sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bons e maus policiais no cinema

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Já que o assunto da vez é o Capitão Nascimento (desculpe, mas ainda não vou conseguir chamá-lo de Coronel) e seu BOPE em Tropa de Elite 2, vale a pena dar uma olhada em alguns policiais que foram eternizados no cinema, tanto por serem durões pacas (ou como diriam na língua do bardo, badasses) ou corruptos demais e aqueles mais idealistas.

Chefe Harlan Quilan em A Marca da Maldade (1958): estrelado e dirigido por um imenso Orson Welles (que foi demitido da direção já na pós-produção), o clássico mostrou dois extremos da força policial, o correto oficial da divisão de narcóticos interpretado por Charlton Heston e o extremamente corrupto chefe de polícia (Welles) na investigação do assassinato de um empreiteiro em uma cidade na fronteira com o México. A abertura do filme, uma sequencia de três minutos sem cortes acompanhando um carro com uma bomba dentro, virou clássica.

Virgil Tibbs em No Calor da Noite (1967): um policial negro de Nova York tem que investigar um assassinato em uma cidade racista pacas no sul dos Estados Unidos. O filme tem os geniais Sidney Poitier e Rod Steiger e uma de suas frases entrou para o as 100 melhores da história do cinema. Quando o policial racista lhe pergunta “como é que tem chamam na sua cidade, crioulo?”, Poitier simplesmente dispara “Eles me me chamam de Sr. Tibbs”.

Dirty Harry em Magnum Force (1973): na segunda aventura de Clint Eastwood como o policial harry Calaham, ele precisa um esquadrão da morte repleto de policiais corruptos, que matam aqueles que são considerados indesejáveis na cidade de San Francisco. Nada que uma Magnum 44 na mão não resolva.

Frank Serpico em Serpico (1973): cinebiografia do policial novaiorquino que se recusava terminantemente a receber propina e acabou não só sendo isolado pelos colegas, como correu perigo de vida e levou a uma mega investigação na polícia de NY. Al Pacino levou o Globo de Ouro por sua interpretação.

Stansfield em O Profissional (1994): Gary Oldman dá um show de interpretação na pele do policial Norman Stansfield, que lidera um negócio de drogas em NY e está atrás da garotinha Mathilda (Natalie Portman, então com 12 anos de idade), única testemunha do massacre de sua família.

Bud White em Los Angeles – Cidade Proibida (1997): no moderno filme noir de Curtis Hanson, o foco é a força policial de Los Angeles nos anos de 1950. Com tipos como o policial galã de Kevin Spacey e CDFs como Guy Pearce, o detaque vai para o brutamontes de Russell Crowe, que prefere fechar os olhos para os esquemas de corrupção do lugar até que se torna um alvo.

Detetive Alonzo Harris em Dia de Treinamento (2001): Denzel Washington abandonou o papel de mocinho e assumiu a pele do corrupto, violento e imoral Alonzo, policial da divisão de narcóticos em Los Angeles e acabou levando uma estatueta do Oscar com isso, provando que o crime compensa (pelo menos nas telas). Duvido você não ficar com raiva do cara.

Billy Costigan e Colin Sullivan em Os Infiltrados (2006): de um lado um policial fingindo ser bandido (Di Caprio) e do outro um bandido tentando ser policial (Matt Damon), numa produção menor de Martin Scorcese (refilmagem do chinês Infernal Affairs) que acabou lhe dando o Oscar de Melhor Diretor e levou também o de melhor filme do ano.

Um filme sobre um homem raro

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Da Terra Nascem os Homens, produção de 1958 dirigida por William Wyler, não é só um grande faroeste, mas também traz um conceito até então não explorado no gênero e que até hoje pode ser servido de exemplo, o do homem que não precisava provar nada para ninguém.

Gregory Peck, que quatro anos depois faria o advogado Atticus Finch de O Sol é Para Todos, este sim considerado o maior herói de todos os tempos pelo American Film Institute, vive o marinheiro aposentado Jim McKay, que se muda para o oeste para encontrar a noiva, Patricia Terrill (a belíssima Carroll Baker), filha de um fazendeiro local. Lá, encontra uma terra de homens brutos, com duas famílias (os Terrill e os Hannassey) em guerra e seus modos da Nova Inglaterra causam tanta estranheza que a todo momento questionam sua masculinidade.

O segredo do filme está justamente na postura de McKay. Ele não dá a mínima para o que os outros pensam dele. Em momento algum ele se sente na obrigação de ter a aprovação alheia e acredita piamente que o caminho da violência é a maneira mais errada de se conseguir as coisas. Isso contrasta com a filosofia dos outros personagens, especialmente o do capataz da fazenda, Steeve Leech, vivido por Charlton Heston e o descontrolado Buck Hannassey de Chuck Connors. Completando a galeria de tipos masculinos está o fazendeiro Rufus Hannassey, rude, abrasivo mas cheio de honra, que valeu ao ator Burl Ives um Oscar de melhor ator coadjuvante.

Em quase três horas de filme, vemos Peck ser desafiado de todas as maneiras e não alterando sua fleuma em momento algum. Seu estilo de vida, porém, não o impede de mostrar a si mesmo quais são seus limites. Quando todos o acham um covarde por não montar o cavalo mais bravo da região, Old Thunder, limita-se a sorrir e dar uma desculpa esfarrapada, para de madrugada, acompanhado apenas do empregado Ramon, realizar o feito. Heston quer porque quer brigar com ele o filme todo, já que também está de olho na bela Patricia. O conflito dos dois ocorre mais uma vez longe dos olhos de todos, mas somente depois que o capataz lhe dá a palavra que nada será contado aos outros, não importando o resultado da luta.

Enfim, Da Terra Nascem os Homens é uma lição para aqueles que querem entender novas fronteiras da masculinidade e sair do espectro dos Rambos, Bournes e Ethan Hunts que imperam no cinema de ação. É uma lição ao homem de hoje que procura ser, nas palavras de Ramon, “raro de se encontrar”.

Em tempo, o tema do filme, composto por Jerome Moss, é considerado um dos melhores do gênero western pelos especialistas.

12 filmes de gangues que você não pode perder

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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Ainda na esteira dos 20 anos de Os Bons Companheiros e na eminência de mais uma série de TV falando de Máfia (e com a chancela de Scorcese), Boardwalk Empire, aqui vão 12 imperdíveis filmes com grupos de criminosos dos mais diversos tipos e estilos. Só deixamos a saga O Poderoso Chefão de Copolla de fora da lista, porque já virou obrigatória e hour-concour, portanto se você não viu, não merece nem ler o resto.

1. Scarface, A Vergonha de uma Nação (1932): todo mundo fala da versão de Al Pacino, mas Howard Hawks chocou os EUA com um filme tão violento que ficou dois anos na gaveta esperando ser liberado pela censura (conseguiu mas com um texto alertando para o fato de que o crime é ruim). Paul Muni é Tony Camonte, criminoso que ascende ao topo de um bando de gangster depois de matar seu chefe. Para completar tinha uma paixão incestuosa pela irmã, envolvida com um de seus homens de confiança, George Raft (que acabou criando um dos personagens mais marcantes do filme, o gangster que jogava uma moeda para cima e para baixo. Até o Pernalonga o imitou).

2. Fúria Sanguinária (1949): outro clássico imperdível e estrelado pelo grande ás do gênero, o baixinho enfezado James Cagney (que na verdade era um exímio bailarino e sapateador, mas ficou marcado pelos tipos brutos que interpretou em filmes de gangster). Ele é Cody Jarret, um psicótico líder de gangue com um complexo materno que deixaria Freud louco. A sequencia final, após a fuga da cadeia, com Cagney no alto de um tanque de combustível gritando “veja mamãe, cheguei no topo do mundo” é uma das mais marcantes na história de Holywood.

3. Onze Homens e um Segredo (1960): a refilmagem com Clooney e seus amigos é bem simpática, mas a versão original com o famoso Rat Pack de Frank Sinatra (com Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop) tem um estilo inconfundível de uma época que não volta mais, além de um final completamente inesperado e que dificilmente alguém teria coragem de colocar em um filme atual (Steven Soderbergh não teve).

4. À Queima Roupa (1967): o sempre durão Lee Marvin em mais uma parceria com o diretor inglês John Boorman (os dois fizeram o incrível Inferno no Pacífico juntos) na história de um criminoso que busca vingança contra a ex-esposa e o ex-parceiro e procura recuperar sua parte proveniente de um antigo assalto, enquanto enfrenta uma poderosa organização criminosa, disfarçada de operação legal. Reconheceu a história? Foi refilmada com Mel Gibson como O Troco. Um dos filmes favoritos de Martin Scorcese.

5. Laranja Mecânica (1971): não é preciso o paletó e o sotaque italiano, nem mesmo localizar a história nos EUA para se fazer um filme sobre gangues. Stanley Kubrick adaptou o livro de Anthony Burgess um jovem deliquente, Alex de Large, que com sua gangue aterroriza os pobres ingleses do futuro e, capturado, aceita fazer parte de um programa de reabilitação experimental que leva a uma aversão à violência (e a Bethoven) por parte do paciente. Você nunca mais vai relacionar a música “Cantando na Chuva” somente com Gene Kelly depois desse filme.

6. Warriors – Selvagens da Noite (1979): fantasia transadíssima do diretor Walter Hill que causou tumulto entre gangues reais no cinema na época do lançamento, mas hoje parece até história em quadrinhos filmada. A cidade de Nova York é palco de um conclave de gangues com nomes geniais (The Furies, The Boppers, The Hi-Hats, The Lizzies, The Turnbull AC’s, The Gramercy Riffs) e depois de serem acusados de ter matado o líder da maior delas, o pessoal do Warriors deve fugir do Bronx a Coney Island e escapar da fúria de cem mil inimigos.

7. Era uma vez na America (1984): Sergio Leone deixou o faroeste de lado para fazer a lírica e trágica saga de uma gangue de judeus no bairro de East End de Nova York, desde a era da Lei Seca nos anos 1920 até o reencontro da turma nos anos 1960 e ainda contou com os talentos de Robert De Niro, James Woods, Joe Pesci e da sempre estonteante Jennifer Connely, então com apenas 14 anos de idade. Destaque para a música belíssima de Ennio Morricone.

8. Cães de Aluguel (1992): o filme de estréia de Quentin Tarantino conseguiu revolucionar o gênero, aliando elementos antigos e esquecidos dos filmes clássicos com inovações como história não-linear e personagens marcantes, mas sem nome (somente apelidos como Sr. Black, Sr. Pink etc), numa história sangrenta sobre um assalto a uma joalheria. Contar mais é entregar o filme. Obviamente que depois de assistir esse, é obrigatório ver Pulp Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios e entrar em eternas discussões sobre qual é o melhor filme do diretor.

9. Os Suspeitos (1995): talvez uma dos mais brilhantes usos de linguagem cinematográfica no cinema americano, brincando com o fato de que você é um espectador. Dirigido pelo então estreante Bryan Singer (X-Men) e magistralmente estrelado por Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Kevin Pollack, Chezz Palminteri e Kevin Spacey (que ganhou o Oscar de ator coadjuvante), é um daqueles filmes onde você nunca vai poder contar nada, especialmente o final ou perde a graça. Se não viu, compre já e assista com um grupo. Em tempo, o nome original, The Usual Suspects vem de uma frase de Casablanca, “round up the usual suspects” (prenda os suspeitos de sempre).

10. Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998): o filme que lançou Guy Ritchie (ex-Sr. Madonna) na direção e os brutamontes Jason Statham (Adrenalina) e Vinnie Jones (60 Segundos) como atores. Quatro pobretões londrinos acabam devendo meio milhão de libras depois de um mal sucedido jogo de poker e tem uma semana para recuperar o dinheiro. Enquanto isso, o filme desfila os tipos mais estranhos possíveis, como Harry “Machadinha”, Barry “Batista” e Nick “o Grego” das mais variadas gangues com os mais variados sotaque. Ritchie acabou repetindo a fórmula depois no genial Snatch – Porcos e Diamantes e recentemente no divertido Rock’n'rolla - A Grande Roubada.

11. A Outra História Americana (1998): um filme que aborda um outro tipo de gangue, aquela movida por ódio racial. Um Edward Norton sarado faz um ex-líder de um grupo de neo-nazistas skinheads, que depois de cumprir pena por assassinato busca a todo custo tirar seu irmão menor (Edward Furlong de O Exterminador do Futuro II) do mesmo caminho que ele seguiu. Destaque para a chocante cena da morte do desafeto de Norton no meio-fio e da reconstrução do personagem dentro da penitenciária.

12. Cidade de Deus (2002): não é ufanismo, nem repetição, mas não dá mais para se falar em filmes de gangue ou de crime sem citar o classicão de Fernando Meirelles. Se você duvida cheque o IMDB, maior site de cinema do mundo. O filme aparece em 19o lugar entre os 250 melhores filmes já feitos e em sétimo no gênero “crime”, e isso por votação dos gringos. A história você já conhece: na famosa favela carioca, moço que se esquentava quando chamado de Dadinho, domina o crime local e começa a combater outras gangues, enquanto acaba criando seus maiores inimigos. E ainda nos faz pensar que se aqui fosse Holywood, alguém já teria a idéia de fazer Zé Pequeno versus Capitão Nascimento, o filme.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Os Bons Companheiros: o lado B da Máfia

Publicado no site da revista Alfa em outubro de 2010
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O Poderoso Chefão pode ser o melhor filme de máfia já feito, mas foi Os Bons Companheiros, que completa 20 anos este ano, que tirou o romantismo dos criminosos e mostrou a dura realidade que cerca seu mundo. Enquanto no primeiro você torcia pelo vilão, já que a “famiglia” mafiosa é mostrada como um centro de valores tradicionais envolvendo honra, camaradagem e companheirismo (ou como um crítico inglês definiu, “o mundo é que é louco, eles não”), no segundo, Scorcese decidiu colocar o verdadeiro objetivo daquela gente: ganhar dinheiro em cima do medo, do vício e da morte alheia.

Scorcese vinha de uma grande polêmica com o seu A Última Tentação de Cristo, que provocou a ira de cristãos no mundo todo e apesar de ter prometido não mais fazer filmes de máfia, resolveu levar às telas o livro “Wiseguy” de Nicholas Pileggi, contando a história real de Henry Hill, que escalou a hierarquia da organização criminosa nos Estados Unidos e acabou se tornando delator do FBI para escapar de uma condenação mais pesada.

Para o papel principal, chamou um ator menos conhecido e muito talentoso, Ray Liotta, que vinha de Totalmente Selvagem e Campo dos Sonhos, apesar do produtores insistirem em medalhões como Tom Cruise. Robert De Niro, em mais uma parceira com Scorcese, dá um show como o irlandês Jimmy Comway, associado à gangue de Paulie Cicero, interpretado por Paul Sorvino, mas quem rouba todo o filme é Joe Pesci e seu Tommy DeVito, o gangster sociopata e sem limites.

Pesci, que já havia trabalhado com Scorcese e De Niro em Touro Indomável, relutava em fazer o papel. Como na juventude havia trabalhado em um restaurante freqüentado por mafiosos, tinha muitas histórias para contar ao diretor e este, para convencer o ator a participar da produção, colocou algumas delas no meio da narrativa.

A mais famosa gerou uma das mais marcantes cenas do filme, onde Joe Pesci, nervoso, fica ameaçando Ray Liotta, dizendo “você me acha engraçado?”. A sequencia foi “negociada” em segredo entre Scorcese, Liotta e Pesci e a cara de surpresa dos outros atores na cena era completamente genuína. Em entrevista recente para a revista GQ, um deles afirmou que todos achavam que Joe iria mesmo matar Ray no set de filmagem. Seu personagem realmente era assustador. Não pensava duas vezes em ferir ou matar alguém. Nervoso e agitado, acabou dando o Oscar de melhor ator coadjuvante a Joe Pesci.

Improvisação foi o grande segredo para atuações tão convincentes. O diretor apresentava mais situações do que scripts prontos aos seus atores e criava um ambiente de mistério, onde um não sabia o que o outro iria dizer. Além disso, assim como aconteceu nos filmes do Chefão, contratou legítimos membros da Máfia e amadores para figuração. Até mesmo Charles e Catherine Scorcese, pais do diretor, aparecem no clássico, a última como a mãe de Tommy De Vito.

Outro detalhe é a utilização da música em cena. Enquanto o filme abre com “Rags to Riches” de Tony Bennet para ilustrar o lirismo dos anos 50, vai terminar com “My Way” na versão do Sex Pistols, ilustrando a ascenção e queda de Henry Hill. Na sequencia onde o bandido faz negociações com drogas entre o final dos anos 1960 e começo de 70, o diretor desfila um pout-pourri de clássicos como “Jump Into the Fire” de Nilsson, “Memo From Turner” e “Monkey Man” dos the Rolling Stones, “Magic Bus” do The Who e “Mannish Boy” de Muddy Waters. E acredite, nunca mais você vai conseguir escutar o solo de piano de “Layla” de Eric Clapton, sem lembrar dos corpos das pessoas envolvidas com o assalto ao avião da Lufthansa, mutilados depois que Jerry Comway “conversou” com eles.

A violência do filme assustou a platéia das exibições-teste. Em uma delas, 70 pessoas chegaram a sair da sala no meio da projeção. Segundo o diretor, nunca antes um filme havia recebido notas tão baixas antes nesses previews. O resultado foi que acabou sendo lançado em metade das salas originalmente programadas e foi ofuscado na bilheteria e na cerimônia do Oscar por Dança com Lobos. Vinte anos depois, quem se lembra do filme de Costner?

Os Bons Companheiros colocou Scorcese de volta ao panteão dos grandes diretores americanos do cinema moderno e foi o ponto alto da carreira de Liotta (que foi subestimado por Hollywood e acabou caindo em produções de segunda) e Pesci (que teve fez algumas boas produções como JFK, Esqueceram de mim, Cassino e Máquina Mortífera, mas nenhum papel com o impacto de DeVito).

Foi o filme que abriu caminho para seriados como Família Soprano, onde metade do elenco, aliás, foi se alojar. Lorraine Bracco, que fazia a esposa de Henry Hill no cinema, tornou-se a Dra Melfi, psicoterapeuta de Tony Soprano (a atriz recusou ser Carmela Soprano pois alegou que já havia tido sua quota de mulher de mafioso). Michael Imperioli, o Spider da produção de Scorcese, ganhou o papel do sobrinho de Soprano no seriado. Há, aliás, uma homenagem em tom de brincadeira em um dos episódios. No filme, Imperioli, um garçom, leva um tiro no pé, disparado por Joe Pesci, depois de ofendê-lo. Na série, é ele que dispara um no pé de um atendente que o trata mal em uma rotisserie.

Mais do que um filme de máfia, Os Bons Companheiros é uma aula de cinema e continua tão atual quanto em 1990. Imperdível. E agora, confira como Joe Pesci é “engraçado”. Ou não.

domingo, 3 de outubro de 2010

Adeus, Tony Curtis, e obrigado!

Publicado no blog da revista Alfa em setembro de 2010
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Se você não sabe quem é Tony Curtis, morto ontem aos 85 anos de idade, então nunca assistiu à melhor comédia já feita segundo o American Film Institute, um dos melhores dramas sobre jornalismo sensacionalista e a uma das séries de TV mais charmosas e divertidas de todos os tempos. Mais do que isso, perdeu a chance de ver um dos homens mais simpáticos que surgiu nas telas.

Tony Curtis transformou a desgraça de sua vida pessoal em sucesso. Nascido Bernard Schwartz no Bronx, em Nova York, teve uma infância paupérrima e pautada por revéses como ter que passar semanas em um orfanato, pois seus pais não tinham condição financeira de sustentá-lo e mais tarde enfrentar a morte do irmão em um acidente de carro. Depois de três anos como fuzileiro naval, Bernard mudou seu nome para Tony Curtis e foi para Holywood em 1938. Bonito, charmoso e com uma forte e marcante voz, apareceu por dois minutos apenas no filme Baixeza de 1939 e causou tão boa impressão que foi convidado para um papel menor, mas importante, em Serras Sangrentas. A partir daí sua carreira deslanchou.

Estrelou, ao lado de Jack Lemmon e Marilyn Monroe,o hilariante Quanto Mais Quente Melhor (1959) de Billy Wilder, onde aparece vestido de mulher. Já com Burt Lancaster fez A Embriaguez do Sucesso (1957), um drama carregado onde interpreta um ambicioso e inescrupuloso assessor de imprensa. A nomeação para o Oscar veio com Acorrentados de 1958, onde ele e Sidney Poitier são dois prisioneiros, um negro e um branco, que, atados um ao outro, escapam de uma penitenciária e tem que lidar com o racismo que sentem para manterem-se vivos.

Depois de participações elogiadas em Spartacus (1960) de Stanley Kubrick, onde participa de uma cena – cortada na época de seu lançamento – com forte teor homossexual; e de O Homem que Odiava Mulheres (1968), a controversa cinebiografia de Alberto DeSalvo, um serial killer real que assombrou Boston, Curtis foi para a TV na deliciosa série The Persuaders (1971). Nela, viveu Danny Wilde um bon vivant americano que é arregimentado por um juiz aposentado para, ao lado do lorde inglês Brett Sinclair (ou Roger Moore antes da fase James Bond) prender criminosos ricos. Com diálogos deliciosos, sempre repleto de mulheres e belas paisagens e com uma das melhores aberturas e temas já feitos, o seriado só teve duas temporadas e acabou cancelado graças ao vício de Tony em álcool e drogas que o faziam atrasar a produção. O ator iria lutar para se desvencilhar desses vícios anos mais tarde e ainda veria um de seus filhos morrer de overdose em 1994.

Curtis fazia sucesso com as mulheres. Teve tórridos e divulgados affaires com Marilyn Monroe e Natalie Wood, casou-se seis vezes (uma delas com Janet Leigh de Psicose) e teve seis filhos, sendo a mais famosa Jamie Leigh Curtis, que estreou Um Peixe Chamado Wanda e True Lies.

Até sua morte ontem, ele se dedicava à pintura, seu maior hobby e a escrever. E até nisso teve sucesso. Alguns de seus quadros foram vendidos por US$ 50.000 e um deles está exposto no Metropolitan Museum of Art de Nova York. Apesar de todos os percalços pessoais, financeiros e profissionais que passou durante sua vida, ele amava viver. Quando completou 60 anos de idade disse “eu não estou pronto para descansar como um velho senhor judeu e ficar sentado na varanda ou andando de bengala. Eu ainda tenho uma porrada de coisas para viver”. E pode ter certeza que ele viveu.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

40 anos de quatro grandes filmes de guerra (e as lições que eles passam)

Publicado no site da revista Alfa em setembro de 2010
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Filmes de guerra se dividem geralmente em três categorias: aqueles que querem fazer propaganda velada (ou não) de alguma ideologia, cheio de heróis e vilões; os que querem denunciar o horror da guerra e o absurdo da matança e finalmente os filmes com revisão histórica, tentando bravamente contar o que realmente aconteceu.

Inspiradas pela Guerra do Vietnã, que já ia de mal a pior, quatro produções de 1970 resolveram revisitar conflitos antigos como forma de crítica e alerta e acabaram se tornando obrigatórios para qualquer homem de respeito assistir, pois envolvem ao mesmo tempo, coragem e loucura, exemplos de boas e más lideranças e tipos masculinos inesquecíveis.

Patton: a cinebiografia do mais controverso general americano deu a George C. Scott o Oscar de melhor ator (que ele não aceitou, nem foi receber) depois que Rod Steiger, Lee Marvin, Robert Mitchum e Burt Lancaster recusaram o papel e John Wayne foi “gongado” pelos produtores. Já na primeira cena, com o famoso discurso à frente da bandeira americana, somos apresentados à filosofia rígida do militar em relação aos soldados e aos inimigos (“nenhum bastardo ganhou a guerra morrendo pelo seu país. Ele ganhou fazendo com que o outro pobre e estúpido bastardo morresse pelo país dele”). É um grande exemplo do líder que podia até inspirar seus subordinados, mas não tinha limites em conseguir o que queria, fato que causava horror no alto comando. Em resumo, seu brilhantismo em estratégia foi totalmente ofuscado pela insanidade de suas atitudes. Um filme ideal para aqueles que querem conhecer o que um gerenciamento obcecado pode fazer com uma carreira de sucesso.

Mash: obra-prima de Robert Altman mostrando um hospital de campo na Coréia (mas obviamente remetendo ao Vietnã) e que consegue rivalizar com Dr. Fantástico de Kubrick como comédia de humor negro sobre uma guerra. Cínico, a começar pela música-tema, “Suicide is Painless” (suicídio é indolor, composta pelo filho de Altman, então com 14 anos de idade), o filme tem um desfile de tipos estranhos que tentam passar ao largo do conflito e fugir da insanidade que os cercam, como o certinho e radical major de Robert Duvall, a enfermeira “Lábios Ardentes” e os médicos vividos por Elliot Gould (o pai de Rachel em Friends), Donald Sutherland e Tom Skerrit, que no meio de mortos e feridos, arrumam tempo para se embebedar e jogar golfe. Fez tanto sucesso que acabou virando uma série de TV. Se você quer aprender como trabalhar bem, sem stress, esse é seu filme.

Ardil-22: outro grande exemplo de crítica aos horrores da guerra mostrando um aviador que tenta desesperadamente ser dispensado de seu batalhão alegando insanidade, enquanto vê seus colegas serem mortos. Com uma narrativa não-linear (mesmo porque dizem que o livro em que se baseou, o best-seller de Joseph Heller, foi escrito do final para o começo), o filme mostra a terrível burocracia do exército, as ordens superiores sem lógica e como algumas pessoas lucram no meio de um conflito sangrento. Com um elenco estelar (Alan Arkin, Orson Welles, Anthony Perkins, Martin Sheen e John Voigt) é ótimo para o homem que acha que tem alguma coisa errada com a direção da empresa em que trabalha.

Tora Tora Tora: apesar de alguns críticos o considerarem mais chato que campeonato de bingo, graças ao seu tom quase documental, o filme que aborda o ataque à Peal Harbor dá de 10 a zero na produção de 2001 com o nauseabundo Ben Affleck, especialmente na recriação das cenas da batalha (que lhe valeu o Oscar de efeitos especiais). Pela primeira vez, Hollywood resolveu mostrar as duas visões do conflito, já que a porção americana foi dirigida por Richard Fleischer e a parte japonesa por Kinji Fukasaku (depois que Kurosawa caiu fora). Até mesmo o roteiro foi escrito por um representante de cada país. Obviamente que muita gente na America torceu o nariz para a produção, um fracasso de bilheteria, considerando-a ofensiva por mostrar o despreparo militar e estratégico do país frente ao ataque, mas o filme foi um tremendo sucesso no Japão e serve de lição para mostrar que tudo na vida tem dois lados. Não só o do vencedor.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Brooks e West, as “avós” de Megan Fox

Publicado no site da revista Alfa em setembro de 2010
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Estou com saudades de Megan Fox. Infelizmente agora que está casada, com um grande fracasso na cabeça (Jonah Hex) e demitida do elenco de Transformers III, a menina parece estar mais contida e parou de dar entrevistas deliciosamente chocantes e criar factóides. Ninguém há de negar que a atriz é uma das coisas mais bonitas e gostosas que já apareceu nas telonas (embora eu acredite que sua interpretação mais sensual foi como a neta de Berta lavando os vidros do deck de Charlie em Two and a Half Men), mas um dos grandes segredos do seu sucesso veio de polêmicas, sempre girando em torno de suas preferências sexuais e relação com atores e atrizes. Disse, por exemplo, que queria transar com Olivia Wilde, a 13 do seriado House, que tinha nojo de homens, e que usar os atributos físicos para ter sucesso dá poder às mulheres e não as degradam. Era tanta notícia sobre ela que os sites americanos declararam o 4 de agosto de 2009 como “o dia sem Megan Fox”, ou seja, nada sairia sobre a atriz.

Megan vem de uma grande tradição de garotas-problema que fazem a alegria dos fãs e da imprensa de celebridades e desesperam os mais conservadores. Apesar de muita gente a comparar com Angelina Jolie, outra grande musa cheia de declarações e atitudes bombásticas, com pitadas até de incesto, a história vem de muito antes. Já nos tempos do cinema mudo, o planeta se encantou e se chocou com uma grande atriz, Louise Brooks. Belíssima e de uma personalidade forte, ela não se dobrava frente aos diretores e produtores de uma época onde atores e atrizes não tinham nenhum poder de decisão. Acreditava que uma mulher bem vestida, mesmo com a bolsa vazia, pode conquistar o mundo e depois de conseguir brigar com quem podia em Hollywood foi para a Europa, onde estreou o filme que a tornou mais famosa, o clássico alemão A Caixa de Pandora de Georg Pabst e viveu um tórrido romance de verão com Charlie Chaplin.

Sua vida pessoal, aliás, foi fonte de muita especulação e a tornou lendária. Filha de um advogado e de uma pianista, Louise foi abusada sexualmente por um vizinho aos nove anos de idade. Isso a marcou profundamente em suas relações posteriores (foi casada duas vezes) e, em suas palavras, “amar é um truque publicitário e fazer amor, depois da ruptura inicial por curiosidade, é só uma maneira de passar o tempo esperando que o estúdio telefone”. Mesmo como uma sex symbol capaz de levar homens à loucura, aos moldes de sua personagem em Pandora, ela sempre deixou suspeitas em torno de suas preferências sexuais pois era sempre vista acompanhada de mocinhas homossexuais declaradas. Só no final da vida confessou que teve dois affaires com mulheres, um deles, de apenas uma noite, com Greta Garbo, uma amante “charmosa e carinhosa” segundo sua definição. Infelizmente seu temperamento foi sua ruína. De volta aos Estados Unidos, com o advento de cinema falado, Louise recusou-se a dublar sua produção originalmente muda, The Canary Murder Case de 1929, e os produtores espalharam que tiveram que chamar outra atriz porque a voz de Brooks era muito ruim. A partir daí, sua carreira foi declinando e ela se despediu das telas em 1938, depois de fazer pequenos papéis e dedicou-se a escrever e pintar.

Outra que escandalizou uma época e que põe Lady Gaga no chinelo foi Mae West. Desbocada, cheia de frases com duplo sentido, ela não só atuava como escrevia peças e roteiros de filmes, todos com um forte teor sexual, o que lhe trouxe inúmeros problemas. Apesar de não ser bonita, foi um tremendo símbolo sexual graças à sua atitude ousada e corpo voluptuoso. Sua carreira começou no teatro vaudeville e West só foi parar no cinema, aos 38 anos de idade, na produção Noite Após Noite de 1932. Mesmo em um pequeno papel, ela teve a liberdade de escrever suas falas e sua personagem, safada e sem papas na língua, fez tanto sucesso que o astro do filme, George Raft, disse que Mae roubou toda a produção, menos as câmeras. Em 1935, ela se tornou a segunda pessoa mais bem paga dos Estados Unidos, perdendo apenas para o milionário jornalista William Randolph Hearst.

Em cada filme ou programa de rádio que trabalhava, Mae aproveitava para soltar frases como “ama o teu próximo e se ele for alto, moreno e bonitão, será bem mais fácil” ou “uma mulher apaixonada não pode ser razoável ou não estaria apaixonada”, “sempre que você não tiver nada para fazer e muito tempo para fazer isso, apareça”, “cultive suas curvas, pois elas podem ser perigosas, mas não serão desprezadas” e finalmente a mais famosa, onde ao ser agarrada por um caubói em uma produção, dispara: “você está com um revólver no bolso ou ficou feliz em me ver?”. Obviamente que esse tipo de atitude despertou a raiva dos censores e das organizações de mães e religiosos da America e West foi perdendo cada vez mais sua liberdade, deixando o cinema em 1943, só retornando três décadas mais tarde. Sobre isso limitou-se a dizer: “eu apoio e sempre apoiarei a censura, pois graças a ela, fiquei milionária”. Um detalhe engraçado é que durante a II Guerra, os paraquedistas aliados apelidaram seus coletes salva-vidas amarelos de Mae West porque com eles, ficavam peitudos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Dez grandes cenas de tiroteio que você não pode perder

Publicado no site da Revista Alfa em setembro de 2010
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Foram lançados recentemente três grandes filmes do mestre da violência Sam Peckinpah em primorosas edições em DVD: Pat Garret & Billy The Kid (1973), Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974) e Assassinos de Elite (1975). Peckinpah, que se consagrou no início de sua carreira com faroestes de qualidade, foi o diretor que primeiro colocou nas telas o recurso da câmera lenta nas cenas de tiroteio e acabou inspirando várias gerações de cineastas (Quentin Tarantino que o diga). Em homenagem a ele, preparei uma lista de dez incríveis cenas onde o banho de sangue é tão bem filmado, que se torna lírico.

1. William Holden e sua gangue versus o exército mexicano em Meu Ódio Será Sua Herança (1969): esqueça o título brega. Este é um dos melhores westerns já feitos, mostrando um bando de assaltantes de bancos que se refugia no México e se envolve com um perverso general. A cena final, que levou 12 dias para ser feita, com quatro caras duelando com todo um exército (contrastando com a cena inicial onde crianças jogam um escorpião em um formigueiro) é clássica e imperdível. A direção é do Peckinpah.

2. Tom Hanks e sua tropa versus os alemães em O Resgate do Soldado Ryan (1998): para muitos, o começo do filme é um verdadeiro chute no estômago com corpos dilacerados, o mar tingido de vermelho e muitos soldados gritando “medic!” em meio ao desespero da invasão da Normandia. Qualquer filme de Segunda Guerra feito antes desse clássico acabou perdendo a graça. E isso tudo vindo do cara que nos deu E.T.

3. Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss versus os seguranças em Matrix (1999): segundo um conhecido, essa é a propaganda de óculos escuros mais cara da história, mas não dá para não se impressionar com o bailado dos dois atores e quantidade de balas disparadas no lobby do edifício até a chegada ao elevador. Dá até para esquecer a pseudo-filosofia do roteiro complicado.

4. Al Pacino versus os inimigos de sua famiglia na saga O Poderoso Chefão (1972, 1974 e 1990): caso você nunca tenha prestado atenção ou assistido os três filmes (o que, desde já registro, é um crime sem perdão), cada capítulo começa com uma festa e termina com um massacre com eventuais assassinatos no meio da história. Só que não dá para não ficar de boca aberta com a maestria que Coppola filma cada morte. E são tão originais, que é quase impossível escolher qual é a melhor.

5. Os ‘Federais’ versus Warren Beaty e Faye Dunaway em Bonnie & Clyde, Uma Rajada de Balas (1967): Bonnie Parker e Clyde Barrow foram dois assaltantes de banco que infernizaram o pacato interior dos Estados Unidos nos anos 30 e tiveram sua vida (e morte) levada às telonas pelas mãos do diretor Arthur Penn. A cena final reproduz com perfeição o fim do casal de bandidos já que, na história real, mais de 130 tiros foram disparados pelas forças policiais em direção ao carro onde se encontravam e segundo reza a lenda, mais de 50 balas foram retiradas de cada um dos corpos.

6. Al Pacino versus a gangue de Sosa em Scarface (1983): a adaptação do clássico de 1932 para os anos de 1980, com todo o requinte de crueldade que a época exigia, marcou toda uma década, em especial pela cena da morte de Tony Montana, que enfrenta o bando rival com sua metralhadora e altas doses de cocaína e ainda grita “diga oi para meu amiguinho”.

7. Robert De Niro e Val Kilmer versus a polícia de Los Angeles em Na Linha de Fogo (1995): para muitos gringos, a campeã em termos de tiroteio é a sequência do assalto ao banco no centro de L.A., onde o realismo da ação impressiona pelos inúmeros carros sendo destruídos pelas balas, pedestres fugindo desesperadamente e a única trilha sonora é o som dos tiros.

8. O batalhão de Brad Pitt versus os nazistas em Bastardos Inglórios (2009): Tarantino vingou as vítimas do holocausto colocando um batalhão de judeus massacrando Hitler e o alto comando alemão e distorcendo toda a história da II Guerra. Acontece que o diretor aprendeu a trabalhar a tensão antes de começar a disparar cartuchos e assim a sequencia da cervejaria do porão está destinada a se tornar clássica .

9. Seu Jorge versus a gangue de Leandro Firmino em Cidade de Deus (2002): melhor filme brasileiro dos últimos 20 anos, essa obra-prima não economiza balas, cartuchos e palavrões em suas cenas, especialmente na batalha entre as gangues da favela. Um dos grandes e inequecíveis destaques é a cena em que Mané Galinha parte para se vingar a morte de seu irmão e tio e o estupro da namorada, atacando sozinho o bando de Zé Pequeno e entrando a partir dali, numa vida de crimes.

10. Chloe Moretz versus os mafiosos de Mark Strong em Kick-Ass Quebrando Tudo (2010): o filme passou despercebido nos cinemas brasileiros, mas pode ser encarado como um Tarantino para teenagers. A sequencia final com Hit Girl, a garotinha mais desbocada das telas, massacrando sozinha o bando de Frank D´Amico ao som do tema de Por Uns Dólares A Mais é de trazer lágrimas aos olhos. Desde que, obviamente, você não leve muito a sério.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um homem sem nome, mas com muita personalidade

Publicado no blog da revista Alfa em setembro de 2010
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Você nunca sabia de onde ele vinha e por mais que perguntasse, ele não dizia. Era um cara sem passado, que só tinha o futuro garantido porque sabia disparar um revólver como ninguém mais. Não era um poço de virtudes. Algumas vezes trapaceava e não deixava de usar, quando necessário, algum subterfúgio para conseguir o que queria, especialmente se fosse dinheiro. Sua lealdade era apenas a si mesmo. Nunca perdia a calma e tinha uma personalidade tão marcante que até aqueles que eram considerados maus sabiam que para tratar com ele era necessária astúcia, não força. E por mais que tenha ficado conhecido como “O Homem Sem Nome”, ele se chamou Joe, Manco e Blondie. Ele era Clint Eastwood nos filmes dirigidos pelo mestre Sérgio Leone e recentemente relançados em DVD no Box Trilogia do Homem Sem Nome.

Por Um Punhado de Dólares (1964), Por Uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens Em Conflito (1966) são as produções italianas de Leone que reinventaram o gênero faroeste, criaram o “western spaguetti” e transformaram Eastwood de ator secundário em um seriado de TV em uma estrela internacional. Seu personagem se tornou um dos tipos masculinos mais invejáveis e inspiradores de todos os tempos. Leone extirpou o romantismo do oeste, antes retratado como um lugar limpo e com pessoas impecavelmente arrumadas e mostrou uma época onde o que imperava mesmo era a sobrevivência. Seu estilo de faroeste “sujo” acabou influenciando até mesmo as futuras produções do gênero nos filmes americanos e abriu as portas para “astros” como Terence Hill, Franco Nero e Giuliano Gemma.

Aos atores era permitido brincar com os papéis e compor seus personagens, tomando o cuidado de evitar estereótipos ultrapassados. Foi o próprio Eastwood que criou o visual do “Homem sem Nome” com o indefectível e surrado jeans escuro, o chapéu quadrado, o poncho (que nunca era lavado entre um filme e outro) e o charuto meio consumido na boca. Eli Wallach, o “feio” Tuco de Três Homens Em Conflito, improvisou totalmente uma sequencia onde monta uma arma usando peças de outras, sendo que na vida real, não entendia nada de armamentos. A cena, porém, passa a idéia de que ele era um expert no assunto. Os extras e atores coadjuvantes não podiam ser considerados padrões de beleza. Eram feios, deformados e davam a impressão de nunca terem visto um banho na vida.

Excetuando os bandidos, geralmente psicóticos, os tipos masculinos dos filmes de Leone eram homens duros, mas com uma violência quase comedida, como se cada bala tivesse um destino certo. E ninguém filmou duelos como ele. Em Por Um Punhado de Dólares temos o famoso confronto com o “colete à prova de balas”, imitado décadas depois em De Volta para o Futuro III. Em Por Uns Dólares a Mais, assistimos a criativa disputa entre Clint Eastwood e Lee Van Cleef, dois caçadores de recompensa rivais, que miram nos chapéus um do outro para provar quem tem melhor pontaria. E, no melhor deles, Três Homens em Conflito, há a belíssima sequencia final começando com Wallach correndo em um cemitério circular e culminando com o chamado “mexican showdown” ou “truel”, o duelo simultâneo entre Eastwood, Van Cleef e Wallach numa longa e lenta cena, mostrando os olhos, as mãos e o suor na testa dos protagonistas até o tiroteio começar.

Além disso, Leone gostava de trabalhar o silêncio e o som ambiente, por isso os diálogos eram escassos, mas não menos geniais. O “Homem sem Nome” de Clint Eastwood, por exemplo, era um cara calado, mas quando abria a boca conseguia ser de um cinismo ímpar, como quando declara sua teoria de que existem dois tipos de homens no mundo, aqueles que têm armas carregadas e aqueles que cavam em Três Homens em Conflito. Já Eli Wallach elimina um cara que ficava explicando porque queria matá-lo e resume a filosofia de Leone: “da próxima vez, atire, não fale”.

Coroando as produções temos a música ao mesmo tempo emocional e cheia de testosterona do mestre Ennio Morricone. Amigo de infância de Leone, o maestro compunha a trilha sonora antes das filmagens começarem, baseando-se somente no que o roteiro descrevia e acabou criando clássicos eternos. Corre por aí uma lenda que diz que quando Leone estava filmando Era Uma Vez na América, Robert De Niro o indagou sobre qual seria a motivação principal de seu personagem. O diretor teria se limitado a responder: “ouça a música que Morricone compôs para ele (o personagem) e você vai descobrir”. E o ator achou o que procurava.

Com tudo isso, Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito são verdadeiros shows de cinematografia e obrigatórios para qualquer homem assistir e aprender. Porque uma coisa eu garanto, você vai desejar ter um dia a personalidade e a frieza do “Homem sem Nome”.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dez coisas que você talvez não saiba sobre “Psicose”

Publicado no site da Revista Alfa em setembro de 2010
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O American Film Institute o considerou o filme mais assustador de todos os tempos, o 14º melhor filme na história do cinema e a quarta melhor trilha sonora em um século desta arte e agora Psicose, o filme que fez muita gente ter medo de tomar banho, completou 50 anos em junho.

Baseado em um conto do escritor Robert Bloch e inspirado em um serial killer real, Ed Gein (que também deu subsídios para Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica e o Buffalo Bill de O Silêncio dos Inocentes), o filme ainda consegue assustar quem o assiste pela primeira vez (acredite, eu testei isso com uma amiga).

Acontece que a obra-prima esconde detalhes interessantíssimos não só envolvendo sua filmagem, como também da reação do público como mostram as dez curiosidades abaixo.

1. Hitchcock quis fazer um filme que custasse menos de um milhão de dólares, já que as produções de terror baratas (e ruins) conseguiam boa bilheteria. O mestre quis provar que uma boa história ganharia mais. Gastou apenas US$ 807 mil e rendeu cerca de US$ 80 milhões no mundo todo (US$ 32 milhões só nos Estados Unidos). Isso em 1960.

2. A famosa cena do chuveiro levou sete dias para ser filmada e envolveu 70 posições de câmera para apenas 45 segundos nas telas. Em tempo, Anthony Perkins – ou o Norman Bates – não acompanhou a filmagem. Para os mais impressionáveis, saiba que o sangue foi feito de calda de chocolate e o som das facadas nada mais é que uma faca entrando em um melão.

3. Aliás, Hitchcock queria que a cena saísse totalmente muda, mas o compositor Bernard Herrmann criou a música com os sons estridentes e o velho diretor mudou de ideia. A melodia ficou tão emblemática como sinonimo de terror que aparece até em Procurando Nemo (quando a “doce” Darla, a criança que matava peixinhos, aparece no consultório do tio).

4. A casa de Norman Bates foi totalmente copiada do quadro “House by the Railroad” de Edward Hopper, pintado em 1925 e carrega um detalhe que Hitchcock explicou a Truffaut no famoso livro-entrevista: ela é um bloco vertical que contrasta com o Motel Bates, totalmente horizontal. Quer outra “viagem” do diretor? No começo do filme, Janet Leigh aparece de lingerie e bolsa brancas para representar sua pureza. Depois de roubar o dinheiro do chefe, elas passam a ser pretas.

5. No lobby das salas de exibição de Psicose havia um cartaz com a foto do diretor e a frase: “O gerente deste cinema foi instruído, sob risco de sua própria vida a não admitir ninguém na sala depois que o filme começa. Qualquer tentativa de entrar por portas laterais, saídas de emergência ou dutos de ventilação serão rechaçadas à força. O objetivo desta extraordinária medida é, logicamente, propiciar a você um aproveitamento maior de Psicose. Assinado Alfred Hitchcock”.

6. Na verdade, a norma acima (que foi respeitadíssima na época) tinha um objetivo calculado: o grande diretor conduz a platéia com uma série de informações irrelevantes e pistas falsas para chocá-la com a morte da única artista de primeira linha da produção, Janet Leigh. Isso sem contar a surpresa final.

7. É conhecido que Hitchcock adorava pregar peças nas pessoas, mas reza a lenda que ele escondeu a “mãe de Norman Bates” no camarim de Janet Leigh apenas para sentir a potência de seu grito de terror. Pelo que se sabe, ela gritou muito, mas o berro que aparecia no trailer do filme era de Vera Miles.

8. Acredite, foi o primeiro filme a mostrar uma privada funcionando. E mais, Hitchcock se orgulhava por ele não ter nenhum personagem “simpático”.

9. O diretor recebeu uma carta de um pai revoltado com a produção já que sua filha não entrava mais no banho depois de assisti-la. A resposta do mestre foi brilhante: “mande-a para uma lavagem a seco”.

10. O filme teve três continuações: uma que é bem passável em 1983 e outras duas péssimas em 1986 e 1990 (esta para a TV), todas com Tony Perkins reprisando o papel que o tornou famoso e roteirizadas por Robert Bloch. Em 1998 – ninguém sabe lá muito bem porque já que o resultado final é horrível e dispensável – o diretor Gus Van Sant resolveu refilmar a obra, quadro a quadro, com Vince Vaugh como Norman Bates. Já Mel Brooks refez a cena do chuveiro com perfeição milimétrica e resultado hilariante na deliciosa comédia Alta Ansiedade de 1977.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Os 11 homens que mudaram nossa maneira de ver sexo

Publicado no Terra em junho de 2010
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Todo animal, de pássaros a formigas, faz sexo, mas nós somos aqueles que procuram essa diversão só para ter prazer, mandando a perpetuação das espécies às favas. Somos anatomicamente os mesmos a mais de 100 mil anos e por isso, cansados da monotonia, procuramos variar a experiência. E foi nesse sentido que surgiram homens que dedicaram sua vida à exploração do erotismo e da sexualidade e nos fizeram encarar a coisa de maneira diferente, algumas vezes para o bem, outras para o mal.

» Veja fotos daqueles que mudaram a visão do sexo na sociedade

Escolhemos 12 nomes em dez posições (entre muitos outros caras e muitas mulheres) que se destacam nessa nossa jornada pela sensualidade. Confira abaixo e não se acanhe em pegar um ou outro como modelo.

1 - Mallanaga Vatsyayana: é o filósofo indiano que viveu entre os séculos 4º e 5º a. C., ao qual é atribuída a autoria do famoso 'Kama Sutra', o livro mais famoso sobre comportamento sexual do ser humano. Na verdade, o homem compilou textos anteriores em um só volume, que no fundo não é nem um guia espiritual, nem manual de sexo e, sim, de uma compilação de filosofias de vida.

2 - Giacomo Girolamo Casanova: o cara que virou sinônimo de homem safado e aventureiro pode ter sido o maior dos garanhões ou o maior dos mentirosos. Em seus 73 anos de idade, viajou por toda a Europa do século 18, conquistando muitas mulheres e provocando a ira de autoridades locais e da Igreja Católica por suas críticas. Acabou contando tudo em suas memórias e daí vem a dúvida se ele não enfeitou um pouco o relato.

3 - Donatien Alphonse François de Sade, o marquês de Sade: ateu, provocador e libertino, Sade chocou a França napoleônica com seus textos e histórias que mostravam um sexo grotesco. Suas obras mais famosas são 'Os 120 Dias de Sodoma', que mostrava nobres e bispos abusando de pessoas com narrativa repleta de sangue, assassinatos e sexo bizarro, e Justine, a menina boazinha que acaba se envolvendo em depravações. Seu nome originou a expressão sadismo, mas foi o primeiro a desenvolver uma visão moderna sobre homossexualidade.

4 - Leopold Ritter von Sacher-Masoch: o escritor e jornalista austríaco se tornou nome de uma fantasia sexual, o masoquismo, graças à sua obra 'A Vênus das Peles', de 1870, onde o protagonista só conseguia atingir o orgasmo depois de ser surrado ou torturado pela mulher e alguns estudiosos afirmam que ele expunha suas inclinações nas suas obras. No total escreveu mais de 100 romances, contos, ensaios e peças teatrais.

5 - Sir Richard Francis Burton: foi um dos maiores aventureiros do século 19 e viveu aquilo que só vemos em filmes do Indiana Jones, tendo descoberto a nascente do Rio Tanganica, na África. O que ele tem a ver com sexo? Suas viagens pelo continente asiático o fizeram trazer para o ocidente não só o 'Kama Sutra' como a versão sem censura de 'As Mil e Uma Noites'. Mesmo sob o risco de ser preso pela severa polícia da Inglaterra vitoriana, traduziu e imprimiu em segredo os livros e os distribuía por Londres.

6 - Sigmund Freud: o conhecidíssimo pai da psicanálise acreditava que a libido humana amadurecia com o tempo e que os objetos de desejo mudavam nesse processo, sendo que partíamos de muitos deles na primeira infância (objetos que nos dão prazer) para finalmente se chegar ao ato sexual. Sim, ele confundiu um monte de gente e ainda fez muita gente travar com o conceito de Complexo de Édipo. De qualquer maneira, seus estudos deram a base para a psicologia moderna e a tentativa de se entender o homem frente ao sexo.

7 - Henry Miller: existiram muitos escritores que tiveram suas obras proibidas pelas autoridades, mas a trilogia 'Sexus', 'Plexus' e 'Nexus' chocou o mundo na década de 50 e foram banidas por anos. O escritor contava suas aventuras sexuais ao lado da esposa June misturando com visões do seu inconsciente. Durante muito tempo não puderam ser vendidos nos Estados Unidos e foram proibidos no Brasil na década de 70.

8 - Alfred Charles Kinsey: seus estudos sobre sexualidade humana abriram as portas para a revolução sexual dos anos 1960 e 1970. Ele começou sua carreira estudando vespas e depois de concluir que os métodos de reprodução do bichinho variavam muito, acabou se interessando em analisar isso nos homens. Apesar das críticas e das acusações de bissexualidade, pedofilia e sadismo, ele se tornou o pai da sexologia.

9 - Hugh Hefner: falar sobre ele é chover no molhado, mas o cara consegue rivalizar com Casanova. Criou a Playboy, botou Marilyn na capa, chocou todo mundo e ficou milionário com isso. Também desenvolveu a figura do bom vivant, do homem moderno e fez com que nossa visão do corpo feminino mudasse radicalmente. Fez também a fortuna das BBBs.

10 - Gerard Damiano e Mitchell Brothers: em 1972 os Estados Unidos foram chacoalhados por duas produções que tiraria o cinema pornô da obscuridade e criaria uma bilionária indústria. Nesse ano, Damiano soltou 'Garganta Profunda', o clássico com Linda Lovelace sobre a mulher que tinha o clitóris na garganta e Jim e Artir Mitchell pegaram uma garota-propaganda de sabão em pó, Marilyn Chambers e a colocaram no pornô-cult 'Por Trás da Porta Verde'. Se você é daqueles que adora os filminhos na internet, já sabe então quem são seus heróis.

Qual a modelo mais sexy: Isabeli Fontana ou Adriana Lima?

Publicado no Terra em junho de 2010
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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mitos: café não desperta e maconha não interfere na direção

Publicado no Terra em junho de 2010
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É de voz corrente que beber muito café faz a pessoa ficar pilhada e agitada, e que dificilmente quem o toma à noite consegue dormir. Também tanto quem consome, como quem é contra a maconha diz que a droga deixa os reflexos lerdos e prejudica a atenção. Agora dois estudos científicos, um vindo da Inglaterra e outro dos Estados Unidos põem à prova essas máximas.

No país da rainha, cientistas testaram o quanto o café poderia mexer com o estado de espírito de quem bebe. Para isso, pegou 379 adultos entre não bebedores e consumidores vorazes das beberagens com cafeína e pediu-lhes que ficassem 16 horas em abstinência. Depois disso, ministrou para algumas pílulas de cafeína e para outros placebos.

O que foi constatado é que aqueles que estão acostumados a ingerir fartas quantidades de cafeína não ficam mais agitados ou despertos, somente revertem os efeitos de fadiga que a retirada súbita da substância causou, ou seja, a cafeína só faz com que o cara volte ao estado "normal". Os pesquisadores também registraram que aqueles que tem predisposição genética para ansiedade não evitam o café. Pelo contrário, são os que mais ingerem a bebida.

Já na terra de Obama, medicos do Hartford Hospital, em Connecticut, e da Universidade do Iowa Carver College of Medicine constataram que a maconha não interfere na capacidade de uma pessoa em dirigir um carro.

Oitenta e cinco pessoas passaram por um simulador de direção que apresentava diversas situações de perigo, como carros cruzando a rua quando não deveriam, veículos de emergência na pista, sinais que fechavam bruscamente etc. Depois disso, uma parte dos testados fumavam um cigarro de maconha com nível de 2,9% de THC (a substância psicoactiva encontrada na Cannabis), enquanto outros um baseado com THC zero (ou seja, o famoso placebo). Ao fazer o teste de direção de novo, verificou-se que o desempenho dos que fumaram o cigarro de maconha que dava barato foi o mesmo da turma do placebo.

O que foi visto de diferente é que a pessoa do THC de 2,9% diminui a velocidade do carro simulado como uma forma de compensar uma possível perda de atenção. Só que não adianta começar a comemorar enrolando um.

Um estudo de 2008 havia mostrado que consumidores de maconha tem um risco para acidentes, mas menor do que aqueles que tomam grandes quantidades de álcool. Ao juntar os dois demônios (bebida e maconha), a possibilidade de se envolver em um acidente será muito maior que o uso de cada um separadamente. E como não adianta tomar acfé para ficar acordado, então o ideal é não dirigir mesmo.

domingo, 6 de junho de 2010

As dez manias femininas que os homens não conseguem entender

Publicado no Terra em junho de 2010
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Em uma dessas discussões sobre relacionamentos, ouvi uma frase que não só é uma grande verdade, como matéria para longos debates: os homens mentem muito porque as mulheres perguntam demais. Aí está uma das grandes diferenças entre homens e mulheres. Elas querem que ele fale e ele não quer falar.

» Veja as 10 piores manias das mulheres

Muitos homens não têm o menor jeito para desabafar tudo o que sentem por dentro e nessas horas, como elas insiste demais, o jeito é inventar uma história. E assim nossa fama de falaciosos cresce e a possibilidade de chuvas e trovoadas também. E por mais que as meninas nos achem complicados, elas conseguem ter certas manias tipicamente femininas que não só geram caras feias e brigas como nos deixam totalmente desconcertados e com cara de "ué". Confira dez delas, mas já vou avisando que são essas coisas que fazem nossas vidas serem mais emocionantes, porque sem elas a coisa poderia ser muito maçante.

1 - Por que certas mulheres encrencam com seus homens lerem revistas masculinas?

Aí está algo que é altamente explicável, mas difícil de engolir. Ok, elas devem achar que ao olharmos as beldades "photoshopadas" e nuas nas páginas de uma revista vamos imediatamente pensar "isso é que é mulher, não aquela porcaria que eu tenho em casa". Não é bem assim. Estamos apenas conferindo bundas e peitos, e exercendo nosso direito de ter fantasias instantâneas. Mesmo porque somos racionais o bastante para entender que aquilo não passa de uma foto no papel. Já disse Veríssimo, só acredito nas coisas que posso tocar, então não acredito em Luiza Brunet. E é bem isso.

2 - Por que certas mulheres sempre acham que estamos de olho em alguma amiga delas?

A história é sempre a mesma. Elas são loucas para nos apresentar para suas amigas em busca de um misto de aprovação e sentimento de superioridade, mas na primeira discussão que tiverem com você, vão soltar que você ficou babando em cima de alguma garota de sua turma. Tirando os cafajas que realmente vão querer tirar uma casquinha de qualquer coisa que use saia e não seja escocês, na maioria dos casos podemos até achar alguma amiga dela gostosona, mas temos o bom senso de guardarmos isso para nós. Até porque como mulher não tem círculo de amizade e, sim, sindicato, se pisarmos na bola, as amigas vão ficar contra nós de qualquer maneira.

3 - Por que certas mulheres encrencam com a hora que as pegamos em casa?

Você já deve ter passado por isso. Um dia se atrasou para pegar a namorada/amante/amasia e ela quis comer seu fígado cru porque estava arrumada "há horas". Aí, na vez seguinte você se adianta, chega 15 minutos antes, e ela quer comer seu baço porque você não a deu tempo de se arrumar direito. Não existe explicação para isso, mas a sugestão é que você faça como os filmes de espionagem e solte o famoso clichê "vamos sincronizar nossos relógios" quando combinar de sair. E por vias das dúvidas ligue antes de sair de casa para conferir se o momento é propício.

4 - Por que certas mulheres cismam com nossos presentes?

Outra daquelas vivências marcantes e traumáticas que todo mundo passa um dia, quando você pergunta a ela o que ela quer ganhar de presente em alguma efeméride (de dia dos namorados a dia do outdoor, você é quem sabe) e ela solta um "qualquer coisa serve". E aí você compra "qualquer coisa" e ela fica fula da vida porque esperava que você se lembrasse de uma dica que ela deu dois ou três meses antes quando vocês estavam num shopping. O melhor nesses casos é sempre pedir três opções, assim fica uma "surpresa" para o momento e a chance de errar cai drasticamente.

5 - Por que se você der muita atenção ela se cansa, e se der de menos ela briga?

Você já notou que quase toda mulher diz que odeia homens muito atenciosos e melosos, e também não suporta aqueles que não lhe dão atenção? A gente sempre fica sem saber qual é a medida que cada uma quer no relacionamento, porque tem épocas que ela quer que você ligue seis vezes ao dia e depois você vai apanhar porque está pegando muito no pé da moça. O que fazer? Na dúvida mande torpedos no celular. E deixe ela ligar.

6 - Por que certas mulheres querem que a gente descubra o que mudou nelas se essa mudança é imperceptível?

Homens veem mais a figura como um todo do que detalhes na figura. Então com o é que podemos sacar que ela cortou um dedo da franja e pintou as unhas do pé de branco? É impossível. Será que não dá para elas nos darem dicas ou contar que mudaram o visual. Isso é poupar fartos derramamentos de verborragia.

7 - Por que certas mulheres reclamam tanto dos nossos hábitos masculinos?

Para enfurecer uma mulher siga as instruções: deixe o assento do vaso levantado, toalha úmida em cima da cama, e roupa suja no chão. Isso é o equivalente a você esquecer a data de aniversário de namoro ou se ter sido pego pulando a cerca. O que elas não conseguem entender que fazemos isso porque está no nosso DNA e porque fomos acostumados mal por outra mulher: nossa mãe. Ela recolhia a roupa, pendurava a toalha e não ligava para a privada (isso ela podia descontar nos nossos pais). Por acaso a gente briga por ela pendurar calcinha e sutiã no box do banheiro ou encher o ralo de cabelo?

8 - Por que certas mulheres leem mensagens subliminares onde não existe nada?

Existe uma regra básica para um relacionamento dar certo. Um homem nunca pode mudar a sua voz ao telefone. Porque se você se acostuma a fazer uma voz doce a cada ligação dela, vai correr o risco de um dia, ela lhe telefonar quando você está no meio de um relatório urgente a ser entregue e vai atender o telefone com seu jeito firme, másculo e estressado de falar. Aí, ela vai achar que existe algo errado com ela, mesmo que você insista que a culpa é do seu chefe. Mesmo porque, como já disse antes, somos "mentirosos", não lembra?

9 - Por que certas mulheres não dizem claramente o que querem?

Li uma situação genial em um site, quando uma garota diz a você no carro "nossa, esse vento está tão gelado que fiquei arrepiada" ao invés de falar "dá para fechar esse vidro que eu estou congelando?". E é isso mesmo. Mensagens truncadas e a esperança dela que possamos ler mentes. Quer mais? As garotas apreciam mais uma DR do que os meninos, mas muitas delas começam uma de cara feia e quando você pergunta o que houve, a resposta é "você sabe bem o que houve". Bom, se eu soubesse não perguntava, né?

10 - Por que certas mulheres adoram apontar os "erros femininos", mas quando um homem o faz, elas caem matando?

A maior parte das coisas que escrevi aqui me foi dita por amigas e conhecidas, mas quer apostar que vai ter um monte de meninas me xingando por fazer esse texto? Só me resta preparar minha expressão de "ué".

Ciência mostra que o "gaydar" existe mesmo

Publicado no Terra em junho de 2010
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Se você não sabe, o gaydar é como os gringos chamam a capacidade de uma pessoa em sacar se a outra é gay ou não. Seria um radar gay, especialmente usado para identificar os homossexuais mais discretos ou enrustidos e, reza a lenda, a maior parte dos próprios gays o tem e conseguem achar uma pessoa com a mesma orientação sexual no meio de uma multidão. E essa coisa gera tanta discussão e questionamentos que cientistas holandeses resolveram por a prova.

Para a pesquisa participaram 42 voluntários hetero e homossexuais, de ambos os sexos, cuja tarefa era simples. Analisar retratos de figuras geométricas como grandes quadrados e retângulos. Cada uma dessas figuras era preenchida com outras figuras. O cérebro humano geralmente só enxerga o detalhe maior, ou seja, quando uma pessoa vê um quadrado preenchido por retângulos, ele acaba achando que a figura interna é um quadrado.

Quando homens e mulheres passam por esse teste, os homens heteros acabam respondendo muito mais rapidamente, mas erram mais. Mulheres e gays acabam demorando mais para responder, mas dão respostas mais curadas justamente porque prestam mais atenção nos detalhes.

Assim, concluiu-se que os homossexuais não só analisam a situação como um todo como cada detalhe em si, o que os leva a identificar outros gays através de dicas subliminares que um heterossexual não enxerga. A líder da pesquisa, Lorenza Colzato da Universidade de Leiden, na Holanda, afirmou que esta foi a primeira vez que o mecanismo do gaydar entre os homossexuais foi analisado e confirmado pela ciência. Isso vai explicar também porque os amigos gay da sua namorada conseguem notar que ela cortou um dedo do cabelo e você não.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Os sete motivos para assistir à Copa com um bando de mulheres

Publicado no Terra em junho de 2010
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O estereótipo é sempre o mesmo: futebol é coisa de macho. Mulher tem de ficar no canto discutindo a novela das nove ou, se for mais descolada, algum episódio de Sex & the City. Na melhor das hipóteses, a patroa serve para buscar cerveja ou nunca deixar acabar a porção de tremoço com salsicha em conserva. Caramba, homem, deixe de ser preconceituoso agora mesmo. Os tempos são outros, as meninas deixaram de ser ignorantes na matéria e, acredite, é muito mais divertido assistir com elas do que com aquela sua turma de cueca. Quer apostar? Então veja nossa seleção de sete razões para você encher a sala de gatas e curtir até jogos como Coréia do Sul versus Grécia.

1) Elas curtem Copa do mundo
Por mais que a maioria das garotas possa odiar futebol, tudo muda de quatro em quatro anos, quando a seleção brasileira entra em campo. Pergunte para as meninas se elas torcem para algum time. Muitas dirão, nenhum em especial, só o Brasil. E veja quantas estão colecionando o famoso álbum de figurinhas oficial por aqui.

2) Elas entram no clima de torcer
Não basta sentar no sofá e ligar no Galvão Bueno. Elas querem bandeirinhas, camisas oficiais, faixas, bonés, pintura de rosto e tudo mais que mostre que o que é bom mesmo é o verde e amarelo.

3) Namoradas querem você junto nessas horas
Na copa passada eu não consegui assistir o jogo inaugural com uma namorada e aguentei cara feia até as semifinais. O lance de gritar, comemorar, xingar o juiz, fazer macumba contra a outra seleção é algo que, para elas, faz parte da dinâmica do casal e porque não dizer, do romantismo. Vai perder essa chance?

4) Finalmente você vai poder discorrer sobre o que entende
Elas não estão interessadas na escalação do XV de Piracicaba contra o Bangu de um jogo decisivo de 1974. Isso serve só para aquele amigo seu que teima que o segundo bandeirinha chamava-se Berlarmino. Agora, você vai encantá-las por saber onde joga o Nwankwo Kanu, da Nigéria, em que time o Per Krøldrup, da Dinamarca, começou a carreira e quando conseguir convencê-las que Cristiano Ronaldo é mais que um rosto bonito.

5) Mulher faz preparativos
Esqueça o engradado de cerveja jogado na sala e o pacotinho de batata frita detonado em cima da mesa. Por mais que tenhamos feito piada com o tremoço, as moças vão querer preparar uma pequena festinha com sandubas, cerva, caipirinha de saquê (isso, sim, bebida exclusivamente feminina) e acepipes diversos em cumbuquinhas próprias. Para dois ou para 20. Não tem diferença.

6) Elas não bancam o torcedor-técnico
Não tem coisa mais chata que aquele cara que acha que sabe tudo de futebol e passa o jogo querendo mexer na escalação do time, no esquema tático e até na narração do jogo. Com meninas ao seu lado, isso não vai acontecer. Elas querem saber quando é que vai sair o gol para poderem gritar e te abraçar e só. Dane-se se o Pato, o Ganso e o Neymar ficaram de fora.

7) Você estará cercado de tudo o que gosta: mulher, cerveja e futebol
Ok, caí no estereótipo, mas pense bem, que macho de verdade vai desprezar esse trio? Sem contar que tem aquelas que vão lhe abraçar, beijar e até sentar no seu colo se o Brasil ganhar. Então, vai, seleção, vai! Tem mais em jogo que o hexacampeonato.

Consultora lança coleção inédita de manuais de vibradores

Publicado no Terra em junho de 2010
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Há aquelas que os ama e as que os odeiam. Para as primeiras, vibradores são acessórios indispensáveis tanto para o prazer individual, como a dois e algumas até o batizam com nomes de seus ídolos. Para o outro grupo é algo inconcebível, frio, que não substitui um homem.

A estimulação vaginal com acessórios, reza a lenda, existe desde o tempo de Cleópatra e durante séculos foi usada no tratamento da Histeria Aflitiva Feminina, já que se acreditava que a única maneira de tratar e curar o distúrbio era através de orgasmos regulares. Primeiro isso foi feito com jatos d´água na vagina, depois um médico inglês criou em 1880 uma máquina enorme só para esse fim.

O modelo manual e portátil apareceu em 1902, e em 1917 haviam mais vibradores do que torradeiras nos lares norte-americanos. Com a revolução feminina na década de 1970 a coisa meio que pegou, e nos anos 1990 a venda aumentou drasticamente nos sex shops. No Brasil, é a terceira categoria de produtos mais vendidos, representando 16% das vendas.

Acontece que dificilmente quando uma mulher vai adquirir o seu, ganha uma aula de utilização do brinquedo. Vendedores em lojas especializadas não explicam muito como usar e conservar um vibrador, e muita gente acaba fazendo errado, causando frustração e dor. "É muito interessante poder pensar no prazer que um vibrador pode proporcionar. Entretanto, escolher um vibrador pode ser qualquer coisa, menos uma tarefa das mais simples. Depois da escolha começam outros dilemas. Como usar? Como cuidar e como guardá-lo? Parou de funcionar e agora? Estas perguntas sempre surgem para quem tem um vibrador", disse a consultora Paula Aguiar, autora de quatro livretos, inéditos no mundo, que explicam detalhadamente como tirar o melhor do acessório.

A coleção chamada My Vibe trata dos quatro tipos mais famosos de vibradores, explicando as características de cada um, vantagens e desvantagens de cada modelo, cuidados na conservação e até dicas de utilização para uso a dois. Veja a diferença entre cada tipo:

Vibradores reais: são aqueles moldados de um pênis verdadeiro com veias, curvas e em alguns, até o escroto. É o predileto das mulheres brasileiras porque recria as sensações do sexo anal e vaginal. Podem ser rígidos, em silicone, elastômero, jelly rubber (não muito recomendável porque possui materiais cancerígenos na sua composição) ou cyberskin, que imita a textura da pele humana.

Vibradores Personal: elaborados em plástico ou metal, são aqueles com formato que lembra um obelisco, geralmente lisos. É o modelo mais fácil de limpar. Podem receber inúmeros acessórios como capas com variados relevos e anéis, companheiros para dupla penetração.

Vibradores Rabbit: o modelo que ganhou o mundo depois de aparecer na série Sex and The City, quando Miranda adquire um e não sai mais de casa, é estrela em feiras eróticas. Possui um estimulador de clitóris em formato de coelho (daí o nome) e proporciona duplo prazer (pela vagina e pelo clitóris). Alguns modelos possuem cabeça giratória.

Vibradores Bullet: em formato de cápsula ou de uma bala de revolver, é o vibrador mais popular do mundo graças a sua forma de utilização simples e pela vibração potente. Pode ser usado no clitóris, para estimulação das zonas erógenas e também acoplado a vários acessórios como os anéis penianos, massageadores e estimuladores. A cada semestre, novos modelos aparecem nas vitrines das sex shops.

A coleção My Vibe está sendo lançado no 6º Salão Erótico de Portugal que acontece de 4 a 6 de junho e pode ser adquirido pelo site da consultoria Atena. Cada livreto possui 52 páginas e custa apenas R$ 12. Se você é daquelas que acha que ninguém lê manual de instrução, é bom rever seus conceitos. No final das contas, seu prazer só tende a aumentar.

terça-feira, 1 de junho de 2010

As dez coisas que você talvez não saiba sobre bumbuns

Publicado no Terra em junho de 2010
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Antes da mulher brasileira se entregar totalmente ao silicone, a grande paixão masculina foi o derrière feminino. E demos sorte. As garotas tupiniquins sempre desfilaram belíssimas bundas nas praias ou em calças justas e capricham nos exercícios de fortalecimento do traseiro nas academias.

» Veja fotos dos bumbuns mais célebres do mundo

É por essa razão que muitos machos gostariam de erigir uma estátua em homenagem ao criador da calça branca, que levanta e louva essa parte da anatomia tão desejada. Sendo assim, resolvemos pesquisar para achar curiosidades relacionadas a esse objeto de desejo, responsável por tantas torcicolos, caras enfezadas de namoradas e microbiquínis nas praias. O resultado você confere a seguir.

1 - Segundo Gilberto Freyre, a paixão brasileira por derrières vem do tempo do Brasil colônia, mas os colonizadores portugueses trouxeram essa mania de lá, já que as mulheres da Península Ibérica eram consideradas bundudas e rivalizavam com as negras africanas em tamanho. Acontece que para as negras e índias, o sexo anal era mais comum que para as europeias e, então, nesse quesito, elas levaram vantagem.

2 - A palavra bunda veio de ovimbundos, uma das etnias banta de Angola. As mulheres dessa etnia sempre foram conhecidas por sua beleza física e pelo farto derrière e assim, para simplificar, todo mundo as chamavam de bundas. E a palavra acabou pegando no lugar mais saliente.

3 - Estruturalmente, na raça humana, as nádegas são formadas dos músculos que movimentam as pernas e é também o local onde é armazenada a gordura para formação de um feto.

4 - Aliás, uma pesquisa de Oxford mostrou que o acúmulo de gordura no traseiro é benéfico para a saúde, pois protege contra doenças cardiovasculares, já que ajudam a eliminar lipídeos prejudiciais e possuem agentes anti-inflamatórios (que por sua vez vão prevenir que as artérias se entupam).

5 - Na astrologia antiga, cada parte do corpo é representada por um signo e no caso da bunda, o correspondente é libra, pois é o equilíbrio (é só conferir a figura da balança).

6 - O grande poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema dedicado à paixão nacional chamado "A bunda que engraçada", onde diz "Lá vai sorrindo a bunda / Vai feliz / na carícia de ser e balançar / Esferas harmoniosas sobre o caos / A bunda é a bunda, rebunda."

7 - O Guinnes, ao contrário dos seios, não registra a maior nádega do mundo, mas a de Andressa Soares, a Mulher-Melancia, impressionou até mesmo Dian Hanson, editora da Taschen que fez questão de incluí-la no recém-lançado livro The Big Butt Book, e em entrevista exclusiva para o Terra, a decana especialista disse: "eu decidi que iria entrevistar apenas três modelos que são top em suas categorias e não deu para não colocar Andressa como a campeã. Sua nádegas são maiores e fiquei convencida de sua autenticidade".

8 - Apesar disso, a bunda mais bonita do mundo é a da gaúcha Melanie Fronckowiak, que venceu um concurso em Paris em 2008, patrocinado pela marca de roupa Sloggi. De prêmio levou 15 mil euros e um seguro para sua área consagrada.

9 - Saindo um pouco das brasileiras, o site masculino AskMen escolheu no ano passado as dez melhores modelos de bundas lá na terra do Tio Sam. O ranking ficou em:

10º Kari Byron: sua bunda foi usada como molde em um dos programas dos Mythbusters. Sucesso foi tanto que ela virou convidada constante do show.

9º Absolutely Amber: apareceu rebolando em vídeos de hip-hop de Tony Yayo, Twista, Lloyd e Eminem e hoje tem seu próprio website.

8º Anita Hart: foi dublê de bunda para Pamela Anderson, Brooke Shields, Liz Hurley e Cindy Crawford, substituindo as coisas caídas das famosas por sua escultural nádega.

7º Linda Teglovic: era seu traseiro que aparecia em inúmeros comerciais de TV de calças jeans e calcinhas nos Estados Unidos.

6º Buffie "O Corpo" Carruth: primeiro apareceu em vídeos de rap e hip-hop e o sucesso foi tão grande que lançou seu website, um calendário e ainda vende fotos autografadas.

5º Krista Kennedy: a modelo americana trabalhou para a Vogue, Harpers, GQ, Marie Claire e Dove, e segundo o site, seu traseiro vale mais do que os lugares onde ela senta.

4º Kaho Watanabe: foi considerada a bunda mais bonita do Japão (e você sendo preconceituoso, não é?) em um concurso promovido por um fabricante de lingerie e como não podia deixar de ser, os homens de lá criaram um monte de blogs para louvar a compatriota.

3º CoCo: esposa de Ice-T, Nicole Austin também lucra com seu derrière exposto em seu site, especialmente depois que o mostrou sem nada nas páginas de Playboy.

2º Kristina Dimitrova: é a antecessora de Melanie no concurso de bunda mais bonita do mundo de 2007. Não chega aos pés da brasileira.

1º Vida Guerra: se você nunca ouviu falar nela, nem viu fotos dessa beldade, então não deveria estar lendo essa matéria.

10 - Entre 2007 e 2008, a cidade de Valentine, no estado americano de Nebrasca, foi "atacada" pelo bandido da bunda. O indivíduo abaixava as calças e deixava a marca do seu traseiro nas vitrines das lojas da localidade, sempre à noite. Seu maior feito foi carimbar todas os vidros de um hotel em uma noite. Foi preso somente em novembro de 2008, e identificado como Thomas Larvie de 35 anos. A pena foi de 13 meses na cadeia.