se aprender com Abraham Lincoln

Publicado no Terra em fevereiro de 2009
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Hoje se comemora 200 anos do nascimento de Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos e um verdadeiro ídolo entre os americanos. Figura política controversa, odiado por muitos em seu tempo, está até hoje relacionado com os mais profundos e sinceros ideais democráticos e de respeito ao ser humano.

Nascido pobre, ele estudou apenas 18 meses na escola, mas era um leitor fanático e um autodidata, a ponto de se tornar um advogado de sucesso. Além disso, Lincoln era um exímio boxeador e nunca pescava ou caçava, porque não se sentia bem matando animais.

Foi vereador, deputado e sempre defendeu a abolição da escravatura, apesar de ser considerado por seus colegas um moderado no assunto. Ao chegar à presidência em 1860, com apoio maciço do norte industrializado e sem qualquer voto nos estados agrícolas do sul que dependiam da mão-de-obra escrava, Lincoln enfrentou a tentativa de separação dessas regiões, conhecida hoje por Guerra da Secessão. Cercado de brilhantes generais e com apoio político na capital do país, conseguiu não só ganhar a guerra, como também libertar os escravos.

Apesar de reeleito, toda sua luta pelo que considerava correto levou-o a ser assassinado em 1865 por John Wilkes Booth, um ator famoso na época e defensor da causa sulista. Ele foi o primeiro presidente a ser morto nos EUA, e o crime aconteceu apenas 13 dias depois do fim da guerra que dividiu o país.

Com a eleição do primeiro negro à presidência dos EUA, Barack Obama, o pensamento de Abraham Lincoln está mais atual do que nunca. Os dez ensinamentos que listamos abaixo, entre muitos outros de igual valor, saíram da boca do próprio Abe e dispensam qualquer comentário. Deveriam sim, ser seguidos por qualquer um, especialmente os cidadãos e a classe política brasileira. Assim, provavelmente, o mundo seria bem mais justo.

1 - "Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento."

2 - "Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder."

3 - "Quase sempre, a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz."

4 - "Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar."

5 - "Não estarei destruindo meus inimigos quando os transformo em amigos?"

6 - "É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é tolo, do que falar e acabar com a dúvida."

7 - "Se eu tivesse oito horas para derrubar uma árvore, passaria seis afiando meu machado."

8 - "Eu não sei quem foi meu avô; importa-me bem mais saber quem será o meu neto."

9 - "O campo da derrota não está povoado de fracassos, mas de homens que tombaram antes de vencer."

10 - "Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios."

Lampião e o faroeste brasileiro

Publicado no site Overmundo em julho de 2008
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Não vi no UOL, nem no Terra, nem na Época, mas hoje é o aniversário de 70 anos da morte de Virgulino Ferreira, o Lampião. Figura controversa e mítica, Lampião mistura todas as qualidades e defeitos do bandido heróico, do considerado Robin Hood brasileiro pela revista Time de 1931, com uma pitada de lenda de faroeste americano. Muitos o acham um herói, outros um socialista, mas parece que a realidade não é bem assim. Lampião era bandido mesmo. Ganhava dinheiro, armas e abrigo dos "coronéis", justamente para realizar serviços contra os inimigos políticos destes. E, nessas andanças, massacrava o povão. Matava e saqueava a plebe que passou a lhe louvar.

Apesar de oficialmente afirmar que entrou para o cangaço para vingar a morte do pai, Lampião e seus irmãos já praticavam pequenos crimes antes do ocorrido. Integrou o bando de Sebastião Pereira (o Sinhô) e em pouco tempo já liderava a gangue.

Lampião era vaidoso e orgulhoso do que fazia. Usava perfume francês, tinha cartão de visita (com sua foto, inclusive) e em uma entrevista dada em Juazeiro do Norte mostrou sua verve mais, digamos, hipócrita:

- Não pretende abandonar a profissão?
(A esta pergunta Lampião respondeu com outra)
- Se o senhor estiver em um negócio, e for se dando bem com ele, pensará porventura em abandoná-lo? Pois é exatamente o meu caso. Porque vou me dando bem com este "negócio", ainda não pensei em abandoná-lo.

- Em todo o caso, espera passar a vida toda neste "negócio"?
- Não sei... talvez... preciso porém "trabalhar" ainda uns três anos. Tenho alguns "amigos" que quero visitá-los, o que ainda não fiz, esperando uma oportunidade.

- Não se comove a extorquir dinheiro e a "variar" propriedades alheias?
- Oh! mas eu nunca fiz isto. Quando preciso de algum dinheiro, mando pedir "amigavelmente" a alguns camaradas.
(Fonte: site de Vera Fereira, neta de Lampião: http://iaracaju.infonet.com.br/LAMPIAO/index.htm)

Segundo site Brasil, Mitos e Lendas de Rosane Volpato (http://www.rosanevolpatto.trd.br/LENDALAMPIAO.html), o líder e seu bando vagaram por 7 estados nordestinos. Lampião era cruel o bastante para, pessoalmente, arrancar olhos ou cortar línguas e orelhas. E mais, se encontrasse moçoilas com cabelos ou vestidos muito curtos, mandava que lhe marcassem o rosto a ferro quente. Em Bonito de Santa Fé, em 1923, ele deu início ao estupro coletivo da mulher do delegado. Vinte e cinco homens participaram da violação.

O Nordeste brasileiro daquela época não era muito diferente do que é hoje, com famílias mandando em regiões inteiras, guerras territoriais, assassinos de aluguel sendo contratados, desprezo do governo federal (Getúlio só se mexeu para acabar com o cangaço depois de MUITA pressão dos políticos nordestinos) e o povo, além de viver em uma carestia tremenda, era o recheio de um sanduíche indigesto: de um lado os apertavam a polícia (os volantes) e do outro os bandidos do cangaço. Se não apanhavam de um, eram espancados pelo outro.

Não quero entrar em julgamento de valor. Acho que a figura de Lampião é importantíssima para nossa história. Ele é uma espécie de Jesse James ou Billy the Kid, versão tupiniquim. Isso porque os outros dois também eram assassinos cruéis, procurados e também considerados anti-establishment. Billy the Kid, nas palavras de seu amigo e assassino, Pat Garret, era um rapaz que "comia e sorria, transava e sorria, matava e sorria". E, mesmo assim, é louvado até hoje. É preciso porém que seja feita uma análise menos romanceada do importante nordestino. O fato de estar aliado aos coronéis já depõe contra ele. O próprio Padim Cícero era, e isso é sabido, um político matreiro e carismático. E nem por isso deixou de virar lenda, beatificado e tudo mais.

Voltando à vaca fria, há 70 anos, numa emboscada em Angico (em Sergipe), graças a uma delação, Lampião, Maria Bonita e mais 11 cangaceiros foram massacrados pelas tropas do "macacos" do Tenente João Bezerra. O líder dos bandidos foi o primeiro a tombar. Suas cabeças foram cortadas e mostradas nas escadarias da prefeitura da cidade de Piranhas em Alagoas, sendo sepultadas somente em 1969. Uma versão do ocorrido explora que, na realidade, o delator os envenenou primeiro (urubus mortos em volta dos corpos corroborariam a hipótese). Daí a facilidade da captura. Nunca ninguém vai saber da verdade.

Acontece que, se a lenda é maior que a realidade, publica-se a lenda. E se é assim, longa vida a Lampião, o rei do cangaço. Longa vida a Maria Bonita e a Corisco. Longa vida ao legítimo faroeste brasileiro.