domingo, 9 de maio de 2010

Conheça 12 mães históricas que ilustram o que é maternidade

Publicado no Terra em maio de 2010
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Por mais que Freud tenha surgido para jogar todos os nossos problemas nas costas das mães, a figura materna ainda tem muito que ser celebrada. Primeiramente porque filho não vem com manual de instrução e só quem tem um sabe a quantidade de besteira que se faz quando está tentando caprichar na criação. Depois, é ela que vai nos dar colo quando temos problemas, não importa e você tem oito ou quarenta anos de idade. Seja pelo bom ou mal exemplo, ela vai nos inspirar a agir de maneira correta e quando saímos da linha sabemos que no fundo ela vai nos perdoar.

Na história e no imaginário popular, as mães têm uma participação até mais importante que os pais. Veja o caso de Maria, mãe de Jesus. Por mais que José tenha aceitado pacificamente seu destino como pai de criação e não de concepção, foi ela que agüentou o fardo de parir o Messias, viu o filho desafiar os poderes vigentes e ainda assistiu seu martírio em corajosa e silenciosa dor.

É tão louvada pelo seu sacrifício que ganhou uma das orações mais importantes da fé católica e se tornou padroeira do Brasil. Por outro lado, temos Jocasta, a mãe de Édipo. Primeiramente ela mandou matar o filho, que salvo por um pastor, cresce e acaba por matar o pai e desposar a mãe. A tragédia grega termina com Jocasta se enforcando, Édipo se cegando em vergonha e deu pano para a manga para que psicólogos e psiquiatras viessem com a teoria que somos apaixonados por nossas progenitoras, o que levou o personagem de Robert DeNiro em A Máfia No Divã dizer sabiamente: "malditos gregos".

Mães também podem ter um poder absurdo sobre seus filhos e sobre um reino. Que o diga, Tibério, filho de Lívia Drusilla. Ela foi a primeira imperatriz de Roma, casada por 52 anos com César Augusto e uma parte da lenda reza que mandou eliminar qualquer parente que pudesse impedir que seu rebento sucedesse ao pai.

De qualquer maneira, foi uma grande influência no governo de Tibério (por mais que o filho tenha roubado sua herança) e morreu antes de ver seus netos Calígula e Claudio ascenderem ao poder. Foi o último, aliás, que a transformou em deusa, Augusta. Ainda nesse campo, não podemos deixar de lado Leonor da Aquitânia. Ela foi rainha da Inglaterra e da França e uma das mulheres mais poderosas da história medieval. Como qualquer mãe normal, enfrentou a situação de ficar entre seus dois filhos, Henrique o Jovem e Ricardo Coração de Leão, quando disputavam o trono, acabando primeiramente ao lado do segundo. Depois, quando seu neto tentou usurpar o trono, apoiou Henrique sem pestanejar.

As mães também podem pagar pelos pecados dos filhos. Um exemplo clássico é Ma Barker, que ficou consagrada por uma música dos anos 70 (Ma Baker, assim grafado errado, do grupo Boney M) e por filmes. Na versão oficial, ela criou seus filhos para serem bandidos e chefiava a gangue que aterrorizou as cidadezinhas do meio-oeste nos tempos da grande depressão. Acontece que a coitada não fez nada disso. Religiosa e humilde, ensinou os filhos a caçar quando não havia dinheiro para comida.

Os meninos, sem possibilidade de emprego, enveredaram-se no crime e um a um foram mortos pela polícia. Em 1935, o FBI cercou a casa onde estava o último filho remanescente e metralharam-na sem dó. Ao entrar, os federais viram que haviam matado também a pobre senhora e J. Edgar Hoover, o chefe do FBI, criou a história da cruel mãe para não ser massacrado pela opinião pública. E alguns filhos pagam pelos "pecados" dos adultos, mesmo quando são devido a políticas ditatoriais. As chamadas Mães da Praça de Maio ainda se mobilizam e protestam em busca de noticiais de seus rebentos, seqüestrados por agentes dos governos militares argentinos, enquanto os pais estavam presos ou sendo torturados.

E existem aquelas mães que não medem esforços para ver seus filhos bem, apesar de tudo pesar contra. Uma delas foi Bridget Brown, uma irlandesa cujo filho nasceu com paralisia cerebral e controlava apenas o pé esquerdo. Por mais que os médicos e o próprio pai da criança estivessem desenganados em relação ao menino, ela o incentivou a levar uma vida normal e o garoto se tornou um escritor e artista plástico. A história toda foi contada no filme ganhador do Oscar, Meu Pé Direito.

Se ser mãe é algo que está dentro de toda mulher (ou com a grande maioria) o que não dizer de Lina Medina, uma peruana nascida em 1933 que teve um filho aos cinco anos, sete meses e 21 dias, se tornando a mãe mais jovem da história da medicina. Paupérrima, surpreendeu o mundo quando seu abdômen cresceu e foi constatado que esperava um filho. Seu pai foi acusado de ter violentado a filha, mas inocentado por falta de provas e o pai da criança nunca foi descoberto. Mesmo em uma entrevista para a agência Reuters em 2002, Lina recusou-se a dar a identidade do violador. Seu segundo filho só nasceu quando ela tinha 38 anos de idade.

E maternidade não precisa ser sinônimo de dar a luz a uma criança e sim criar como se fosse seus filhos. E é nesse rol que entra Madre Teresa de Calcutá, uma verdadeira mãe para muita gente. Nascida na Macedônia como Agnes Gonxha Bojaxhiu, foi a fundadora das Missionárias da Caridade, instituição de apoio a crianças, idosos, portadores de HIV e leprosos. Ela atuou em vários países no mundo (não só na Índia) e chegou a ganhar um premio Nobel da Paz em 1979.

Por fim vem as mães inspiradoras, aquelas que nunca deixaram de ser as musas de seus filhos. Lady Laura, falecida recentemente, foi um guia e uma luz na vida de Roberto Carlos, sempre discreta e reservada. Dona Canô, do alto de seus 102 anos de idade, sorri com o sucesso de sua prole, Caetano e Betânia, mas não deixa de lhes dar bronca, mesmo publicamente, se eles fizerem algo que não a agrada, como no caso em que Caetano falou mal de Lula e ela manifestou seu repúdio às palavras do filho. E finalmente temos a Mãe do Henfil, que ficou consagrada nacionalmente graças aos textos humorísticos de seu filho, intitulados "Cartas à mãe".

Poderosas, inspiradoras, duronas, amáveis, amigas, não importam quais sejam as características que nossas mães tenham mais fortemente, seguramente nossa vida seria muito desprotegida e sem-graça sem elas.

Um comentário:

Petite Poupée disse...

Belo texto Claudio! acho muito legal o amor de mãe. Um elo verdadeiro e incondicional e porque não dizer eterno, não é mesmo?