segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Editora fala sobre livro que explora a fixação por bundas

Publicado no Terra em ouubro de 2009
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Dian Hanson é uma mulher extremamente interessante. Aos 58 anos de idade, a americana fez história no mercado pornográfico norte-americano trabalhando como editora (e algumas vezes fundadora) de algumas das mais famosas revistas de nus como Puritan, Juggs, Adult cinema review e Leg show. Desde 2001 é a responsável por livros de conteúdo sexual da Taschen, uma das mais importantes editoras de obras voltadas para arte e fotografia do mundo.

» Veja as capas

Foi pela Taschen que Dian começou a lançar livros que exploram os fetiches do ser humano. O primeiro dele foi The big book of breasts (O grande livro dos peitos), seguido por The big penis book (O livro do pênis grande, que quase não saiu por preconceito da cúpula da editora, mas acabou vendendo mais que o primeiro) e finalmente The big book of legs (O grande livro das pernas).

Para este ano, a editora lança no próximo mês um livro dedicado à paixão do brasileiro: The big butt book (O livro da bunda grande). De sua casa em Los Angeles, onde vive com o marido, o escritor Geoff Nicholson, Dian concedeu uma entrevista exclusiva ao Terra, por telefone, em que falou sobre sexualidade, fetiches e, obviamente, bundas.

Terra - O que lhe motivou a trabalhar com nus e pornografia?
Dian Hanson - Comecei trabalhando com revistas adultas em 1976 em uma publicação chamada Puritan. Eu era hippie na época e achava que trabalhar para a indústria de sexo podia ser divertido e uma aventura rebelde.

Terra - E você teve alguma reação dura de sua família ou amigos?
DH - Minha mãe não ficou nada contente mas meu pai comprou secretamente todas as revistas que eu fiz na minha carreira e ficou bem orgulhoso.

Terra - Você chegou a posar para essas revistas ou em algum trabalho na sua vida?
DH - Não posei porque sou muito crítica em relação ao meu corpo - eu era muito magra e muito jovem - e eu não queria me mostrar se eu não fosse a melhor. Eu também nunca gostei que tirassem fotos minhas.

Terra - Nessa sua experiência em revistas adultas, você acredita que esse tipo de publicação diminui ou louva o corpo feminino?
DH - Pode ir para os dois lados, dependendo de como o editor trabalha isso. Nós costumávamos dizer que só havia dois caminhos: colocar a mulher no pedestal ou na sarjeta, e existe público para cada um deles. Eu escolhi deixar minhas modelos felizes porque se não fizesse teria que enfrentar sua raiva ou choro.

E na maioria das vezes isso significa colocá-las no pedestal e dar um jeito de mostrá-las da melhor maneira possível. Acontece que nem toda modelo quer ser mostrada como uma deusa inatingível. Algumas gostam de parecer indecentes e vagabundas na revista e se essa é a sua fantasia, é assim que a mostraremos. Algumas vezes é difícil para um homem compreender que há mulheres que fantasiam ser mais vagabundas, mas, acredite, muitas são assim.

Terra - O grande livro dos peitos vendeu 65 mil cópias e o do pênis, cerca de 100 mil. Como você explica o sucesso desses livros: é simplesmente o fato de mexerem com a fantasia alheia ou a maneira como elas são postas no livro, com classe e estilo?
DH - Eu não sei exatamente quanto cada um vendeu, mas os dois livros foram muitos bem e com certeza serão os bestsellers da minha carreira. E eles fizeram sucesso em múltiplos níveis. O design é muito bonito, graças a meu designer Josh Baker, e as capas são inteligentes, com uma sobrecapa em acetato transparente simulando um sutiã no caso dos peitos, e uma cueca no do pênis. Acredito, porém, que a principal atração é que o comprador está adquirindo quase 400 páginas do máximo em exemplos de partes do corpo que disparam um interesse sexual. A maioria dos homens gostam de um peito grande. Todo mundo, homens e mulheres, se impressionam com um pênis enorme. As duas coisas são raras na natureza, então ver exemplos tão bons, juntos num lugar só, é irresistível.

Terra - Uma das melhores coisas quando você é adolescente é que sexo e pornografia tem uma aura de tabu, parecendo algo proibitivo. Com isso em mente você acredita que sexo e nudez deveriam ser mais abertos ou e preferível manter a mente aberta mas guardar nossas preferências conosco?
DH - Eu acho que com a internet, o catálogo de imagens sexuais está hoje em todo lugar e acessível a qualquer um. Isso faz o sexo ser menos divertido para os jovens? Bem, nós vemos hoje nos EUA que pessoas na adolescência e nos seus 20 anos estão muito mais conservadoras que aquelas da minha idade, nascidas nos anos 50, quando estávamos na adolescência. Mas as coisas não mudaram muito. Moças mais jovens ainda tem a preocupação de serem chamadas de fáceis ou vagabundas e de que as pessoas achem imoral fazer sexo. Sempre foi assim, então talvez essa pornografia realmente não está mudando a atitude sexual das pessoas. Eu suspeito que as pessoas não encarem quem trabalha na industria pornô como "reais" e não são influenciadas pelo que elas fazem. Eu não tenho uma opinião se isso é bom ou ruim, mas acho muito interessante.

Terra - Andressa Soares, a Mulher Melancia, está representando o Brasil e a América Latina no seu novo livro. É a única brasileira lá? E por que ela e não Melanie Nunes que ganhou o título de melhor traseiro do mundo na França no ano passado?
DH - Eu pensei em contactar a Melanie antes de descobrir a Andressa, mas como eu decidi que iria entrevistar apenas três modelos que são top em suas categorias, não deu para não colocar Andressa como a campeã. Suas nádegas são maiores e fiquei convencida de sua autenticidade, enquanto eu tinha dúvidas em relação às da Melanie, porque é muito raro uma mulher ter uma bunda tão perfeita. As outras duas modelos são Buffie The Body, uma jovem que realmente começou a despertar o interesse dos americanos por uma nádega grande, e Coco T, que como Andressa, tem muitas revistas dedicadas inteiramente à sua espetacular parte posterior.

Terra - Você afirmou em uma entrevista que os homens do Hemisfério Norte estão descobrindo as bundas, especialmente porque começou a crescer um respeito pela cultura negra. Já no Brasil, estamos no caminho inverso, uma vez que muitas meninas (algumas até de 16 anos de idade) estão turbinando os peitos com silicone. Você arriscaria alguma teoria a respeito?
DH - Pessoas em todos os lugares parecem ter sido infectadas por essa tara por cirurgia plástica. Nós sabemos que pessoas atraentes tem uma vantagem na vida, então se podem arcar com isso, muitas vão pagar para maximizar suas chances de estabilidade emocional e financeira. Aqui nos EUA, as mulheres estão aumentando tanto peitos como bunda. Como no Brasil vocês são naturalmente abençoadas com bundas grandes, então elas tentam aumentar a parte de cima, para ter duas qualidades desejáveis ao invés de uma. É triste porque muitas dessas cirurgias dão errado e o peito aumentado não fica nem natural, nem atraente. Já aumentar o traseiro por plástica, fica bastante natural, e ninguém nota que é você não nasceu com ele.

Terra - O Brasil é conhecido pelos estrangeiros como um país sensual, muito graças ao Carnaval, mas por outro lado, somos um povo conservador graças à herança de colonização católica. Você já veio ao Brasil e que impressão tem do nosso país?
DH - Infelizmente eu ainda não tive o prazer de ir ao Brasil, mas tenho muitos amigos e amigas que foram e amaram. Parece que todo mundo teve alguma aventura sexual aí, incluindo uma amiga que se apaixonou e se casou com uma brasileiro. Talvez seu clima quente e abafado faça vocês serem mais conservadores na cabeça, mas liberais no corpo.

Terra - Você já explorou muitos fetiches como peitos, bundas, pernas. Qual é o próximo?
DH - Depois do Livro das bundas grandes, eu vou fazer o Grande Livro das, alguma palavra que signifique vulva, que não é vulva, porque não é uma palavra bonita. Eu vou continuar a editar livros sobre outros assuntos sexuais, mas não quero estar em dez anos fazendo um Grande livro dos cotovelos.

3 comentários:

Marcelo Tadeu disse...

Entrevista séria... O texto está bom... Mas que bunda tem essa Melanie Nunes, heim?!!!

Língua de trapo disse...

Porra Claudio! e bunda carioca tem comparação?

Petit Poupée disse...

Só nao entendi o problema com a palavra vulva...é tao bonita! o v é perfeito para nomear o sexo da mulher...só pode ser uma questao de língua!