sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Nunca houve um grupo como o Rat Pack

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Se os anos Kennedy ficaram marcados pelo glamour do presidente americano e sua Camelot, então os representantes máximos dessa época são os integrantes do chamado Rat Pack, liderados por Frank Sinatra. Na verdade o grupo original foi formado pelo ator Humphrey Bogart na década de 1950 e faziam parte Sinatra, Judy Garland e seu marido, Lauren Bacall, o agente de talentos Swifty Lazar, o escritor Nathaniel Benchley, o diretor George Cukor, o compositor Jimmy Van Heusen e os atores David Niven, Katharine Hepburn, Spencer Tracy, Cary Grant, Rex Harrison. Eventualmente o rei dos filmes “capa-e-espada” Errol Flynn, o cantor Nat King Cole, o ator Mickey Rooney e Cesar Romero ( o Coringa do seriado do Batman da década de 1960) apareciam por lá.

Existem várias versões do porque do nome (ninhada de ratos). Uma delas diz que quando Bogie voltou de uma passeio em Vegas com amigos, sua esposa, a mais que estonteante Lauren Bacall teria afirmado que eles pareciam uma ninhada de ratos. Outra lenda fala que o nome vinha do fato que em uma ninhada de ratos, os bichos se tornam beligerantes com qualquer outro roedor que tente entrar lá.

Com a morte de Bogart em 1957 veio a segunda e mais famosa geração do Rat Pack com Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis, Jr., Joey Bishop, Peter Lawford, e eventualmente as beldades Marilyn Monroe, Angie Dickinson, Juliet Prowse e Shirley MacLaine. Na verdade, o velho olhos azuis odiava essa denominação para seu grupo de amigos. Ele preferia que os chamassem de “o clã”, mas os jornalistas da época não lhe deram ouvido e a alcunha pegou até hoje. Na grande trindade do grupo cada um tinha um papel específico, perfeitamente ensaiado e interpretado e que acabou se confundindo com a persona dos artistas, ou seja, Sinatra era o líder duro e cruel, Dino era o alcoólatra e Sammy incorporava um negro judeu totalmente politicamente incorreto. Os três eram tão amigos que muitas vezes em Las Vegas, os luminosos mostravam “Hoje Dean Martin, talvez Sammy, talvez Sinatra”, pois a qualquer momento um deles poderia invadir o show alheio.

Peter Lawford, por ser cunhado de Kennedy, tentou aproximar o presidente de Sinatra, com resultados um tanto desastrosos. Eles haviam combinado que o cantor receberia o estadista em sua casa para um fim-de-semana regado a música e bebidas, mas Bobby Kennedy chiou alegando a ligação de Sinatra com a Máfia. O “séquito real” acabou indo para a residência de Bing Crosby e Lawford foi punido sendo cortado do grupo.

Os membros do Rat Pack trabalharam em 13 filmes juntos, mas o mais famoso, e que reuniu todo o grupo, foi o delicioso Onze Homens e um Segredo, a história de um roubo em Las Vegas com um dos finais mais surpreendentemente sacanas de todos os tempos, que a versão nova não teve coragem de fazer. Todos os cinco integrantes ainda fariam o faroeste Seargents 3 e, na fase sem Lawford, o musical Robin Hood de Chicago. A última vez que Frank, Dean e Sammy apareceram juntos nas telas foi em na comédia de corrida Quem Não Corre, Voa 2 de 1984.

Há cerca de três anos foi lançado um DVD com a única performance dos três gravada em um show de 1965 em Nova Orleans, Ultimate Rat Pack Collection: Live & Swingin, e é aí que você entende o espírito do bando. Eles cantam, bebem no palco e zombam um do outro todo o tempo, sem a mínima preocupação se estariam ofendendo esse ou aquele grupo social, já que Sammy fica constantemente tirando o maior sarro de ser negro, judeu e sua mãe ser latina. Ao final desse show, o icônico apresentador Johnny Carson despede-se da platéia dizendo “muito obrigado pela sua presença aqui esta noite mas saibam que nós nos divertimos mais do que vocês”. E fica claro que ele não estava brincando. Os caras curtiram muito se apresentar naquela noite.

Joey Bishop, foi o último sobrevivente do Rat Pack e morreu aos 89 anos no dia 17 de outubro de 2007 (Lawford faleceu em 1984, Sammy em 16 de maio de 1990, Dino morreu em casa na manhã de Natal de 1995 e Sinatra em 14 de maio de 1998 aos 82 anos). Com ele foi embora um estilo de vida único que aliava boa companhia, elegância, bom humor e, obviamente, as mulheres – que caiam à torto e à direito em seus braços – e muita bebida.

Alain Delon, o galã sinistro

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Hoje, Alain Fabien Maurice Marcel Delon completa 75 anos de idade. Não sabe quem é ele? Pergunte para sua mãe e suas tias. Elas morriam por esse francês nascido em 1935 e que acabou se tornando um dos maiores sex symbols da França. A própria vida de Delon daria um filme. Ele foi criado por pais adotivos perto de uma prisão e na infância ficava brincando com os guardas. Depois que estes pais adotivos foram assassinados, voltou a morar com a mãe verdadeira em Paris e não conseguia parar em escola nenhuma. Infeliz, alistou-se e foi paraquedista dos fuzileiros navais franceses na Guerra da Indochina na década de 50 e depois garçom, porteiro, secretário e vendedor até conhecer o produtor americano David O. Selznick (que deu E O Vento Levou ao mundo) em um visita a Cannes. Selznick queria levá-lo para os EUA, Delon preferiu ficar no seu país de origem, e estreou nas telas com Quand la Femme s’en Mêle de Yves Allégret de 1957.

Talvez se Delon tivesse aceitado o convite de Selznick, sua carreira teria sido marcada por tipos mais românticos e amantes hollywoodianos, mas o fato de ter permanecido na Europa o fez assumir uma persona mais sombria nas telas, personagens que tinham algo a esconder ou que estavam remoídos por dores e dúvidas, aos moldes do que James Dean mostrava na America. Só que ao contrário de Dean, Delon preferia não escancarar seus sentimentos, mantendo um ar mais cool e menos sofrido. Isso ficou muito claro quando incorporou Tom Ripley em O Sol Por Testemunha de 1960 (A obra de Patricia Highsmith foi refilmada anos mais tarde com Matt Demon, como O Talentoso Sr. Ripley) ou em O Samurai de 1967, onde interpreta um assassino e ainda em Borsalino de 1970. Neste último contracena com outro grande galã francês (e seu maior rival), Jean-Paul Blemondo, mostrando a ascensão da máfia em Marselha nos anos de 1930. Sua grande consagração veio com o grande clássico de Luchino Visconti, Rocco e seus Irmãos de 1970. Ele trabalharia mais uma vez com o famoso diretor italiano em outra grande produção, O Leopardo, ao lado de Burt Lancaster.

Alain Delon é, sem dúvida nenhuma, uma das maiores celebridades francesas de todos os tempos. Mesmo um escândallo em 1968 que o envolveu com orgias bissexuais e mostrou suas ligações com o gangster corso François Marcantoni, não abalou sua imagem (ele acabou sendo inocentado de todas as acusações). Sua empresa, a Alain Delon Diffusion, imprime o nome do ator em relógios, roupas, óculos, champagne, conhaque, papelaria e cigarros. Teve affaires com belíssimas mulheres como a cantora e modelo alemã Nico, a atriz Romy Schneider e a modelo holandesa Rosalie van Breemen.

Aos 75 anos, cavaleiro da Legião de Honra francesa, Delon ainda atua com a mesma característica que o marcou: a imagem tranquila e blasé e o contraste da beleza do rosto de um anjo com a corrupção da alma de um demônio.

Brooke Shields e A Lagoa Azul

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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Não é para esnobar, mas ter sido adolescente nos anos 80 foi bom pacas em termos cinematográficos. Enquanto a molecada de hoje tem aguentar as caras e bocas do pessoal de Crepúsculo ou Harry Potter, cheio de gente boazinha, pura e com as mocinhas hermeticamente vestidas e meninos de peito de fora, nós tivemos A Lagoa Azul, o único filme romântico voltado a teens com nudez e sexo softcore, que este ano completou 30 anos. E mais, esqueça Kirsten Sterwart! Nós tivemos Brooke Shields!

A história, escrita em 1908 pelo irlandês Henry De Vere Stacpoole e já filmada em 1923 e 1949 (esta com Jean Simmons depois que Marilyn foi gongada) era a mais surreal possível. Caso você não se lembre, aqui vai: casal de crianças naufraga junto ao cozinheiro do navio e após a morte desse crescem sozinhas em ilha paradisíaca, para juntos descobrir o amor e o sexo. A direção era de Randal Kleiser que dois anos antes tinha conseguido levar hordas de adolescentes ao cinema com o musical Grease -- Nos Tempos da Brilhantina (quem cria esses subtítulos brasileiros, hein?). Ao procurar atrizes para a empreitada, o esperto diretor colocou uma condição básica: os protagonistas principais, quando “adultos”, trabalhariam nus. E aí viu pessoas como Kelly Preston (que apareceria pelada em A Primeira Transa de Jonathan de 1985), Linda Blair (de O Exorcista), Jodie Foster, Isabelle Adjani, Michelle Pfeifer, Daryl Hanna, Rosanna Arquette, Debra Winger e até mesmo uma das minhas preferidas, Jennifer Jason Leigh (que tirava a roupa a torto e à direito em clássicos como Picardias Estudantis e Conquista Sangrenta) caírem fora. Da parte masculina, John Travolta e Christopher “Superman” Reeve também não toparam o desafio e, acredite se quiser, Sean Penn não passou no teste.

Eis que surge a idéia de trazer a ninfetinha Brooke Shields, então com 15 anos de idade e um rosto de parar os trânsito. Em 1978, ela já havia chocado o mundo e feito a alegria dos pedófilos de plantão quando estrelou o filme Pretty Baby do francês Louis Malle, no papel de uma prostituta infantil num bordel na Nova Orleans de 1917. Nesta obra em questão, ela aparece como veio ao mundo, mas para A Lagoa Azul foi exigido um dublê de corpo, para o desespero do diretor. Mesmo nas cenas em que aparece sem camisa, seu cabelo foi colado aos peitos, para não ficar muito explícito. Para seu par foi escolhido o inexpressivo e sarado Christopher Atkins, depois que centenas de marmanjos disputaram a tapa a chance de ver de perto a srta Shields sem roupa. E nessas também existe uma história ótima. A atriz, já aos 15 anos, media 1,79m enquanto Atkins tinha 1,68m. Como a figura do macho heróico nunca poderia ser mais baixa que o da mocinha indefesa, tiveram que cavar trincheiras na areia para a menina parecer menor. Anos mais tarde, o rapaz disse em uma entrevista que ele trabalhou com a Estátua da Liberdade nas filmagens.

Filmado nas Ilhas Fiji e responsável pela descoberta de uma nova espécie de iguanas (isso é sério), A Lagoa Azul custou na época US$ 4,5 milhões e faturou mais de US$ 58 milhões só nos EUA, mesmo atacado por grupos conservadores como pornografia infantil. Não ganhou nenhum prêmio enaltecedor mas Brooke recebeu o de pior atriz no Framboesa de Ouro (e depois a obra entrou como um das 100 piores e mais divertidos filmes de todos os tempos na coletânea feita pelos organizadores). Apesar disso, a carreira da mocinha deslanchou e foi musa, por muitos anos, do jornalista Paulo Francis que não se segurava ao cantar odes a ela no programa Manhattan Connection. Rendeu uma versão pornô, The Pink Lagoon com Ginger Linn Allen, uma continuação em De Volta à Lagoa Azul (que mostrou Milla Jovovich ao mundo) e ainda foi esculhambado no excelente Top Secret (alguém também me explica, por favor, porque esse filme NUNCA foi lançado em DVD no Brasil?).

O filme estreou aqui em janeiro de 1981. Sei disso porque foi o primeiro filme com censura 14 anos que assisti (fui no dia do meu aniversário e na época os bilheteiros de cinema eram mais chatos e rigorosos, então imagine meus sorriso de alegria por poder entrar no cinema sem acompanhamento dos pais). Pode apostar que por um bom tempo aquela menina maravilhosa povoou meus sonhos.

Robert Downey Jr é lenha pura!

Publicado no site da revista Alfa em novembro de 2010
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A Paramount está lançando uma caixa com os dois bons filmes do Homem de Ferro em blue ray, acompanhados da inevitável enxurrada de extras. Tem ficha dos personagens, cenas de bastidores, explicação de efeitos especiais, entre outras muitas coisas legais, mas um desses vídeos especiais chama muito a atenção e é de longe, o mais divertido de todos: os testes de câmera de Robert Downey Jr. para o primeiro filme da saga. E é só a ver a naturalidade e o cinismo do astro, improvisando Tony Stark para gáudio e prazer da equipe técnica, para se atestar que ele é um dos melhores atores de sua geração. Mesmo quando seus parceiros de telas tentam provocá-lo falando besteira, o cara não perde o rebolado e acaba fazendo com que os outros se dobrem de rir.

É engraçado notar que, ao contrário de Charlie Sheen – que fez sua fama dentro e fora das telas graças à bebida, sexo e drogas – Downey quase viu sua carreira ir para o ralo graças aos seus vícios. Quem o assistiu em Abaixo de Zero de 1987, mal imaginando que o filme se tornaria uma espécie de autobiografia prévia, já sabia que o rapaz arrebentava na arte da interpretação. Sua atuação em Chaplin é de tirar o chapéu-côco e seguramente o comediante teria aplaudido o rapaz em pé. Seu timing para comédia, como em Beijos e Tiros é soberbo. Acontece que suas sucessivas prisões por embriaguez e porte de drogas acabaram ofuscarando seu talento e fazendo com que o seguro em cima de sua pessoa ficasse tão alto para as companhias de cinema pagarem que ele acabou sendo dispensado até mesmo por Woody Allen, que o queria em um dos papéis principais de Melinda e Melinda (em Air America, por exemplo, Mel Gibson bancou a taxa de seu próprio bolso para poder ter o rapaz no filme).

Limpo desde 2004, Downey deu a volta por cima, ganhou o Globo de Ouro por Sherlock Holmes, concorreu ao Oscar por Trovão Tropical (era a única coisa boa no filme, aliás) e agora reaparece nas telas nacionais com a comédia Um Parto de Viagem. No ano que vem volta a vestir o manto do personagem de Conan Doyle, tendo, mais uma vez, Jude Law como Dr. Watson, o excelente comediante inglês Stephen Fry como Mycroft Holmes (o irmão do herói) e Jared Harris, filho de Richard Harris e o Lane Pryce de Mad Men, como o maior adversário do detetive, o famigerado Professor Moriarty.

10 carros famosos do cinema

Publicado no site da revista Alfa em outuro de 2010
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O Salão do Automóvel está aí e nada mais apropriado do que falar dos carros que encantaram as platéias no cinema, mesmo porque automóveis e filmes tem uma relação de longa data. No cinema mudo, por exemplo, o carro era usado para fazer rir, como no caso dos Keystone Kops de Mack Sennet. Já alguns deles se tornaram “parte intergrante do pacote” como o Aston Martin de James Bond (o de Goldfinger foi leiloado ontem) e outros são verdadeiros personagens do filme, como a Kombi de Pequena Miss Sunshine. Existe até mesmo um completo banco de dados sobre o assunto no site imcdb.org (Internet Movie Cars Database). Aqui vão 10 que fizeram nossa alegria:

A Ferrari 1961 GT 250 de Curtindo a Vida Adoidado era, na verdade, uma réplica feita em fibra de vidro. Como somente 104 unidades foram produzidas, a montadora italiana recebeu inúmeras cartas de proprietários revoltados achando que o filme havia mesmo destruído um dos carros.

Agarra-me Se Puderes de 1977 trazia Burt Reynolds, mas quem ficou famoso foi o Pontiac Trans Am. Por causa do filme, as vendas dobraram em dois anos e na cena em que o carro salta uma ponte quebrada, os técnicos acabaram adaptando um motor da Chevrolet no carro para dar mais potência.

Bullit de 1968 ficou famoso por sua perseguição em San Francisco. Nela, o bandidão estava em um Dodge Charger R/T 440, que conseguia correr tanto quanto o Mustang 390 GT de Steve McQueen. Dois de cada modelo foram usados na filmagem, mas no final só sobrou um Mustang para contar a história.Um Charger foi também usado por Kurt Ruissel em À Prova de Morte de Tarantino.

Os Blues Brothers, em sua missão divina, andavam no seu indefectível “Bluesmobile” e arrasavam tudo o que encontravam na frente, de neonazistas a banda de country music. O carro era um Dodge Mônaco 1974 Sedan e ficou tão famoso que tem até website dedicada a ele, o bluesmobile.net.

No roteiro original de De Volta para o Futuro, a máquina do tempo seria uma geladeira, mas com medo que crianças se sufocassem brincando de Marty McFly, os produtores optaram por um De Lorean DMC 12, feito em aço inoxidável, justamente por seu design parecer alienígena e que assustaria as pessoas de 1955.

Os Caça-fantasmas, comédia de 1984 que no ano que vem ganha sua terceira edição, combatiam o sobrenatural em uma ambulância Cadillac de 1959 , a Ecto-1, que originalmente seria toda preta, mas como eles trabalhavam mais à noite. foi repintada de branco.

Cada década tem o Batman e o batmóvel que merece. Enquanto no filme de 1989 e em Batman Begins, o herói usava carros desenvolvidos especialmente para a produção, o Homem-Morcego utilizou um Lincoln Futura, um modelo conceitual – não vendido em série – adaptado, na série de TV e no longa de 1966.

O Interceptor de Mad Max era um Ford Falcon GT 1973, modelo de grande sucesso na Australia. Para o segundo filme, os produtores utilizaram o mesmo carro do primeiro e hoje ele está exposto no Cars of the Stars Motor Museum da Inglaterra.

O Gran Torino é praticamente um ator. Foi o carro do Dude em O Grande Lebowski, era o automóvel de James Gardner em Arquivo Confidencial e da dupla Starsky e Hutch no famoso seriado dos policiais durões e virou nome de filme (sensacional, diga-se de passagem) de Clint Eastwood.

Aqui abro uma exceção para falar de um caminhão e não de um automóvel, já que este foi um dos veículos mais assustadores da história da sétima arte, o Peterbilt 281 de 1955 do filme Encurralado, primeiro longa metragem de Steven Spielberg. Na história um caminhão persegue um infeliz motorista pelas estradas da California. Não há menor explicação do porque e como o caminhoneiro nunca aparece de corpo inteiro é a máquina que se transforma em uma força maligna. Muitos filmes já foram feitos com carros do mal, como Christine ou carros do bem como Herbie, mas nenhum deles tem a força e o impacto visual do caminhão de Encurralado.

10 frases geniais de John Cleese

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Hoje é aniversário de John Cleese, um dos fundadores do Monty Python ou o sucessor de “Q” do James Bond de Pierce Brosnan ou o homem que emprestou a voz para o rei sapo de Shrek. Advogado formado por Cambridge, Cleese preferiu voltar sua dedicação ao humor escrevendo para programas de rádio ingleses e para a televisão até que em 1969 criou, com outros roteiristas, o Monty Python´s Flying Circus, um programa humorístico onde o surreal dava o tom, ao melhor estilo da comédia inglesa. A série teve três temporadas na TV e quatro longas, O Cálice Sagrado, A Vida de Brian, Ao Vivo no Hollywood Bowl e O Sentido da Vida. O comediante continuou na TV com o seriado Fawty Towers, de sua autoria, e ganhou fama internacional com o hilariante Um Peixe Chamado Wanda. Depois disso vieram os filmes de Bond, o Ned Sem Cabeça de Harry Potter e o Lyle Fynster, um dos maridos de Karen do seriado Will & Grace e chegou ainda a colaborar em um gibi do Superman que zombava da Inglaterra. Em homenagem aos seus 71 anos, aqui vão 10 afiadas frases do ator, que aliam sabedoria e sarcasmo como ninguém.

“Na Inglaterra as garotas são ou brilhantes ou atraentes. Nos Estados Unidos é diferente. Elas são as duas coisas”

“[na eulegia que fez a Graham Chapman, quando de sua morte] E eu acho que estamos todos pensando como é triste um homem de talento, um homem de tal capacidade e bondade, de inteligência incomum, assim de repente, ser levado na idade de apenas 48 anos, antes que ele tivesse conseguido muitas das coisas que era capaz, e antes que ele tivesse se divertido muito. Bem, eu sinto que eu deveria dizer: “Bobagem!” Boa viagem para ele, bastardo folgado, e eu espero que ele frite.”

“Por que alguém que nunca cometeu um crime deveria ser obrigado a escutar música country é algo além da minha compreensão”

“Eu costumava desejar muitas, muitas coisas, mas agora só tenho um desejo: me livrar de todos os outros desejos”

“Se Deus não desejava que comessemos animais, por que os fez de carne?”

“Acho que é bastante fácil de retratar um homem de negócios. Ser desagradável, cruel e incompetente vem naturalmente para mim. “

“Quem ri muito, aprende melhor. Se eu conseguir fazer você rir comigo, você vai gostar mais de mim, o que o torna mais aberto às minhas idéias. E se eu puder persuadi-lo a rir num determinado assunto que quero explicar, por rir disso, você reconhece a sua verdade.”

“A única coisa que me lembro sobre o Natal era que meu pai costumava me levar para fora em um barco por cerca de dez milhas no mar no dia de Natal, e eu costumava ter que nadar de volta. Extraordinário. Era um ritual. Entenda que isso não era o pior. A parte difícil era sair de dentro do saco. “

“Uma idéia realmente boa é sempre rastreável por um longo caminho, muitas vezes ligada a uma idéia não muito boa, que foi desencadeada por uma outra idéia que foi apenas um pouco melhor, que alguém entendeu mal, de tal maneira que, em seguida, disse algo que era realmente muito interessante. “

“A tecnologia me apavora. É projetada por engenheiros para impressionar os outros engenheiros. E sempre vem com manuais de instruções que são escritas por engenheiros para engenheiros. E é por isso que na maioria das vezes a tecniologia não funciona”

A eterna princesa

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Audrey Hepburn voltou a ser notícia quando, na semana passada, uma cartela com 10 selos estampando seu rosto foi leiloada na Alemanha pela bagatela de 430 mil euros ou um milhão de reais, com o montante sendo direcionado à Unicef germânica e ao Fundo dos Filhos de Audrey Hepburn, uma entidade que cuida de crianças no mundo todo.

Se você não sabe, Audrey é a musa mais cantada em verso e prosa na história do cinema. Era linda demais, com um corpo totalmente fora dos padrões voluptuosos dos anos clássicos de Hollywood e com um jeito encantador de falar. Isso sem falar em seu olhar, terno e doce. Se você for homem, maior de 18 anos e assistiu A Princesa e o Plebeu e não se apaixonou por aquela mulher, então com 24 anos de idade, então pode ter certeza que você tem problemas sérios. Saiba que é difícil ver, por exemplo, Sabrina e não imaginar aquela menina quebrando ovos para você. Por ela dá para se aguentar os 208 minutos de Guerra e Paz, assistir a dramalhões como Uma Cruz à beira do Abismo e musicais chatinhos como Quando Paris Alucina, ou até mesmo suportar suspenses de grudar na cadeira como Um Clarão nas Trevas. Por Audrey dá para se invejar Cary Grant mais ainda. Além dela ter exigido trabalhar com ele em Charada, lá pelas tantas no filme solta uma frase que todo homem gostaria de ouvir de uma mulher apaixonada: “sabe o que há de errado com você? Nada!”. A única coisa que não dá para encarar é que sua personagem em Bonequinha de Luxo era uma garota de programa de alta classe. Preferimos vê-la como uma menina interiorana sonhadora e pura, que canta “Moon River” na janela.

E por falar em inveja, Audrey foi casada duas vezes, uma com Mel Ferrer e outra com o médico italiano Andrea Dotti, mas é sabido que teve romances tórridos com William Holden (terminado pois soube que ele havia feito vasectomia) e Albert Finney, seu parceiro em Um Caminho para Dois, entre outros sortudos. Sua elegância e classe encantaram o costureiro Hubert de Givenchy, que criava peças exclusivas para ela usar nos filmes. Era amiga dos Kennedy e cantou “Happy Birthday, Mr President” para JFK em 1963, um ano depois da famosa apresentação de Marilyn Monroe. Sua infância miserável na II Guerra a inspirou a ser embaixadora da Unicef em seus últimos anos e dedicou seus esforços para debelar a fome e as doenças entre crianças de países do terceiro mundo. Apesar de ter ganho apenas um Oscar e um Tony, foi escolhida a terceira maior lenda feminina das telas pelo American Film Institute, perdendo apenas para Katherine Hepburn e Bete Davis.

Ela foi única e inesquecível. E, em tempo, se você tentar me convencer que Carey Mulligan de Educação e Wall Street 2 é a Audrey Hepburn do século 21, me desculpe, mas vou ser obrigado a te chamar para a briga.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A única vez que vi Pelé no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Segundo o IMDB, maior site de cinema do mundo, Pelé trabalhou em nove longas como ator. Eu só vi um e ainda por cima no cinema: Fuga para a Vitória de 1981. É um típico “sessão da tarde”, um John Huston infinitamente menor (pô, o cara nos deu O Falcão Maltês, Uma Aventura na Africa, O Tesouro de Sierra Madre e O Homem Que Queria Ser Rei), mas não deixa de ser um filme simpático, especialmente se você curte futebol.

A grande decepção que tive como um moleque de 14 anos é que nosso maior jogador não faz papel de brasileiro. Pelé era o Cabo Luis Fernandez, natural de Trinidad. Sei lá o que deu na cabeça de Huston para pensar em algo assim, mesmo porque, por incrível que pareça aos gringos, o Brasil também participou da II Guerra. Ou seja, nem nossa estrela podia ser nossa estrela.

Reza a lenda que o filme foi baseado em um fato real, mas se pesquisar na internet verá duas versões, uma que envolve prisioneiros de guerra em um jogo contra os nazistas e outra que diz que jogadores do Dynamo Kiev jogaram contra os “boches”. Em ambas as falácias, os germânicos perderam e os ganhadores foram fuzilados. De qualquer maneira, nas telonas a história era basicamente essa: oficial nazista (Max Von Sydow), entusiasta do esporte bretão, descobre vários grandes jogadores de futebol em um campo de prosioneiros e resolve fazer uma partida contra um time alemão. O que era para ser uma pelada entre inimigos em um campinho de várzea, vira uma arma de propaganda com direito a estádio em Paris e tudo mais e, ainda por cima, o time aliado tinha que perder ou virava chucrute.

Huston teve grandes sacadas ao fazer o filme. A primeira foi chamar 18 jogadores famosos nas décadas de 1970 e 1980 para figurar entre bons atores como Michael Caine. Havia, por exemplo o zagueiro inglês Bobby Moore, eleito o melhor jogador da Inglaterra nos 50 anos da UEFA. Já o argentino Osvaldo Ardiles, pasmem, fazia papel de argentino e não de alguém natural das Ilhas Pago Pago (a Argentina de Perón participou da Guerra?). Como aparentemente nenhum alemão queria vestir o uniforme com a suástica, o americano Werner Roth e o inglês Laurie Sivell atuaram no time nazista. Cada jogador imprimiu nas telonas algumas de suas marcas, como Pelé marcando um gol de bicicleta. Foi, aliás, o “Rei” que ajudou a coreografar todas as jogadas mostradas.

Um dos destaque do filme é Sylvester Stallone. O homem estava no auge naquela época e era um grande chamariz para fazer com que o pessoal da terra do Tio Sam assistisse um filme sobre “soccer”. Ele interpreta (na falta de palavra melhor) um militar que jogava futebol americano e quer porque quer participar do time para poder fugir durante o jogo. Acaba pegando o lugar de goleiro e obviamente faz o papel de herói. Só que o velho Sly acabou ficando com as grandes histórias por trás das telas. De início, ele se recusou a ter um dublê para as cenas de jogo. Como queria ele mesmo jogar e se recusava a ser treinado, conseguiu deslocar o ombro e quebrar uma costela na primeira cena que fez. Depois, ainda se achando um bom jogador, teve uma dividida com Pelé e ganhou um dedo quebrado. E mais, o cara exigia que fosse ele, o goleiro, que fizesse o gol da vitória (honra que ficou com Pelé, aliás). No final, Stallone afirmou que foi mais doloroso fazer esse filme do que a série Rocky.

Também vale lembrar outra grande ideia da obra: transformar a partida entre aliados e nazistas em uma batalha em campo, com direito a torcida e até mesmo resistência francesa na jogada. Se em Casablanca a guerra acontecia dentro do bar de Bogart com alemães cantando sendo sobrepujados por franceses gritando a Marselhesa, em Fuga para a Vitória, a arma era a bola, tão poderosa que vence até mesmo um juiz ladrão.

Pelé tentou continuar com sua carreira de ator, sempre sendo ligado ao futebol. Fez com Huston A Vitória do Mais Fraco, depois se aliou aos humoristas brasileiros em Os Trapalhões e o Rei do Futebol, fez o desconhecido Hotshots, onde treinava um americano no esporte e desde 1989, com uma participação em Solidão, Uma Linda História de Amor, não tenta atuar. Ainda bem. Porque é preferível que ele seja lembrado eternamente como o mestre dos campos de futebol, do que como um ator do nível de um Stallone.

Os Coen e o perigo da refilmagem

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Neste último fim-de-semana tive a chance de rever uma das melhores comédias inglesas de humor negro, Quinteto da Morte de 1955 com Sir Alec Guinness (ou o velho Obi-Wan da saga Star Wars) e um Peter Sellers em início de carreira, muito antes da série A Pantera Cor-de-Rosa.

A típica comédia inglesa vem tradicionalmente do teatro e assim a situação geral e o diálogo é que vão dar o tom do humor e não caretas ou piadas físicas. E Quinteto da Morte é um grande representante desse gênero justamente por reunir atuações soberbas com personagens e diálogos surreais. No roteiro de William Rose, que mais tarde escreveria o libelo anti-racismo Adivinhe Quem Vem para Jantar, cinco criminosos fingem ensaiar um quinteto de cordas na casa de uma doce viúva octagenária, enquanto planejam roubar o carro-forte de uma empresa. E para conseguir realizar o feito, tem de envolver a decana senhorinha no assalto. Depois, começam a se apavorar com a idéia de que devem eliminar a velhinha para não haver testemunhas e um a um dos bandidos passam a sofrer “acidentes”.

Reconheceu a história? É Matadores de Velhinha que os irmãos Coen realizaram em 2004. Ethan e Joel Coen são geniais. Conseguiram fazer coisas extremamente originais (em um mundo onde o novo no cinema americano significa efeitos especiais de vanguarda) com obras como Arizona Nunca Mais, Fargo, O Grande Lebowski, Onde os Fracos Não Tem Vez e recentemente em Um Homem Sério, mas erraram a mão ao refilmar essa história.

Tom Hanks está caricato, enquanto Alec Guinnes está tenebroso. O bando do professor G.H Door da nova versão não chega nem aos pés em carisma quando colocados ao lado da quadrilha de Professor Marcus do original. E não dá para nem se comparar as duas velhinhas. A inglesa é doce, gentil, íntegra e simpática, enquanto a americana é uma caricatura da mãe negra sulista. Mesmo a obra inglesa consegue fazer comédia até na trilha sonora, já que o bando “ensaiava” um minueto para cinco cordas de Luigi Boccherini e à medida que cada personagem vai “desaparecendo”, a música de fundo vai sendo tocada com um instrumento a menos.

A razão de minha preocupação em relação aos Coen refilmarem algo é que acabou de sair o segundo trailer de seu Bravura Indômita, nova versão de um dos mais consagrados filmes de John Wayne e o único que lhe deu um Oscar. O “Duke” fazia o delegado Reuben J. ‘Rooster’ Cogburn, durão, machão, bêbado e incansável perseguidor de criminosos, que é contratado por uma menina para encontrar o assassino de seu pai. A versão original tinha ainda Robert Duvall como o desafeto do homem da lei e Dennis Hopper em papel menor. Wayne, aliás, odiava Hopper por considerá-lo um comunistazinho barato e depois das filmagens chegou a persegui-lo com um revólver em punho pelo estúdio. Dennis, que também andava armado e adorava ameaçar quem passasse na sua frente, resolveu ficar escondido em um armário até o fúria do outro passar. Ele podia ser o cara mais agressivo do universo (e era), mas não dava para peitar John Wayne.

Na refilmagem, Cogburn é interpretado pelo sempre genial Jeff Bridges e Matt Damon, Barry Pepper e Josh Brolin também estão lá. Os Coen haviam dito que seu filme seria muito mais fiel ao livro de Charles Portis que o outro, mas pelo que vi no trailer, dá sensação de que nada mais fizeram do que copiar cenas de um clássico. Até mesmo a famosa sequencia da cavalgada do delegado em direção aos quatro bandidos, atirando como um louco, foi reproduzida fielmente. Enfim, é esperar o Natal chegar para ver. Até lá, sia meu conselho e assista o original. Com certeza você vai se divertir com John Wayne.

Grandes perseguições de carro no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Não sou fanático por carros, mas desde o filme Os Irmãos Cara-de-pau de 1980, descobri que adoro perseguições de automóveis no cinema, com motoristas fazendo manobras inacreditáveis e motores sendo levados ao máximo. Esse tipo de cena de ação é tão recorrente que existe desde o cinema mudo com as peripécias dos Keystone Kops de Max Sennet. Em velhos Ford T ou em antigas motocicletas, os amalucados policiais faziam coisas incríveis em uma época onde para se ter um bom efeito especial se corria risco de vida, como mostra a cena abaixo:


Ainda no ramo da comédia, o já citado Blues Brothers conseguiu criar cenas hilárias às custas de dezenas de carros destruídos como na famosa cena da invasão do shopping center. Para fazer a sequencia, o diretor John Landis ocupou um local abandonado, recheou seu estacionamento de carros 0 km fornecidos por uma concessionária (com a promessa que nenhum sofreria nem arranhão) e preencheu as lojas tomando o cuidado para que todos os frequentadores do shopping fossem dublês profissionais. O resultado está aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=_oMtdXaqBx4&feature=related

E para aqueles que viveram os anos de 1980, Eddie Murphy estreou uma das mais célebres perseguições do cinema quando num caminhão de cigarros contrabandeados resolve aloprar as ruas de Detroit. A pergunta que não quer calar é "como alguém consegue dar 'cavalo de pau' em um ônibus?" e o filme é Um Tira da Pesada (1984).


Todo mundo assistiu e vibrou com 60 Segundos com Nicholas Cage e Angelina Jolie, mas pouca gente sabia que tratava-se da refilmagem de um obscuro filme de 1974, que conseguiu destruir 93 automóveis em 97 minutos de história e foi interpretado por pessoas "normais" e não atores. Com vocês, a Eleanor original:


A década de 1970 produziu fantásticas sequencias envolvendo carros e câmeras, a começar por 1971 que nos brindou com o detetive Jimmy "Popeye" Doyle e sua guerra contra o cartel francês de drogas em Nova York no filme Operação França. Durante a cena abaixo, o acidente de carro que ocorre no cruzamento da avenida Stillwell e 86 St., não foi planejado e acabou entrando no filme por causa de seu realismo. O cidadão cujo carro foi atingido tinha acabado de sair de sua casa a poucos quarteirões do cruzamento para ir trabalhar e não sabia que uma perseguição de carro estava sendo filmada. Os produtores, obviamente, pagaram todo o conserto:


Num momento em que a contracultura estava no auge, era óbvio que rebeldia, protesto e carros estariam unidos nas telonas, mostrando "párias" da sociedade fugindo do poder vigente atrás do volante. Dois filmes se destacaram nessa época, Corrida Contra o Destino de 1971 e Fuga Alucinada de 1974. Aqui você confere uma propaganda feita para a TV, anunciando uma sessão dupla com as duas produções:


James Bond não seria tão poderoso se não soubesse dirigir como ninguém. Seja atrás de um poderoso Aston Martin ou de um pequeno Citroen 2CV 6, o agente consegue realizar proezas incríveis sobre quatro rodas, como fazer um AMC Hornet dar 360 graus no ar. A cena a seguir é a estonteante abertura de Quantum of Solace:

http://www.youtube.com/watch?v=QXJiYV9K77Q

Quando Ronin de 1998 foi lançado, uma revista brasileira disse que no futuro os cursos de cinema no mundo teriam uma matéria ensinando a fazer uma perseguição de carros como as do filme. O próprio diretor, John Frankenheimer disse fez o filme porque sentia falta de uma boa corrida de automóveis nas telas de cinema. A cena a seguir mostra o duelo entre uma BMW 535i e um Peugeot 406 nas ruas de Paris:


E finalmente aquela que é considerada por muitos críticos como a melhor perseguição de carros da história do cinema e responsável pela revitalização do gênero: Steve McQueen e seu Mustang 390 GT 2+2 Fastback nas íngremes ruas de São Francisco, no clássico policial Bullit de 1968. Na verdade o ator, famoso por fazer suas próprias cenas e ser um entusiasta em velocidade, foi substituído pelo dublê Bud Enkins em parte da sequencia, que levou três semanas para ser filmada e saiu com 9 minutos e 42 segundos na edição final:


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Bond que tinha medo de armas

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Ele era velho demais para o papel, não fez nenhuma cena de ação, nunca pediu um Vodca Martini e muita gente acha que fez do agente secreto uma piada, mas Sir Roger Moore, que completou 83 anos ontem, foi o ator que mais viveu James Bond, dentro e fora da série original.

Filho de um policial, Moore sempre quis ser um ator, mas a II Guerra atrapalhou seus sonhos. Nos anos 50, assinou um contrato com a MGM. Apesar de bonito, elegante, gentil e bom ator, não conseguiu emplacar nenhum sucesso no cinema e partiu para a TV em séries como Ivanhoé, The Alaskans e como o primo inglês de James Garner em Maverick. Em 1962, ganhou a fama como Simon Templar, na série O Santo, um ladrão que só rouba de criminosos ricos (e fica com o dinheiro) e acaba ajudando a polícia a prendê-los. O seriado durou sete anos e nesse meio tempo teve a chance de viver James Bond pela primeira vez na programa cômico inglês Mainly Millicent de 1964. Num sketch ele interpreta o famoso espião, que encontra a agente russa Sonia Sekova em resort e os dois ficam a todo momento achando que um quer matar o outro, quando na verdade estão ali em férias.

Depois que O Santo foi cancelado em 1969, Moore fez alguns filmes sem sucesso e logo emplacou mais um seriado na TV, The Persuaders, ao lado de Tony Curtis, mas o vício em drogas deste último acabou sendo fatal para o trabalho da dupla e finalmente veio o convite para ser James Bond.

Moore estava já com 45 anos quando apareceu na pele do agente de sua majestade em Viva e Deixe Morrer. E mais, sofria de hoplofobia ou medo incontrolável de armas. Mesmo assim, seu Bond era leve, sarcástico, elegante e sedutor, mais próximo do que o autor, Ian Flemming, imaginava. O próprio ator chegou a afirmar em uma entrevista que nunca conseguiria interpretar o assassino frio e cruel como Sean Connery fez e que trabalhava mesmo pelas risadas. Foram sete filmes como Bond, apesar de ter querido parar em 1981 com Somente para seus Olhos. Quando finalmente foi substituído pelo péssimo Timothy Dalton, Moore já estava com 58 anos de idade, ou seja, velho demais para o papel.

Roger voltaria várias vezes a emular James Bond, seja em paródias como em Quem Não Corre, Voa ou Cruzeiro das Loucas, seja em comerciais de TV ou programas humorísticos, mas nunca mais conseguiria um papel cinematográfico de sucesso. Em 1999, aliás, concorreu ao prêmio Framboesa de Ouro como pior ator coadjuvante em O Mundo das Spice Girls tendo Sean Connery como competidor (este pelo terrivelmente péssimo Os Vingadores). Nenhum dos dois ganhou.

Apesar do fracasso nas telonas, Roger Moore se tornou um bem-sucedido embaixador na Unicef, substituindo a atriz Audrey Hepburn. Seu interesse humanitário despertou ao filmar 007 contra Octopussy na India, onde teve contato com a miséria e as condições degradantes da população. Além disso, foi porta-voz do PETA na campanha contra a fabricação do foie-gras.

Aos 83 anos, está casado pela quinta vez (sua esposa é a multimilionária Kristina ‘Kiki’ Tholstrup) e mora em Valais na Suiça, e assim como seu personagem mais famoso, não perde a chance de se misturar aos amigos poderosos como os reis da Suécia e da Dinamarca. Ao grande Roger Moore, nós erguemos um brinde. Com Vodca Martini batida, não misturada.

Quando um resgate vira circo

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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A grande notícia da semana é o resgate dos mineiros no Atacama, ação exemplar do governo chileno, lidando de maneira fantástica com sua segunda grande desgraça este ano. Hollywood, porém, já mostrou uma situação parecida com essa, mas com contornos e desfecho bem mais pesados num classicão de 1951 estrelado por Kirk Douglas, A Montanha dos Sete Abutres.

Na história, baseada em um caso real ocorrido em 1925, um jornalista inescrupuloso cujo lema é “notícia ruim vende e notícia boa não é notícia”, Chuck Tatum, muda-se para Albuquerque no Novo México, depois de ser banido dos jornais dos grandes centros. Entediado e louco da vida por estar em uma cidade (então) provinciana, acaba sabendo que um mineiro ficou preso em uma caverna indígena na tal montanha dos sete abutres e vê a notícia como sua maior chance em conseguir voltar para a grande mídia. Tentando ganhar tempo para transformar o drama em reportagem nacional, acaba corrompendo o xerife local, o engenheiro responsável pelo resgate e a esposa do mineiro para assim atrasar ao máximo o salvamento. O resgate que poderia ser feito em 12 horas, leva seis dias para acontecer, para o azar do coitado preso na mina.

Seu final trágico e moralista não aplacou a fúria da imprensa na época, que se sentiu atacada pelo filme de Billy Wilder, o mais ácido e sarcástico diretor americano de todos os tempos. Acontece que mais do simplesmente falar de jornalismo marrom, A Montanha dos Sete Abutres é uma lição sobre ganância, oportunismo e jogos de interesses presentes em qualquer ser humano e ainda o que acontece quando a ética profissional é trocada pelo lucro pessoal.

Bons e maus policiais no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Já que o assunto da vez é o Capitão Nascimento (desculpe, mas ainda não vou conseguir chamá-lo de Coronel) e seu BOPE em Tropa de Elite 2, vale a pena dar uma olhada em alguns policiais que foram eternizados no cinema, tanto por serem durões pacas (ou como diriam na língua do bardo, badasses) ou corruptos demais e aqueles mais idealistas.

Chefe Harlan Quilan em A Marca da Maldade (1958): estrelado e dirigido por um imenso Orson Welles (que foi demitido da direção já na pós-produção), o clássico mostrou dois extremos da força policial, o correto oficial da divisão de narcóticos interpretado por Charlton Heston e o extremamente corrupto chefe de polícia (Welles) na investigação do assassinato de um empreiteiro em uma cidade na fronteira com o México. A abertura do filme, uma sequencia de três minutos sem cortes acompanhando um carro com uma bomba dentro, virou clássica.

Virgil Tibbs em No Calor da Noite (1967): um policial negro de Nova York tem que investigar um assassinato em uma cidade racista pacas no sul dos Estados Unidos. O filme tem os geniais Sidney Poitier e Rod Steiger e uma de suas frases entrou para o as 100 melhores da história do cinema. Quando o policial racista lhe pergunta “como é que tem chamam na sua cidade, crioulo?”, Poitier simplesmente dispara “Eles me me chamam de Sr. Tibbs”.

Dirty Harry em Magnum Force (1973): na segunda aventura de Clint Eastwood como o policial harry Calaham, ele precisa um esquadrão da morte repleto de policiais corruptos, que matam aqueles que são considerados indesejáveis na cidade de San Francisco. Nada que uma Magnum 44 na mão não resolva.

Frank Serpico em Serpico (1973): cinebiografia do policial novaiorquino que se recusava terminantemente a receber propina e acabou não só sendo isolado pelos colegas, como correu perigo de vida e levou a uma mega investigação na polícia de NY. Al Pacino levou o Globo de Ouro por sua interpretação.

Stansfield em O Profissional (1994): Gary Oldman dá um show de interpretação na pele do policial Norman Stansfield, que lidera um negócio de drogas em NY e está atrás da garotinha Mathilda (Natalie Portman, então com 12 anos de idade), única testemunha do massacre de sua família.

Bud White em Los Angeles – Cidade Proibida (1997): no moderno filme noir de Curtis Hanson, o foco é a força policial de Los Angeles nos anos de 1950. Com tipos como o policial galã de Kevin Spacey e CDFs como Guy Pearce, o detaque vai para o brutamontes de Russell Crowe, que prefere fechar os olhos para os esquemas de corrupção do lugar até que se torna um alvo.

Detetive Alonzo Harris em Dia de Treinamento (2001): Denzel Washington abandonou o papel de mocinho e assumiu a pele do corrupto, violento e imoral Alonzo, policial da divisão de narcóticos em Los Angeles e acabou levando uma estatueta do Oscar com isso, provando que o crime compensa (pelo menos nas telas). Duvido você não ficar com raiva do cara.

Billy Costigan e Colin Sullivan em Os Infiltrados (2006): de um lado um policial fingindo ser bandido (Di Caprio) e do outro um bandido tentando ser policial (Matt Damon), numa produção menor de Martin Scorcese (refilmagem do chinês Infernal Affairs) que acabou lhe dando o Oscar de Melhor Diretor e levou também o de melhor filme do ano.

Um filme sobre um homem raro

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Da Terra Nascem os Homens, produção de 1958 dirigida por William Wyler, não é só um grande faroeste, mas também traz um conceito até então não explorado no gênero e que até hoje pode ser servido de exemplo, o do homem que não precisava provar nada para ninguém.

Gregory Peck, que quatro anos depois faria o advogado Atticus Finch de O Sol é Para Todos, este sim considerado o maior herói de todos os tempos pelo American Film Institute, vive o marinheiro aposentado Jim McKay, que se muda para o oeste para encontrar a noiva, Patricia Terrill (a belíssima Carroll Baker), filha de um fazendeiro local. Lá, encontra uma terra de homens brutos, com duas famílias (os Terrill e os Hannassey) em guerra e seus modos da Nova Inglaterra causam tanta estranheza que a todo momento questionam sua masculinidade.

O segredo do filme está justamente na postura de McKay. Ele não dá a mínima para o que os outros pensam dele. Em momento algum ele se sente na obrigação de ter a aprovação alheia e acredita piamente que o caminho da violência é a maneira mais errada de se conseguir as coisas. Isso contrasta com a filosofia dos outros personagens, especialmente o do capataz da fazenda, Steeve Leech, vivido por Charlton Heston e o descontrolado Buck Hannassey de Chuck Connors. Completando a galeria de tipos masculinos está o fazendeiro Rufus Hannassey, rude, abrasivo mas cheio de honra, que valeu ao ator Burl Ives um Oscar de melhor ator coadjuvante.

Em quase três horas de filme, vemos Peck ser desafiado de todas as maneiras e não alterando sua fleuma em momento algum. Seu estilo de vida, porém, não o impede de mostrar a si mesmo quais são seus limites. Quando todos o acham um covarde por não montar o cavalo mais bravo da região, Old Thunder, limita-se a sorrir e dar uma desculpa esfarrapada, para de madrugada, acompanhado apenas do empregado Ramon, realizar o feito. Heston quer porque quer brigar com ele o filme todo, já que também está de olho na bela Patricia. O conflito dos dois ocorre mais uma vez longe dos olhos de todos, mas somente depois que o capataz lhe dá a palavra que nada será contado aos outros, não importando o resultado da luta.

Enfim, Da Terra Nascem os Homens é uma lição para aqueles que querem entender novas fronteiras da masculinidade e sair do espectro dos Rambos, Bournes e Ethan Hunts que imperam no cinema de ação. É uma lição ao homem de hoje que procura ser, nas palavras de Ramon, “raro de se encontrar”.

Em tempo, o tema do filme, composto por Jerome Moss, é considerado um dos melhores do gênero western pelos especialistas.

12 filmes de gangues que você não pode perder

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Ainda na esteira dos 20 anos de Os Bons Companheiros e na eminência de mais uma série de TV falando de Máfia (e com a chancela de Scorcese), Boardwalk Empire, aqui vão 12 imperdíveis filmes com grupos de criminosos dos mais diversos tipos e estilos. Só deixamos a saga O Poderoso Chefão de Copolla de fora da lista, porque já virou obrigatória e hour-concour, portanto se você não viu, não merece nem ler o resto.

1. Scarface, A Vergonha de uma Nação (1932): todo mundo fala da versão de Al Pacino, mas Howard Hawks chocou os EUA com um filme tão violento que ficou dois anos na gaveta esperando ser liberado pela censura (conseguiu mas com um texto alertando para o fato de que o crime é ruim). Paul Muni é Tony Camonte, criminoso que ascende ao topo de um bando de gangster depois de matar seu chefe. Para completar tinha uma paixão incestuosa pela irmã, envolvida com um de seus homens de confiança, George Raft (que acabou criando um dos personagens mais marcantes do filme, o gangster que jogava uma moeda para cima e para baixo. Até o Pernalonga o imitou).

2. Fúria Sanguinária (1949): outro clássico imperdível e estrelado pelo grande ás do gênero, o baixinho enfezado James Cagney (que na verdade era um exímio bailarino e sapateador, mas ficou marcado pelos tipos brutos que interpretou em filmes de gangster). Ele é Cody Jarret, um psicótico líder de gangue com um complexo materno que deixaria Freud louco. A sequencia final, após a fuga da cadeia, com Cagney no alto de um tanque de combustível gritando “veja mamãe, cheguei no topo do mundo” é uma das mais marcantes na história de Holywood.

3. Onze Homens e um Segredo (1960): a refilmagem com Clooney e seus amigos é bem simpática, mas a versão original com o famoso Rat Pack de Frank Sinatra (com Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop) tem um estilo inconfundível de uma época que não volta mais, além de um final completamente inesperado e que dificilmente alguém teria coragem de colocar em um filme atual (Steven Soderbergh não teve).

4. À Queima Roupa (1967): o sempre durão Lee Marvin em mais uma parceria com o diretor inglês John Boorman (os dois fizeram o incrível Inferno no Pacífico juntos) na história de um criminoso que busca vingança contra a ex-esposa e o ex-parceiro e procura recuperar sua parte proveniente de um antigo assalto, enquanto enfrenta uma poderosa organização criminosa, disfarçada de operação legal. Reconheceu a história? Foi refilmada com Mel Gibson como O Troco. Um dos filmes favoritos de Martin Scorcese.

5. Laranja Mecânica (1971): não é preciso o paletó e o sotaque italiano, nem mesmo localizar a história nos EUA para se fazer um filme sobre gangues. Stanley Kubrick adaptou o livro de Anthony Burgess um jovem deliquente, Alex de Large, que com sua gangue aterroriza os pobres ingleses do futuro e, capturado, aceita fazer parte de um programa de reabilitação experimental que leva a uma aversão à violência (e a Bethoven) por parte do paciente. Você nunca mais vai relacionar a música “Cantando na Chuva” somente com Gene Kelly depois desse filme.

6. Warriors – Selvagens da Noite (1979): fantasia transadíssima do diretor Walter Hill que causou tumulto entre gangues reais no cinema na época do lançamento, mas hoje parece até história em quadrinhos filmada. A cidade de Nova York é palco de um conclave de gangues com nomes geniais (The Furies, The Boppers, The Hi-Hats, The Lizzies, The Turnbull AC’s, The Gramercy Riffs) e depois de serem acusados de ter matado o líder da maior delas, o pessoal do Warriors deve fugir do Bronx a Coney Island e escapar da fúria de cem mil inimigos.

7. Era uma vez na America (1984): Sergio Leone deixou o faroeste de lado para fazer a lírica e trágica saga de uma gangue de judeus no bairro de East End de Nova York, desde a era da Lei Seca nos anos 1920 até o reencontro da turma nos anos 1960 e ainda contou com os talentos de Robert De Niro, James Woods, Joe Pesci e da sempre estonteante Jennifer Connely, então com apenas 14 anos de idade. Destaque para a música belíssima de Ennio Morricone.

8. Cães de Aluguel (1992): o filme de estréia de Quentin Tarantino conseguiu revolucionar o gênero, aliando elementos antigos e esquecidos dos filmes clássicos com inovações como história não-linear e personagens marcantes, mas sem nome (somente apelidos como Sr. Black, Sr. Pink etc), numa história sangrenta sobre um assalto a uma joalheria. Contar mais é entregar o filme. Obviamente que depois de assistir esse, é obrigatório ver Pulp Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios e entrar em eternas discussões sobre qual é o melhor filme do diretor.

9. Os Suspeitos (1995): talvez uma dos mais brilhantes usos de linguagem cinematográfica no cinema americano, brincando com o fato de que você é um espectador. Dirigido pelo então estreante Bryan Singer (X-Men) e magistralmente estrelado por Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Kevin Pollack, Chezz Palminteri e Kevin Spacey (que ganhou o Oscar de ator coadjuvante), é um daqueles filmes onde você nunca vai poder contar nada, especialmente o final ou perde a graça. Se não viu, compre já e assista com um grupo. Em tempo, o nome original, The Usual Suspects vem de uma frase de Casablanca, “round up the usual suspects” (prenda os suspeitos de sempre).

10. Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998): o filme que lançou Guy Ritchie (ex-Sr. Madonna) na direção e os brutamontes Jason Statham (Adrenalina) e Vinnie Jones (60 Segundos) como atores. Quatro pobretões londrinos acabam devendo meio milhão de libras depois de um mal sucedido jogo de poker e tem uma semana para recuperar o dinheiro. Enquanto isso, o filme desfila os tipos mais estranhos possíveis, como Harry “Machadinha”, Barry “Batista” e Nick “o Grego” das mais variadas gangues com os mais variados sotaque. Ritchie acabou repetindo a fórmula depois no genial Snatch – Porcos e Diamantes e recentemente no divertido Rock’n'rolla - A Grande Roubada.

11. A Outra História Americana (1998): um filme que aborda um outro tipo de gangue, aquela movida por ódio racial. Um Edward Norton sarado faz um ex-líder de um grupo de neo-nazistas skinheads, que depois de cumprir pena por assassinato busca a todo custo tirar seu irmão menor (Edward Furlong de O Exterminador do Futuro II) do mesmo caminho que ele seguiu. Destaque para a chocante cena da morte do desafeto de Norton no meio-fio e da reconstrução do personagem dentro da penitenciária.

12. Cidade de Deus (2002): não é ufanismo, nem repetição, mas não dá mais para se falar em filmes de gangue ou de crime sem citar o classicão de Fernando Meirelles. Se você duvida cheque o IMDB, maior site de cinema do mundo. O filme aparece em 19o lugar entre os 250 melhores filmes já feitos e em sétimo no gênero “crime”, e isso por votação dos gringos. A história você já conhece: na famosa favela carioca, moço que se esquentava quando chamado de Dadinho, domina o crime local e começa a combater outras gangues, enquanto acaba criando seus maiores inimigos. E ainda nos faz pensar que se aqui fosse Holywood, alguém já teria a idéia de fazer Zé Pequeno versus Capitão Nascimento, o filme.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Os Bons Companheiros: o lado B da Máfia

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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O Poderoso Chefão pode ser o melhor filme de máfia já feito, mas foi Os Bons Companheiros, que completa 20 anos este ano, que tirou o romantismo dos criminosos e mostrou a dura realidade que cerca seu mundo. Enquanto no primeiro você torcia pelo vilão, já que a “famiglia” mafiosa é mostrada como um centro de valores tradicionais envolvendo honra, camaradagem e companheirismo (ou como um crítico inglês definiu, “o mundo é que é louco, eles não”), no segundo, Scorcese decidiu colocar o verdadeiro objetivo daquela gente: ganhar dinheiro em cima do medo, do vício e da morte alheia.

Scorcese vinha de uma grande polêmica com o seu A Última Tentação de Cristo, que provocou a ira de cristãos no mundo todo e apesar de ter prometido não mais fazer filmes de máfia, resolveu levar às telas o livro “Wiseguy” de Nicholas Pileggi, contando a história real de Henry Hill, que escalou a hierarquia da organização criminosa nos Estados Unidos e acabou se tornando delator do FBI para escapar de uma condenação mais pesada.

Para o papel principal, chamou um ator menos conhecido e muito talentoso, Ray Liotta, que vinha de Totalmente Selvagem e Campo dos Sonhos, apesar do produtores insistirem em medalhões como Tom Cruise. Robert De Niro, em mais uma parceira com Scorcese, dá um show como o irlandês Jimmy Comway, associado à gangue de Paulie Cicero, interpretado por Paul Sorvino, mas quem rouba todo o filme é Joe Pesci e seu Tommy DeVito, o gangster sociopata e sem limites.

Pesci, que já havia trabalhado com Scorcese e De Niro em Touro Indomável, relutava em fazer o papel. Como na juventude havia trabalhado em um restaurante freqüentado por mafiosos, tinha muitas histórias para contar ao diretor e este, para convencer o ator a participar da produção, colocou algumas delas no meio da narrativa.

A mais famosa gerou uma das mais marcantes cenas do filme, onde Joe Pesci, nervoso, fica ameaçando Ray Liotta, dizendo “você me acha engraçado?”. A sequencia foi “negociada” em segredo entre Scorcese, Liotta e Pesci e a cara de surpresa dos outros atores na cena era completamente genuína. Em entrevista recente para a revista GQ, um deles afirmou que todos achavam que Joe iria mesmo matar Ray no set de filmagem. Seu personagem realmente era assustador. Não pensava duas vezes em ferir ou matar alguém. Nervoso e agitado, acabou dando o Oscar de melhor ator coadjuvante a Joe Pesci.

Improvisação foi o grande segredo para atuações tão convincentes. O diretor apresentava mais situações do que scripts prontos aos seus atores e criava um ambiente de mistério, onde um não sabia o que o outro iria dizer. Além disso, assim como aconteceu nos filmes do Chefão, contratou legítimos membros da Máfia e amadores para figuração. Até mesmo Charles e Catherine Scorcese, pais do diretor, aparecem no clássico, a última como a mãe de Tommy De Vito.

Outro detalhe é a utilização da música em cena. Enquanto o filme abre com “Rags to Riches” de Tony Bennet para ilustrar o lirismo dos anos 50, vai terminar com “My Way” na versão do Sex Pistols, ilustrando a ascenção e queda de Henry Hill. Na sequencia onde o bandido faz negociações com drogas entre o final dos anos 1960 e começo de 70, o diretor desfila um pout-pourri de clássicos como “Jump Into the Fire” de Nilsson, “Memo From Turner” e “Monkey Man” dos the Rolling Stones, “Magic Bus” do The Who e “Mannish Boy” de Muddy Waters. E acredite, nunca mais você vai conseguir escutar o solo de piano de “Layla” de Eric Clapton, sem lembrar dos corpos das pessoas envolvidas com o assalto ao avião da Lufthansa, mutilados depois que Jerry Comway “conversou” com eles.

A violência do filme assustou a platéia das exibições-teste. Em uma delas, 70 pessoas chegaram a sair da sala no meio da projeção. Segundo o diretor, nunca antes um filme havia recebido notas tão baixas antes nesses previews. O resultado foi que acabou sendo lançado em metade das salas originalmente programadas e foi ofuscado na bilheteria e na cerimônia do Oscar por Dança com Lobos. Vinte anos depois, quem se lembra do filme de Costner?

Os Bons Companheiros colocou Scorcese de volta ao panteão dos grandes diretores americanos do cinema moderno e foi o ponto alto da carreira de Liotta (que foi subestimado por Hollywood e acabou caindo em produções de segunda) e Pesci (que teve fez algumas boas produções como JFK, Esqueceram de mim, Cassino e Máquina Mortífera, mas nenhum papel com o impacto de DeVito).

Foi o filme que abriu caminho para seriados como Família Soprano, onde metade do elenco, aliás, foi se alojar. Lorraine Bracco, que fazia a esposa de Henry Hill no cinema, tornou-se a Dra Melfi, psicoterapeuta de Tony Soprano (a atriz recusou ser Carmela Soprano pois alegou que já havia tido sua quota de mulher de mafioso). Michael Imperioli, o Spider da produção de Scorcese, ganhou o papel do sobrinho de Soprano no seriado. Há, aliás, uma homenagem em tom de brincadeira em um dos episódios. No filme, Imperioli, um garçom, leva um tiro no pé, disparado por Joe Pesci, depois de ofendê-lo. Na série, é ele que dispara um no pé de um atendente que o trata mal em uma rotisserie.

Mais do que um filme de máfia, Os Bons Companheiros é uma aula de cinema e continua tão atual quanto em 1990. Imperdível. E agora, confira como Joe Pesci é “engraçado”. Ou não.

domingo, 3 de outubro de 2010

Adeus, Tony Curtis, e obrigado!

Publicado no blog da revista Alfa em setembro de 2010
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Se você não sabe quem é Tony Curtis, morto ontem aos 85 anos de idade, então nunca assistiu à melhor comédia já feita segundo o American Film Institute, um dos melhores dramas sobre jornalismo sensacionalista e a uma das séries de TV mais charmosas e divertidas de todos os tempos. Mais do que isso, perdeu a chance de ver um dos homens mais simpáticos que surgiu nas telas.

Tony Curtis transformou a desgraça de sua vida pessoal em sucesso. Nascido Bernard Schwartz no Bronx, em Nova York, teve uma infância paupérrima e pautada por revéses como ter que passar semanas em um orfanato, pois seus pais não tinham condição financeira de sustentá-lo e mais tarde enfrentar a morte do irmão em um acidente de carro. Depois de três anos como fuzileiro naval, Bernard mudou seu nome para Tony Curtis e foi para Holywood em 1938. Bonito, charmoso e com uma forte e marcante voz, apareceu por dois minutos apenas no filme Baixeza de 1939 e causou tão boa impressão que foi convidado para um papel menor, mas importante, em Serras Sangrentas. A partir daí sua carreira deslanchou.

Estrelou, ao lado de Jack Lemmon e Marilyn Monroe,o hilariante Quanto Mais Quente Melhor (1959) de Billy Wilder, onde aparece vestido de mulher. Já com Burt Lancaster fez A Embriaguez do Sucesso (1957), um drama carregado onde interpreta um ambicioso e inescrupuloso assessor de imprensa. A nomeação para o Oscar veio com Acorrentados de 1958, onde ele e Sidney Poitier são dois prisioneiros, um negro e um branco, que, atados um ao outro, escapam de uma penitenciária e tem que lidar com o racismo que sentem para manterem-se vivos.

Depois de participações elogiadas em Spartacus (1960) de Stanley Kubrick, onde participa de uma cena – cortada na época de seu lançamento – com forte teor homossexual; e de O Homem que Odiava Mulheres (1968), a controversa cinebiografia de Alberto DeSalvo, um serial killer real que assombrou Boston, Curtis foi para a TV na deliciosa série The Persuaders (1971). Nela, viveu Danny Wilde um bon vivant americano que é arregimentado por um juiz aposentado para, ao lado do lorde inglês Brett Sinclair (ou Roger Moore antes da fase James Bond) prender criminosos ricos. Com diálogos deliciosos, sempre repleto de mulheres e belas paisagens e com uma das melhores aberturas e temas já feitos, o seriado só teve duas temporadas e acabou cancelado graças ao vício de Tony em álcool e drogas que o faziam atrasar a produção. O ator iria lutar para se desvencilhar desses vícios anos mais tarde e ainda veria um de seus filhos morrer de overdose em 1994.

Curtis fazia sucesso com as mulheres. Teve tórridos e divulgados affaires com Marilyn Monroe e Natalie Wood, casou-se seis vezes (uma delas com Janet Leigh de Psicose) e teve seis filhos, sendo a mais famosa Jamie Leigh Curtis, que estreou Um Peixe Chamado Wanda e True Lies.

Até sua morte ontem, ele se dedicava à pintura, seu maior hobby e a escrever. E até nisso teve sucesso. Alguns de seus quadros foram vendidos por US$ 50.000 e um deles está exposto no Metropolitan Museum of Art de Nova York. Apesar de todos os percalços pessoais, financeiros e profissionais que passou durante sua vida, ele amava viver. Quando completou 60 anos de idade disse “eu não estou pronto para descansar como um velho senhor judeu e ficar sentado na varanda ou andando de bengala. Eu ainda tenho uma porrada de coisas para viver”. E pode ter certeza que ele viveu.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

40 anos de quatro grandes filmes de guerra (e as lições que eles passam)

Publicado no site da revista Alfa em setembro de 2010
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Filmes de guerra se dividem geralmente em três categorias: aqueles que querem fazer propaganda velada (ou não) de alguma ideologia, cheio de heróis e vilões; os que querem denunciar o horror da guerra e o absurdo da matança e finalmente os filmes com revisão histórica, tentando bravamente contar o que realmente aconteceu.

Inspiradas pela Guerra do Vietnã, que já ia de mal a pior, quatro produções de 1970 resolveram revisitar conflitos antigos como forma de crítica e alerta e acabaram se tornando obrigatórios para qualquer homem de respeito assistir, pois envolvem ao mesmo tempo, coragem e loucura, exemplos de boas e más lideranças e tipos masculinos inesquecíveis.

Patton: a cinebiografia do mais controverso general americano deu a George C. Scott o Oscar de melhor ator (que ele não aceitou, nem foi receber) depois que Rod Steiger, Lee Marvin, Robert Mitchum e Burt Lancaster recusaram o papel e John Wayne foi “gongado” pelos produtores. Já na primeira cena, com o famoso discurso à frente da bandeira americana, somos apresentados à filosofia rígida do militar em relação aos soldados e aos inimigos (“nenhum bastardo ganhou a guerra morrendo pelo seu país. Ele ganhou fazendo com que o outro pobre e estúpido bastardo morresse pelo país dele”). É um grande exemplo do líder que podia até inspirar seus subordinados, mas não tinha limites em conseguir o que queria, fato que causava horror no alto comando. Em resumo, seu brilhantismo em estratégia foi totalmente ofuscado pela insanidade de suas atitudes. Um filme ideal para aqueles que querem conhecer o que um gerenciamento obcecado pode fazer com uma carreira de sucesso.

Mash: obra-prima de Robert Altman mostrando um hospital de campo na Coréia (mas obviamente remetendo ao Vietnã) e que consegue rivalizar com Dr. Fantástico de Kubrick como comédia de humor negro sobre uma guerra. Cínico, a começar pela música-tema, “Suicide is Painless” (suicídio é indolor, composta pelo filho de Altman, então com 14 anos de idade), o filme tem um desfile de tipos estranhos que tentam passar ao largo do conflito e fugir da insanidade que os cercam, como o certinho e radical major de Robert Duvall, a enfermeira “Lábios Ardentes” e os médicos vividos por Elliot Gould (o pai de Rachel em Friends), Donald Sutherland e Tom Skerrit, que no meio de mortos e feridos, arrumam tempo para se embebedar e jogar golfe. Fez tanto sucesso que acabou virando uma série de TV. Se você quer aprender como trabalhar bem, sem stress, esse é seu filme.

Ardil-22: outro grande exemplo de crítica aos horrores da guerra mostrando um aviador que tenta desesperadamente ser dispensado de seu batalhão alegando insanidade, enquanto vê seus colegas serem mortos. Com uma narrativa não-linear (mesmo porque dizem que o livro em que se baseou, o best-seller de Joseph Heller, foi escrito do final para o começo), o filme mostra a terrível burocracia do exército, as ordens superiores sem lógica e como algumas pessoas lucram no meio de um conflito sangrento. Com um elenco estelar (Alan Arkin, Orson Welles, Anthony Perkins, Martin Sheen e John Voigt) é ótimo para o homem que acha que tem alguma coisa errada com a direção da empresa em que trabalha.

Tora Tora Tora: apesar de alguns críticos o considerarem mais chato que campeonato de bingo, graças ao seu tom quase documental, o filme que aborda o ataque à Peal Harbor dá de 10 a zero na produção de 2001 com o nauseabundo Ben Affleck, especialmente na recriação das cenas da batalha (que lhe valeu o Oscar de efeitos especiais). Pela primeira vez, Hollywood resolveu mostrar as duas visões do conflito, já que a porção americana foi dirigida por Richard Fleischer e a parte japonesa por Kinji Fukasaku (depois que Kurosawa caiu fora). Até mesmo o roteiro foi escrito por um representante de cada país. Obviamente que muita gente na America torceu o nariz para a produção, um fracasso de bilheteria, considerando-a ofensiva por mostrar o despreparo militar e estratégico do país frente ao ataque, mas o filme foi um tremendo sucesso no Japão e serve de lição para mostrar que tudo na vida tem dois lados. Não só o do vencedor.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Brooks e West, as “avós” de Megan Fox

Publicado no site da revista Alfa em setembro de 2010
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Estou com saudades de Megan Fox. Infelizmente agora que está casada, com um grande fracasso na cabeça (Jonah Hex) e demitida do elenco de Transformers III, a menina parece estar mais contida e parou de dar entrevistas deliciosamente chocantes e criar factóides. Ninguém há de negar que a atriz é uma das coisas mais bonitas e gostosas que já apareceu nas telonas (embora eu acredite que sua interpretação mais sensual foi como a neta de Berta lavando os vidros do deck de Charlie em Two and a Half Men), mas um dos grandes segredos do seu sucesso veio de polêmicas, sempre girando em torno de suas preferências sexuais e relação com atores e atrizes. Disse, por exemplo, que queria transar com Olivia Wilde, a 13 do seriado House, que tinha nojo de homens, e que usar os atributos físicos para ter sucesso dá poder às mulheres e não as degradam. Era tanta notícia sobre ela que os sites americanos declararam o 4 de agosto de 2009 como “o dia sem Megan Fox”, ou seja, nada sairia sobre a atriz.

Megan vem de uma grande tradição de garotas-problema que fazem a alegria dos fãs e da imprensa de celebridades e desesperam os mais conservadores. Apesar de muita gente a comparar com Angelina Jolie, outra grande musa cheia de declarações e atitudes bombásticas, com pitadas até de incesto, a história vem de muito antes. Já nos tempos do cinema mudo, o planeta se encantou e se chocou com uma grande atriz, Louise Brooks. Belíssima e de uma personalidade forte, ela não se dobrava frente aos diretores e produtores de uma época onde atores e atrizes não tinham nenhum poder de decisão. Acreditava que uma mulher bem vestida, mesmo com a bolsa vazia, pode conquistar o mundo e depois de conseguir brigar com quem podia em Hollywood foi para a Europa, onde estreou o filme que a tornou mais famosa, o clássico alemão A Caixa de Pandora de Georg Pabst e viveu um tórrido romance de verão com Charlie Chaplin.

Sua vida pessoal, aliás, foi fonte de muita especulação e a tornou lendária. Filha de um advogado e de uma pianista, Louise foi abusada sexualmente por um vizinho aos nove anos de idade. Isso a marcou profundamente em suas relações posteriores (foi casada duas vezes) e, em suas palavras, “amar é um truque publicitário e fazer amor, depois da ruptura inicial por curiosidade, é só uma maneira de passar o tempo esperando que o estúdio telefone”. Mesmo como uma sex symbol capaz de levar homens à loucura, aos moldes de sua personagem em Pandora, ela sempre deixou suspeitas em torno de suas preferências sexuais pois era sempre vista acompanhada de mocinhas homossexuais declaradas. Só no final da vida confessou que teve dois affaires com mulheres, um deles, de apenas uma noite, com Greta Garbo, uma amante “charmosa e carinhosa” segundo sua definição. Infelizmente seu temperamento foi sua ruína. De volta aos Estados Unidos, com o advento de cinema falado, Louise recusou-se a dublar sua produção originalmente muda, The Canary Murder Case de 1929, e os produtores espalharam que tiveram que chamar outra atriz porque a voz de Brooks era muito ruim. A partir daí, sua carreira foi declinando e ela se despediu das telas em 1938, depois de fazer pequenos papéis e dedicou-se a escrever e pintar.

Outra que escandalizou uma época e que põe Lady Gaga no chinelo foi Mae West. Desbocada, cheia de frases com duplo sentido, ela não só atuava como escrevia peças e roteiros de filmes, todos com um forte teor sexual, o que lhe trouxe inúmeros problemas. Apesar de não ser bonita, foi um tremendo símbolo sexual graças à sua atitude ousada e corpo voluptuoso. Sua carreira começou no teatro vaudeville e West só foi parar no cinema, aos 38 anos de idade, na produção Noite Após Noite de 1932. Mesmo em um pequeno papel, ela teve a liberdade de escrever suas falas e sua personagem, safada e sem papas na língua, fez tanto sucesso que o astro do filme, George Raft, disse que Mae roubou toda a produção, menos as câmeras. Em 1935, ela se tornou a segunda pessoa mais bem paga dos Estados Unidos, perdendo apenas para o milionário jornalista William Randolph Hearst.

Em cada filme ou programa de rádio que trabalhava, Mae aproveitava para soltar frases como “ama o teu próximo e se ele for alto, moreno e bonitão, será bem mais fácil” ou “uma mulher apaixonada não pode ser razoável ou não estaria apaixonada”, “sempre que você não tiver nada para fazer e muito tempo para fazer isso, apareça”, “cultive suas curvas, pois elas podem ser perigosas, mas não serão desprezadas” e finalmente a mais famosa, onde ao ser agarrada por um caubói em uma produção, dispara: “você está com um revólver no bolso ou ficou feliz em me ver?”. Obviamente que esse tipo de atitude despertou a raiva dos censores e das organizações de mães e religiosos da America e West foi perdendo cada vez mais sua liberdade, deixando o cinema em 1943, só retornando três décadas mais tarde. Sobre isso limitou-se a dizer: “eu apoio e sempre apoiarei a censura, pois graças a ela, fiquei milionária”. Um detalhe engraçado é que durante a II Guerra, os paraquedistas aliados apelidaram seus coletes salva-vidas amarelos de Mae West porque com eles, ficavam peitudos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dez grandes cenas de tiroteio que você não pode perder

Publicado no site da Revista Alfa em setembro de 2010
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Foram lançados recentemente três grandes filmes do mestre da violência Sam Peckinpah em primorosas edições em DVD: Pat Garret & Billy The Kid (1973), Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974) e Assassinos de Elite (1975). Peckinpah, que se consagrou no início de sua carreira com faroestes de qualidade, foi o diretor que primeiro colocou nas telas o recurso da câmera lenta nas cenas de tiroteio e acabou inspirando várias gerações de cineastas (Quentin Tarantino que o diga). Em homenagem a ele, preparei uma lista de dez incríveis cenas onde o banho de sangue é tão bem filmado, que se torna lírico.

1. William Holden e sua gangue versus o exército mexicano em Meu Ódio Será Sua Herança (1969): esqueça o título brega. Este é um dos melhores westerns já feitos, mostrando um bando de assaltantes de bancos que se refugia no México e se envolve com um perverso general. A cena final, que levou 12 dias para ser feita, com quatro caras duelando com todo um exército (contrastando com a cena inicial onde crianças jogam um escorpião em um formigueiro) é clássica e imperdível. A direção é do Peckinpah.

2. Tom Hanks e sua tropa versus os alemães em O Resgate do Soldado Ryan (1998): para muitos, o começo do filme é um verdadeiro chute no estômago com corpos dilacerados, o mar tingido de vermelho e muitos soldados gritando “medic!” em meio ao desespero da invasão da Normandia. Qualquer filme de Segunda Guerra feito antes desse clássico acabou perdendo a graça. E isso tudo vindo do cara que nos deu E.T.

3. Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss versus os seguranças em Matrix (1999): segundo um conhecido, essa é a propaganda de óculos escuros mais cara da história, mas não dá para não se impressionar com o bailado dos dois atores e quantidade de balas disparadas no lobby do edifício até a chegada ao elevador. Dá até para esquecer a pseudo-filosofia do roteiro complicado.

4. Al Pacino versus os inimigos de sua famiglia na saga O Poderoso Chefão (1972, 1974 e 1990): caso você nunca tenha prestado atenção ou assistido os três filmes (o que, desde já registro, é um crime sem perdão), cada capítulo começa com uma festa e termina com um massacre com eventuais assassinatos no meio da história. Só que não dá para não ficar de boca aberta com a maestria que Coppola filma cada morte. E são tão originais, que é quase impossível escolher qual é a melhor.

5. Os ‘Federais’ versus Warren Beaty e Faye Dunaway em Bonnie & Clyde, Uma Rajada de Balas (1967): Bonnie Parker e Clyde Barrow foram dois assaltantes de banco que infernizaram o pacato interior dos Estados Unidos nos anos 30 e tiveram sua vida (e morte) levada às telonas pelas mãos do diretor Arthur Penn. A cena final reproduz com perfeição o fim do casal de bandidos já que, na história real, mais de 130 tiros foram disparados pelas forças policiais em direção ao carro onde se encontravam e segundo reza a lenda, mais de 50 balas foram retiradas de cada um dos corpos.

6. Al Pacino versus a gangue de Sosa em Scarface (1983): a adaptação do clássico de 1932 para os anos de 1980, com todo o requinte de crueldade que a época exigia, marcou toda uma década, em especial pela cena da morte de Tony Montana, que enfrenta o bando rival com sua metralhadora e altas doses de cocaína e ainda grita “diga oi para meu amiguinho”.

7. Robert De Niro e Val Kilmer versus a polícia de Los Angeles em Na Linha de Fogo (1995): para muitos gringos, a campeã em termos de tiroteio é a sequência do assalto ao banco no centro de L.A., onde o realismo da ação impressiona pelos inúmeros carros sendo destruídos pelas balas, pedestres fugindo desesperadamente e a única trilha sonora é o som dos tiros.

8. O batalhão de Brad Pitt versus os nazistas em Bastardos Inglórios (2009): Tarantino vingou as vítimas do holocausto colocando um batalhão de judeus massacrando Hitler e o alto comando alemão e distorcendo toda a história da II Guerra. Acontece que o diretor aprendeu a trabalhar a tensão antes de começar a disparar cartuchos e assim a sequencia da cervejaria do porão está destinada a se tornar clássica .

9. Seu Jorge versus a gangue de Leandro Firmino em Cidade de Deus (2002): melhor filme brasileiro dos últimos 20 anos, essa obra-prima não economiza balas, cartuchos e palavrões em suas cenas, especialmente na batalha entre as gangues da favela. Um dos grandes e inequecíveis destaques é a cena em que Mané Galinha parte para se vingar a morte de seu irmão e tio e o estupro da namorada, atacando sozinho o bando de Zé Pequeno e entrando a partir dali, numa vida de crimes.

10. Chloe Moretz versus os mafiosos de Mark Strong em Kick-Ass Quebrando Tudo (2010): o filme passou despercebido nos cinemas brasileiros, mas pode ser encarado como um Tarantino para teenagers. A sequencia final com Hit Girl, a garotinha mais desbocada das telas, massacrando sozinha o bando de Frank D´Amico ao som do tema de Por Uns Dólares A Mais é de trazer lágrimas aos olhos. Desde que, obviamente, você não leve muito a sério.